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Sobre o Discurso de Fim do Ano do Presidente

Pela consideração que o nosso presidente ainda merece e o respeito que ele exige de todos os seus críticos por ocupar o cargo que ocupa dei-me o trabalho de analisar uma passagem do seu discurso de fim de ano. Ele merece! Fiz isso pensando que o discurso foi elaborado numa situação em que o discursante  teve tempo o suficiente e momentos de lucidez que foram usados para elaborar uma obra que tem como objetivo, além de chamar atenção, influir na capacidade de agir do cidadão angolano e de quem quer que leia o discurso em questão.

O que me motivou a escrever esse artigo está longe de ser um ato de provocação, fui motivado pelo entendimento que tenho sobre o homem José Eduardo dos Santos, sobre o seu passado de militante “comunista”, líder do MPLA e Presidente há mais de trinta anos, ex-combatente e guerrilheiro na luta pela libertação do país. Mas também tive em conta que os tempos passaram, os discursos podem mudar. E  isso pode ser, talvez, o lado frágil desse artigo. Tive em conta que José Eduardo dos Santos é o grande herdeiro político de  Antônio Agostinho Neto. Os mitos dizem que quando este viajou a Moscovo  para se tratar e pensando na possibilidade da morte deixou até uma espécie de carta fechada como voto de opinião  sobre quem tinha condições de lhe substituir. Esta crença para mim nunca  foi levada a sério, mesmo podendo ser verdade e tendo sido possível. E nem interessa tanto para a nossa análise. Ainda assim, tendo em conta a época em que nosso “herdeiro”  chegou ao poder é de imaginar que ele estava entre os melhores militantes do MPLA, os capazes, entre os mais destacados e exemplares. Sem contar sua alta formação, política e ideológica, “que nunca ninguém  pois em dúvida”, ao menos entre os militantes do MPLA ou aqueles que mais próximo vivem dele –e o conhecem pessoalmente. Não esquecer que até mesmo no último  Congresso do MPLA ele foi ratificado para continuar no cargo por aproximadamente 1974 militantes congressistas, só 26 se opuseram a  sua continuação. 
  É com a bagagem encima, que carrega o homem em suas costas, que me detive na seguinte passagem do seu discurso. E me detive para tentar ajudar o mesmo a transportar sua bagagem. É claro longe de todas as presunções e pretensões. Mesmo porque cada um de nós, fazendo uso da amabilidade e do cavalheirismo, pode se dispor a fazer isso. Tal gesto não constitui uma missão de gigantes.

A passagem é a seguinte, o segundo parágrafo do discurso: “É nesse momento que ganha força a convicção de que cada cidadão, é de fato, responsável por forjar o seu próprio destino, por aperfeiçoar o seu modo de   estar no mundo, por melhorar a sua vida familiar e por se integrar de forma mais harmoniosa na comunidade e no seu meio social”.

Não tenho formação específica em áreas de humanas que me ajudariam a desvendar segredos e manias através de rastros e passos deixados por alguém ao se manifestar através de qualquer meio. Por isso peço compreensão e ajuda nas minhas análises. E ponho à disposição  aquilo que tento pesquisar diante de qualquer especialista muito mais gabaritado para que corrobore ou não o que poderei afirmar aqui:

Acredito que em qualquer discurso falado ou escrito, principalmente quando o mesmo for racionalmente bem elaborado, como é o caso do discurso anual de um  presidente,  a quantidade de palavras usadas, no discurso, sempre  reflete o grau de intenção do sujeito; o que ele verdadeiramente quer transmitir, o que deseja e como quer persuadir seus interlocutores ou ouvintes. Reflete o grau de preocupação em transmitir a mensagem. A palavra pode ser uma espécie de “chicote” quando se quer alertar e chamar atenção, pode ser uma forma de vestimenta ( roupas) quando se quer fazer sentir a presença da pessoa que está discursando. Pode retratar o que somos e o que desejamos dos outros.

A palavra  “família” foi a mais repetida num discurso de 1094 palavras, ela apareceu oito vezes em sete parágrafos, num conjunto de quase trinta parágrafos. A propósito, a palavra “corrupção” não aparece nenhuma vez. E a palavra “governação” aparece como sinônimo de êxito e algo esperançoso. Falando de propósitos, a palavra “corrupção” é a palavra menos mencionada pelo Presidente da República em qualquer discurso ou entrevista cara que o mesmo tem oferecido à imprensa. Geralmente tal palavra é incumbida a assessores e à turma dos  defensores bajuladores.

Desta vez estamos interessados na palavra “família”, vendo a mesma no discurso dá para ver que ela aparece como núcleo da principal ideia do discurso e de um novo ideal que se está formando na sociedade angolana, do individualismo e do oportunismo que a só a burguesia sabe nos incutir.

De que o bem estar e o êxito  de cada um de nós passa pela sorte de termos nascido numa família bem estruturada isso não é segredo. O segredo, e isso está no discurso, é saber do limite que essa tem e das responsabilidades que a Sociedade e o Estado têm a encarar. Para que a aquele, os limites, na verdade, se confundam de tal forma que a responsabilidade de todos não tenham  fronteiras.

Interpretamos no discurso, inovador,  que existiu uma intenção deliberada de empurrar-se as responsabilidade do estado e da sociedade à família. Sendo essa ou não a intenção, a família sempre será o ambiente onde todos os nossos sonhos podem amadurecer. Estamos dizendo amadurecer e não se realizar. A realização de um sonho vem quando o Estado e a Sociedade está em condições de oferecer as imensas oportunidades que de direito e obrigação a  família espera dessas duas últimas entidades.  O  segundo parágrafo do discurso do presidente  é aceitável como ideal de vida  e algo inerente a sobrevivência de cada um de nós, já que o mesmo está sendo evocado num contexto que exige o esforço individual de cada um dos sujeitos e induzido pela crença  que enfoca no homem ( no individuo), e só a ele, a responsabilidade do seu destino.  Ou seja, só aceitamos aquela visão presidencial se estarmos diante de uma visão egocêntrica da vida. Em que, por exemplo,  quem não consegue emprego, uma boa escola para matricular seus filhos, saneamento básico para se livrar do paludismo, da cólera, das diarréias e outras doenças será o único culpado de toda essa situação. Não é!?

Se for assim o presidente nos dá motivos para que cada um de nós cidadãos angolanos tenhamos direito de agir civicamente lutando por nossos direitos. Ou seja, quando um pai de família, ou jovem estudante, sai pelas ruas clamando pela liberdade, pelo direito de transparência da coisa pública e outros direitos, é claro, que não está só fazendo para molestar e “agredir” o governo e as autoridades, mas faz isso: primeiro, por toda a sociedade e, segundo, pela sua família. Em outras palavras, a luta pelo bem estar das nossas famílias passa por tudo: pelo direito de sabermos aonde são investido os recursos públicos, os impostos que são de todos os angolanos, os destinos que se dão as nossas riquezas ( petróleo, diamante,  café, ferro,..etc).

Este articulista contrariando o segundo parágrafo do discurso do presidente é defensor de uma visão  que responsabiliza o Estado e a Sociedade pelos destinos do individuo e de toda a família. E não aceita que a família seja responsável pela desgraça social e ainda pela existência de um Estado corrupto, ineficiente, delinqüente e incompetente. Na verdade, nossa visão é a de que deve existir um processo de realimentação, o Estado e a Sociedade deve existir para a família e servir a esta, assim como a família deve existir e servir aquelas duas entidades,  afastando-se do ideal reacionário burguês de que só a família tem culpa do seu destino. Sendo ou não a intenção do presidente condenamos aquele segundo parágrafo do seu discurso.

 Primeiro, pelo seu passado e história que não merece a que o mesmo se exponha dessa maneira, como se fosse  a entregar-se completa e totalmente  aos vícios ideológicos de uma classe que tanto ele “combateu” no passado: a burguesia tida como uma classe elitista, reacionária e racista. O conceito de família para aquela classe, a burguesia, geralmente transborda no racismo, numa atitude altamente conservadora  e de direita . É um resquício medieval  das lutas entre os burgos e o feudalismo decadente, uma época que já se foi. A pergunta que  vale um milhão é: de que lado você está José!?

Continuando, faz-se da palavra “família” um subterfúgio para se defender o que há mais de podre dentro de si: seu egoísmo animal e oportunismo bárbaro que caracteriza o homem das cavernas. A sociedade humana, mesmo atravessando a era do Capitalismo, evoluiu tanto que hoje fica difícil distinguir  os limites de responsabilidades da família com a do Estado. Só um estado entregue, completa e totalmente, à burguesia pode evocar esse tipo de discurso. Não esperávamos isso de José!

Em segundo lugar, para nós os angolanos a responsabilidade do Estado deve ser vista sim como algo ilimitada. Assim é em quase todas as latitudes geográficas, e senão, deveria ser assim. Essa é uma cultura que deve ser criada e incutida por um Estado que existe e tenha uma visão social de tudo que faz, um Estado de todos tem que se sentir responsável por tudo. Afinal de contas quem fez a guerra ao longo destes trinta e cinco anos? Foram uns poucos? Todas as famílias angolanas direta ou indiretamente participaram nas duas guerras, ou todas as guerras que surgiram em Angola desde 1961, com seus seres queridos. Por que quê na hora de se dividir o bolo Estatal umas devem ser vistas como mais responsáveis e outras menos responsáveis diante da missão social de construirmos uma nação?

Sabemos que hoje em Angola existem famílias e pessoas que se dão até o luxo de comprar Bancos em Portugal. Acreditar que essa atitude é simplesmente um êxito individual e pessoal destas famílias é uma hipocrisia sem fim e uma mentira descabida. Sabemos que estas pessoas, por destino ou não, sempre tiveram ajuda e contribuição do Estado  e da Sociedade direta ou indiretamente. Sabemos todos que essas conquistas é como consequência da participação de milhões de angolanos que lutaram para conquistarem a independência e manter as mesmas conquistas até os dias de hoje. Todas as batalhas travadas no território nacional onde morreram centenas e até milhares de Angolanos  contribuíram no êxito de cada uma dessas famílias ou pessoas. Falo dessas famílias, mas o exemplo serve para todas as famílias em  geral.

Assim, em Angola, como em qualquer parte do Mundo, ninguém pode se gabar por conquistar o que tem conquistado só como esforço próprio e individual. “Nenhuma obra humana por mais individual que aparente ser é totalmente individual”.

Assim, um discurso do chefe de Estado Angolano, um ex-comunista, um herdeiro de Agostinho Neto, deve saber fazer prevalecer o social e o Estatal em  detrimento do individual. Mesmo que deste não se esperam aquelas atitudes (comunistas) como consequência da mudança para com os novos tempos, mas uma cultura e educação bem forjada  não pode ser deletada da vida de um personagem de um dia para outro.

Ao meu entender, nunca esperei do Líder JES atitudes e motivações que levassem alguém a dizer “ele não nasceu para estar entre nós ( entre a burguesia)”, “mesmo fingindo ser como nós, da para notar sua ascendência de comunista”. Porque é difícil, para muitos mortais rejeitar os vícios, as manias e hábitos que o mundo burguês tem a disposição de todos (ninguém deve se sentir obrigado a rejeitar tais ofertas) . Mas como disse, anteriormente, convicções são convicções  e não podem ser apagadas de um dia para outro, principalmente quando nos encontramos numa posição privilegiada: a de Presidente da República.

Para José,  na sua posição, ficaria mais fácil preservar sua honradez (comunista) e como consequência um discurso menos reacionário. Nós aqui não pedimos e nem exigimos tanto do homem, só o discurso seria mais do que suficiente.

Um Feliz  Ano Novo!

Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com

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Quem Decidirá o Destino de Quim Ribeiro?


Tudo bem, JES é o Comandante em Chefe das Forças Armadas e a polícia em Angola pode ser vista como uma extensão das forças armadas para manter a ordem interna. E tem mais, mesmo em Angola, deve existir uma lei que define e limita as funções do Comandante em Chefe das Forças Armadas. Essas funções não devem ser tão diferentes da do  mundo afora ou no hemisfério ocidental, no qual o nosso país e  a “civilização angolana” pertencem.

Entre essas funções, tenho certeza que não cabe ao Comandante em Chefe das Forças Armadas o julgamento de irregularidades prescrito no Código Penal, que seria o caso extremo em que se enquadraria o Comandante Provincial da Polícia Joaquim Ribeiro. Ao Presidente da República como chefe do executivo e comandante em chefe das forças armadas, na verdade, cabe sim um tipo de julgamento, o julgamento de caráter administrativo. Ou seja, o caso Quim Ribeiro implica  o surgimento de dois processos: Processo Administrativo (PA) e Processo Jurídico ( PJ).  Um  quem cuida é o chefe do executivo,  o outro, o segundo, deve ser um juiz competente. Os dois não se confundem e por definição são executados em esferas diferentes, com decisões totalmente diferentes, talvez até opostas. Quando se trata daquele código as decisões do judiciário prevalecem  e não há autoridade que possa contestar.

O Presidente até pode receber em suas mãos um inquérito que deverá ser decidido de maneira administrativa. Isso significa dizer que ao Presidente só lhe caberá tomar decisões administrativas que  no caso específico consiste em decidir se Joaquim Ribeiro continuará ou não em suas  funções, ou até mesmo se poderá continuar no serviço público. Mas atenção, esta última decisão deve estar acompanhada pelo “Princípio do Processo Legal”, onde o servidor terá direito a um advogado que em última circunstância poderá recorrer ao judiciário.

Com o excesso de poder que tem o nosso chefe é preciso evitar que o Processo Administrativo se transforme  numa espécie de “execução sumaria” ou de benevolência e complacência de quem tem o dom e as virtudes de um Deus para perdoar. E onde o judiciário passa a ser um mero espectador ou seguidor do mestre que aí temos. Nada impede que uma decisão do chefe do executivo seja levada a estâncias judiciárias, porque este simplesmente extrapolou suas funções ou competências ou porque o mesmo deu-se o direito de ocupar uma posição que não lhe diz respeito. Juízes são juízes em qualquer parte do mundo e devem ser respeitados. E, como consequência da extrapolação -tal interferência-, seja categórica e redondamente rejeitada. Se existe crime prescrito por aquele Código, o Penal, que é o que temos visto, quem deverá decidir de maneira independente é o judiciário.

E é  aqui que a vaca pode tossir e o bezerro tocar trombone. Se de um lado existirem juízes  e promotores competentes e independentes, e do outro uma defesa livre de coerção e limites para exercer o direito de defesa e provar o contraditório, usando todas as provas, acareações,  mecanismos e testemunhas que estiverem ao alcance para defenderem o seu paciente; diante de uma sociedade que espera e vive de expectativa por atos que neutralizem a corrupção.  Como a promessa vinda de um Tolerância Zero. E em, segundo, esperar provas supervenientes em cada um dos pleitos, onde a corrupção é o centro do debate, de que a mais alta direção do Estado e do Governo é mesmo inocente ou não em todos os grandes escândalos que acontecem na nação. Então diremos que é: “o inicio de um começo”. O começo da separação dos poderes e de um poder limitado do executivo.

E tem mais, nada de Segredos de Estado ( o próximo tema a ser tratado nesse site), as sessões de julgamentos têm que ser públicas. É parte de um princípio do direito chamado de Princípio de Publicidade. Ou seja, tudo que for de interesse público  deve ser à portas abertas. Sabemos das limitações que tem esse princípio, mas o interesse individual e privado dos corruptos não pode sufocar tal princípio.

Nossos ouvidos e visão estarão atentos!

Nelo de Carvalho
WWW.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

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Do Canibalismo à Difamação


Regimes corruptos geram personagens como Quim Ribeiro e enredos onde não se enquadram as atividades honestas que lhe cabem a um Estado sério. Geram instituições corruptas como a Clínica Girassol, construída com dinheiro público e reconhecidamente pública, mas com  a função falsa para beneficiar interesses privados e particulares.

Regimes corruptos fingem trabalhar, investigar e até ir atrás dos sujeitos que sustentam e promovem o sistema de corrupção. Quando na verdade, esses perseguidos, são os chamados laranjas, ou quanto mais aqueles, mesmo pertencentes ao um nível alto da pirâmide,  que por um motivo andaram violando alguma regra ou pacto de sangue que estabelece a  união entre a gang de delinqüentes ou a seita constituída por um bando de mafiosos.

Alguns dirigentes do Governo e do Estado Angola defendem a quatro ventos que a liberdade de imprensa em Angola é um fato. Uns até alegam o fato de que estamos numa época em que se pode criticar o Presidente da República, em alguns jornais privados, e ninguém vai preso ou é supostamente perseguido. A estes servidores públicos respondemos aos mesmos da seguinte forma: regimes  democráticos que têm a imprensa livre como instrumento de informação e instrumento onde se podem publicar,  denunciar e levar ao conhecimento da sociedade atos da administração pública, dão proteção legal, jurídica e institucional  aos meios de comunicação de maior popularidade no país, região ou cidade  onde os mesmos têm por seu ambiente de evolução e crescimento. O Semanário Angolense foi perseguido, chantageado economicamente, forçado a ceder como meio de comunicação que ia se tornando cada dia mais querido e popular. E tudo isso porque criticava o Camarada Presidente. Num regime democrático presidente caluniado vai aos tribunais provar sua inocência, não se faz de arrogante, todo poderoso, indiferente, na sua condição de intocável.

A imprensa privada angolana, já que vivemos num país sui generis, deveria sim receber atenção especial do Estado, mas não para ser punida, mas para que ela evolui-se no sentido de se exercer a verdadeira liberdade de imprensa. Podemos dizer que é da imprensa privada angolana, que nasce em Angola, pela primeira vez, o Jornalismo investigativo, coisa que o Jornal de Angola não tem e nem exerce ( a não ser aquele do ano de 1974 a 1975 em que a FNLA de Holdem Roberto foi acusada de canibalismo, de arrancar corações de crianças para servir de alimento). Hoje,  essa prática de jornalismo está sendo sufocada ou é perseguida, descaracterizada ( por sorte sem êxito) como difamatória ou anti-MPLA, principalmente, quando a questão é sobre os atos e a vida do Presidente da República. Vida reconhecidamente pelo culto de personalidade, pelo suposto exercício de inteligência e clarividência que dizem ter, mas os grandes problemas do país como educação e saúde e outros por aí são subestimados, por exemplo, pela falta de seriedade que um homem de estado deveria estar engajado. O Campus da Universidade de Agostinho Neto até hoje não foi terminado, mas o CAN, Copa das Nações Africana, além de ser celebrado encima da maior das vergonhas foi um “êxito”. Vergonha por quê? Porque Luanda deve ser uma das cidades mais sujas do mundo que nem condição tem para receber turistas africanos, poucos e exigentes, mas que deveriam ser impressionados; o terrorismo, com êxito ( infelizmente), assustou Cabinda e os angolanos daquela província até ao Cunene, mostrou  o que pode diante de um Estado enfraquecido, que só tem estrutura para dar proteção e cuidar do camarada presidente e sua família.

O Hospital Pediátrico de Luanda e qualquer um desta cidade, esta mais para necrotério, que recebe o doente (moribundo e morto)  e assiste o mesmo até a sua morte. Não é a toa que quem tem dinheiro no país sai pela porta dos fundos para ir se tratar e se preciso morrer longe de tanta miséria e o cenário dantesto, retrato dos estabelecimentos de saúde nacional. Numa Angola livre e independente  há trinta e cinco anos.

A prestação de serviços a nível nacional não orgulhesse nenhum cidadão nacional, além da saúde, a educação é uma merda, os transportes públicos em Luanda ou em qualquer cidade Capital de Província estão muito longe de funcionar de maneira civilizada e satisfatória. Os serviços de saneamentos básicos,  praticamente, quer em Luanda, para a maioria da população como no interior, não existem e quando existem funcionam muito mal. Água e Luz quando chega é objeto de piada, regressa no mesmo momento da sua chegada, e só retorna semana ou até meses depois. É como se fossem alguma entidade maquiavélica e macabras que vêm espreitar a cara “feia” dos angolanos  arrependem-se de terem  vistos as mesmas e regressam logo.

Tudo isso  no país de Quim Ribeiro, Maria Cremilda Luís de Lima e  diante do olhar “clarividente” do camarada presidente.
  

 Com relação ao  Jornalismo Investigativo, matéria proibitiva para imprensa pública angolana,  é instrumento necessário nas democráticas, onde todo mundo, sem exceção, até o presidente da república, seus parentes e filhos que vivem comprando bancos em Portugal, tem que prestar contas a nação. Muitas das negociatas feitas e tidas como obras de agentes privados sabemos que atrás das mesmas existem  dinheiro público, trafico de influência e que nunca são feitas em condições normais. Num país civilizado e democrático, o Jornalismo investigativo pode servir de fonte de investigação criminal e policial, abrindo brechas para que criminosos, ladrões  e mafiosos sejam desmascarados, perseguidos e até mesmo levados a justiça. Assim, jornalismo investigativo não espera provas aparecerem nas portas dos estabelecimentos do Jornal de Angola ou de qualquer outra publicação, é preciso, além de profissionalismo, compromisso social com o país e a nação. E acabar com a ideia de que investigados e corruptos podem ser qualquer um, menos aqueles que estão no topo da pirâmide.  

Exageros? Não. Em 1974 e nas vésperas da independência, na época da guerra fria, quando o perigo vinha do Norte, Zairense, das tropas e dos mercenários do ditador Mobuto Sesseko, o MPLA fez um trabalho fantástico de jornalismo investigativo: a denúncia às tropas de Holdem Roberto. Que, justa ou injustamente, foram acusados de serem canibais e trazerem hábitos selvagens das matas do  Congo ou das imensas florestas tropicais daquele país e assim de serem um exército de assassinos, lunáticos e viciados.  De que a FNLA era um terror e mereceu toda propaganda de guerra desfavorável a sua posição eu sempre me simpatizei por ela e até hoje sou simpático a mesma, eu já mais faria um discurso defendendo a esses bandos de mercenários e traidores. Aquele trabalho de propaganda, difamatório ou não, foi fantástico, digamos mesmos que politicamente selou a vitória merecida do MPLA. Foi uma obra de publicidade e denuncia genial e arrasadora -talvez nunca vista em nenhuma outra latitude geográfica-, acho que  ninguém na FNLA esperava tamanha vira volta. Eles até ( os da FNLA) poderiam pensar em que o MPLA seria capaz de qualquer coisa. E foi! Mas o tipo de instrumento e golpe usado, com certeza, os homens de Holdem Roberto não esperavam.

Pelo que recordo e minha visão atual, a FNLA saiu expulso de Luanda correndo. Eu nasci no Rangel e vive entre esse bairro, o Cazenga e a Terra Nova. Até hoje ainda consigo ver os soldados da FNLA correndo como se fossem bichos, humilhados pela vergonha, não pelo medo das bazucas e dos tiros de que os mesmo foram vítimas. Naquela época eu era um garoto de nove a dez anos e tenho certeza de que isso me divertia bastante, tanto pelo que eu mesmo chegava a presenciar  quanto pelas notícias que chegavam através dos adultos e os jornais ( com essa idade eu  lia muito bem e já sabia interpretar fatos jornalísticos).

Hoje o que impressiona é a ironia que existe atrás de tudo isso, pelo papel jogado pelo MPLA, partido no poder. Este partido, para o bem o para o mal, sugere que a corrupção não existe e que quando aparece é um mal que só existe na base da pirâmide social. Que toda denúncia contra os seus dirigentes, e dependendo de quem ele é, é difamatória, anti-MPLA, contra a segurança da nação,  provas   têm que ser apresentadas. Quando se sabe que o Estado angolano  sobre o olhar “clarividente” do seu chefe não tem nem se quer um departamento ou um corpo para investigar a corrupção de maneira independente, por lei, com administração e orçamento independente e longe dos atos bajuladores ao camarada presidente e da sua família e seus companheiros e camaradas corruptos.


Nelo de Carvalho
WWW.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

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Notícias de Angola

Sobe o número de crianças que morrerem por dia no hospital pediátrico de Luanda Rádio Ecclésia

"Pelo menos dez crianças morrem por dia no Hospital Pediátrico “ David Bernardino”, na capital angolana. Este é um número preocupante, segundo o médico especialista daquela unidade hospitalar, Rodrigues João. “As patologias são diversas, os que vêem mais são de foro respiratório, síndromes gripais, diarreias e as malárias” – revelou o médico, em declarações à Rádio Ecclesia.

O médico disse ainda que o hospital carece de técnicos qualificados, sobretudo em enfermagem. “ Muitas das vezes temos apenas um ou 2 enfermeiros na emergência e aparecem entre 5 ou 8 crianças graves” – frisou.

“Também há carência de médicos, muitas vezes são dois médicos fazer internamentos, 1 médico na consulta externa, 2 na emergência, número insuficiente para a quantidade de doentes que aparecem aqui no nosso hospital” acrescentou.

O responsável apontou o lixo, o deficiente saneamento básico e acesso à água potável como as causas principais da proliferação de doenças que afectam sobretudo as crianças na capital angolana.

“É muito difícil. Há muito lixo aqui em Luanda e as crianças são muito propensas. Elas brincam com tudo” – rematou. "


Que tal se o dinheiro do CAN fosse bem investido em prioridades como estas. Ao se salvar ao menos uma criança a mais, teríamos motivos de sobras para  endeusarmos certos personagens. Mais de um bilhão de dólares para se erguer estádios de futebol que estão sendo subutilizados. Num país com 35 anos de independência que não consegue nem resolver o saneamento básico e problemas de doenças curáveis. Dez crianças  morrem por dia num hospital pediátrico que poderia ser o melhor da região em todo continente. Aonde vai o dinheiro do petróleo e dos diamantes?

E ainda tem gente que acha que devemos ser indiferente a esse tipo de tragédia; tem gente que acha que o chefe que está a frente desse tipo de desgraça deve continuar a ser reverenciado como um Deus na Terra. Sua clarividência poderia muito bem enchergar esse tipo de desastre, mas não enchergou. Sabem por que? Porque ele chegou a altura de decidir os destinos do país de maneira unilateral,  de maneira arbitrária, sem contestação, sem acenação da sociedade civil, da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Contas, da opinião pública e da imprensa.  E para piorar tem  ao seu lado  uma Cosntituição que da tanto poder  a um só homem. Todos que o rodeiam  deixaram de ser conselheiros de verdade para serem serviçais e bajuladores, um bando de  covardes que fingem estarem a serviço da nação e do povo, que eles só sabem enganar.

Querem que as pessoas se calem diante disso, como se o país inteiro já não tivesse cérebros e inteligência para despertar diante deste tipo desastre provocado por um bando de oportunistas, egocêntricos, cínicos e mentirosos. 

Nelo de Carvalho
nelo6@msn.com
www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

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JES, Um Personagem Real Atrás de Um Mito

A maneira como se enaltece e   se elogia este personagem, por alguns militantes do partido no poder, chega a ser patética, reacionária e, dependendo, constrangedora para quem faz do bom senso uma característica para continuar a ser considerado um ser racional.  Os tempos mudaram, é claro que não mudaram a maneira como se devem respeitar as pessoas e principalmente os mais velhos, desde  que estes mereçam.

 A Democracia, um mal menor entre uma ditadura de direita e uma de esquerda, entre todas as suas vantagens, a melhor delas é a de não  tornar a política uma religião, evitando que seres humanos, políticos- por excelentes que sejam-,  possam ser endeusados. Nos meus debates consigo entender a consideração e o respeito que um Dino Cassulo e muitos militantes têm para com o Presidente de Angola e  do MPLA. Ninguém, mesmo sendo militante do MPLA, tem obrigação moral e cívica de morrer por amores por este, só porque é militante do MPLA. A consideração que se tem pelo mesmo  não tornam o mesmo um sujeito insubstituível, longe de defeitos e erros que qualquer homem no poder pode cometer. Também entendo que o MPLA tenha profundas raízes no meio da população angolana. Raízes que foram fincadas com a ajuda de toda a militância de Cabinda ao Cunene, custando o sangue e  o suor de milhões de angolanos que acreditaram nesse partido e hoje  continuam acreditando; e não só com ajuda daqueles que estão no mais alto escalão do poder.

Assim, estas raízes fincadas ao longo dos trinta e cinco anos devem ser usadas para se construir um país melhor em todos os aspetos, elas não podem ser usadas como patrimônio de um homem, de uma família, ou até de um grupo de camaradas que saíram das matas depois do ano de 1974 com a promessa de tornar  Angola num país para todos, seja num regime Socialista ou num regime Capitalista.

É de conhecimento de todos que o a intenção de se construir uma sociedade socialista em Angola foi um fracasso; vivemos agora em tempos de construção de um regime democrático; para muitos dos antigos camaradas adaptar-se as novas regras democráticas  em que só o mérito, a competência e o seguimento das leis devem fazer sentido é uma chatice  que não convém aos seus planos. É como ceder a um bando de intrusos, gente inoportuna, a um bando de infantes ou adolescentes pleiteando prazeres, desejos e a satisfação que só deve corresponder aos adultos. O MPLA, no seu seio, enfrenta essa crise: o enfrentamento entre o Velho, que não cede, e o Novo, que vive em desespero por algo que o tempo lhe prometeu, prosperidade numa nação de todos.

A Luta entre o Velho e o Novo não pode ser vista como uma luta mesquinha que não merece atenção de análise de especialistas. Dir-se-ia até que a democracia existe para sanar a sociedade desta crise.  Assim,  nas sociedades modernas e civilizadas, não se pode fazer do direito dos Mais  Velhos um direito absoluto, onde erros e falhas são omitidos e contornados de tal forma como se o novo não tivesse nenhuma perspectiva de amadurecimento.

Se existir egocentrismo dos Mais Velhos em se manter no poder, minimamente, que deva ser camuflado com competência  e sabedoria  e não por um ato de apelação romântica  em que  a camaradagem é usada para fazer prevalecer ambições do passado. É inadmissível pensar que seremos capazes de construir um estado forte onde a camaradagem prevaleça acima dos princípios que devem nortear um Estado Democrático de Direito.

Tenho sido tratado como um sujeito contraditório e ambíguo; e até supostamente de destruir a imagem boa que alguns  “camaradas” construíram sobre a minha pessoa. Tudo isso, confesso – que deve ser-, porque ao longo do tempo que estive entre uma ditadura de esquerda ( Cuba) e o conhecimento que tenho das ditaduras de direita, assim como por viver  em uma “autêntica” democracia, a brasileira ( ainda sendo de direita), aprendi, honestamente, a separar a  “camaradagem” dos preceitos da lei.  Sei que  entre os angolanos pode até soar como uma espécie de traição, abandonar um camarada  em nome da lei, ou pela lei: ou seja, trocar a camaradagem pela lei ou simplesmente pelas regras que a democracia exige. Mas isto acontece comigo, sim. Não que eu seja um legalista ou um extremista. É que a Democracia de verdade não foi concebida para “camaradas”, ela foi criada para manter o equilíbrio das relações entre todos os cidadãos, todos com ambições iguais ou diferentes, mas expostos sobre as mesmas leis.

Quando nego José Eduardo dos Santos  nos meus artigos e  trato ele como um político incompetente para continuar enfrente da nação, seguindo as regras da democracia que tanto ele tem violado, não é por ódio, por inveja, por ingratidão e muito menos por traição, ou até a suposta contradição ou, ainda, ambigüidade. É porque chegou mesmo a hora de confiarmos nas instituições e fazer com que o país progrida dependendo das instituições e não simplesmente de um homem, supostamente clarividente, que tudo pode e sabe, e sem falhas que se lhe pode imputar.

 Camaradas do MPLA, angolanos e compatriotas, é ridículo acreditar que exista um homem assim. E está mais do que provado que personalizar a governança e a governabilidade de um país, pôr tudo nas mãos de um só homem, tem condenado nações inteiras ao atraso, ainda que tal sujeito seja um gênio da política e da economia. O que não é o caso de José Eduardo dos Santos, de gênio ele não tem nada, de clarividente só quem dorme  na mesma cama que ele todos os dias pode notar isso.

Não estamos aqui para desfazer o homem que merecidamente, há mais de trinta anos, com todos os erros e dificuldades, esteve enfrente do país. Também não estamos aqui para pedir que o mesmo não continue a dar sua contribuição ao país. Estamos aqui para pedir que as instituições em Angola se abram diante das regras da democracia e que elas mesmas sejam a força propulsora deste regime que todos desejamos construir, em vez de depositarmos tudo só nos ombros de um homem.

E quando falamos de instituições nos referimos, principalmente, ao MPLA partido no poder. O MPLA é a instituição mais forte que existe em Angola, o MPLA chega a ser o próprio Estado, é a Assembléia Legislativa, o Judiciário, o Tribunal de Contas, é o Exército Nacional ( as FAAs), é a Polícia; enfim, o MPLA é uma Cultura, é a própria nação angolana. Se for a assim, a pergunta que ninguém resiste a invocar é: será que tudo isso deve depender de um só homem? 

Se o MPLA é tudo isso, então o mesmo tem condições de governar por mais 30 anos de maneira ininterrupta,  processo que este articulista defende  e  muitos por aí com certeza apóiam também. Isso nos leva a uma “batalha” inegável e  irrenunciável: o combate a corrupção.  Este combate não pode ser visto como um  gesto de contradição e ambigüidade e muito menos de suposta traição, como se habituaram a qualificar a militância mais antiga e conservadora deste partido. Alguns chegam a me acusar de traição. Não sou traidor de nada e nem de ninguém. Eu amo tanto o meu país como qualquer um de vocês que diz que enfrentou grandes batalhas ao longo dos 35 anos ou mesmo 54 anos de MPLA, o que não posso aceitar é fazer da corrupção uma cultura para se lidar com a tal “camaradagem”.

A lógica que fica fácil de entender já que por circunstâncias e destinos políticos nós angolanos não teremos opção ao longo dos 30 anos ou mais que vem por aí: isso não dá direito a aceitar qualquer tipo de desmando na forma de se governar e administrar aquilo que é de todos. O convite que fazemos  a todos é  o combate sem trégua  contra a corrupção. “Bater” nos corruptos, condená-los, persegui-los, assustá-los é preciso! É nesse contesto que o MPLA, como partido soberano, que sempre mostrou estar mais próximo de todos angolanos, poderia fazer da luta do Velho contra o Novo uma luta onde só o mérito e  a competência fossem valorizados. É preciso saber conjugar e pôr  frente a frente a experiência dos Mais Velhos  com o dinamismo dos  mais jovens. Isto consiste em desmistificar  os  personagens de ambos lados, tanto política como ideologicamente, e transformá-los, além de políticos, em gestores e administradores que a qualquer momento possam prestar contas a sociedade. E quando falamos de personagens nos referimos, também, ao mais alto escalão.

E por isso digo, todo aquele que ama esse país, sendo ou não do MPLA, deveria ter dois grandes objetivos:
1° Evitar que a UNITA jamais ganhe as eleições; e
2° Combater e atacar os corruptos em todos os níveis e esferas da função pública não importa que ideologia os mesmos professem.

E para conseguirmos esses dois objetivos não se faz com profissionais  ou líderes que estejam na pele de santos, deuses ou divindades que jamais poderão ser intocáveis.

Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com

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Pensar é Preciso e Necessário!

“É sobre o signo da dúvida”, assim começa um artigo, “Cirurgias a Laser no Executivo”, de opinião de uns dos Jornais, O País, com que conta o triste mercado da imprensa angolana. Dando mesmo a entender que a situação de Governança e Governabilidade em Angola ainda geram dúvidas ( ou só geram dúvidas), tal que nessa dúvida, como sempre, consiste em legitimar as atitudes de quem está no poder há mais de trinta anos cometendo as mesmas falhas e erros: as mesmas brutalidades!
Que se diga, depois de trinta anos no poder, não são meras dúvidas, são certezas com que todos estamos lidando. E a maior delas é de que quem nos governa deixou de ser um mito político e ideológico para se transformar num administrador e gestor incompetente. Essa é a pura verdade, que se tornou irrenunciável, tornou-se fatídica, e agora deve ser aceita. Até por aqueles que fazem da defesa do chefe as diferentes guerras que esse povo travou em inúmeros campos de batalhas. Não estamos aqui fazendo o uso de metáfora nenhuma, guerra sim no sentido literário da palavra e batalha no sentido Generalíssimo de combate. Os camaradas ainda pensam que defender o chefe é uma prolongação de missão a ser comprida pela Batalha de Kifangono, Kuito Kaunavale, invasão em direção ao sul e leste para derrubar o exercito traidor e vende-pátrias de Jonas Savimbi. Não faltam mesmo aqueles que vivem acreditando que ainda estão em guerra e que uma oposição ao chefe é uma declaração de guerra que deve ser enfrentada em tons de guerra e de campanha de Resistência Popular Generalizada.


Se tivessem que fazer o bom uso das tradições de luta desse povo, a Resistência Popular Generalizada (RPG) deverá ser, agora, contra a corrupção. E os inimigos da RPG todos nós já sabemos quem são eles. E para que temam seus inimigos! Nunca na historia do país se fez tão bem o uso de um instrumento de resistência para enfrentar seus males.

Paramos e prestamos atenção ao texto, do O País, com o objetivo de desmistificar um consenso que existe entre os cidadãos angolanos, de que tudo que vem do executivo angolano, principalmente do seu chefe, é perdoável e pode ser visto como a obra de um herói que há trinta anos só se dedicou com os seus “serviços” a gerar benefícios ao povo. O início do texto induz ao cidadão comum a permanecer nesta eterna inércia, pede do mesmo uma compreensão inexplicável, com aquele que nunca fez da coragem e da ousadia um instrumento de humildade para reconhecer suas falhas. Sorte que só são palavras, mas o desejo de vomitar ao ler o texto foi imenso. Em algumas declarações da imprensa nacional e até mesmo pelo discurso do presidente já é possível ver o lado não herói de quem assim sempre se apresentou; o que se vê agora, mas na surdina, é uma apelação ao caráter humano, e com todas as falhas, do nosso herói com três décadas no poder. Só que o instinto de covardia é a maior manifestação daquele lado humano. Por quê? A resposta é simples, o presidente insiste em culpar a camaradagem, que sempre o apoio incondicionalmente, pelas falhas e os atos de incompetência da administração pública.

Ainda que fossem só dúvidas, já seria mais do que suficiente para punirmos a incompetência, a corrupção, a desgovernança “traduzida” no discurso curto e de improvisação do chefe de Estado. Em que os outros, sempre, é que trabalham com “métodos desenquadrados”. Por que o Presidente da República e seus defensores temerários têm tanta certeza de que o seu trabalho – o do Presidente- não deve ser objeto de nenhum tipo mensuração ou contestação? Que tudo o que o presidente decide, faz e deixa de fazer não tem porque ser parametrizado, usando-se simplesmente as noções de bom, regular, medíocre, péssimo ou muito mau. Por que existe tanta convicção de que aquele homem, que é tão humano como qualquer um de nós, e que hoje está no poder, não deve ser acusado por ineficiência e incompetência? Já não estamos aqui a falar de corrupção em que se precisam de todas as provas legais e convencionais para se acusar alguém de corrupto.

Estamos falando da percepção de qualidade que cada um de nós seres humano tem por direito, dever e obrigação de concluir que determinadas obras humanas podem ser consideradas como boas ou más. Nesta avaliação não é difícil concluir que como administrador e gestor da coisa pública ao longo dos 30 anos, em que soube se ocultar, fazendo como escudo e carcaça de proteção as dificuldades que a guerra trazem a qualquer sociedade, José Eduardo dos Santos soube “mostrar” e ocultar, simultaneamente, toda sua incompetência. O quanto é inútil como administrador e até mesmo como guia intelectual de uma administração pública que sempre precisou dos melhor exemplos, e que nunca apareceram. Ao contrário, foi vítima de uma mentalidade e discurso promiscuo, vindo do próprio Presidente da República quando dizia: “que ninguém num país como Angola vivia só do salário da Administração”, até mesmo quando esse salário viesse da iniciativa privada. O que se entende que qualquer cidadão na surdina, passando por em cima das regras, normas e leis poderia se dar no direito de conquistar o que quisesse, usando meios, fins e métodos que só numa seita ordenada por bandidos e delinqüentes as pessoas se sentiriam a vontade. Talvez seja isso que o presidente e todos os seus parceiros, amigos e camaradas, terão de usar um dia para se defender de supostas acusações de enriquecimento ilícito. Ou, talvez, seja isso, que impossibilite que ele e todos aqueles de que o mesmo está rodeado evitam responder as acusações de um sujeito arrojado como Rafael Marques.

Aquele Jornal, O País, quando sugere dúvidas tenta mostrar a transparência de Atos Administrativos num país onde nada disso existe. E o pior ainda onde o seu mais alto mandatário, pode não ser acusado como maior protagonista, mas ao longo dos anos especializou-se a se inocentar a si mesmo. Um ato que só caracteriza os covardes e os cínicos, como já dissemos e sugerimos outras vezes em outros artigos.

E o mesmo Jornal, O Pais, num gesto de comicidade, que só supera o do Jornal de Angola vem jogar um bom papel na defesa do “nosso intocável Presidente”. Que hoje, depois de tantos eventos de ridicularização, ninguém mais tem cacife de chamá-lo de clarividente. Mas que eu aqui insisto em chamá-lo: Ele, sim, é um clarividente na arte de esconder tanta sujeira de baixo do tapete. Por isso, ainda, consegue se apresentar diante do público como o homem bonito e bondoso que todos nós nos habituamos a ver e ter para esconder as mazelas desse povo.

Que ele preserve eternamente sua boniteza e bondade, mas as imundices provocadas na administração pelo mesmo e os seus companheiros estão mais do que evidentes. Isso é quase impossível esconder. Quem diz isso? É o próprio, cansado de tanta reverência pelo que faz, deixa de fazer e nunca fez. Ele sabe que não merece tanto. Como dizem os Brasileiros, “talvez chegasse a hora de se tocar”.

A história de uma nação é também a história do seu pensamento e da sua inteligência. Num instrumento de política vagabunda, o Jornal “O País” mostra que está muito atrás disso, entregando-se como instrumento que apóia a corrupção e o mercenarismo contemporâneo: “Escrever para agradar um corrupto ditador”. A filosofia é a ciência, inquestionável, daquele pensamento e dessa inteligência. Que quando um dia em Angola tivermos a mesma a funcionar em nome do povo e da nação descobrirá que José Eduardo dos Santos, em toda sua vida, foi um troglodita que passou o tempo todo rindo do homem civilizado.

Isto não é uma certeza tirada diante de um conflito político –entre quem está no poder e quem está longe dele-, e motivado por inúmeras razões emocionais. Pode ser o inicio de uma certeza científica com tonalidades de presunção materialista, sim, o que é pior ainda, para quem está no poder e aqueles que se habituaram, cegamente, a dar proteção ao mesmo: o MPLA.

Para quem está preocupado com este articulista, não cabe o pioneirismo a este coitado, mas o Universo na sua conjugação de forças tem tempo mais do que suficiente até para absolver absurdos como daqueles que escrevem aqui no club-k.

Ao Jornal, O País, e todos os Jornalistas desse país, eu os convido a que pensemos. Gente, é o mínimo que podemos fazer nesse momento. Em vez de nos dedicarmos a bajular os incompetentes.

Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
Nelo6@msn.com

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O que é o Wikileaks?

É a prova de que o Mundo avança, está progredindo e que a evolução da humanidade jamais dependerá de opiniões e suposições imbecis como aquela que se nega acessar o club-k, quem sabe mesmo a internet. Aposto que tem funcionário do governo de Angola, e quando digo funcionário, digo altos funcionários: aqueles que se alimentam bem, andam em Mercedes de luxo, enviam suas mulheres a fazerem seus penteados nos melhores cabeleireiros de Lisboa e compram suas roupas nas melhores grifes das grandes Capitais Européias; que ficarão por um ano, senão mais, sem saberem “O que é o Wikileads”.

Querem saber o significado da palavra, ou que fenômeno é esse? Se quiserem acessem a internet, talvez quanto menos, o club-k. Por que se dependerem do Jornalzinho de Angola, aquele Jornal do papai, pertencente a um líder moribundo de espírito e de alma, continuarão desinformados pelo resto de vossas vidas. Ou ao menos até que aquele sujeito continuar no poder.


O Wikileads é a prova de que gente arrogante e burras jamais podem ser governantes, e nisso inclui em governar um país como Angola, mesmo infestados de corruptos e todas pragas herdadas de um baú que nem é superado pela caixa de pandora.

O Wikileads é claro que é uma guerra mundial protagonizada na rede mundial de computadores; uma guerra em favor da comunicação e do espírito democrático sedentos em tornar livre qualquer comunicação; é um gesto que protagoniza a luta pela verdadeira liberdade de imprensa; um gesto de luta contra o fascismo e todas as ditaduras opressoras da liberdade de expressão e comunicação ( todas as manifestações fascistas, venham elas de onde venham!). Mas, também, é um gesto, simbólico ou não, direto ou indiretamente, contra o governo corrupto de Angola, contra o regime corrupto e decadente de José Eduardo dos Santos. Mesmo que nos 250 mil documentos jogados ao ventilador como excrementos o nome desse país que é famoso pela sua corrupção não apareça. É a prova da insignificância desse país no cenário das nações, que agora, pela corrupção e os vícios que dariam inveja aos donos de qualquer bordel, tornam objeto de interesse ao Capitalismo Mundial, não pelo seu povo sofrido, mas por suas matérias primas vendidas a preços de bagatelas para alimentar uma elite de corruptos.

O Wikileads é também um gesto pela salvação de um partido de massas, que até bem pouco tempo soube representar o seu papel, esse partido é o MPLA! O Wikieads é melhor que o Comunismo, é a Liberdade rejeitando todas as imposições, querendo voar como lhe convém!


O Wikileads é a Grande Rebelião da Humanidade em favor da comunicação transparente, que se nega a ver no próximo, no estrangeiro ou mesmo no nativo e nacional, o inimigo a ser abatido pelas suas idéias e suas opiniões. Ou ainda, seu estilo de vida, sua forma de amar e querer as coisas, suas ambições e sonhos. É um protesto, um grito e uma negação absoluta a todos os tiranos. É, ainda, a verdadeira solidariedade para com os espíritos que, por qualquer motivo, vivem ofuscados, vitimas das sombras do engano e de toda a ocultação fantasma e diabólica.

Talvez, o Wikileads tenha vindo para ficar. Para muitos como um cavalo selvagem que só saberá responder aos instintos de sua dona: a humanidade ou a grande rede de computação.

É a vingança do ser humano contra toda a estupidez!

Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
Nelo6@msn.com