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Pedido de Desculpas ( Erros e Correções)

Pedido de Desculpas

Esse é um artigo dirigido especificamente a um grupo de pessoas ou classe política. E tem como objetivo salvar os mesmos dos adjetivos infelizes que o meu último artigo transporta. Peço desculpas e lamento, mas na minha intenção, ao tentar desmistificar o cargo de maior responsabilidade no país, não tive alternativa. Isso vale para os cargos de ministros e secretários que existem por aí.

O artigo estava dirigido ao potencial de responsabilidade que alguém deve ter ao assumir o cargo de Presidente da República em Angola. Que enfatizo em dizer que essa responsabilidade e competência de quem está no mesmo cargo hoje é duvidosa. Esse cargo hoje é ocupado por um ex-combatente ou alguém que pertence também a aquela categoria política que muitos chamam de “Os Antigos Combatentes”. Concordo com a idéia e proposta de que a estes devemos gratidão e respeito, mesmo nas piores condições ou circunstâncias. Só espero que as mesmas circunstâncias, às vezes, não sejam usadas para camuflar falhas vindo da aquela classe de homens e mulheres que tanto fizeram pelo país e ainda fazem. Considero que fui infeliz ao me dirigir a quem ocupa o cargo de presidente como “Antigo Combatente”, apesar da expressão “Antigo Combatente” não estar explícito no texto, mas ficou subentendido e devo dizer que nunca da minha parte existiu intenção de ofender estes.

Ou seja, para mim uma coisa é ser Presidente da República, cargo que pode ser atribuído a qualquer Angolano, desde que mostre competência e seja responsável pelos seus atos, e a outra é ser “Antigo Combatente” um atributo que por circunstâncias históricas só é privilégio de alguns cidadãos angolanos. Falando em responsabilidade que bom que todos nós estivéssemos à altura de assumir as nossas.

É por isso que venho aqui dizer que aquele artigo estava especificamente dirigido a todo cidadão normal e em particular ao Presidente da República, e não aos antigos combatentes. Quando digo todos, é que temos a esperança absoluta de que o cargo aqui referido um dia será ocupado por qualquer um outro angolano, que da mesma forma será exigido do mesmo responsabilidade, inteligência e competência.

O cargo para Presidente da República não é exclusivo para “Antigos Combatentes”. Faço questão aqui de separar uma coisa da outra, e repetir que venho pedir desculpas a esta classe de homens. E por isso, também, aproveito as circunstâncias para pendurar minha intenção de voto nas próximas eleições presidenciais e dizer a todos que José Eduardo dos Santos não será o meu candidato a presidente da república em 2011 ou 20012. Mas estaremos aqui apara apoiar sempre o MPLA.

Nelo de Carvalho
www.blogdonelodecarvalho.blogsopt.com
www.nelo6@msn.com

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O País Das Aranhas XLVI

Exonerar e “demitir” para acomodar


Não é de hoje que se concluiu que o MPLA e os seus dirigentes ou, simplesmente, os dirigentes desse partido fazem parte de uma tribo de pessoas arrogantes, prepotentes e infinitamente burros. Um bando de guerrilheiros que receberam um país nas mãos de um colono desgraçado, igualmente infelizes e subdesenvolvidos e até bárbaros com títulos de padres, comerciantes e soldados que viriam impor a lei ao nativo “bárbaro” e “primitivo”.

A prova de tais suspeitas está nas exonerações. Se no passado era só para acomodar os “vitoriosos guerrilheiros que deram as suas vidas em combate” para tornarem uma nação independente, hoje as exonerações espelham o retrato da falta de legitimidade de um presidente ou um sujeito que transformou o cargo de presidente, cargo público, em um cargo e função moribunda. Um cargo podre e doente que só serve para alimentar a toda sua família, amigos, parentes, o compadrio e quem senta na mesma cadeira. A degradação de tal cargo é total. Não soubemos se quando o mesmo sair daí sobrará prestígio, nesse cargo, para o sucessor.

O estado de imoralidade e desprestígio acompanha os atos dessa administração, que se transformou em um circo e círculo de palhaços. Uma seita onde a corrupção já é tida como um mal menor e nem se discuti, quanto mais se fingi que a mesma não existe. A corrupção desta vez escancarou e mostrou, além de arrogância, o seu lado machista no escuro submundo mafioso e covarde contra o melhor que existe na espécie humana: a mulher! Esse submundo mal educado, vingativo e misógino, e que mais uma vez mostrou até que é incompetente perante a mulher. E que não sabe enfrentar desafios.

O próprio Presidente da República, na sua ingenuidade, selou e assinou o seu ato de sujeito atordoado e perdido assim como de toda administração que dirige, num mundo (país) em que ninguém mais questiona e sanciona se as coisas estão certas ou não. Num mundo onde só os corruptos, do MPLA, têm tanta liberdade e poder para mandar, desmandar, fazer e desfazer. É duro vir aqui e chamar o presidente da república de incompetente, mas é deveras isso que retratam os últimos acontecimentos. Mesmo quando todos os adjetivos nesse texto podem caracterizar uma suposta falta de respeito ao mais alto mandatário da nação. Se for assim, a pergunta é: qual é o respeito que este tem para com os cidadãos? Quando manifesta explicitamente e na cara de todos que é machista, é arrogante, porque cedeu a arrogância de um sujeito que jamais deveria ocupar um cargo em governo algum.

Por que quê o presidente merece tanto respeito e consideração, quando ele não respeita ninguém!? Quando esvazia o seu poder, cargo e função, que é público, para ceder aos caprichos de um ex-guerrilherio, general ou quem quer que seja, porque tem medo de trabalhar com mulheres, ou até ser dirigido por elas. Digamos que o problema fosse simplesmente pessoal, então que demitisse os dois ou o mais incompetente deles ( ou simplesmente o estado não deveria imiscuir-se). A impossibilidade de agir de maneira correta e civilizada mostra, mais uma vez, que o estado angolano encabeçado por quem está aí, infelizmente, vive se realimentando da imundice que ele mesmo criou ao longo desses trinta anos de existência. O estado está caduco e viciado perdeu a referência do que é ser responsável, parece ser uma drag queem, aquele bailarino homossexual travestido de mulher, vítima de toda zombaria, é o nível mais degradante de um ser (humano). Aqui no caso é o esfacelamento de uma instituição que deveria ser séria, mas perdeu o respeito de todos.

Nesse texto o verbo demitir na verdade parece estar demais não é a prática da administração pública angolana. Demitir seus funcionários quando esses fazem parte daquele círculo, a velha guarda. O instrumento, a tubulação e a válvula a ser aberta e fechada para que toda a podridão reinicie seu ciclo, o fluxo interminável num circuito fechado, é mesmo o da exoneração.

Que sistema é esse que não usa um instrumento de demissão?

Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/

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Governo brasileiro não se alinha à hipócrita campanha anticubana

DEBATE ABERTO


Governo brasileiro não se alinha à hipócrita campanha anticubana

O governo brasileiro foi irrepreensível ao se recusar a figurar nessa (má) companhia, apesar das pressões. A esclarecedora declaração do chanceler Celso Amorim sobre a posição brasileira ficou quase perdida em meio à histeria oposicionista.

Hideyo Saito

Em vez de pressionar para que o governo brasileiro se some à atual campanha anticubana, como sempre capitaneada pelas agências oligopólicas de notícias, as boas almas que se manifestaram pela democratização de Cuba têm o dever moral de exigir o fim da política de agressão dos EUA contra Cuba. Do contrário, sua posição, apresentada como democrática, se revelará escandalosamente desonesta e hipócrita. Cessada a agressão e desanuviado o ambiente internacional, o próprio povo cubano poderá decidir, sem pressões externas, como será o seu modelo de democracia, conforme parecem indicar os debates já em curso no país, com grande participação popular.

Os chamados dissidentes cubanos receberam forte apoio da oposição brasileira e da mídia dominante local, em seu empenho para constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se manifestar publicamente contra o governo de Havana. Na famosa entrevista à Associated Press, usada como pretexto para a pancadaria, o presidente brasileiro trouxe à baila um episódio de morte em uma greve de fome coletiva de prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), durante o governo de Margareth Thatcher, em março de 1981. “Eu vejo muita gente que hoje critica o governo cubano por causa da morte, [e que] não falava nada da morte do IRA”, cobrou Lula. Esse trecho foi convenientemente omitido pela mídia dominante, para deixar o caminho livre para a atual campanha.

Na compacta barreira de desinformação que se orquestrou, as palavras-chave usadas têm sido: luta pela liberdade, dissidentes heróicos, masmorras cubanas, presos de consciência, tirania insensível, cumplicidade de Lula. Os atores brasileiros do drama (jornalistas locais, enviados especiais, colunistas, comentaristas convidados, políticos) repetem em uníssono o noticiário difundido por agências oligopólicas de notícias, como a citada AP, a France Press e a Efe, e por órgãos como a Voz da América, do governo dos Estados Unidos. No jornal O Estado de S. Paulo, a sanha tem sido tamanha, que até colunista de assuntos econômicos, caso de Rolf Kuntz, e articulista convidado, como Eugenio Bucci, reforçaram o festival de acusações em termos praticamente idênticos aos do famoso extremista de direita Carlos Alberto Montaner. O Senado brasileiro aprovou moção de solidariedade aos “presos políticos”, em que também não faltaram críticas ao presidente Lula.

Nenhuma dessas boas almas, contudo, se preocupou em “checar” a notícia original ou qualquer de seus pormenores, cotejando-os com dados de outras fontes, ainda que fosse para complementar alguma informação. Se alguém o fizesse, poderia ter sabido que nenhum dos dois grevistas (Orlando Zapata Tamayo, que faleceu em 23 de fevereiro, e Guillermo Fariñas Hernández, que estava em estado crítico em um hospital cubano no final da segunda semana de março) foi condenado por atividades políticas, mas por delitos como furto, invasão de domicílio e agressões físicas, conforme registros judiciais cubanos. Ficaria informado também de que os presos por atividades políticas, cuja libertação é reivindicada por Fariñas, são os remanescentes do processo de 2003, quando 75 opositores foram condenados por receberem dinheiro do Escritório de Representação dos Estados Unidos em Havana para participar de atividades contra o governo revolucionário (e não, como diz a campanha-padrão contra Cuba, por se oporem ao regime).

Poderia confirmar ainda que o julgamento dos 75 foi realizado em tribunais regulares, em sessões públicas, com base em leis pré-existentes e assegurado o pleno direito de defesa e de apelação. O governo cubano divulgou, na ocasião, provas documentais sobre a relação que os acusados mantinham com representantes do governo estadunidense. É uma relação passível de incriminação penal em qualquer país do mundo. Em todo caso, cerca de 20 deles foram, desde então, libertados pelo governo por problema de saúde, obedecendo às 95 regras de tratamento carcerário humanitário, estabelecidas pela ONU.

Preso duas vezes por agressão

De acordo com a ficha corrida de Guillermo Fariñas Hernández, em 1995 ele espancou uma mulher na instituição de saúde onde trabalhava como psicólogo, causando-lhe ferimentos múltiplos no rosto e nos braços. Sofreu pena de três anos de prisão sem internamento (por sua primariedade), além de multa de 600 pesos. Em 2002, atacou um ancião com um bastão na cidade de Santa Clara, onde reside. A vítima teve de ser operada para extirpação do baçoe o agressor foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão (Causa 569/2002, do Tribunal Popular Provincial de Villa Clara). Por essa época, ele começou a utilizar o recurso da greve de fome para obter vantagens, como televisor em sua cela, tendo dessa forma atraído a atenção dos grupos contrarrevolucionários, aos quais aderiu em seguida. Em dezembro de 2003, devido à sua saúde fragilizada pela sucessão de greves, recebeu uma licença extra-penal com base no código cubano. Fora da cadeia, passou a colaborar com a Rádio Martí e a receber dinheiro regularmente da já mencionada representação dos EUA em Havana. Em 2006, voltou a se declarar em greve de fome, para reivindicar acesso domiciliar à internet.

Na atual greve, Fariñas Hernández recusou toda oferta oficial para tratamento de sua saúde, obstinando-se em dizer que irá até o fim. Da mesma forma, rejeitou oferta de asilo na Espanha, feita com a anuência de Havana. Por isso, a intervenção médica cubana só pôde acontecer quando o manifestante entrou em estado de choque, na noite de quinta-feira, 11 de março, em estado gravíssimo, como no caso de Orlando Zapata Tamayo, que viria a falecer. Eis o que divulgaram as agências France Press, Efe e Reuters sobre esse momento, conforme publicado no Estado de S. Paulo : “Momentos antes de Fariñas desmaiar, um grupo de médicos do sistema de saúde pública de Cuba visitou o dissidente e pediu que ele concordasse em ir, de ambulância, até uma clínica para que fizesse um check-up profissional. O opositor, porém, agradeceu ‘o profissionalismo e a humanidade’ dos médicos, mas insistiu em fazer os exames em sua casa. Os médicos aceitaram as condições e coletaram amostras no local, mas saíram antes de Fariñas desmaiar”.

As vantagens de ser dissidente cubano

Orlando Zapata Tamayo também jamais havia sido seguidamente condenado por atividade política, embora esteja sendo apresentado agora como mártir da luta pela liberdade. Ele só começou a adotar um “perfil político” quando percebeu que, na situação particularíssima de Cuba, isso poderia ser vantajoso por causa do farto dinheiro distribuído pelos Estados Unidos aos que se declaram dissidentes no país. Antes havia cumprido pena por “violação de domicílio” (1993), “furto e agressão com arma branca” (2000) e “perturbação da ordem pública” (2002). Em 2003, chegou a ser solto, mas voltou à cadeia por reincidência. Por isso, não figurou na relação de “prisioneiros políticos” elaborada em 2003 pela antiga Comissão de Direitos Humanos da ONU, com a intenção de condenar Cuba por violação aos direitos humanos.

Aquela mesma boa alma curiosa poderia igualmente notar, na campanha em curso, que apesar da insistência na denúncia de que os “presos de consciência” cubanos foram encarcerados simplesmente por serem contra o governo, o noticiário correspondente é abundante em declarações de opositores que vivem em Cuba, como Manuel Cuesta Morúa, René Gómez Manzano, Elizárdo Sánchez, Osvaldo Payá Sardinãs e outros. Eles são contra o governo, dão entrevistas para a imprensa internacional recheadas de críticas, mas não estão presos! Há algo errado nessa denúncia, portanto. O próprio Fariñas, aliás, estava em casa antes de ser internado e lá recebia diariamente jornalistas estrangeiros.

Anistia Internacional: as situações em Cuba, nos EUA e na Europa

Sobre o suposto caráter ditatorial do regime vigente em Cuba, é interessante ainda comparar o que diz o relatório “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2008”, da Anistia Internacional (entidade nada amistosa com o governo cubano), sobre a situação naquele país, nos Estados Unidos e na Europa. O documento acusa o governo cubano de restringir as liberdades de expressão, de associação e de circulação, fala nos “presos de consciência” remanescentes do grupo dos 75 e registra incidentes em que teria havido “fustigamento e intimidação” de dissidentes. Mas não menciona um só caso de sequestro ou desaparecimento de opositores, nem tortura ou morte de prisioneiros em dependências carcerárias. Da mesma forma, não fala em repressão policial, nem em execução extrajudicial em Cuba.

Esse mesmo documento da Anistia Internacional, em contrapartida, denuncia os EUA por prática sistemática da tortura conhecida como waterboarding (simulação de asfixia), detenções e interrogatórios secretos e desaparecimento de suspeitos. Acusa ainda Washington de manter milhares de detidos, muitos “há mais de seis anos”, em Guantánamo, em Bagram e no Iraque, sem acusação nem julgamento. Sobre os governos europeus, o relatório da Anistia declara: “Em 2007 surgiram novas evidências de que diversos Estados-membros da União Europeia foram coniventes com a CIA no sequestro, na detenção secreta e na transferência ilegal de prisioneiros para países em que foram torturados ou sofreram maus tratos”.

Ora, a atual campanha contra o governo cubano se origina de forças políticas que admiram as democracias vigentes na União Europeia e nos Estados Unidos, considerando-as modelos a serem copiados por todo o mundo (inclusive Cuba). Deveriam, portanto, preocupar-se também com o estado dessa própria democracia e dos direitos humanos nesses países, em vez de gastarem todo o gás em sua fúria contra Cuba. Que tal uma campanhazinha para combater a pouca vergonha denunciada pela Anistia Internacional nos EUA e na União Europeia?

As múltiplas e insistentes agressões contra Cuba

O governo brasileiro foi irrepreensível ao se recusar a figurar nessa (má) companhia, apesar das pressões. A esclarecedora declaração do chanceler Celso Amorim sobre a posição brasileira ficou quase perdida em meio à histeria oposicionista. “Uma coisa é defender a democracia, os direitos humanos e à livre expressão, como fazemos. Outra coisa é sair dando apoio a tudo quanto é dissidente no mundo. Quando você tem de falar alguma coisa [a um governo estrangeiro], você fala de outra forma, discretamente, não pela mídia”, declarou. O chanceler brasileiro disse, em outras palavras, o que Lula já havia declarado em sua primeira visita a Cuba como presidente, em setembro de 2003: que não se somaria às pressões permanentes de setores direitistas contra o governo de Havana, falando publicamente sobre assuntos internos de um país amigo.

Mas a frase mais significativa de Amorim, nessa questão, foi a seguinte: “Se alguém está interessado em uma evolução política em Cuba, eu tenho a receita rápida: acabe com o embargo. Isso vai trazer grandes mudanças em Cuba”. Ele se referia ao bloqueio unilateral que os Estados Unidos mantêm contra o país desde 1962, como parte de uma ampla política de hostilidade, que inclui ainda a transmissão, a território cubano, de propaganda contra a revolução cubana através da Rádio e TV Martí (ao arrepio do código da União Internacional de Telecomunicações), o fornecimento de recursos financeiros à oposição interna, o incentivo à emigração de cubanos para os EUA e outras medidas intervencionistas. O próprio bloqueio não se resume a impedir Cuba de comprar e vender no mercado estadunidense. Compreende ainda a proibição de comerciar com filiais de companhias estadunidenses no mundo todo, assim como com empresas que tenham capital acionário ou usem tecnologia e componentes daquele país em sua produção. Significa igualmente o fechamento do mercado dos EUA a qualquer parceiro comercial de Cuba, de qualquer país, inclusive a bancos e a navios mercantes. Por força dessa mesma política, aplicada apesar da condenação de praticamente todos os países representados na ONU, cientistas cubanos costumam ser excluídos de congressos internacionais e de pesquisas conjuntas e o próprio país não consegue se filiar a algumas organizações internacionais.

Essa política, por mais inacreditável que pareça, é respaldada pela lei Helms-Burton, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1996. Arrogantemente intitulada Lei para a Liberdade e a Solidariedade Democrática em Cuba, ela autoriza o presidente dos EUA a “proporcionar assistência e a oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para apoiar esforços com o objetivo de construir uma democracia em Cuba”. Estabelece ainda como devem ser as eleições sob um governo “democrático e independente”, chegando a vetar a participação dos atuais líderes cubanos, especialmente Fidel e Raúl Castro! Os tão ardorosos defensores da democracia em Cuba, que se revelaram de corpo inteiro nessa campanha, têm o dever moral de denunciar essa política imperialista de agressão e exigir o seu fim, como tem feito o governo brasileiro. Do contrário, sua posição, que apresentam como democrática, se mostrará escandalosamente desonesta e hipócrita.

Cessada a agressão e desanuviado o ambiente internacional, o próprio povo cubano poderá decidir, sem pressões externas, como será o seu modelo de democracia, conforme parecem indicar os debates já em curso no país, com grande participação popular.

Hideyo Saito é jornalista.

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A liberdade De Imprensa No Brasil, Só Vale Para Uns Para Outros Não

DEBATE ABERTO




Liberdade de Expressão e seus 30 novos significados

Cotejando os temas abordados no Millenium e, principalmente, os conferencistas que lá foram vivamente aplaudidos, podemos imaginar novos significados para o verbete “liberdade de expressão”.

Washington Araújo

Organizado pelo Instituto Millenium realizou-se em São Paulo no dia 1º de março de 2010 o I Fórum Democracia e Liberdade de Expressão congregando a fina flor do empresariado da comunicação brasileira e acolhendo representantes de grandes grupos de mídia da América Latina, em especial da Venezuela e da Argentina, além renomados nomes do colunismo político que brilham em nossos veículos comerciais. Pretendeu ser um contraponto à I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), cuja etapa nacional ocorreu em Brasília entre os dias 14 a 17 de dezembro de 2009. A Confecom envolveu mais de 20.000 pessoas em todo o país, recepcionou 6.000 propostas originárias das etapas estaduais e aprovou 500 resoluções.

A Confecom de Brasília trouxe à discussão temas como Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e os Direitos e Deveres da Cidadania, o Fórum de São Paulo propunha a defesa de valores como Democracia, Economia de Mercado e o Individualismo.

Todo cidadão brasileiro era bem-vindo para participar da 1ª Confecom. Para assistir ao Fórum Millenium era indispensável o pagamento de R$ 500,00 a título de inscrição. Na Confecom as seis maiores corporações empresariais de veículos de comunicação do Brasil fizeram questão de marcar sua ausência. No Millenium as ausentes se fizeram presentes. Dentre as quais destaco: Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidades que envolvem a Globo, o SBT, a Record, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, a RBS, Instituto Liberal, Movimento Endireita Brasil (MEB), e outras empresas que decidiram boicotar a I Conferência Nacional de Comunicação, numa demonstração de forte apreço pela democracia. Se essas entidades desejaram evitar o confronto na Confecom mostraram-se pintadas para guerra no Millenium.

Cotejando os temas abordados no Millenium e, principalmente, os conferencistas que lá foram vivamente aplaudidos, posso imaginar que se pretende agregar novos significados ao verbete “liberdade de expressão”.

São eles:

1. Liberdade de expressão é interditar todo e qualquer debate democrático sobre os meios de comunicação.

2. Liberdade de expressão só pode ser invocada pelos que controlam o monopólio das comunicações no país.

3. Liberdade de expressão é bem supremo estando abaixo apenas do Deus-Mercado.

4. Liberdade de expressão é moeda de troca nas eternas rusgas entre situação e oposição.

5. Liberdade de expressão é denunciar qualquer debate sobre mecanismos para termos uma imprensa minimamente responsável.

6. Liberdade de expressão é gerar factóides, divulgar informações sabidamente falsas apenas para aproveitar o calor da luta.

7. Liberdade de expressão é deitar falação contra avanços sociais, contra mobilidade social, contra cotas para negros e índios em universidades públicas.

8. Liberdade de expressão é cartelizar a informação e divulgá-la como capítulos de uma mesma novela em variados veículos de comunicação.

9. Liberdade de expressão é não conceder o direito de resposta sem que antes o interessado passe por toda a via crucis de conseguir na justiça valer seu direito.

10. Liberdade de expressão é explorar a boa fé do povo com programas de televisão que manipulam suas emoções e suas carências oferecendo uma casa aqui outro carro ali e assim por diante.

11. Liberdade de expressão é somente aprovar comentários aptos à publicação em sítio/blog da internet se estes referendarem o pensamento do autor e proprietário do sítio/blog.

12. Liberdade de expressão é ser leviano a ponto de chamar a ditadura brasileira de ditabranda e ficar por isso mesmo.

13. Liberdade de expressão é imputar ao presidente da República comportamento imoral tendo como fundamento depoimento fragmentado da memória de um indivíduo acerca de fato relatado quase duas décadas depois.

14. Liberdade de expressão é apresentar imparcialidade jornalística do meio de comunicação mesmo quando os principais jornalistas fazem de sua coluna tribuna eminentemente partidária.

15. Liberdade de expressão é fazer estardalhaço em torno de um sequestro que não ocorreu há quase 40 anos com a clara intenção de tumultuar o processo político atual.

16. Liberdade de expressão é assacar contra a honra de pessoa pública utilizando documentos de autenticidade altamente duvidosa e depois fazer mea culpa na seção “Erramos”.

17. Liberdade de expressão é submeter decisões editoriais a decisões comerciais de empresas e emissoras de comunicação.

18. Liberdade de expressão é somente dar ampla divulgação a pesquisas de opinião em que os resultados sejam palatáveis ao veículo de comunicação.

19. Liberdade de expressão é não ter visto “Lula, o filho do Brasil” e considerá-lo péssimo produto cinematográfico sem ao menos tê-lo assistido.

20. Liberdade de expressão é minimizar o descaso do poder público ante as enchentes de São Paulo e reduzir candidato à presidência a mero poste.

21. Liberdade de expressão é ter dois pesos em política externa: Cuba é o inferno e China é o paraíso.

22. Liberdade de expressão é demonizar movimentos sociais e defender a todo custo latifúndios vastos e improdutivos.

23. Liberdade de expressão é usar uma concessão pública para aumentar os níveis de audiência com o uso perverso de crianças no papel de vilões.

24. Liberdade de expressão é desqualificar quem não aprecia a programação servida pelo Instituto Millenium.

25. Liberdade de expressão é rejeitar in totum toda e qualquer proposição da Conferência Nacional de Comunicação.

26. Liberdade de expressão é apostar em quem ofereça garantias robustas visando manter o monopólio dos atuais donos da mídia brasileira.

27. Liberdade de expressão é obstruir qualquer caminho que conduza mecanismos de democracia participativa.

28. Liberdade de expressão é fazer coro contra qualquer governo de esquerda e se omitir contra malfeitorias de qualquer governo de direita. Ou vice-versa.

29. Liberdade de expressão é fugir como o diabo foge da cruz de expressões como liberdade, democracia, cidadania, justiça social, controle social da mídia.

30. Liberdade de expressão é lutar para manter o status quo: o direito de informar é meu e ninguém tasca.

Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com

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O País das Aranhas XLV

A Luta Contra o Tribalismo não Pode Vir Representado no Oportunismo Político


Li com atenção o trabalho publicado pelo Semanário Angolense, sobre a proporcionalidade étnica no poder executivo angolano. E fica claro que é um tema que nos inquieta a todos nós. O Professor Feliciano Cangue até deu um destaque especial em seu blog. Posso dizer que, mais do que romper um tabu, fingir que o tribalismo não existe - o que notamos-, é que tanto o trabalho publicado pelo Semanário e outras manifestações existente, o que sim existe, com certeza, também, é o que chamamos de agitação tribal com propósitos políticos. Isso, nossos irmãos Kwachas, e a sua chefia penalizado pelo destino da história, Joanas Savimbi, abusava dessa debilidade que enfrentam vários povos ou nações no mundo inteiro. Jonas Savimbi usava mesmo isso como o objetivo de sua guerra; o terrorista, apoiado por Ronaldo Reagan e o regime racista e fascista sul-africano, enlouquecia emocionalmente com os seus discursos carismáticos a etnia ovimbundo com a falsa propaganda africanista de que era seus representantes autóctones. A estupidez era tanta que muito dos nossos compatriotas mesmo sabendo que aquele sujeito era um terrorista cruel, que tinha até o hábito de dizimar seus seres queridos, não hesitaram em segui-lo na sua obra cruel contra a nação. E por mais irônico e cruel que seja, essa guerra protagonizada e desencadeada pela UNITA, sacrificou, muito mais, as pessoas que a UNITA dizia defender: os ovimbundos ou, ainda, os povos da região sul de Angola.

A propósito, surpreendeu-me a posição de Sousa Jamba, aquele Jornalista Kwacha que vive na América fazendo reportagens ou trabalhos para a publicação mencionada. Pareceu-me ser uma posição clara, concisa e para lá de civilizada, para quem milita, precisamente, numa organização partidária conhecida por todos como tribalista, rancorosa, revanchista, revisionista e racista. Sousa Jamba ainda foi longe. E eu concordo com ele: o efeito da desproporcionalidade étnica no poder só será real e visível se o MPLA deixar de cumprir com um dos seus programas que consiste em, por exemplo, tornar prioritário a execução dos programas públicos e o desenvolvimento social e econômico naquelas regiões do país com maior número populacional, independentemente de qualquer etnia ou grupos sociais que residam nesses locais. Ou ainda, na medida do possível, distribuir e incentivar o desenvolvimento social de maneira eqüitativa e proporcional à nível do território nacional. Remeto ao leitor, aqueles que por alguma razão não leram a mesma entrevista dada, que busquem no mesmo Seminário a suposta entrevista. Eu plasmei ao meu modo a idéia de Sousa Jamba. È bem possível que ele não concorde, então arrebato a mesma –com todos os direitos possíveis- e engaveto-a no meu humilde patrimônio.

Já que o problema é romper com tabus então sejamos justos e vamos romper com o mesmo indo em todas as direções possíveis. Eu pessoalmente, aqui, no que for possível, vou falar da minha experiência, sem esquecer que cada um de nós, na pele de Angolanos, tem as suas experiências tribais ou racistas. Nunca fui da UNITA, nem da FNLA ou de qualquer outro partido político, para se ter idéia da minha ausência nesses dois últimos grupos partidários, nem nunca convivi com elementos dessas duas organizações. Como angolano e falando sobre tribalismo, prefiro falar do MPLA que é o partido que melhor conheço. O que sei sobre tribalismo vindo do Partido UNITA tem a ver com os discursos cabeludos do seu falecido líder, das declarações de alguns dirigentes desse partido e da maneira de proceder de seus militantes. E que são maneiras e discursos comprovadamente tribalistas e racistas. Mesmo porque o projeto político da UNITA, o projeto Mwangai, é declaradamente um projeto tribalista e racista.

Na luta contra o tribalismo as evidências, mais do que suficiente, favorecem o MPLA: o MPLA luta e lutou, sempre, contra a divisão tribal do país, o esforço de nação –para que se construía uma nação onde nenhum angolano sinta-se diferente do outro- vem desse partido. E para não falar só dos ovimbundos – que são os que por algum motivo, na boca de algumas entidades políticas e formadores de opinião têm pela mania de se sentirem os mais descriminados e mais nativos e bantus do que os outros – temos os problemas de Cabinda. O MPLA, mesmo com os seus erros, é visivelmente o único partido que tem uma posição definida e inegociável pela Unidade Nacional e contra o tribalismo, e elas são: 1° Cabinda é Angola, não importa quais os termos que Portugal tinha ou teve com relação ao enclave no passado; 2° A Unidade Nacional é inegociável tanto no contexto interno ( Nacional) como no contexto externo ( Internacional); 3° essa Unidade é parte da dignidade do povo e da nação angolana, porque uma vez dividida Angola, ela não teria sentido de existir.

Em quanto o MPLA luta por tudo isso existem indivíduos na voz de alguns partidos políticos e interesses econômicos e políticos que além de atrapalharem esses propósitos são declaradamente contra, pelas suas atitudes.

E como estamos aqui para acabar com tabus vamos mencionar aqui essas entidades: A maioria dos partidos de oposição angolanos, e a própria UNITA, vive destruindo e atrapalhando o projeto de Unidade Nacional que consiste nas linhas um, dois e três mencionada neste texto. Formadores de opinião, descontentes com a política de governança do MPLA, quando já não sabem por onde atacar o governo no poder, usam argumentos tribais – e eu considero isso como golpe baixo- para atacarem o partido no poder, e o próprio presidente José Eduardo dos Santos. Sendo este corrupto ou não significa que a responsabilidade que se deve imputar ao mesmo inclui pôr em perigo a unidade do país? Eu acho que não. Ou seja, a pergunta é: que culpa tem os angolanos de Cabinda ao Cunene se José Eduardo dos Santos é um corrupto, ou mesmo se o MPLA é um partido de corruptos. Não seria melhor, para todos nós, tirar o que há de melhor nesse partido, o que ele tem nos oferecido, que é o de lutar pela Unidade Nacional e manter a mesma unidade, do que usar o oportunismo político de se alcançar o poder destruindo o Princípio Magno de nossa existência: Angola?

Parece que para muitos, políticos e entidades, o ideal de Unidade Nacional arrasa de maneira destruidora seus objetivos de alcançarem o poder ou conquistarem posições privilegiadas no sistema de poder e na ordem política angolana. O que de minha parte acho uma total estupidez e incompetência política desses políticos, partidos e todas as outras entidades que existem por aí; até as famosa publicações privadas oposicionistas que a democracia capitalista reacionária e burguesa, em nome de um civismo democrático, têm gerado e instigado todos os tipos de manifestações discriminatórias. É o que chamamos de um modismo burguês e reacionário, onde em vez de se destamparem tabus, o que se faz é perderem a vergonha e apelarem ao “ vale tudo”. A essas devemos dizer que levantar qualquer polêmica, preconceituosa ou não, para gerar debate nacional é válida. Desde que fique bem claro que o objetivo não é de ir contra aqueles três item e favoreçam de maneira convincente a unidade entre os angolanos em vez de porem mais lenha e fogo na fogueira que os angolanos de boa fé – de Cabinda ao Cunene, sendo do MPLA ou não- tentam extinguir.

Esse artigo não tem objetivos acusadores, ele foi escrito, precisamente, para dar continuação ao debate e romper tabus, pôr em evidência os nossos problemas. Que por certo eles podem estar identificados em todas as partes. E por falar em partes, nesse tipo de caso, é detestável e desonesto cairmos em meias palavras e deixar tudo subentendido.

Há bem pouco tempo tivemos o caso Cabinda onde se perpetrou um ataque fascista, tribalista e terrorista pelos elementos da FLEC contra a nação angolana. Todo mundo saiu criticando os erros do governo e com muita razão. Mas o que se viu pouco foi o repudio direito e rotundo a aquela facção fascista e terrorista apoiada pela França, o próprio Togo, país vítima em escala secundária, deliberadamente ou não, apoiado pelos elementos da UNITA os ex-terroristas ou não, aqueles que viviam massacrando, precisamente, os ovimbundos e outros grupos tribais na época de Jonas Savimbi. O próprio Semanário Angolense vacilou na condena, não entendemos se condenou explicitamente o ataque terrorista ou só se limitou a julgar e a condenar os erros do governo no poder. Pela importância do tema achamos que o editorial escrito pelo seu Diretor Geral, Graça Campos, deveria ser mais explícito, direto, atacando os terrorista de forma contundente e até mesmo fazendo um chamado de Unidade Nacional a nação contra os grupos da FLEC. Já que a mesma publicação mostra estar preocupada com o tribalismo gerado pelo executivo angolano. Aquela atitude de condena não veio explícito em nenhuma de suas páginas. A própria UNITA idem, não houve nenhuma declaração explícita e pública condenando os terrorista, e o melhor ainda apoiando e convocando seus militantes ou não, como maior partido de oposição, para um ato de Unidade Nacional em favor da Nação, fazendo um chamado de Unidade Nacional contra os terroristas da FLEC. A propósito é hora, sim, de alertar. A UNITA que sonha ou pretende um dia governar o país não tem e nunca teve um projeto de nação. Resumindo, o MPLA, mais uma vez, viu-se de maneira solitária -mais vencedor-, nessa luta que deveria ser de todos os partidos políticos e de todos os Angolanos. Falando em Angolanos o club-k foi um dos clubes que mais uma vez, representando a diáspora, cometeu um dos seus erros mais graves. Não fez nenhuma declaração condenando tal atitude. O que ficou evidente a complacência com o ideal terrorista e agressivo gerado nesse clube pelos grupos tribalistas, terroristas, fascistas e racistas que usam qualquer motivação política contra o poder legítimo constituído pelos Angolanos: o Estado, a Nação e o Governo que está enfrente do mesmo Estado e Nação. Não importa se eles são corruptos ou não, o importante aqui é a defesa da Pátria, dos angolanos –de Cabinda ao Cunene. Não se pode confundir a batalha da luta contra a corrupção com o princípio básico de mantermos um país unido em volta daquele mal: a corrupção.

O tabu contra o tribalismo não fica por aqui. Descobriu-se mesmo que constitui uma maneira eficiente de combater o MPLA que está no poder, instigar os espíritos, promover baderna e desacato a autoridade Estatal.

O tabu do tribalismo, bom ou mau, para quem quer que seja fundou a teoria do colonialismo doméstico; que considero ser: A teoria do incompetente, do oportunista e do desesperado em tomar o poder. E por incrível que pareça defendido por algumas publicações nacionais e políticos com pretensões presidências.

A verdade é uma, com o regime democrático supostamente conquistado e que nos livrou da era do regime comunista de partido único, não só levantaram-se os tabus de todos os tipos e formas. Mas nos tornamos -os angolanos-, mais tribalistas, mais racistas, menos cavalheiros, mais corruptos, mais mulherengos e poligâmicos (e até homossexuais também –incrível-), menos patrióticos, mais reacionários até para com as coisas mais simples da vida. E o que sei é que nenhuma sociedade capitalista na fase da terra eliminou o problema do tribalismo, do racismo, da discriminação de gênero ou tudo aquilo já mencionado.

Não será que o próprio tribalismo é conseqüência do tipo de país que se quer construir, imitando-se o mundo afora o que não temos porque imitar? Com uma economia de mercado em que cada um de nós possamos se virar do jeito que quiser e, assim, não temos simplesmente que reclamar do MPLA. Mesmo porque é injusto, já que este é o que tem provado lutar contra todas as formas de discriminação possível. Mesmo na era da democracia burguesa e do regime capitalismo discriminatório, regime que foi aceito há vinte anos atrás com o consentimento de todos. Agora é só agüentarem a pôrrada –como dizem os brasileiros!

Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
nelo6@msn.com

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Comentário: José Cassio de Melo Servo

Comentário:

O povo ameriacano, é sem sombra de dúvidas o povo mais ignorante da face da terra por incrível que pareça. Parece mentira, assim como parece absurdo,mas não é! E vou expor meu ponto de vista, para justificar tal alegação que pode parecer estranha. Sempre vemos nas tvs, mães americanas chorando pelos filhos que se perderam nas diversas guerras criadas pelos próprios americanos para reafirmar sua egemonia no planeta. Pois bem, são essas próprias mães que elegem os politicos safados e terroristas americanos que detem em suas mãos, armas quimicas e nucleares para praticar o terror no mundo todo. Essas mães que perdem seus filhos nas guerras não deveriam chorar póis são tão responsáveis como qualquer outro americano pelo genocidio que este povo esta praticando pelo mundo todo! E quando digo que este povo é ignorante, apesar de toda a evolução tecnológica que eles detem, o digo com a certeza de estar falando a verdade, pelo menos por um ponto de vista que considero muito oportuno, pois não é mistério para ninguém no mundo todo que quase 80% do orçamente nacional americano, se não me falha a memória 77%, e destinado para a manutenção de suas frotas de grerra, compra de novos equipamentos militares, pesquizas na área militar, pesquisas de como matar mais gente de forma mais barata, e vai por aí. Portanto se 77% de sua arrecadação de impostos é destinado apenas para assassinar seres humanos pelo mundo todo, restam apenas 23% da arrecadação de impostos americanos para todoas as outras necessidades sociais daquele povo, aí incluído, saúde, segurança pública, educação, enfim. Com isso espero ter colaborado com minha opinião que a matérai acima esta mesmo correta e que os verdadeiros terroristas e mais perigosos do planeta, são os americanos do norte. Afinal, americano bom, americano morto!

José Cassio de Melo Servo

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A louca corrida dos EUA pela hegemonia ameaça o planeta

Antes do 11 de setembro os neoconservadores norte-americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Oriente Médio exigiam "um novo Pearl Harbour". Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. O artigo é de Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do tesouro no governo Reagan.

Paul Craig Roberts (*)

O Washington Times é um jornal que encara com bons olhos as guerras de agressão de Bush/Cheney/Obama/ neoconservadores no Médio Oriente e defende que se obrigue os terroristas a pagar pelo 11/Setembro. Por isso, fiquei admirado ao saber que, em 24 de fevereiro, a notícia mais apreciada no sítio web do jornal durante os últimos três dias era a reportagem "Explosive News" , do "Inside the Beltway", sobre as 31 conferências de imprensa em cidades dos EUA e no estrangeiro realizadas a 19 de Fevereiro pelos Arquitetos e Engenheiros para a Verdade do 11/Setembro, uma organização de profissionais que já tem 1 000 membros.

E ainda fiquei mais admirado por a reportagem do jornal tratar a conferência de imprensa muito a sério.

Como é que três arranha-céus do World Trade Center se desintegram subitamente em poeira fina? Como é que sólidas vigas de aço em três arranha-céus cedem subitamente em consequência de incêndios de curta duração, isolados e de baixa temperatura? "Mil arquitetos e engenheiros querem saber, e apelam ao Congresso que promova uma nova investigação sobre a destruição das Torres Gêmeas e do Edifício 7", noticia o Washington Times.

O jornal noticia que os arquitetos e engenheiros chegaram à conclusão de que a Federal Emergency Management Agency (FEMA) e o National Institute of Standards and Technology (NIST) forneceram "relatos insuficientes, contraditórios e fraudulentos das circunstâncias da destruição das torres" e "exigem uma investigação de um grande júri aos funcionários do NIST".

O jornal relata que Richard Gage, o porta-voz dos arquitetos e engenheiros disse: "Deverão ser notificados funcionários do governo de que a 'Conivência com a Traição', Código 18 (Sec. 2382) dos EUA é um grave crime federal, que exige a ação dos que possuem indícios de traição. As implicações são enormes e podem ter um impacto profundo no próximo julgamento de Khalid Sheik Mohammed".

Agora há uma outra organização, os Bombeiros pela Verdade do 11/Setembro. Na principal conferência de imprensa em São Francisco, Eric Lawyer, o líder desta organização, anunciou o apoio dos bombeiros às exigências dos arquitetos e engenheiros. Denunciou que não houve qualquer investigação forense aos incêndios que supostamente destruíram os três edifícios e que esta omissão constitui um crime.

Não foram seguidos os procedimentos obrigatórios e, em vez de ser preservada e investigada, a cena do crime foi destruída. Também denunciou que há mais de cem testemunhas de primeira-mão que ouviram e sentiram explosões e há provas de explosões através da rádio, de gravações de som e de vídeos.

Também na conferência de imprensa, o físico Steven Jones apresentou provas da existência de nano-termite em resíduos dos edifícios do WTC encontrada por um painel internacional de cientistas, chefiado pelo Professor Niels Harrit, da Universidade de Copenhaga. A nano-termite é um explosivo/pirotécnico de alta tecnologia capaz de derreter instantaneamente vigas mestras de aço.

Antes de gritarmos "teoria da conspiração", temos que ter presente que os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas não apresentam qualquer teoria. Apresentam provas que contestam a teoria oficial. Estas provas não vão desaparecer.

Se o fato de exprimir dúvidas ou reservas quanto à versão oficial do Relatório da Comissão do 11/Setembro torna uma pessoa num idiota da teoria da conspiração, então também temos que incluir o co-presidente da Comissão do 11/Setembro e o conselheiro legal da Comissão, que escreveram livros em que declaram abertamente que foram enganados por funcionários do governo quando dirigiam a investigação, ou, melhor, quando presidiam à investigação dirigida pelo director executivo Philip Zelikow, membro da equipa de transição do Presidente George W. Bush e do Foreign Intelligence Advisory Board e um co-autor com a secretária de Estado de Bush, Condi "Mushroom Cloud" Rice.

Há-de haver sempre americanos que acreditam em tudo o que o governo lhes diz apesar de saberem que o governo lhes tem mentido muitas vezes. Apesar das dispendiosas guerras que ameaçam a Segurança Social e os Cuidados de Saúde, guerras essas baseadas em inexistentes armas de destruição maciça iraquianas, em inexistentes ligações de Saddam Hussein à al Qaida, em inexistente participação afegã nos ataques de 11/Setembro, e em inexistentes armas nucleares iranianas, que estão a ser invocadas como razão para a próxima guerra americana de agressão no Médio Oriente, mais de metade da população dos EUA continua a acreditar na história fantástica que o governo lhes contou sobre o 11/Setembro, uma conspiração muçulmana que ludibriou todo o mundo ocidental.

Mais ainda, esses americanos não se preocupam com a quantidade de vezes que o governo altera a sua versão. Por exemplo, os americanos ouviram falar pela primeira vez de Osama bin Laden porque o regime Bush lhe atribuiu os ataques do 11/Setembro. Ano após ano foram apresentados vídeos ao público crédulo americano com declarações de bin Laden. Os especialistas consideraram que esses vídeos eram falsificações, mas os americanos mantiveram-se crédulos. Depois, subitamente no ano passado, surgiu um novo "cérebro" do 11/Setembro que ocupou o lugar de Bin Laden, o preso Khalid Sheik Mohammed, o detido que foi mergulhado em água 183 vezes até confessar ter sido o cérebro dos ataques do 11/Setembro.

Na Idade Média, as confissões arrancadas sob tortura constituíam prova, mas o sistema legal dos EUA sempre recusou a auto-incriminação desde a sua fundação. Mas com o regime Bush e os juízes federais Republicanos, que nos juraram defender a Constituição dos EUA, a auto-incriminação de Sheik Mohammed consiste hoje na única prova que o governo americano tem de que foram terroristas muçulmanos que provocaram o 11/Setembro.

Se uma pessoa analisar as acções atribuídas a Khalid Sheik Mohammed, estas são simplesmente incríveis. Sheik Mohammed é um super-herói mais brilhante, com mais capacidades do que V no filme de ficção, "V de Vingança" (V for Vendetta). Sheik Mohammed ludibriou todas as 16 agências de informações americanas e as de todos os aliados ou fantoches dos EUA, incluindo o Mossad de Israel. Não há nenhum serviço de informações na terra nem mesmo todos eles juntos que cheguem aos calcanhares de Sheik Mohammed.

Sheik Mohammed ludibriou o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Dick Cheney, o Pentágono, o Departamento de Estado, o NORAD, a Força Aérea americana, e o Controlo de Tráfego Aéreo.

Fez com que a Segurança dos Aeroportos falhasse quatro vezes na mesma manhã. Provocou a falha das modernas defesas aéreas do Pentágono, o que permitiu que se jogasse no Pentágono um avião comercial pirateado, que andou fora da rota durante toda a manhã enquanto a Força Aérea americana, pela primeira vez na história, foi incapaz de o interceptar,

Sheik Mohammed conseguiu realizar estas façanhas com pilotos não qualificados.

Sheik Mohammed, apesar de ser um prisioneiro mergulhado em água, conseguiu impedir que o FBI divulgasse os muitos vídeos confiscados que, segundo a versão oficial, mostrariam o avião pirateado a bater no Pentágono.

Até que ponto temos que ser ingênuos para acreditar que qualquer ser humano, qual personagem de ficção de Hollywood, tem este poder e capacidades?

Se Sheik Mohammed tem estas capacidades super humanas, como é que os incompetentes americanos o apanharam? Este tipo é um bode expiatório torturado até à confissão, a fim de que os americanos ingênuos continuem a acreditar na teoria da conspiração governamental.

O que está havendo é que o governo americano tem que pôr fim ao mistério do 11/Setembro. O governo tem que levar a julgamento e condenar um réu para poder encerrar o caso antes que ele rebente. Qualquer pessoa que foi mergulhada em água 183 vezes confessa o que quer que seja.

O governo americano tem respondido às provas, que têm sido apresentadas contra a sua extraordinária teoria da conspiração do 11/Setembro, redefinindo a guerra contra o terrorismo de inimigos externos para inimigos internos. Janet Napolitano, secretária da Segurança Nacional, disse em 21 de Fevereiro que atualmente os extremistas americanos são motivo de preocupação tão grande como os terroristas internacionais. Os extremistas, claro, são pessoas que interferem na agenda do governo, como os 1 000 Arquitectos e Engenheiros pela Verdade do 11/Setembro. Este grupo era de 100, agora já são 1 000. E se vierem a ser 10 000?

Cass Sunstein, um funcionário do regime Obama, tem uma solução para os céticos do 11/Setembro: infiltrar-se dentro deles e levá-los a fazerem declarações e ações que possam ser usadas para os desacreditar ou para os prender. Mas livrar-se deles a todo o custo.

Por quê utilizar estas medidas extremas contra supostos idiotas se eles apenas provocam divertimento e risadas? Estará o governo preocupado que eles farejem alguma coisa?

Em vez disso, por que é que o governo americano não confronta pura e simplesmente as provas que são apresentadas e as contesta?

Se os arquitetos, engenheiros, bombeiros e cientistas são uns idiotas chapados, seria fácil analisar as suas provas e refutá-las. Porque é que é necessário infiltrar-se neles com agentes secretos e armar-lhes ratoeiras?

Muitos norte-americanos responderiam que o "seu" governo nunca sequer pensaria em matar seus próprios cidadãos, roubando aviões e destruindo edifícios só para promover a agenda do governo. Mas em 3 de Fevereiro, Dennis Blair, diretor do National Intelligence, disse à Comissão de Informações da Câmara que o governo dos EUA pode assassinar os seus próprios cidadãos quando eles estão além-mar. Não é necessário nenhuma detenção, nenhum julgamento, nenhuma condenação por um crime capital. Apenas um assassínio impune.

Obviamente, se o governo dos EUA pode assassinar os seus cidadãos no estrangeiro, também pode assassiná-los internamente, e é o que tem feito. Por exemplo, foram assassinados 100 davidianos Branch [1] em Waco, Texas, por ordem da administração Clinton, sem qualquer razão legítima. O governo decidiu apenas usar do seu poder sabendo que o podia fazer, e foi o que fez.

Os americanos que pensam que o "seu governo" é uma espécie de operação moralmente pura, deviam familiarizar-se com a Operação Northwoods. A Operação Northwoods foi uma conspiração organizada pelos chefes de estado-maior conjuntos para que a CIA efetuasse atos de terrorismo em cidades americanas e fabricasse provas culpando Castro a fim de os EUA poderem conquistar o apoio interno e internacional para a mudança de regime em Cuba. O plano secreto foi vetado pelo presidente John F. Kennedy e foi revelado pelo John F. Kennedy Assassination Records Review Board. Está disponível online no National Security Archive. Há inúmeros relatos disponíveis online, incluindo na Wikipedia. O livro de James Bamford, Body of Secrets , também fala resumidamente na conspiração.

"A Operação Northwoods, que teve a aprovação por escrito do presidente [Gen. Lemnitzer] e de todos os membros dos chefes de estado-maior, propunha que fossem alvejadas pessoas inocentes nas ruas americanas; que fossem afundados no alto mar barcos que transportassem refugiados fugidos de Cuba; que fosse desencadeada uma onda de terrorismo violento em Washington, DC, Miami, e noutros lugares. Seriam acusadas pessoas por explosões que não tinham feito, seriam sequestrados aviões. Através de provas fabricadas, tudo isso seria atribuído a Castro, dando a Lemnitzer e à sua pandilha a justificação e o apoio público e internacional de que precisavam para desencadear a sua guerra".

Antes do 11 de Setembro os neoconservadores americanos foram explícitos quanto afirmaram que as guerras de agressão que pretendiam desencadear no Médio Oriente exigiam "um novo Pearl Harbour".

Para seu próprio bem e para o bem de todo o mundo, é preciso que os norte-americanos prestem atenção ao número cada vez maior de especialistas que estão dizendo que o relato do governo sobre o 11 de Setembro não condiz com as suas próprias investigações. O 11 de Setembro desencadeou o plano neoconservador para a hegemonia mundial dos EUA. Enquanto escrevo, o governo dos EUA está a negociar o acordo de governos estrangeiros que rodeiam a Rússia para aceitar bases americanas de intercepção de mísseis. Os EUA pretendem cercar a Rússia com bases americanas de mísseis desde a Polônia, passando pela Europa Central e Kosovo, até à Geórgia, Azerbaijão e Ásia central [ver http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17709 ]. O enviado especial americano Richard Holbrooke declarou a 20 de Fevereiro que a Al Qaeda está infiltrando-se em regiões da antiga União Soviética na Ásia central, como o Tajiquistão, o Quirguistão, o Uzbequistão, o Turquemenistão e o Cazaquistão. Hollbrooke está pedindo bases norte-americanas nestas repúblicas ex-soviéticas com a desculpa da "guerra contra o terrorismo" sempre em expansão.

Os EUA já cercaram o Irã com bases militares. O governo norte-americano pretende neutralizar a China assumindo o controlo do Oriente Médio e isolando a China do petróleo.

Este plano parte do princípio que a Rússia e a China, países com armas nucleares, ficarão intimidados com as defesas anti-mísseis americanas e cederão à hegemonia dos EUA e que a China ficará sem petróleo para as suas indústrias e forças militares.

O governo dos EUA está enganado. Os líderes militares e políticos russos responderam a esta ameaça óbvia declarando que a OTAN é uma ameaça direta para a segurança da Rússia e anunciando uma mudança na doutrina russa da guerra quanto ao lançamento preventivo de armas nucleares. Os chineses estão demasiado confiantes para serem intimidados por uma "superpotência" americana enfraquecida.

Os retardados mentais de Washington estão jogando a cartada da guerra nuclear. O impulso louco para a hegemonia americana ameaça a vida sobre a terra. O povo norte-americano, ao aceitar as mentiras e enganos do "seu" governo, estão facilitando este resultado.

(*) Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions. Foi editor associado da página editorial do Wall Street Journal e editor colaborador na National Review.

26 de Fevereiro de 2010

[1] Davidianos Branch – seita religiosa destrutiva com origem na igreja adventista; em 1993 agentes federais dos EUA cercaram as suas instalações em Waco (Texas), tendo daí resultado a morte de dezenas dos seus membros quando o complexo ardeu completamente (N.T.).

O original encontra-se em http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17821 . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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O País das Aranhas XLIV

Preocupação, o patrimônio de todos

O sexolândia, aquele programa da televisão angolana visto como algo moderno e contemporâneo, é como se fosse uma paisagem , a paisagem que dá o acabamento perfeito da terra da corrupção. Para Domingos Cruz a oferta televisiva deveria se chamar de “Programa de Educação Sexual”. Em minha opinião a mediocridade de tal programa descrito num dos artigos do professor não merece a qualificação como programa de Educação Sexual. Tal vez o atual nome encaixa-se, não só na mediocridade daquilo que é o programa, mas na quilo que também transmite: o prazer de se viver numa terra ou nação dirigida por corruptos. O programa reflete a mediocridade de quem conduz e dirige o mesmo, a mesquinharia das pessoas ou a família que têm o “privilégio” de executarem semanal ou periodicamente esse nível de diversão; que retrata, por certo, o nível do perigo em que a nação angolana foi e está entregue.

A propósito, falando em família, a Tchizé e a família que representa, tanto ascendente ou colaterais, tem alguém naquele grupo formado em sexologia ou educação sexual que poderia provar profissionalmente seu trabalho que permitisse a rigor o Estado Angolano aceitar o profissionalismo dessa gente para trabalharem na Televisão Pública de Angola como profissionais na área de Educação Sexual ou Psicologia Sexual?

A insurgência de Domingos Cruz é bem merecida e justa, mais do que justo, para quem muitas vezes soube manifestar em seus artigos preocupação com os destinos da nação. Falando em artigos e publicações, só o club-k conseguiu revelar que a preocupação com um país como o nosso, Angola, deve vir de várias correntes ideológicas e políticas. Mas que ninguém, fora do estado, é soberano e tem o patrimônio absoluto da preocupação sobre a nação. O que deve vir de fora desse Estado são os palpites dos formadores de opinião e a rigor o conhecimento científico e acadêmico gerado pelos especialistas de qualquer uma das áreas que venham a contribuir no nível de educação geral das pessoas. O autor deste texto não tem autoridade nenhuma para falar de Educação, já que não é especialista da área. Mas tem autoridade, mas do que suficiente, para se rebelar contra qualquer forma de religião, seja ela qual for, que se imiscuía na maneira de como o Estado deve e tem direito de educar o seu Povo.

Domingos Cruz é filosofo, pelo que tenho entendido, e como filosofo tarimbado tem toda a palavra, merece a palavra e o raciocínio, mesmo porque a palavra e o raciocínio é o que menos se lhe pode negar a um filosofo. Eu como simples cidadão, homem social, que devo ser guiado, só tenho a minha liberdade e os pedaços de cultura, conhecimento e informação que a minha bagagem de ser intelectual precisa para que eu possa tornar mais fácil e cômodo a minha vida neste mundo. Vamos partir do princípio que minha condição não dá direito a nada nem a ninguém a submeter-me a qualquer direção filosófica. Como homem social a única coisa que devo e tenho a fazer é respeitar o grande contrato social: ser membro da nação, aceitar estar sob tutela do Estado e finalmente cumprir as regras estabelecidas. Aqui, sem necessidade, mas para dirimir dúvidas, o Estado é laico, princípio que não só os corruptos tem hábitos de violar, mas até aqueles que fazem parte da igreja, ou de diferentes grupos religiosos.

Ou seja, é o Estado, o Estado não corrupto e sério, que deve cuidar do patrimônio cultural a ser assimilado pela nação ou a sociedade. Esse cuidado, no meu entender deve ser soberano, inalienável e não negociável.

O Professor Domingos Cruz no seu artigo “Sexolândia um P(i)rigo Para a Saúde da Nação” vende os cuidados que o Estado tem de ter como obrigação para com a sociedade à igreja, em particular aos cristão. O Professor, nem ninguém, na sua maior lucidez ou estado de delírio, tem esse direito. Isso é um direito absoluto que recai sobre o Estado, pena que o nosso é corrupto, prostituto, vagabundo e até delinqüente, mas não é tarefa da igreja salvar o mesmo. É tarefa do Povo vítima do mesmo, dos seus filhos, da massa cinzenta de intelectuais não mercenários que aí estão.

A igreja, essa que está aí, e que sempre existiu da mesma forma, sem mudar, não merece simplesmente a negação desse povo, merece sua insurgência, a mesma, que por certo, o Professor tem para com o atual Estado Angolano corrupto e delinqüente. A Igreja, e a católica precisamente, diga-se, é tão repugnante quanto o atual Estado Angolano.

E por isso, não acreditamos que é a essa gente que podemos confiar à educação sexual de um povo ou nação. Confiar a educação sexual de nossas crianças e adolescente aos padres, aos bispos, para isso seria melhor deixar as coisas do jeito que andam. Afinal como confiar nossa educação a pessoas que nem se quer tem educação. Como um padre ou bispo pode ter autoridade de falar sobre vida sexual ou educação sexual, quando estes nem vida sexual têm. Padres não fazem sexo, bispos idem, padres não andam com mulheres; padres não se casam, não namoram; padres não têm filhos. O que se tem como notícia desta turma é que muitos deles são adeptos a orgias de pedofilias. Assim, como o estado poderia confiar à educação do nosso Povo a essa gente? Não seria melhor lidar com gente profissional e gente com especialidade na área?

Somos de opinião de que nem a Tchizé e os seus irmãos, nem os padres ou bispos têm bagagem intelectual, moral e experiência necessária para falarem de Educação Sexual.



Nelo de Carvalho

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O País das Aranhas XLIII

As Dez Mulheres do Ministro
Diz-se que o homem na sua saga pela sobrevivência, quando se trata de sexo, são selvagens como um chimpanzé e truculentos como uma jibóia faminta. Essa selvageria e truculência pode ser domada com a espiritualidade e a dignidade feminina, principalmente numa sociedade que faz questão de se identificar com os valores da cultura ocidental européia. Esta iluminada pela influência e os logros da revolução francesa, esta última banhada pelos ideais iluministas; e, posteriormente, ainda, pela emancipação da mulher que as revoluções comunista em todo mundo instigaram e agitaram. Nosso país, Angola, não precisava ficar tão atrás de todos os valores gerados por essas grandes mudanças que a bem ou a mal beneficiaram a vida da espécie humana, tornando a mesma mais racional e menos dependente da natureza.

A saga de um homem mulherengo, ministro de estado, com dez mulheres, era para ser em qualquer sociedade civilizada, e democrática também, motivo, não só de todo tipo de especulação constrangedora, mas, também, motivo de investigação policial, judiciária, moralidade e, por último, até de improbidade administrativa.

Eu tenho a impressão que a aceitação como valores culturais de quaisquer atitudes humana é finalizada na aceitação e no grau de como o mundo feminino, nossas mulheres, assimilam essa mesma atitude. E esse é o caso da poligamia um super-produto da corrupção; que já foi, aquela, um (sub)produto básico da escravidão nesse continente. A própria corrupção passou a ser um meio de relacionamento, uma maneira que se tem no país de o cidadão poder se movimentar em diferentes círculos sociais e políticos, ela transformou-se em instrumento de barganha. Ninguém leva escrito na testa que é corrupto, evidentemente, mas o corrupto faz questão de ostentar algo que não é e nunca foi seu: poder excessivo, recursos de todos nós desviados. E o pior é que ninguém se pergunta como o mesmo conseguiu tanta coisa numa só pessoa. Por que tem tanto, quando o normal é o muito pouco distribuído para todos ou para cada um de nós. E é aqui, na falta dessa pergunta, onde entram os valores do cidadão que abraça a corrupção como um bem social normal, a ser até reverenciado, talvez mesmo aplaudido. E o que merece reverência e aplausos só pode estar vinculado na saga do “herói”, do homem em condições de dar proteção a mulher e os descendentes que vier.

A corrupção estruturada por uma instituição organizada como o Estado, no caso um estado corrupto, passou a impor critérios de sobrevivência e de conquista no meio social. Dir-se-ia mesmo a corrupção é um instrumento de escravidão contemporânea. Inaceitável e que deve ser combatido, e está provado que é o maior desafio do estado angolano; é responsabilidade do partido que está em frente dessa administração do estado combater e denunciar. E a denuncia não pode vir da periferia. O ideal séria aceitar a corrupção como ela é, ou seja, reconhecer a mesma sem nenhum tipo de atribuição política. Em outras palavras, desvincular a mesma de qualquer motivação política. Encarar a mesma como um inimigo que destruirá a todos nós independentemente de filiação política ou partidária.

Indo direito ao assunto, o status atual do Estado Angolano é inaceitável e inegável. E assim, a mudança tem que ser radical na ou nas atitudes. Com isso queremos dizer que talvez seja necessário um auto-golpe de estado administrativo, uma reengenharia estatal, romper com tudo que existe aí. Negar valores culturais implantado pela própria corrupção. Um exemplo, a própria poligamia deveria ser ilegal, não só formal ou legalmente - também como se costuma dizer-se no papel-, mas disseminar valores em cada um de nós, cidadão e famílias, de que a poligamia descoberta como aquela do ministro Manuel Rebelais seja dedurada ou denunciada e aceita pelas autoridades jurídicas, os tribunais como um crime que a sociedade e o estado devem castigar e condenar. Outros exemplos podem ser considerados, como mudanças bruscas no estilo de vida de certas pessoas, principalmente quando estes são servidores públicos, sem se importar o nível e o grau que o mesmo ocupa. Pôr em prática a rigor as leis ou a lei sobre probidade administrativa, uma obsessão rigorosa ao combate contra a corrupção vindo de todos os setores do estado, sem importar quem deverá ser sacrificado. Espelhar o passado de todos os dirigentes que aí estão com relação aos bens e fortunas que estes ostentam, ganharam e ganham. Coisa difícil pelo comportamento arrogante e militarista que muitos destes têm ao lidarem com o resto da sociedade. Mas para começo de exemplo, isso deveria começar com Presidente da República, seus familiares, suas empresas, tudo que adquiriu e tem até hoje, como e em que circunstâncias ganhou, dinheiro e conta bancaria no exterior. Só assim, se abrirá uma porta de confiança, a porta que o MPLA há anos já nos fechou.

É tudo o contrário do que se tem imaginado, quando se arremessam suspeitas injustas contra alguns formadores de opinião. De que aquele ou este está contra o MPLA. Não se trata de pôr o MPLA no mesmo nível dos partidos da oposição, ao contrário nós queremos esse partido limpo e são, livre das demagogias e que no mínimo faça cumprir as regras do jogo democrático, porque o perigo Kwacha hoje é injustificável para se proceder detrás de qualquer fachada, onde uma delas era sempre a população ou o povo que precisava ser defendido das agressões terroristas dos homens do galo negro. O perigo Kwacha, dos homens do galo negro e o projeto de muangai não podem mais servir de justificação para darmos proteção aos corruptos, tidos como “heróis e valentes combatentes que prestaram imensos serviços à nação”. Sejam eles quem sejam!

Nelo de Carvalho
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nelo6@msn.com

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O Polvo

O Polvo Reflete a Necessidade da Moralização dos Meios de Comunicação ( Eis a Prova!)

Até faz-me lembrara uma série da televisão Italiana dos anos oitenta que tive a oportunidade de assistir capítulo por capítulo todas as noites, que dava pelo nome de O POLVO. Decidi começar assim porque de facto é o que acontece e que tem muita semelhança com o comportamento de alguns integrantes do anterior governo da República de Angola saído das últimas eleições gerais e que veio a reboque do governo anterior. Coloco as minhas dúvidas se estes elementos são de facto membros do MPLA ou lá se foram introduzidos para engrossar suas contas bancárias e de quem lá os introduziu.

Alguns jornalistas que se dizem de investigação, movidos por sentimentos políticos vão publicando timidamente alguns artigos para atingirem o partido MPLA. Ate certo ponto é de louvar a iniciativa só que pecam porque são feita com uma certa intenção e não vislumbramos ali nada para acabar com a situação.

Na qualidade de militante do MPLA que sou não posso deixar de escrever sobre o resultado das investigações que tenho vindo a fazer sobre os cleptófobos e sobre o clepto que impera na nossa sociedade e mormente os que têm a incumbência de nos dirigir o que mais grave ainda. Muitos usam o termo corrupção o que julgo ser completamente distinto da situação que se vive actualmente no país, o que se vive aqui é a concentração de cleptomaníacos na mesma gruta, onde lhes foi crido condições apropriadas para usurparem a seu belo prazer o que é de todos nós para o usufruto próprio.

Depois de ter tido coragem de dar os três cenários à Jonas Savimbi e que cumprir com um deles, depois de ter dado a possibilidade à direcção da UNITA de se reorganizar e se instalar sem revangismo e ódios, depois de ter tido a coragem de enfrentar dentro do MPLA os lobis organizados que vivem pressionando para que seus secuases se mantenham no poder para melhor empalmar o que é nosso, quero aqui louvar mais uma vez a determinação do Presidente dos Santos que teve coragem de dizer basta ao roubo. É uma oportunidade para todos, que temos vindo a criticar na surdina dos aglomerados, dos óbitos, festas, encontros familiares e nos táxis. Como dizia, chegou a grande oportunidade e sem receio de espécie alguma de denunciarmos tudo que temos conhecimentos sobre a situação em causa. Que esta coragem demonstrado pelo Chefe do Governo não fique por aqui que vá mais longe colocando gente em tribunal. Mesmo que com isso tenhamos que pagar com nossa derrocada nas próximas eleições, a grandiosidade do MPLA os seu feitos o respeito por aquele que deram a vida pela pátria esta acima de tudo. Caso tenhamos a coragem de punir os prevaricadores, o povo saberá como compensar, caso contrário vamos viver em mentiras atrás de mentiras quando um dia despoletar a vingança do povo será tarde mais.

Espanta-me e fico sem poder entender como é que é possível depois dos pronunciamentos do mais alto magistrado do país sobre a tolerância zero e sobre tantas denúncias que são feitas a respeito do ex ministro da comunicação social, que nem a Procuradoria-geral, nem a comissão de auditoria e disciplina do MPLA onde ele é membro do seu comité central, nem o parlamento, aquele que nós elegemos para vigiarem o governo sejam eles de que partido não se tenham pronunciado ou chamado o referido cidadão para auscultação. E o que é mais grave nem os jornais privados estrondearam como tem sido hábito.

Sem ser movido por qualquer tipo de sentimento de inveja ou de intriga, tenho aqui o dever de escrever sobre a suja alma que presidiu durante vários anos os destinos da comunicação social. Onde foram utilizados casos como o do Ernesto Bartolomeu, Amílcar Xavier e Alberto de Sousa como tubo de escape, para promover a incompetência para melhor poder atingir as suas aspirações cleptomaníacas.

A informação servida ao Chefe do Governo era de que os jornalistas afectos aos órgãos estatais de comunicação social, eram bem tratados e que usufruíam de salários compatíveis com nível de vida nacional e que eram beneficiários de regalias e condições sociais que lhes permitia colocar-se ao serviço do estado sem constrangimentos de qualquer espécie. Enquanto não passava de patranhas infundadas.

O ex ministro é uma personalidade muito astuta que criou condições matérias que possibilitaram criar “GOODFATHERS” na presidência da República e na sede nacional do partido. Para que o Chefe de Estado não viesse a saber da verdadeira verdade sobre o descalabro e o sujo interior da comunicação social estatal e que vinha afectado também alguma comunicação social privada, onde até alguns dele deixaram de falar mal ou bem do ministro. Se não estou enganado não me lembro tê-lo visto nas colunas vermelhas ou verdes.

Vejamos o desfile dos factos que podem ser comprovados:

1. Africanamente o homem mantinha dez mulheres oficializadas com pedidos formais às respectivas famílias. Entre estas alguma conquistadas por sedução aos seus esposos seus subordinados.

2. Cada mulher mantinha uma empresa ou negócio de vulto a custa do erário público.

3. Estas e alguns dos seus familiares directos com direito a compras no super mercado JUMBO em detrimento de alguns trabalhadores, onde juntou também alguns Directores só para Inglês ver.

4. Mais de 50% dos meios de transporte novos afectos as empresas do ramo foram distribuídas as suas esposas e parentes. Enquanto que aos jornalistas lhe foi dado viaturas usadas adquirida ás organizações chanas.

5. Os milhões de USD alocados para compra de emissores para a modernização da rede foi gasta na compra de emissores infantis e de péssima e fraca potencia, que deveriam servir só para as escolas de rádio. Por ainda se constata varias zonas do país que não ouvem a rádio nacional.

6. Constatasse o desaparecimentos dos cofres deste ministério no consolado do ex ministro o desaparecimento de mais de 80 milhões de USD.

7. Com medo de ser marginalizados muitos dos jornalistas optaram pelo silêncio

8. Foram pagas avultada somas para a feitura de novelas ao Brasil.

9. À concelho de alguém próximo do chefe de estado deu a Tchizé dos Santos para agradá-lo parte dos estúdio da rádio nacional para ali ser instalado o canal dois da TPA deu-se mal.

10. Adquiriu viaturas ultimo grito super top para ele e seus apaniguados.

Na qualidade de membro do partido MPLA que sou a mais de quatro décadas custa-me acreditar que no meu partido elementos desta conduta sejam promovidos a membros CC sem que ninguém se pronunciasse. Actos que considero de sabotagem ao esforços que o partido vem levado a cabo para o melhoramento da condição de vida do cidadão pelo qual o ex ministro devia servir e que desrespeitou e abusou.

Insto a comissão de auditoria a fazer alguma coisa.

Dino Cassulo
Fonte:www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

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O País das Aranhas XLII

Carlos Contreira, Um Corrupto na Oposição, o Kazucuteiro da Política Angolana

O Jornal de Angola só publica coisas sérias, se é assim então vamos entrar no jogo da mesma publicação. Preferimos escrever este texto baseando-nos na publicação mencionada do que no político. Já que aquele é a prova do vandalismo e da delinqüência política que existe no país; que agora faz questão de ingressar no bordel privativo dos corruptos.

A seriedade do mesmo Jornal é tão exemplar, a não ser que existe uma sutileza encobrindo toda uma fachada -e entramos na ironia-, que andou publicando as habilidades de super-homem e do homem aranha que esse político tem para esquivar as balas de metralhadoras que um certo comando de homens ao mando do partido no poder tentou infringir no mesmo. Carlos Contreira é fundador de um famoso partido republicano em pleno século vinte e um. Num país que precisa enfrentar a corrupção, e não a monarquia, já que essa forma de governo é um delírio dos espíritos desequilibrados que não sabem onde bater com os dentes e a língua na hora de bajularem o poder. É bem possível que a luta pela bajulação seja o programa político de algum partido, mas pelo visto já não pode ser o programa político do PRN, o partido fundado por Carlos Contreira, afinal o PRN é republicano; e republicanos não bajulam monarcas. Além disso, o fundador do mesmo partido depois de esquivar todas as balas e ameaças vindas do poder, andou precisamente pedindo refugio a uma monarquia, a anti-tese da república. O Jornal de Angola como uma publicação séria que é, publicou em detalhes o exílio do nosso super-homem, perseguido pelo MPLA, tal vez mesmo pelo MPLA-PT, aquele MPLA do Lucio Lara.

Espero que o amigo leitor consiga, com ajuda penosa, descobrir as ironias do texto e as alfinetadas que o mesmo carrega, pôr onde for possível, na medida do possível, e extrair onde não caber quando for possível. Peço desculpas!

Carlos Contreira nos faz recordar aquele desenho animado nacional, o Kazukuteiro, que o Jornal de Angola nos seus tempos de seriedade alta e aurora – e aqui sem ironia- fazia questão de publicar em suas páginas para combater a corrupção. Já se foram os tempos. Não sei se hoje estariam a altura de contratar um humorista provocador e com visão aguçada. Desde que não fosse perseguido pela Opus Bajulação, parafraseando aqui a Opus Dei; aquela seita de vampiros católicos comandados pelo Vaticano há mais de seis séculos. A nossa só tem 30 anos de existência, mas não tem porque invejar aquela.



Como nos tempos do Kazucuteiro, as aventuras de Carlos Contreiras têm sido acompanhada pelo Jornal de Angola, afinal ele é o nosso herói. O importante é que ele esteja do nosso lado, mesmo noutro hora quando ele não sabia que estava do nosso lado, o nosso jornalzão fez questão de publicar todas as aventuras do nosso herói Kazucuteiro. E hoje com muito mais razão. Afinal, Carlos Contreira fez o que interessa a todos, mostrar que se alistou onde sempre devia estar: os cubanos chamam isso de escórias. Ou será que Carlos Contreira, por estar na oposição, é a escória da corrupção e quem está no poder pode ser tratado como um corrupto elegante e até defensor do povo?

Vai ser fácil a qualquer momento, para o Jornal de Angola, dizer a todos que nesse país não “existe oposição credível”. Existe, sim, Carlos Contreira, agora é um deles. Isso era antes, quando ele estava do outro lado. Como o mesmo Jornal sofre de sinceridade aguda vai acertar dizendo que essa sentência não é uma descoberta do mesmo. E não é mesmo –termino respondendo com a última oração.



Assim - e aqui faço sentir a minha voz até no final do texto, longe daquele mundo irônico e podre-, com a nossa crítica séria melhor massacrarmos os corruptos que estão no poder em benefício de uma transparência do que deixar essa gente governar o país da maneira que quiserem. Incluindo corromper aqueles que estão na oposição ou fazer que os mesmo passem fome e possam ser fisgado a qualquer momento pelo estomago.

Corruptores e corrompidos podem estar na mesma lata de lixo. Mas se o problema é seriedade, alguém tem que segurar essa bandeira, a bandeira da informação séria. Essa bandeira não pode ser empunhada por qualquer político, mesmo quando se diz ser sério, ou que alguém acredita que o mesmo é sério como o Jornal de Angola tem acreditado nos políticos que defende. Já não é segredo para ninguém que a corrupção chegou aos meios de comunicação. E com essa seriedade dos Jornais que existem por aí, o jeito é acreditar que a moralização da sociedade e do estado deve começar primeiro nos meios de comunicação.

Afinal quem publica o abraço e a festa que Carlos Contreira da aos corruptos angolanos, publica qualquer coisa ou, ainda, omite qualquer coisa.

Sujeira é sujeira, porcaria é porcaria não importa de onde venha!

Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
nelo6@msn.com

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O Nacionalismo Na III República

Nós Temos Uma Idéia


Não precisa ser visto como um sonho. Já que o MPLA teve a iniciativa de convocar a militância contra a corrupção e o Tolerância Zero, poderíamos dar a continuação nesse ato de uma maneira gloriosa e muito mais edificante. Por que quê os pobres partidos políticos que existem por aí, incluindo a UNITA, não se mobilizem para darem continuação neste evento contra a corrupção e a favor do tolerância zero? Só que desta vez de maneira apartidária. Levando a cidadania, ou seja, em vez de ser o espírito partidário tradicional de sempre, desta vez que seja o espírito de cidadania.

E nisso está incluído o fato de que em vez de se levar símbolos partidários, nessa manifestação, levar-se, e levarmos, simplesmente os símbolos da pátria. Sim! É possível começar a desvincular os símbolos pátrios dos símbolos do MPLA, para aqueles que acreditam que os símbolos pátrios devem estar separados dos símbolos do MPLA.

Chegou o momento de demonstrarmos que isso é possível. É possível colorir a Praça 1° de Maio ( ou Praça da Independência) só com as bandeiras da República, nas mãos de cada um que participar no mesmo evento, que é claro, todos os cidadãos de qualquer partido podem e devem participar. Onde o hino a ser entoado seja simplesmente o hino da República: O Angola Avante. Que desta vez deve se erguer e levantar contra a corrupção. E o herói a ser levantado em cada cartaz seja o inesquecível Agostino Neto. Para aqueles cidadãos, simpatizantes e militantes de outros partidos políticos, pode parecer impossível e esquisito. Mas vamos seguir o seguinte raciocínio: Agostinho Neto é o pai da Unidade Nacional, o Homem que logrou unir todos os angolanos. Se estivesse vivo com certeza não excitaria em unir todos de novo, ainda sendo cada um de nós de partidos diferentes, para lutarmos contra a corrupção. Ou seja, vamos usar os símbolos da nossa Pátria, os de Unidade Nacional, contra aqueles que vivem nos enganando: os corruptos e os traficadores de influências.

Também chegou o momento de pararmos de fingir e ver na corrupção um fenômeno abstrato ou um sofisma sem culpados. Onde os mesmos culpados precisam de proteção eterna e incontestável. É preciso ir direito ao assunto e atravessar todos os sintomas de constrangimentos. E mostrar que na luta contra a corrupção, o descontentamento é precisamente contra aqueles que estão no poder. E que a tradicional culpa jogada sempre aos outros, agora, é de quem está governando, tanto como partido – a instituição-, tanto quanto responsabilizar e protestar contra quem está em frente do partido ou do estado governante. É preciso sim responsabilizar direitamente as pessoas, e facilitar mecanismos que ajudem nas buscas das provas para que se acusem esses mesmos responsáveis; é aqui onde entra a história das autonomias e independência dos sistemas de comunicação pública. E pôr em funcionamento, a rigor, as leis que existem contra a corrupção, e as que não existem, então que se criem as mesmas: leis que incentivem e estimulem o combate contra a corrupção.

Continuando, a idéia de “povoar” ou ocupar uma praça pública com os símbolos pátrios: bandeiras da república, escudos, hino e herói nacional em todas as capitais de província pode ser escolhido num dia que, igualmente, não tenha nada a ver com nenhum partido político. Que já nos referimos à cima, o primeiro de Maio.

E para os militantes do MPLA honestos e serviçais aos chefes que existem por aí. A manifestação, sim, pode ser vista como uma manifestação contra o MPLA. Mas o MPLA aqui é o MPLA corrupto, que não aceita e nem deixa combater a corrupção; o MPLA que cruza os braços diante das inúmeras dificuldades que esse povo atravessa, a manifestação é contra aquele MPLA que vive de vitórias e usando a mesma para impor critérios absurdos a nação em nome de uma maioria às vezes enganada.

A manifestação é, sim, contra o Presidente da República. O famoso presidente intocável, é contra os seus gestos “silenciosos”, indiferentes, acompanhado do cinismo macabro. Esse cinismo que conjuga bem com os atos de corrupção que vitimam a nação.



Mas que se entenda bem, a manifestação não tem necessariamente objetivo de derrubar o poder que está aí. Desde que seja o poder legal, aquele que o povo ou a nação definiu nas urnas. Esta manifestação, se acontecer e tiver êxito, tem como objetivo derrubar o poder corrupto. E se a moda é o Tolerância Zero, então que esse poder caia com quem tiver que cair, por mais vitalício que seja.

E por último: que fique bem claro. A manifestação só terá êxito ser for absolutamente pacifica!

Nelo de Carvalho