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Um delírio morto chamado Lukamba Gato

Lendo uma entrevista, dado pelo General Lukamba Gato, fiquei reflexionando sobre a mesma, a política e o projeto de nação que o maior partido da oposição tem a oferecer aos angolanos. Imaginei-me num momento estando no meio desta militância, que diz terem orgulho de serem angolanos. Imaginei-me ouvir todas as conversas dessa gentes, como humanos que são, tive interesse em escutar suas ambições e sonhos que afligem a vida de cada um deles. A própria entrevista daquele general da uma ideia do sonho que um autêntico Kwacha tem para Angola ou o resto dos angolanos que não são kwachas.


Mas confesso que minha sensação ao escutar argumentos que condenam o slogam: “ De Cabinda Ao Cunene Um Só Povo e Uma Só Nação”; foi de susto e senti-me um extraterrestre no meio daquela gente.


Primeiro, porque aprendi que a construção de uma nação não passa e nem começa simplesmente pelo casuísmo protagonizado por muitos, e o próprio General, que afasta aquele slogam que, precisamente, é parte do espírito de milhões de homens e mulheres, de etnias diferentes, que desejam construir uma nação num território físico e geográfico. Onde está o mal em adotarmos aquele lema, que seja o princípio fundamental da construção da nossa nação ou mesmo “futura” nação: a Nação Angolana?

Quem é que disse, quem escreveu assim, quem fez acreditar aos desesperados dirigentes da UNITA, que na construção de uma nação, os homens simplesmente devem se limitar a seguir a ordem dos fatos que a natureza e todas as circunstâncias do azar impõem ao progresso de evolução de qualquer sociedade? Sejam eles um bando de Kwachas retrógados, calcinados ( aqueles que já se transformaram em carvão ou em cinzas pelas suas atitudes, e o pior, pelas suas idéias). Não se esquecer que aquele General Capitulou a tudo, só falta ele e seus seguidores capitularem diante do bom senso. Ainda temos a esperança que um dia isso possa acontecer.

Nós a maioria dos Angolanos, De Cabinda ao Cunene, e do Leste ao Mar, já capitulamos diante da Paz, nos rendemos diante do bom senso, entre eles o ideal de que Angola só é possível como nação, se as diferenças, de todos os tipos, entre os angolanos forem diminuídas com o tempo, com o esforço de cada um de nós, do Partido que está no poder, do Governo, do Estado e da Sociedade Angolana. Queremos sim uma Angola Unida de Cabinda ao Cunene onde todas os Angolanos sejam iguais e possam alcançar a felicidade, mesmo que isso perdure ou dure uns longos cinco mil anos. Felizmente até lá já não haverá kwachas, mas para isso precisamos ir construindo esse futuro desde agora, com Kwachas ou sem Kwachas.

Lukamba Gato assusta quando diz que Angola é um conjunto de nações, ou seja, os diferentes grupos étnicos são diferentes grupos de nações a serem tratados de modo diferentes por seus valores culturais, lingüísticos e supomos aqui também econômicos. O nosso grande General, derrotado, e sociólogo vai além: “os problemas dos Cabindas, por exemplo, são diferentes dos Kwanhamas que estão na região mais ao Sul do País. Nas suas palavras, de revolta –quase sempre-, nega um esforço de Unidade Nacional protagonizado pelo partido no poder.

Para Lukamba Gato é má estratégia e errado a luta que se trava pela União de todos os Angolanos ao formarem um só povo uma só nação.

Foi sempre de conhecimento de todos os Angolanos que a UNITA faz e fez de tudo para dividir os Angolanos, deliberadamente, senão mesmo de maneira aberta e escancarada, instiga a luta que a FLEC tem travado para dividir o país. Nunca nos assustou e não é segredo. O segredo que poderia ser revelado por uma pergunta é: será que personalidades como Lukamba Gato e mais meia dúzias por aí dispostos a dividir tudo em nome do poder estão em condições de exercer as funções na Assembléia Legislativa como representantes desse povo. Em Angola não se exige acaso o mínimo de coro parlamentar ao se defender certas idéias? Ou se defende elas de qualquer maneira?

Não podemos aceitar que a burrice prevaleça sobre o bom senso e a sabedoria das pessoas, por isso escrevemos este artigo condenando a pouca visão do “nosso General”. Mesmo sabendo que ele é um personagem que oferece pouco perigo a sociedade, esperamos que as idéias do mesmo não passe de um delírio a ser esquecido no dia seguinte.

Nelo de Carvalho
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Nelo6@msn.com

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Wal*Mart em Angola

É claro que a notícia ainda não é verdadeira. Além disso, não tenho habito de fazer apologia ao expansionismo de certos monopólios. Mas a notícia dada em breve pode ser verdade na região Austral do Continente Africano. A rede Wall Mart é considerada a maior rede de varejo do Mundo, seus acionistas, um grupo em família, herdeiros da mesma empresa são considerados a família de herdeiros mais rica do mundo. Não é isso o que interessa aqui.

A mesma empresa anunciou a compra de uma outra empresa, a MassMart, uma rede de atacadistas (supermercados) na Africa do Sul. Um passo que a WalMart acha que deve dar para entrar no jovem e crescente mercado africano.


Quando uma rede como a WalMart manifesta interesse de comprar por 4 bilhões de dólares americanos um produto como a MassMart no continente africano, e com a intenção de se expandir, é porque uma nova visão fora do mesmo continente está crescendo com relação ao mercado africano; sempre visto como algo primitivo e que tem pouco a oferecer ao mundo. Ou seja, o interesse pelo continente já não é só pela extração ou compra de matérias primas.

Uma das reclamações de acusações na luta pelo poder entre a oposição angolana e aqueles que estão há quase trinta e cinco anos no poder é a cultura ufanista com que estes últimos souberam disseminar entre os angolanos e a sociedade em geral: somos o melhor país para se viver, adoecer, ficarmos bom e morrermos ( não importa se com paludismo cólera ou mesmo baleado por um kwacha, FAA ou policial descontento), mesmo quando os nossos problemas nacionais são considerados os piores do mundo. O orgulho de ser angolano poder-se-ia dizer é o melhor dos orgulhos, vai além de todas as possibilidades, de tudo que é normal e comum nessa vida. Não importa as nossas desgraças, sempre: “estamos m’bora bom assim do jeito que está”; “estamos sempre a subir”, mesmo que nossos problemas cheguem a ser o tipo do problema que os outros conseguiram solucionar há mais de cem anos atrás. A impressão que se tem é que no mundo de tanta miséria e miseráveis o angolano, pela sua simpatia, uma mistura do sujeito fanfarrão e beberrão, é o que mais habilidade tem para se adaptar a mesma.

Assim, a propaganda de um país chamado de Angola, feito mundo afora, por quem deveria e deve fazer, é muito bem feita para se driblar a miséria; é muito bem feita para se ocultar as nossas tristezas, feridas e magoas. Somos um país que soubemos mostrar ao mundo que temos bons gostos, que nossa burguesia é refinada, sabe bem o que é o luxo, e não importa se ela vem misturada ao lixo e a toda imundice que vem do chamado primeiro mundo, o importante é fazer valer que nós angolanos também podemos comprar. Os exemplos não faltam, mas aqui não serão mencionados nenhum deles. Mesmo porque o objetivo desse texto não é falar de lixo e de quem consome o mesmo. Eu também sou vaidoso! E se tem coisa que detesto, mesmo não sendo adepto a consumir luxo que certas pessoas acham que podem consumir, é o lixo – ou misturar este com aquele.

O Rock Santeiro, por exemplo, é o produto da nossa miséria; e a maneira como queremos nos livrar do mesmo é o fruto da nossa falta de visão e o nosso egoísmo. Nada contra a eliminação desse tumor social, chegou mesmo a hora. Mas também chegou a hora de ver que o mesmo precisa ser substituído por coisas elegantes. A elegância está em se saber fazer melhor propaganda do país mundo afora. Usar o potencial de todos os seus filhos em todas as dimensões possíveis, chacoalharem a turma de acomodados e carentes de iniciativas que compõe a nossa diplomacia mundo afora, dizer a essa gente que Angola também é o pais de grandes negócios, aberto para gente competente, e que seu povo é o maior exemplo de refineis e elegância, e não ao bando de exibicionistas e usurpadores de privilégios. E que a mensagem seja transferida; que nosso mercado interno, em todas as áreas, não pode estar limitado a monopólios de empresas que só correspondem às expectativas daqueles que estão no poder e suas famílias, que quase sempre, diante da arrogância de seus proprietários, prestam serviços péssimos a sociedade. Exemplos também não faltam, basta ver o monopólio das telecomunicações; algo ridículo, coisa de gente incompetente e do africano que não aceita evoluir com o tempo, porque tem medo de ser superado, sacrificando milhões dos seus semelhantes.

Que é preciso ter ginga, barganha para atrair investimentos em qualidade e quantidade isso é verdade. E não é coisa que se encomenda aos parentes que tudo podem e sabem comprar. Chegou a hora de abrir o país, não para os delinqüentes portugueses e os oportunistas de toda espécie, mas para quem de verdade poderá trazer riquezas ao país. Construindo-se um lobby saudável, contando com essa espécie de gente e raça chamada de angolanos. O lobby, o angolano, aquele que faz propaganda de si mesmo e por ser angolano pode ir mais longe em vez de se limitar aos porcos e os supostos restaurantes luxosos de Lisboa. Até parece que alguém vive interessado no que certas pessoas comem.

Que venha a WalMart, quem sabe esses, num passado tão rejeitados por serem imperialistas, financiadores de mortes e massacres, agora poderão vir matar a fome dos angolanos. Vendidos e esquecidos nos restaurantes "luxosos" de Lisboa!

Nelo de Carvalho
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Nelo6@msn.com

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E Depois da Múxima, Aonde Irão Os Peregrinos?

O êxito de construirmos uma nação próspera está, também, na capacidade de rejeitarmos certas tradições, que os séculos, por motivos de domino e imposição das classes dominantes, não apagaram. Certas coisas não podem ser jamais aceitas como cultura e tradição, só porque elas existem durante séculos –não é simplesmente o transcorrer do tempo que define os bons valores culturais. Aceitar estas coisas é condenar a espécie humana; primeiro, a um fim trágico; segundo, é aceitar que devemos continuar a viver renunciando a luta por um mundo melhor em que só a felicidade humana, o progresso sensato e modulado pela razão se justificam.


Todas as revoluções e transformações sociais, políticas e culturas servem como filtro e purificação dos novos e sublimes valores que vão surgindo, afastando a excrescência que o passado da humanidade criou e que de tempo em tempo precisa livrar-se da mesma; como um organismo vivo, a humanidade, um país ou uma nação não pode continuamente conviver e realimentar-se com a própria sujeira, a que produz.

Existe um instrumento, a ser valorizado e tomado a sério, capaz de ceifar aquela visão conservadora de manter instrumentos humilhantes que ao longo dos tempos só tiveram como objetivo enquadrar uma nação num esquema de domínio. Um esquema que hoje se concebe como um ciclo para perpetuar este mesmo domínio já numa visão diferente, mas tão prejudicial e perniciosa como antes. Afinal, a religião é uma febre de caráter mortal para qualquer civilização, povo ou até nação; a religião –sem repetição- “é o ópio do povo”, é a droga que nos levará para o inferno; o inferno do atraso e do subdesenvolvimento. Senão são os conflitos seculares promovidos pela mesma entre hemisférios é a eterna condenação no estado de ignorância e inércia de cada um de nossos povos e nações.

Este instrumento chama-se Educação. A educação que existe para tirar o homem da miséria, posicionar este melhor num mundo “que é só dele”, um mundo real, onde o domínio, enquanto o mesmo existir, da natureza se faz necessário a todos os instantes. Uma Educação modelada e parametrizada consoante os nossos desejos e ambição de felicidade, cá mesmo na terra, sem a inspiração de “manuais de terrores e de bruxarias” ( a Bíblia) que só ajudam a atrapalhar mais a nossa existência.

Somos sim uma identidade especial –nós os humanos-, mas para nós mesmos, porque precisamos sobre-viver diante desse mundo quase sempre injusto.Uma injustiça protagonizada pela nossa incapacidade de não termos e podermos ter domínio, às vezes, sobre o nosso maior adversário: a própria natureza.

Num país jovem como o nosso que herdou valores inquestionáveis que exigem todas as formas de repulsão, nunca é demais discutir que Sistema de Educação precisamos, agora, erguer para não se misturar as tradições de verdade a serem preservadas com a feitiçaria, a bruxaria e todas as formas de charlatanismo, passando por doutrinas pseudocientíficas, que só existem como penumbras para ocultar o que de melhor cada um de nós pode oferecer aos outros: a missão de criar para melhorar e facilitar a vida de todos nós.

A Múxima, com certeza, pode ser ( e é) um anestésico barato, mas vencido e de efeito duvidoso. É ainda, com a maior das certezas, o lugar onde alguém possa jamais ser feliz de verdade ou vivenciar uma suposta felicidade que jamais alcançará. Ela é a imagem do fracasso de qualquer peregrino; ela é o resultado de uma cultura que merece nossa rejeição e total repugnância –pelo menos da forma como se tem concebido : a Cristã. E falando em Cultura, as margens do Rio Kwanza não merecem falsa e vandálica glorificação; o Rio Kwanza é nosso e lá suspiram as milhões de almas de Angolanos que lá passaram e nunca quiseram ir a lugar nenhum, e se foram, nunca regressaram. É a esses que devemos homenagear, e sem confusão.

Não aceitamos de nenhuma maneira um domínio Romano com ares de tradição Católica sobre o mesmo. Não carecemos de imaginação para reverenciar nossos mortos e heróis. Sobre nossos ancestrais deve ficar por nossa conta e com clreza a maneira como os mesmos devem ser glorificados.

Além da infâmia a que nos tem habituado os diferentes modos de readaptação, qual resposta plausível a Igreja tem a dar a cada um dos peregrinos em nome do Cristianismo quando o tema é o tráfico de escravos naquele lugar? Nesse contexto, a quem devemos reverenciar, e as almas dos nossos semelhantes a quem encomendar? Quando era o próprio Cristo o Capitão do Navio Negreiro, o soldado ( ou comerciante) que devia entregar a encomenda aos Senhores dos Engenhos cá na América, o horroroso Capitão do Mato perseguidor e torturador de escravos.

No Projeto de Nação que pretendemos, se o mesmo não está sendo imposto por Roma, esse tipo de pergunta é cabível. E algumas das nossas supostas tradições ou culturas podem ser revistas. Ou será que diante do modismo democrático perdemos também o direito de definir como as futuras gerações poderão ter que nos recordar? Ou ainda, é a Igreja que tem que definir como nossos ante passados devem ser recordados?

A resposta, a uma ou outra coisa, passa, mais uma vez, no papel que o Estado tem direito de influenciar na transição de certos valores culturas para outros; que reneguem os velhos e caducos hábitos coloniais. Não vivem dizendo que somos uma nação jovem, que precisamos de reinventar? Reinventaram uma Constituição, podemos também reinventar uma maneira civilizada e original de adorar os nossos ante passados, nossos mortos, onde não se inclui a falsa do cristianismo.

Tenho certeza que o velho N’Gola Kiluange e os seus inúmeros súditos iriam agradecer! Estes também merecem proteção especial, tão especial que não teriam necessidade de disputar a cadeira ou o trono de algum dos vivos que aí estão. N’Gola e a sua “corte” custariam menos, que qualquer gastador dos cofres públicos que temos por aí, custariam uma simples Lei que incentivasse a valorização da Cultura Angolana e que não se submetesse aos caprichos Papais.

A Angola do futuro deverá ser construída, também, nesse ideal.

Nelo de Carvalho
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Nossa Legitimidade Está à Venda?

Especular que a luta pelo poder em Angola vai além dos interesses dos nacionais ou do cidadão nativo, o angolano, é oportuno, diante de fatos que indicam a falta de responsabilidades e de compromissos daqueles que milhões de pessoas depositaram a confiança para exercerem o poder de representar a nação. A democracia não é um exercício de força, mas de legitimidade. E acho que a última palavra está associada, também, ao cumprimento da lei. Cumprir a lei, num regime democrático, é fazer com que os mais fracos ou até aqueles que se encontram em posição de minoria não se sintam injustiçados. Litigantes ( maioria de um lado e minoria do outro lado) de um processo legislativo em democracias de verdade preferem sentir o sabor da vitória fazendo-se o uso de todos os instrumentos que o mesmo regime oferece. Decisões unipessoais são sempre injustas quando existem alternativas possíveis e, pior a ainda, quando as mesmas alternativas podem levar a uma possível concórdia. O Despacho Legislativo é um caso de truculência vindo de quem menos devia vir. O MPLA não pode se sentir representado neste ato. Eu sugiro outras intenções e pretensões e não aquelas que um dia viu o mesmo partido a nascer em nome de milhões de angolanos.


Chega de guerra! A mesma só é evitada com o cumprimento da lei. A guerra em si pode não existir na sua forma truculenta e cruel, mas as ações de alguns dos nossos políticos produzem o ódio que gerariam a mesma, ou que geraram a mesma durante muitos anos. Isso vale para todas as partes e com a mesma intensidade, sem que o erro de uns seja justificado pelos erros de outrem. Mesmo quando se acredita que os atos têm supostas finalidades patrióticas ou interesses que estão reduzidos a um grupo político, o que se põe de manifesto na prática e fica evidente é a esperteza de quem acredita estar em condições absoluta de exercer todo poder.

A esperteza é a suposta inteligência do bandido, o malfeitor, o mafioso manipulado via interesses alheios. Os inteligentes são sim verdadeiros estrategas que evitam que seus povos ou nações caiam numa situação de instabilidade ou crise que os leve a uma possível guerra. A guerra se evita com acordos e um bom exercício da política e não da arrogância e da falta de visão de alguns.

O Parlamento ou a Assembléia Legislativa não é o lugar para que se dêem vozes de comando; um instrumento unipessoal de demonstração de poder absoluto, que deve ser condenado, rejeitado e jamais paparicado e defendido a contra gosto pelo Jornal de Angola.

Nesta luta entre manipulados e manipuladores ( todos angolanos) o que está em causa é o lucro, o ganho em que partes interessadas (empresas estrangeiras) vêem no país um celeiro de conflitos onde apostar nos mesmos constitui investimentos que o futuro trará como retorno; retorno que virá da cobrança de uma das partes que fazem parte desta luta entre quem está no poder e quem ainda está na oposição. Será....!?

O Despacho Legislativo, algo que surpreendeu a todos nós, é um instrumento fruto desta luta, entre angolanos que nunca se entendem, e vivem se desrespeitando uns aos outros. Tal procedimento põe em dúvida o nível de patriotismo, o amor que se sente pelo angolano, e de que lado estes estão quando agem desta forma.

O “Despacho” nos leva a pensar que a hegemonia que se tem – e quem tem é o MPLA- torna refém esse mesmo partido de suas decisões, pondo um discurso, boçal e pretensioso, na boca da oposição, por exemplo: de que existe uma crise, um debate está sendo vislumbrado e é necessário, ou até mesmo de que o MPLA perdeu o controle de seus atos. Somos de opinião que o controle desta hegemonia deveria estar submetido a forças que pudessem manter um certo equilíbrio em cada execução e decisões vindo desse partido. Diga-se, “forças e equilíbrio interno dentro do próprio MPLA”, assim estaríamos livres, todos nós, de alguns excessos cometidos por alguns dos seus Grandes Militantes, excessos quase sempre indefensáveis.

Por exemplo, se o MPLA tem a maioria no Parlamento, por que não fazer o uso desta maioria para tornar seus atos cada vez mais transparentes? Por que não fazer uso da maioria, para que em vez de um Despacho ( decisão privativa e polêmica) se fizesse o uso de uma Resolução Legislativa onde só o Plenário pudesse decidir -ainda que fosse, e com certeza podia ser assim-, para casos simples ( o que não é), por maioria simples. E assim evitar a movimentação decadente e insignificante de uma oposição que já mostrou, nesses anos de Paz e concórdia, que nunca tem nada a oferecer; a não ser o trombetear rancoroso de um protesto que muitas vezes tem iniciativa nos interesses que espelham certo acenar, alheios, aos interesses do ambiente político nacional. O que o MPLA quer? Dar fogo, combustível ou armar aqueles que melhor sabem dividir os angolanos, aqueles que não excitam em trair sua nação, dar justificação e argumentação suficiente para que continuem agir como vândalos?

Aquela decisão de anular todo ato de fiscalização mesmo temporariamente, convenhamos, não pode ser visto como uma decisão simples, para quem entende bem o papel de uma Assembléia Legislativa. Afinal, dos três Poderes da República, é um poder inteiro que deixa de realizar suas funções por decisão unipessoal, um procedimento confuso e para lá de absurdo que para ser entendido –se vale ser entendido-, porque não há nada aqui que mereça grau de paciência e compreensão; seria preciso dar satisfação, passando por todo formalismo, a cada um dos membros que pertence aquela Casa. Já não é só a oposição, destes estamos blindados de maneira natural de todas as suas atrocidades, mas cada um dos membros do MPLA que compõem aquela casa, também, mereceriam ser respeitados.

Esses mais do que qualquer um, afinal representam a maioria absoluta dos angolanos.

Nelo de Carvalho
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A Reinvenção da Miséria


A Teologia além de ser a cara perfeita da pseudociência é um instrumento eficaz, em todos os tempos, para se reinventar o inferno cá na Terra. Nada melhor que deus para proclamar  a maldição e próprio inferno na Terra, nada melhor que o próprio homem para ser o seu mensageiro honesto; este, preferivelmente, na pele de um miserável e eterno condenado. Assim são os pastores e os seus fieis da Igreja Universal do Reino de Deus, assim é a igreja em qualquer uma de suas denominações. Assim é a religião na sua presunção miserável, burlesca e de certeza duvidosa quando anuncia a salvação e a felicidade de quem quer que seja, na Terra ou nos Céus. 

Qual ser ou qual verme na sua incapacidade de pensar e tirar conclusões  convencer-se-ia de tal promessa?

Reinventar a miséria é um estilo de vida que a própria sociedade capitalista nos oferece – a propósito todas as sociedades do passado até hoje evoluíram nesses termos, reinventar a miséria, é característica do período bárbaro em que vivemos-, principalmente, quando essa vem camuflada com os signos “falsos” da democracia do estado de direito. Além de reinventada, a miséria pode ser criada, e por incrível que pareça pode ser, também, um produto de consumo. Assim nasceram e nascem  as Igrejas Evangélicas  aqui no Brasil e no mundo inteiro; assim elas são transportadas para um país ainda mais miserável, um país chamado Angola. Que eu e você, amigo leitor, com certeza, amamos. E que eu e você podemos fazer muito por ele, começando por executar coisas simples.

Entre essas coisas existe uma que eu jamais, mesmo sendo ateu, não proporia ao amigo  leitor desse imenso país, porque afinal seria até uma presunção e arrogância intelectual de minha parte; e algo totalmente descabido: É ter que dizer a você amigo leitor que Deus, em absoluto, “não existe”. Não, eu não faço isso, mesmo que seja para o bem de alguém. E sabe o porquê? Porque  aprendi que nas questões primarias, simples e primitivas  o ser humano deve chegar às mesmas sem interferências de teses, ideologias e até religiões arrogantes. Costuma-se dizer que o mundo das definições primárias, e Deus é uma delas, é como o mundo da música num imenso salão em que cada um segue a melodia ou o ritmo como quiser, ou seja, inventa a sua própria dança.

Mas tem algo que eu e todos nós por aí poderíamos fazer por direito. Convidar  você a sentar-se sobre uma mesa e termos uma boa conversa. Afinal não é porque estamos nesse  salão que podemos ser imoral e indecentes com todos os outros. Um exemplo, você não gostaria que sua namorada tirasse a roupa diante de todos aqui e mostrasse tudo o que tem.

Nada impede, por direito, até mesmo de exercício intelectual, que você acredite no seu  Deus, nada impede que você esteja junto do mesmo em todos os  momentos.  Mas ser indecente  e falsário com ele mesmo, concordamos que não tem sentido. Além disso, você já se perguntou alguma vez, por que Deus que criou tudo, absolutamente tudo neste Universo, precisaria do seu dinheiro. Deus não precisa do seu dinheiro, quando ele precisar do seu dinheiro, ele tira de você sem você notar e  sentir que esta a ser roubado por ele. “Ah...não, mas o dízimo não é dinheiro para Deus, é dinheiro para os pobres”. Eu também sei disso! Só que não acredito. Tenha você certeza que o dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus nunca foi e nem é dinheiro que vai para os pobres. Por incrível que pareça é dinheiro que muitas vezes será usado contra os pobres. É dinheiro que se usa para realimentar um circuito fechado onde a corrente do mesmo é a mentira e falta de vergonha.

Assim é o dizimo  em qualquer uma das igrejas por aí, o dízimo é uma indecência de tamanho incalculável,tão indecente e vergonhoso quanto você ver sua namorada a se expor diante de todos. O dizimo é imoral; é tirar dos pobres  o que eles têm de pouco para sobreviver: a própria vida; que quem  dá e tira, segundo a própria teologia,  é o próprio deus. O dizimo  é tirar  o pão que há de mais ou menos, ou os livros que você poderia dar aos seus filhos para dar a um bando de falsários.

Você não está convencido? Quer ir a igreja? Ver os amigos, ou até mesmo tentar um encontro casual  com alguém que tanto você admira e gosta, uma amiga(o) ou mesmo a(o) namorada(o)? Nada impede, afinal, a igreja pode ser mesmo para essas coisas, e menos para que se dê o famoso dízimo. E agora a mesma ( a Universal) estendeu suas funções: é distribuidora de  camisinhas. Aquele artefato sexual que todos os adultos ao menos já usaram para evitar doenças sexuais transmissíveis e gravidezes indesejáveis. Esse pelo menos é uma das funções sociais da mesma Igreja, ela se adiantou ao próprio Estado, que deveria distribuir gratuitamente o mesmo produto nos Centros de Saúdes ou Postos Médicos. E fazer uma boa campanha contra a AIDS, sem o moralismo religioso vindo de Roma!

Não estou ironizando. Você pode achar que sou contra a distribuição de camisinhas nas Igrejas? Nada disso, é o lugar apropriado para se discutir até sobre as relações sexuais ( ou Educação Sexual), desde que não seja ao estilo Papal e Católico, conservador, retrogrado, pedófilo  e ultrapassado. Uso a expressão pedófilo aqui para fazer alusão a proibição milenar que existe na Igreja Romana Apostólica Católica de que os Padres não devem se casar, fenômeno que, precisamente, estimula a pedofilia e o homossexualismo.

Assim, gostei da ideia –da distribuição-,  pena que entre esse  gesto de preservação da saúde exista o dízimo: o retrato da cara dos safados, que a cada dia ou semana vivem criando igrejas para tais finalidades.


Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com 

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O Terrorismo Kwacha Nunca Esteve Em Condições de Reclamar Direito de Autodefesa

Uma guerra civil pode ser deflagrada por vários motivos: motivações políticas, sociais, econômicas e de caráter cultural. A única motivação que a UNITA teve para fazer a guerra foi a de caráter política, quando tinha. Porque todas as que tinham eram fracas, vinham do submundo inconsciente e inconseqüente da mentalidade megalomaníaca e desequilibrada de Jonas Savimbi. Uma mentalidade tribal, individualista e racista; Savimbi era um angolano fracassado e mulherengo que tinha a necessidade de impressionar suas mulheres, amantes, conquistadas na base da truculência; o homem tinha a necessidade de impressionar seus ídolos que igualmente eram tão atrasados como ele. A prova disso é que quando um deles despertava diante da claridade, da luz e de algum feixe de inteligência era degolado imediatamente por ele mesmo e os capangas que continuavam a ser fies a ele.


Em Sociologia a política é um instrumento humano cívico de relacionamento, que precisamente deve ser usado para se chegar ao entendimento de uma maneira civilizada; é com ela que se chega ao poder, fazendo-se o uso do bom senso, das leis e das instituições existente, sem se fazer uso do absurdo. Assim é em qualquer parte desse mundo. Evitar os absurdos inclui seguir regras estabelecidas por todos, entre elas está não fazer acusações sem provas, e quando se fazem devem ser apresentados fatos e evidências. Perguntamos primeiro, quais as provas que Jonas Savimbi e os seus homens tinham ou têm, até hoje, de que as eleições de 1992 foram falsas e fraudulentas? Onde estão estas provas, e porque elas não foram apresentadas, de modo civilizado e não truculento, a um tribunal, diante de um juiz ou um colegiado de juizes? Quando é que esse tribunal, juiz e juizes , se existiram, deram sentença ganha ao Savimbi e os seus homens – e atropeladas por um Estado injusto- para terem moral de deflagrarem a guerra dos últimos 10 anos, de 1992 à 2002.

Sejamos sensatos e não precisamos cair em sofismas e discussões. O MPLA em 1992 tinha todas as vantagens para ganhar as eleições e ganhou. Assim, este mesmo partido não tinha motivos e nem a necessidade de provocar a guerra; ou seja, para sermos mais objetivos, sair por aí matando populações indefesas, atacando civis desarmados, provocando desmandos. Ninguém que ganhe o poder político nas urnas, depois da vitória, sairia matando o povo nas ruas como gratidão. Então, respondam –herdeiros da UNITA e de Jonas Savimbi-, por que o MPLA teria motivos de começar novamente uma guerra? Quando era esse partido e o governo no poder que estavam desgastados militarmente para deflagrar e começar uma nova guerra; já que os 13 anos de enfrentamento contra o regime do apartheid provocou desgastes à sociedade, ao MPLA, ao Estado e até ao Governo. Tanto que isso foram motivos fortes que inspiraram Jonas Savimbi e os seus homens a darem continuação a uma guerra que eles acreditaram estarem em vantagem para vencer a mesma.

Não se esqueçam que diante dos discursos de Jonas Savimbi, naquela época, quem tinha os “comandos bem treinados que viam de Marrocos” eram as FALAs, a UNITA e os kwachas. Uma prova de que Savimbi não estava para brincadeiras! O líder, anti-tudo, vindo das trevas, ou melhor, da Jamba, estava disposto a arrasar tudo que contrariasse suas ambições. Por que então fazer uso da falta de visão, supostamente do cidadão, e da infâmia que caracteriza os dirigentes da UNITA, de que “A UNITA não lutou contra si, mas sim contra uma outra força, que para alcançar a paz teve também de destruir e matar em circunstâncias que a necessidade da luta impunha. Os dois mataram, destruíram e saquearam”? Os dois!? Quem são esses dois?

Da para notar com que vontade e flexibilidade a UNITA usa a expressão “ matar, destruir e saquear”; da para notar que ao longo dos anos de sua existência praticou muito bem e com perfeição tudo isso sem remorsos e sem medo de que um dia no futuro, jamais, seriam julgados por todos os crimes que cometeram. Da para notar que atrás de tudo, o que a UNITA fazia não existiam princípios, não existiam motivações sociais, econômicas ou minimamente culturais.

Ou seja, a motivação da UNITA fazer a guerra e do seu líder era porque se sentiam no direito de também matar, destruir e saquear “porque o MPLA também fazia” a mesmas coisas. Então a UNITA não lutou para defender os angolanos, ou até mesmo os angolanos da tribo ovimbundo contra a submissão dos crioulos, dos mulatos e do MPLA? A UNITA lutou, porque o MPLA, também, matava! Se isso for verdade que direito dava a UNITA e a Jonas Savimbi de fazerem justiça por mãos próprias, ou acaso os homens da UNITA nunca ouviram falar da soberania do Estado, que este é o único que tem direito de fazer justiça diante de qualquer injustiça.

Se a UNITA em 1992 aceitou participar nas eleições, aceitou o regime pluripartidário, deveria também estar à altura de reconhecer o Estado atual ( e reconheceu), antes e depois das eleições, naquele período de 1991 a 1992. Não entendemos como um movimento ou partido que sempre diz ter defendido os angolanos: “primeiro os angolanos, segundo os angolanos, terceiro os angolanos, quarto os angolanos....”, poderia se dar o direito de apoiar em mesma escala “um governo ou estado assassino, matador, destruidor e saqueador” –ou seja, agindo da mesma forma que esse estado agia. Isso segundo a lógica dos dirigentes da UNITA e os seus simpatizantes.



Não entendemos a posição da UNITA quando diz que matava, porque também o MPLA matava, destruía e saqueava.

Na verdade, quem são os que não entendem? Os simpatizantes da UNITA? Os cidadãos, que mesmo não sendo do MPLA, querem se deixar enganar pelos dirigentes desse partido?

Vamos seguir um outro raciocínio, que está no parágrafo a seguir. Este e um dos que está em cima já referenciado elimina o suposto direito de auto defesa reivindicados pelos homens do Galo Negro. Na condição de assassinos eles nunca tiveram esse direito.

Se o MPLA tinha tanta sede de sangue de matar quem era da UNITA; fazemos-nos a seguinte pergunta. Onde estão os mais 70 deputados da UNITA, que na época em que Savimbi fazia a guerra nas matas, matando mulheres e crianças indefesas, estes mesmo deputados faziam discursos lá no parlamento? Muitos deles até apoiando as estratégias de guerras do seu chefe. Hoje, a maioria deles -a não ser os que morreram de paludismo, cólera e de beber tanto vinho estragado e kaporroto- estão todos vivos, uns como empresários. Entre eles os que sustentam e financiam a voz dos locutores embriagados da Rádio Despertar. Quantas empresas desses empresários foram destruídas? Depois de conquistada a Paz o MPLA tem o poder que tem. Se o nível da falta de escrúpulos, de vergonha e instinto destruidor fosse igual a dos homens do Galo Negro a Rádio Despertar e quem financia a mesma, direta ou indiretamente, não existiriam. E se considerarmos que essa emissora vive fazendo apologia à violência e o retorno à guerra, o direito de destruição estaria a favor de milhões de ameaçados e ofendidos que UNITA até hoje vive insultando.

A falta de cultura, o egoísmo, o oportunismo, o ufanismos tribal e a boçalidade dos dirigentes da UNITA –em não saberem se defenderem dos crimes que cometeram no passado-, assim como do seu maior e difundo líder (como o seu desequilíbrio mental) nunca tornaram claras e evidentes as motivações do porque que a UNITA andou travando 20 anos de guerra nas matas contra os próprios angolanos.

A UNITA precisaria de bons advogados para isso e que de preferência que os mesmos sejam escutados diante dos tribunais e juizes competentes. É inadmissível que terroristas, um bando de ignorantes e incompetentes –terrorismo contra a nação é crime hediondo e imprescritível em qualquer cultura- possam ir à imprensa, diante dos jornais e da televisão justificar seus crimes fria e barbaramente cometidos contra milhões de pessoas.

É inadmissível que essa gente hoje, com malabarismos maquiavélicos, possam se sentir tão a vontade e livres para acusar quem fez o uso simples do direito de defender a vida, tornando os fatos confusos, empurrando a memória e a história de um povo a ocultarem-se da verdade, como a Lua oculta-se do Sol diante de um Eclipse.

Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com
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Socialismo ou Capitalismo, Colonialismo ou Independência?

Este artigo não constitui de nenhuma maneira uma respostas ao artigo do “destacado” Jornalista e articulista José Maria Huambo: “Alguém Conhece Um Edifício Construído Nos Anos 80 Pelo Ministério de Construção e Habitação?” Publicado no novo sítio eletrônico, há bem pouco inaugurado, WWW.a-patria.com. Este como o dele, ao meu entender, constituem uma maneira de descrever impressões, que em muitos casos podem estar ou não corretas, podem ou não refletir certas verdades, assim como determinados enganos.


Mas se alguém quiser considerar o contrário, talvez até seja melhor, é uma maneira de concluirmos que a guerra entre os angolanos que no passado tinha o aspecto violento, caracterizado pelo o inferno dantesco que só a espécie humana sabe protagonizar, felizmente, hoje, limitasse aos meios de comunicação e tem como seus tentáculos a internet. Acho que não devemos ter medo disso, estimular debates, ainda que sejam acalorados; é, também, uma maneira de contribuirmos na inteligência do país e ajudar na formação das futuras gerações. E esta é uma missão irrenunciável dos formadores de opinião, do Estado, do Ministério da Cultura e Educação, do Ministério da Comunicação Social e, também, do nosso Grande MPLA, que, às vezes, vive desconfiado de tudo: das críticas de que é vítima. Estes não precisam ter medo de nada, porque a nossa luta que sempre teve Continuação e Vitórias, agora continua “aqui”, e muitas vitórias enfrente ainda conquistaremos.

                         
O autor daquele artigo usou sua experiência de cidadão angolano, mas lamento a ausência no texto da bagagem cultural, que supostamente ele deve ou deveria ter, para evitar assim o saudosismo da era colonial. Deveria usar também sua sagacidade de pesquisador articulista para chegar a conclusão obvia de que a sociedade Angolana nunca na sua história viveu a suposta era socialista ( ou sociedade socialista).

Eu, igualmente, farei o uso da minha experiência como cidadão que viveu três eras diferentes para manifestar minhas impressões sobre o colonialismo português, o socialismo de verdade – e não aquela ruína de sociedade ou os escombros do inferno que se tentou erguer em Angola nós anos 80s e final dos 70s- e finalmente a miserável e injusta sociedade capitalista.

A princípio impressiona-me como alguém que tem nos oferecidos tão “belos” texto sobre o estado caótico da sociedade angolana e a crítica sobre governabilidade e governança nesse país pode encarar a era colonial como se fosse uma era do paraíso perdido. Acaso, o autor José Maria Huambo já ouviu falar – e já sofreu ao menos uma vez na vida na pele- dos fenômenos gerados pelo colonialismo: o racismo, o apartheid e a escravidão? O Senhor Jornalista esqueceu que a guerra, que, precisamente, tornou Angola um país caótico e miserável, era porque a nação tinha a necessidade, a obrigação, o dever e até o direito de travar uma guerra contra o regime do apartheid.

O que me decepciona no Jornalista é essa impressão surrealista, superficial e enganosa e referenciada num suposto consumismo da era colonial, onde precisamente os nativos eram excluídos. Que tipo de consumismo o autor daquele texto se refere, quando 80% da população angolana não sabia ler e escrever? E dos que sabiam gabavam-se simplesmente por terem a chamada quarta-classe. Pessoas analfabetas, subdesenvolvidas e atrasadas consomem o quê? Quantos engenheiros, médicos, professores, universidades, administradores, gestores públicos e ministros Angola tinha na era colonial? Se revermos os fatos no ambiente familiar, quantas pessoas analfabetas na família do autor existiam? Vou responder por mim – na minha família as únicas pessoas que sabiam ler e escrever eram os homens, e a metade deles escrevia e lia muito mal. E na família daquele autor, quantas? Lá no Sul do país onde saiam os contratados – a maioria- para trabalharem nas roças de café! É bem possível que, o próprio autor, se vivesse aquela época não passaria da quarta classe. E sabe o porquê? Porque a essência do ensino colonial português consistia em fazer provar que os negros ou os nativos eram seres inferiores que não tinham como se desenvolver. Um ensino extremista, opressor, racista que inibia a criança e os jovens a prosseguir os estudos em qualquer quer facha etária, gerando uma nação de pessoas analfabetas, o que iriam consumir essas pessoas?

A Angola colonial –mesmo para os que viviam bem- era uma Angola de comerciantes e padeiros portugueses; os negros, os pretos, ou se quiserem, os nativos, eram atrasados recém saídos da escravidão. Até mesmo muitos dos que hoje estão aí governando o país – e digo isso, não por demérito, ao contrário, para enaltecer a saga de um povo, que soube derrotar o colonialismo português e assumir o leme desta nau chamada de Angola.

Naquela condição de atrasados estava quase 97% do continente africano 100% da África Subsaariana. O Capitalismo que triunfou com a Revolução Francesa e que promoveu a Revolução Industrial na Inglaterra não tirou a África da miséria. Mesmo depois de cento e cinqüenta anos de Revolução Francesa e Revolução Industrial os Africanos continuaram a viver em regime de semi-escravidão, se não mesmo em total escravidão.

Senhor José Maria Huambo, quando se escreve para formarmos ideias e opiniões e assim querermos influenciar quem quer que seja todas as referências são poucas e cabíveis. Assim, já que “sua excelência” tocou no socialismo, vamos aqui provar que o socialismo não é o vilão da desgraça dos angolanos; ao contrário, hoje só temos uma pátria e um continente livre, graças aos ideias e princípios socialistas. Às vezes, muito mal interpretados e feito do mesmo um sistema de comandos a ser seguido o que pode levar ao desastre. Mas não é disso que quero falar agora.

Quero continuar a falar do colonialismo e da escravidão coisa que o Senhor idolatra, e eu de minha parte sinto nojo, horror e todo tipo de repugnância; mas como diz o velho adágio: “gostos são gostos e não se discutem”!

Como dizia acima, a Revolução Francesa e a burguesia triunfante que promoveu a Revolução Industrial e a cultura do consumismo mantiveram o continente africano em regime colonial e de escravidão por mais de duzentos anos. Mas essa história de Colonialismos e Escravidão mudou com o triunfo inesperado, mas certeiro da Revolução de Outubro. Uma Revolução conduzida pelas melhores ideias, jamais concebida, na história da filosofia; ou será que para o senhor jornalista a vida só é feita de consumismo? É graças a essa Revolução e a derrota da Alemanha nazista, na segunda guerra mundial, que se cria e se estabelece uma perspectiva para se tornar o continente africano em uma região de nações independentes. Devo recordar ao Senhor, que Portugal, na segunda guerra mundial, era alinhado da Alemanha e “lamento” em dizer que sofreu a derrota por todos nós conhecida: ver o Grande Reich, o Império Alemão, render-se e ser humilhado diante do Exército Vermelho; esse exército, que com a sua Revolução de Outubro, inspirou a outros povos a se libertarem de regimes coloniais e opressores, incluindo a nós os angolanos. Disso sim, eu sinto saudades, e daria tudo de mim para estar ao lado daqueles que participaram triunfalmente naquela contenda: “ a Revolução dos oprimidos desse mundo por um mundo melhor” onde até as mentiras como daquelas do texto que li sejam derrotadas.

Naquele texto do autor, entendi que o socialismo é uma sociedade de pessoas inúteis em quase todos os sentidos da vida, já que o texto limita-se a ridicularizar a mesma sociedade. Se o autor fosse bem informado, saberia que muitas das conquistas desfrutadas no mundo moderno capitalista não constituem criação de nenhum gênio capitalista –não é obra do Tio Patinhas ou do assustador Bill Gates. Vamos tentar clarear aqui quais são essas conquistas, hoje tidas como conquistas das democracias burguesas capitalistas, usadas pela ignorância de muitos dos nossos intelectuais para distorcer a história, entre todas estas coisas, estão, por exemplo:

-A existência dos Bancos Centrais; -que país no mundo de hoje poderia se imaginar sem um Banco Central? Os Bancos Centrais constituem uma criação e invenção Comunista, foi Carlos Marx, que no Manifesto do Partido Comunista, clamou pela existência de um Banco Central para cada uma das nações;

- O ensino gratuito, e a saúde pública; - quem consegue imaginar hoje uma democracia, por mais reacionária que seja, sem o ensino público e sem a saúde pública? Quem consegue vislumbrar um país desenvolvido sem esses dois itens, públicos e gratuitos? Lá em Portugal deve haver, com certeza, ensino público e gratuito, e o povo português – que não é mal agradecido- deve isso aos comunistas de todo mundo, mesmo quando lá os comunistas –de vez enquanto- são ridicularizados e vêem trocado sua gratidão que mereciam na história desse país pelos dos fascistas do regime salazarista, repulsivo; onde até hoje seus herdeiros continuam a sentir sede de sangue, e neles está com certeza o sangue dos pretos de Angola. Entendemos que muitos formadores de opinião nesse país são adeptos a práticas masoquistas e estariam muito bem enquadrados no grupo das vítimas daqueles colonos;

- A Reforma Agrária;

- Os Transportes Públicos;

- As Jornadas de oito horas de trabalho;

-A proibição do trabalho infantil, etc, etc.

O que foi mencionado acima constitui provas de que não se pode fazer da ignorância uma fonte para se democratizar um país.

Também não queremos aqui entrar no mérito se o autor daquele texto é reacionário, revolucionário, de esquerda, de direita ou da extrema direita. Mas precisamos nos perguntar, um texto escrito daquela forma tem o objetivo de enganar a quem? Quem poderia dedicar-se a financiar tal empreitada? A distorção e o ódio está dirigido a que grupo de pessoas?

Ou ainda –já que esse é o objetivo-, quais as chances de derrotar os corruptos do governo, ou até mesmo o governo atual, quando se sabe que os instrumentos de construção que levará a derrota àqueles que estão hoje no poder são os tijolos da mentira?

Essa chance é igual a zero!Absolutamente zero!Ninguém apostaria cinqüenta angulares colonial para alcançar essa posição; ninguém daria nem a fuba podre dos tempos coloniais para alcançar tal objetivo. Felizmente o peixe podre, o pano ruim e todas as outras porcarias que recebíamos no passado não serviriam para se retornar aquele ponto que é o mais baixo da escala humana.

Eu sou desses que preferia estar sim ao lado do velho Antônio Jacinto, tomando, sim, maruvo, mas sem estar acompanhado de maneira miserável por aquelas bugigangas, que só a miséria espiritual de traidores e grupos reacionários na maior desfaçatez conseguem conceber. Que humilhação para um povo!? Que desprezo!? E é aqui onde podemos concluir que não podemos e nem devemos contar com essa oposição para a Reconstrução do País.

Tomarei maruvo, não para esquecer, mas precisamente para brindar pelos tempos modernos, de liberdade e vitória, de uma Angola Nova, Jovem e Viril , a ser reconstruída. E, finalmente, de uma Angola confiante no futuro!

Este texto não termina aqui, vê-se que é algo inacabado, porque inacabado e sem fim é aquela provocação. Ficamos por aqui, hoje, para não cansar o leitor. Porque este merece o mínimo de respeito.

Nelo de Carvalho
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Sonangol: Um Mito e Uma Verdade a Ser Resgatada

A Sonangol é hoje por direito o símbolo da economia angolana e em qualquer parte do mundo, além de símbolos, as empresas, mesmos quando são privadas, constituem o orgulho de seus países de origem. E mais do que comercio e negócios são sombras do conjunto de símbolos de uma nação. Da mesma forma que a Coca Cola pode ser usada como um símbolo americano para identificar as tradições e a cultura do país de referência, a Sonangol pode ser usada, por milhares ou milhões de angolanos, para se representar o que temos de bom e melhor.



Com as denúncias de corrupção envolvendo a mesma empresa, sendo ou não verdade, quem sai prejudicado não é só o contribuinte proprietário da Empresa. Nessas denuncias, e na habilidade que existe de se descaracterizar -por conveniência- tudo que envolve a luta pelo poder, sai manchado o nome de Angola, dos seus filhos e os símbolos pátrios que representam essa nação.

Podemos ver na corrupção uma inimiga que mancha tudo o que tocamos –quando ela está próxima de nós-, mas não podemos ver no objeto vítima a culpada pela ação dos homens. Sou de opinião que a Sonangol, mesmo com a Guerra Fria que ainda se vive no nosso país, é um produto e marca nacional a ser reverenciado por todos nós e que possa servir de orgulho a nação angolana. Assim, como serve de orgulho a todos nós a nossa Bandeira Nacional, o Nosso Hino Nacional e o Herói Nacional. A luta pela corrupção não justifica que um símbolo Pátrio possa ser denegrido e até mesmo usado como escudo contra alguns compatriotas ou para se alcançar objetivos que atentam contra o interesse Nacional. Infelizmente, a interpretação que se tem de muitos fatos é que a empresa é usada com esse objetivo. Que Angolano não teria orgulho, depois de tantos anos na diáspora, de ver a bandeira –ou as cores- da Sonangol içada em algum lugar de suas sedes no estrangeiro ou mesmo num evento internacional onde a mesma pudesse estar representada? A verdade é que a incompreensão política dos grupos da oposição, no caso de Angola, tem tornado inimigo até aquilo que representa os angolanos em todas as dimensões culturas. Já não se é só adversário político do Governo que está no poder, se é subversivo, incluso, com aquilo que melhor representa Angola e os Angolanos. Não custa observar que na luta pelo poder político os símbolos ostentados por estes grupos nunca passam perto dos símbolos da Angola. E a justificativa é a mesma de sempre, que os mesmos símbolos representam igualmente o MPLA. Ora bolas, é preciso entender que Angola é uma nação jovem, e na sua construção esse mesmo partido é o que maior mérito tem, indiscutivelmente. Negar o papel do MPLA na história de Angola é querer negar a própria história do país. Somos uma nação graças a este partido, temos uma bandeira, um Hino e um Herói, que merece a posição que tem na nossa história, graças ao mesmo Partido.

                                                                                                     

É preciso reconhecer, para bem, e mais do que para bem do que para mal, que essa empresa, mesmo sendo pública ela é a promotora do Capitalismo Nacional. É ela que muitas vezes injeta fluxo de riqueza no circuito Nacional, estimulando o crescimento de uma economia no pós-guerra.

Não estamos interessados nesse momento em denúncias sobre corrupção, mas precisamente em desmanchar essa visão hipócrita de que ela só serve para uns, ou seja, queremos que o amigo leitor se convença de que a Sonangol é nossa, sim, e não precisa ser vista como um refugio de corruptos ou de uma instituição que ajudam a incentivar o que é condenável. É verdade que o gerenciamento de um bem público, no caso uma Organização do tamanho e interesse da mesma Empresa, além de ser complexa, é um tabuleiro de peças de xadrez, onde a relação entre as mesma leva-se num desenrolar de atos burocráticos que ajudem a desordem e como consequência a corrupção. Mas isso não torna a mesma empresa menos estratégica no contexto nacional. Aqui o estratégico consiste em ter na mesma não só uma Organização que gere riqueza e lucros, mas que, pela sua complexidade, sirva de Escola para essa nova geração de empreendedores e gestores numa economia de mercado. Onde a concorrência pode ser o túmulo dos ineptos.


O que se pode “extrair” de uma empresa como a Sonangol, se organizada e com uma gestão eficiente que passe pela consideração dos quadros nacionais, é muito mais do que simplesmente Petróleo. A empresa pode servir como uma fonte ou cuba de geração e criação de tecnologia, até mesmo nacional, mas para isso é preciso uma política de estímulo e consideração aos quadros nacionais e nativos –evitando que estes saiam correndo ou fugindo para o exterior-, e que essa política não se cruze com a politização dos interesses partidários, ou mesmo daqueles que estão no alto do poder.

Neste momento estou metido num projeto de comunicação e sistema de informação que ajuda a medir o nível de talento e aproveitamento da massa cinzenta nacional – omitirei o nome da pessoa ( colaborador) por uma questão de modesta e até estratégia de trabalho-, mas no tal projeto deu para sentir e determinar até que ponto nós os angolanos com o nosso talento, conhecimento adquiridos pelo mundo afora e se bem aproveitados podemos contribuir muito bem para o desenvolvimento do país, sem a fanfarronice habitual que a arrogância e o desprezo da cultura lusitana deixou em nós. Como aquela que anunciou o Know How na TPA diante da nação sem passar por uma Licitação ou Concurso Público e que hoje, depois de quase dois anos ou menos, provou-se incompetente, ineficiente, uma qualidade desastrosa do produto oferecido a milhões de angolanos.

Sem querer cair em críticas, estamos aqui para falar bem da Sonangol, enaltecer e vender ao mundo um produto que é de todos os angolanos, independentemente de que a mesma seja vítima ou não de corrupção. Nossa tentativa é transformar aquele produto, também, um símbolo da Paz e de Reconstrução Nacional. Fazer que em volta da mesma idéias e projetos unam-se em nome de uma Nova Angola.

Gritar que a Sonangol é Nossa! Não basta, é preciso que esta também vem até a nós, dentro e fora do país, ou onde minimamente existam rastros de Angola. Afinal, de rastro, faro e perfuração neste país ninguém melhor que a mesma faz.

Rastrear e farejar conhecimento gerado por angolanos, fora ou dentro do país, também é função da Sonangol.

Nelo de Carvalho
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