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O Otimismo dos Idiotas

Se um regime corrupto nascido numa ditadura chega a conclusão que deve abrir-se à críticas e as manifestações barulhentas é porque está no início de sua decadência. Quando isso acontece é porque o mesmo não se sustenta sobre os seus pilares. As vigas e os suportes verticais que ainda mantém o regime corrupto do Presidente José Eduardo dos Santos são construídas de cinismo, incompetência, falsidade ideológica e a mentira “clarividente” que retrata o homem que não dá um passo sem que algum dos seus subordinados com instintos caninos defendam as inaptidões do chefe aqui mencionadas.



Inaptidões tidas como virtudes para uma triste turma que soube fazer da luta pelo poder o pódio para exacerbar o seu individualismo de características primitivas –quase sempre-, e a conquista daquilo que é de todos em benefício próprio. Eles souberam juntar de maneira exitosa, harmônica e infeliz–e rara- os vícios de uma sociedade corrupta que impedem a construção de qualquer Estado sério, que represente verdadeiramente uma nação ou ainda o Estado de Direito.

Um Estado que poderia e deveria viver ombro a ombro com sua sociedade é tido hoje como um Estado delinqüente consumido pela reunião triste de tudo aquilo que não parece vir de tão longe – o ínferno-, mas do submundo que só as ditaduras corruptas sabem oferecer.


O fim da corrupção ou a cultura do combate a mesma não se dará com o otimismo dos idiotas, mas com uma verdadeira mudança constitucional que acabe com os privilégios supremos do Chefe do Executivo. Uma Constituição que dê direito supremo ao cidadão de eleger diretamente os seus dirigentes. Este direito facilita que todos sejam sabatinados diante do desejo popular. E evitar-se assim a construção estúpida e idílica do personagem que tudo é, tudo faz e fez. Construção geralmente feita pela gang fiel de sabujos quase sempre famintos de favores e de migalhas no poder. A turma de leprosos pegajosos irrita a sociedade civil e os grupos políticos que de maneira sábia, justa ou não –mesmo sendo uma minoria-, lutam por melhorias sociais.

O direito a se evitar crises políticas e instabilidades é uma missão que as regras democráticas devem procurar evitar. E aquela regra do direito ao voto direto é fundamental, senão a principal de todas.

Assim não adianta autorizar manifestações, ou qualquer outro tipo de entendimento, sem as correspondentes contra partidas políticas. Entre elas está primeiro o combate a corrupção, que deve começar com a mudança da própria Constituição e as leis infraconstitucionais, que dão proteção aos chefes corruptos. Em seguida promover uma verdadeira liberdade de imprensa, isto inclui em transformar em autarquias independentes os meios públicos de comunicação, sem as interferências de quaisquer Ministros do Governo ou do Presidente da República. Evitar que os mesmos sejam a voz dos corruptos no poder ou canal onde o silêncio dos mesmos se manifesta.


Um regime corrupto e ditatorial, uma falsa democracia, só é destruído com justiça social. Quem está no poder tem que provar que não é ditador e corrupto promovendo a justiça social. A nota para esse tipo de promoção em Angola é zero.

Corruptos e mentirosos geralmente são covardes. E vêem na justiça um empecilho para aquilo que mais desejam: manterem-se eternamente no poder, mesmo quando se sabe que não viverão o suficiente para isso.

Nelo de Carvalho
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Líbia, O Dilema De Se Posicionar

Corrupção existe em todas as formas de regimes em ditaduras de esquerdas ou de direita e, como não podia deixar de ser, em democracias também. Mas todas as evidências demonstram que é mais fácil combater a mesma num regime democrático, onde no mínimo exista a autonomia e a independência dos três poderes, e o direito dos cidadãos de elegerem de forma direta os seus representantes. Esta última condição pode servir como sentência final e inquestionável para afastar os reconhecidamente corruptos ou os simples suspeitosos de estarem envolvidos em atos que o eleitor condena. É esta condição que também, no contexto angolano, tem gerado crises políticas e inconformidade de grupos políticos ou da sociedade civil em geral. O descontentamento político está longe de ser uma simples luta de interesses partidários de fundo ideológico onde posicionar-se sempre é necessário. Mesmo porque o partidarismo aqui já se transformou numa fachada.



A corrupção tornou-se o problema comum de reivindicação em todas as mal-chamadas revoluções em que as ditaduras de esquerdas foram vistas como absoletas e o socialismo um fracasso ou algo a ser revisto até que se solucione a maior crise da filosofia dos últimos duzentos anos. Ou o êxito desta sociedade vir acompanhada com a resolução desta crise do conhecimento e do pensamento.

No caso da Líbia, a corrupção nos levou a um dilema de posicionamento: Kadafi deve ser reconhecido como um nacionalista e patriota que agora enfrenta uma invasão estrangeira? Erro de um mundo com mentalidade colonial e imperial, a chamada comunidade internacional, capitaneada agora pela OTAN, e que faz das decisões das Nações Unidas atos legítimos para invadir e agredir países soberanos. A invasão da NATO deu legitimidade a Kadafi e todos aqueles que estão ao seu lado, mesmo este sendo um corrupto insaciável. Que chegou a abrir um fundo de investimento, o chamado LIA, Libyan Investment Authority, em nome dele e de toda a família. Um fundo que opera mais de 150 bilhões de dólares, de um país que só tem 6 milhões de habitantes. Esse dinheiro já seria muito só para a população deste país do Magrebe. Seria dinheiro suficiente para transformar a Líbia num país de primeiro mundo invejável e incomparável, numa potência mundial, até mesmo militar. E que hoje, talvez, estaria em melhores condições para revidar a invasão Celta.


Se aquele dinheiro fosse bem investido até mesmo com fins militares, a França, a Itália pelas suas proximidades com a Líbia e toda a costa do mediterrâneo da Europa não se atreveriam estar a frente desta invasão, só comparada com a era colonial onde as sanzalas africanas eram bombardeadas com os canhões de fogos trazidos por piratas e toda corja de saqueadores que ajudaram a colonizar o continente. A invasão da OTAN à Líbia é a continuação de um processo colonial que não terminou, é um produto da arrogância colonial e imperialista dos nossos tempos, uma típica herança do passado.

O caso da Líbia, assim como a do Egito, ainda provam que os corruptos não estão nem preocupados com a defesa do próprio país que eles dizem amar, defender e estarem preparados para morrerem. E quando se armam de verdade, o objetivo é a repressão interna, reprimir o próprio povo que reclama da corrupção.


O coronel extravagante e espalhafatoso teve a coragem de usar a sucata de aviões de sua força área de tecnologia ultrapassada para reprimir seu próprio povo, com o pretexto de que os mesmos eram ratos a serem abatidos. O faraó egípcio, Mubarak, quase que desmantelou o exército, ao se tornar amigo de Israel e dos Estados Unidos. A polícia do Egito tinha três vezes mais efetivos ( homens) que o exército que um dia já foi considerado um dos melhores da África. Os serviços de segurança usavam como instrumento de tecnologia mais avançada a tortura para perseguir adversários e a oposição, e todos aqueles que reclamavam da corrupção.

De que a mobilização da OTAN chega a ser uma atitude de tontos que deveriam quebrar a cara no terreno e ser rejeitada e condenada à qualquer preço é um desejo mais do que justo de quem vê no colonialismo algo que deverá ser derrotado e humilhado ,como foi o Império Romano diante das tribos bárbaras.

A diferença é que a Líbia não é uma nação de bárbaros e tem condições de derrotar a OTAN e expulsar o seu falso líder transformado em corrupto.

Nelo de Carvalho
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Lesliana Pereira e a Turma dos Sem Vergonha ( Ela Não é a Única)

Não é difícil descobrir que a nossa geração, pós independência, foi destinada a não ter vergonha na cara e ao mesmo tempo, para uns, passar vergonha e constrangimento. Neste caso vai depender da sua posição entre o poder e a turma dos submissos que deverão estar sempre preparados para engolir anfíbios ou répteis vomitados por aqueles que se sente confortáveis lá em cima. Parece que a simplicidade e a humildade chegam a ser um Dom, simplesmente, de quem está em baixo da escala social. Ou para quem ainda não teve que encarar as delícias que a fama e uma conta bancária recheada podem oferecer. Para isso é basta ver que muito dos nossos representantes e dirigentes, estando no poder alçados por uma revolução, afastaram de si aquelas duas virtudes, que fazem com que o ser humano possa se sentir em equilíbrio com todos os seus semelhantes.



Equilíbrio, entre os angolanos, é o que menos se procura manter, o que menos se busca, quando se chega ao poder. E é impossível construirmos um Estado de Direito quando aquela condição não existe. Mesmo porque para se respeitar -até as leis- é preciso aquela condição.

Vamos continuar com o que nos interessa. Não é de hoje que angolanos na diáspora são constrangidos por seus compatriotas. O caso Lesliana Pereira, a Miss Angola, não constitui uma novidade.

Não conheço bem a Europa, nunca estive lá e ter a oportunidade de conviver por longo tempo naquele continente, dentro ou fora de algumas comunidades angolanas. Mas tenho certeza que a diáspora angolana na Europa pode reclamar de tanta vergonha quanto aquela que os angolanos passaram e até têm passado no Brasil. Quando alguns desses nossos representantes por aí aparecem para falarem em nome de um país tão lindo como o nosso e que merece todo respeito e proteção.


Eu mesmo ao longo dos meus anos na diáspora, primeiro em Cuba, neste país testemunhei a maior vergonha que talvez tenha passado um grupo de angolanos fora de suas casas. Sem querer ser redundante, aqui neste site que muitos idiotas e analfabetas dizem não lerem ou acessarem, o club-k, fui autor de uma denúncia, posta mais uma vez debaixo do tapete. Já que vivemos num país onde seus habitantes não valem nada! E quando valem, se é necessário ser princesa ou príncipe.

A mesma denúncia reclamava da brutalidade e das atrocidades do atual Governador de Cabinda, Mawete João Batista, visto por aquela comunidade, na Ilha da Juventude, como um homem selvagem, cego, truculento e sedento de protagonismo ( nunca entendi o por quê). Não vou repetir aqui os atos do nosso eterno representante, “militante número 1 do MPLA” e embaixador todo poderoso Mawete João Batista!

Lesliana Pereira é pouca coisa diante de todas as grandes vergonhas que já passamos, nesse mundo como angolanos. Ela é cafezinho com leite, ou, também, como gostam os angolanos: água com açúcar!


A propósito, a vergonha não é só aquela que transmite valores culturais aberrantes e desastrados, a política pode ser uma das áreas em que os angolanos, muitos dos nossos diplomatas deveriam aprender o bê a bá, sem necessidade de querem mostrar que são os melhores militantes, quando os interesses individuas assim exigem. Ou querem mostrar que deixaram e abandonaram a militância do passado para agora serem serviçais do novo e exclusivo patronado mundial. Acaso não constitui uma vergonha o apoio -ou o voto- que o governo angolano deu em favor da guerra do Iraque!? Ou acham que isso é um modo moderno e civilizado de se fazer política?

Os angolanos deveriam ter vergonha de tudo: do seu Presidente, do seu Governo e Estado corrupto, para não dizer de outras coisas.

Ter vergonha é no mínimo seguir certas etiquetas ou ser sério como Presidente da República. Isso inclui em evitar financiar certos eventos, como o Miss Angola, com dinheiro público -ainda por cima! Isso inclui em evitar estar representado nesse tipo de evento, que estimula todo tipo de vícios -até a prostituição. Chefe de Estado não financia concursos de misses e não se faz representar, direta ou indiretamente, nesse tipo de lugar imundo e repugnante. Chefe de estado se diverte, sim, mas não dessa maneira: aguçando e estimulando o que há de mais sujo e porco em qualquer sociedade capitalista: fazer da mulher um instrumento, um produto de mercado, disposta a vender seu corpo quando for necessário.

Quem sabe, um dia ainda a vergonha derrubará-os do poder! Ainda temos esperanças.


Nelo de Carvalho
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O Drama De Se Viver Nesse Mundo

Não são poucas as acusações que recebo, de várias partes, entre os angolanos, de eu querer instigar e agitar, um certo grupo de pessoas, já que acredito que não são muitos que lêem o que escrevo, um suposto conflito ou uma iminente guerra entre os meus compatriotas. Quisera eu ter tanto poder de influenciar meia dúzia de pessoas para se rebelarem contra um governo corrupto e o seu dirigente, que, o que mais fazem é, precisamente, perderem a legitimidade, não só deles, mas, também, a do maior partido e a maior organização política que esse país ou continente já conheceu. Se, assim fosse, essa turma de corruptos, bandidos, que fingem ser os melhores patriotas, não estariam usando o poder para mostrarem o que eles não são e nunca foram em suas vidas: gentes decentes, cavalheiros, honestos e sérios. Partido político que milhares de Angolanos, assim como eu, amamos e aprendemos de um jeito ou outro a preservar o mesmo nesses trinta e cinco anos.



Venho responder com muita ironia e raiva, que guerras não são produzidas e provocadas porque alguém que quer ou deseja. A guerra, qualquer uma delas, é um “estado de sítio” necessário que o ser humano –as pessoas, povos- numa atitude defensiva, e, às vezes, sem alternativas são obrigadas a encarar. Os angolanos encararam essa situação nos últimos 50 anos ao longo de 40 anos. Primeiro, contra o colonialismo português; para os angolanos era uma guerra necessária e inevitável. A segunda, foi a guerra pré e pós-independência. Nessa situação a necessidade de se fazer a guerra consistia-se no fato de que éramos um país invadido pela África do Sul: os angolanos precisavam se defender. Na mesma situação, também, tínhamos nossas crenças ideológicas que precisávamos defender.

A terceira fase da guerra, a que considero a mais estúpida, é a que Jonas Savimbi e seus homens protagonizaram. Pela incapacidade de enxergarem que democracia não é só o direito de se exercer o voto livre, mas, também, o respeito às regras democráticas. Porque sem esse respeito tudo vira uma falsidade, engano, vícios, tudo vem da boca para fora, e não ultrapassa os limites da dignidade humana. Savimbi foi um bicho com feições de gente que provocou uma das maiores guerras civis do continente. Mas Savimbi pode não ser o único homem com esse aspecto, mesmo depois da sua morte. E para aqueles que amam tanto o MPLA não precisam pensar que o bicho atual esteja fora do MPLA e que só os outros são culpados a ponto de provocarem guerras. Afinal, quem deu o famoso Golpe Constitucional não foi o Samakuva, não foi o Abel Chivukuvuku ( o intelectual terrorista), não foi o Numa Kamalata que vive fazendo barulho lá no Huambo com os seus sobrinhos. Quem deu o chamado Golpe Constitucional para se proteger da corrupção, pensando que é o Grande Líder, chama-se José Eduardo dos Santos. Esse, sim, no poder em que está, e nunca deveria estar naquele lugar, é que tem poder de influenciar dois milhões de pessoas, com suas ambições e levar uma nação inteira à guerra.


Hoje, agora, depois de estarem no poder com a paz conquistada e o passaporte que a mesma deu aos atuais governantes, quem ameaça manifestantes pacíficos em nome do poder que tem é o “grande e todo poderoso” secretário do MPLA, se antes era menos famoso e conhecido agora todos conhecemos quem ele é.

O MPLA governa o país há mais de trinta e cinco anos e não tem porque, sempre, se posicionar na posição da organização ofendida e vítima de todos os desastres sociais – seria injusto. Qual quer historiador –muito mal pago, péssimo e corrupto, que milita ou não nas fileiras do partido do poder- pode, sem ou com a consciência pesada, fazer-se a seguinte pergunta. Além dos delírios –inevitáveis- postos em prática de Jonas Savimbi, em quantas oportunidades o MPLA e o seu “líder clarividente” – que não tardará no tempo para agonizar no meio do silêncio e tanta bajulação- poderiam evitar guerras e não evitou, por incompetência, por, aquele, ser mau estratega, sendo comandante em chefe das forças armadas!?


Pode parecer segredo de Estado, mas somos bem informados da sua incompetência!

O que para muitos militantes do MPLA é inacreditável, inadmissível, conceber aquele sujeito “golpista” como incompetente. O próprio Golpe Inconstitucional foi uma incompetência assustadora e terrível –“inacreditável e inadmissível”- mais incompetente do que isso só o golpe protagonizado por Nito Alves e a sua gang de confusos do bairro sambizanga. O MPLA não precisava dar um golpe inconstitucional –como dizem os brasileiros, “não precisava disso!”- já que continua tendo “o queijo e faca na mão”!

Ai, José! Talvez, chegou mesmo a hora de trocares de assessores e conselheiros políticos –sinceramente!?, tarde de mais!-; que te dissessem minimamente que “Angola é uma República”; que “é preciso respeitar as expectativas do povo”; que “o MPLA – ou mesmo você- não vão governar para sempre ou eternamente” e que “guerras são evitadas respeitando-se, também, os anseios das minorias”; porque estas um dia poderão assumir a posição da maioria.


Por outro lado, e é o que interessa neste artigo. Estamos cansados de receber convites do diabo. Do por que da nossa ausência no país? Por que não regressas, em vez de ficares a distância dando palpites e agitando? E não faltam os idiotas de ambos lados -governo ou oposição- sugerindo de que o perigo da guerra vem da diáspora ou de um bando de inconformados fora do país.

Com relação ao nosso regresso, eternamente adiado, não existem garantias de nenhum tipo –políticas ou econômicas- que garantissem a nossa existência como cidadão no país que nos vir nascer, Angola. Não existe nem sequer um Estado de Direito que se abrisse às vozes e aos protestos como os nossos ou, mesmo, que nos salvassem de uma possível injustiça vindo dos homens do poder ou de quem mais tem e conseguiu, de uma maneira ou de outra, reunir objetos. Não vivemos na pele de idiotas para encararmos a esse tipo de covardes dispostos a engolirem em tamanho e de forma crua aquilo que somos. Sabemos dos nossos potencias e das nossas utilidades, assim, temos consciência de como devemos nos preservar.

Nosso sangue não é o sangue de Cristo a ser transformado em vinho. O que queremos mesmo, na maior simplicidade e hulmidade, é infernizar a vida dos corruptos. Mostrar que eles são um bando de vermes e que não merecem tanto assim!

Muito menos dois milhões de pessoas em sua volta! Essa sujeira não vale o meu sangue.


Nelo de Carvalho
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Quantos Dos 2 (dois) Milhões Que Participarão Na Manifestação Em Apoio Ao Corrupto Mor Ostentam Uma Pulseira De 150 Mil Euros!?

A Isabel dos Santos a essas horas deve estar rindo na cara dos milhões de manifestantes preparados para participarem na manifestação organizada pelo Bento Bento. Vamos ver se entre esses milhões a nossa "Princesa" vai estar na mesma. Talvez ela tenha tanta coragem – como o pai, que diz e finge que não é corrupto— em ostentar a pulseira de 150 mil euros, para isso, com certeza, vai precisar de uma boa segurança. Será que ela vai estar no meio dos manifestante apoiando o pai ou no palanque exibindo a pulseira? E se estiver no meio dos manifestantes de baixo do Sol ardente de Angola, quem dará proteção a ela? Os “crioulos” portugueses que empossaram ela como "Princesa" de Angola, ou os homens que fazem parte de um exercito aguerrido e vencedor da nação Angolana? Esse exercito que hoje é usado para proteger o que há de mais mau e repugnante entre os angolanos: o descaramento, a zombaria, a desonestidade, a infâmia e a corrupção! Um exercito que nada tem a ver com as origens, os costumes, os vícios e as manias que ostenta Isabel dos Santos. O exercito de Angola representa a “minha avó”, as quinguilas desse país, as quitandeiras.

Eles são os filhos e netos da “minha avó”!

Uma manifestação reunindo 2 milhões de militantes do MPLA em apoio a José Eduardo dos Santos é uma ultrajem a cada um de nós os angolanos. É ultrajar a dignidade e os sentimentos da minha avó, que num só dia em nome da independência de Angola perdeu o marido e o filho.



Por um problema de acomodamento, falsidades, mentiras e covardias pode ser que José Eduardo dos Santos consiga reunir dois milhões de pessoas em uma Praça. Mas já se sabe que tudo isso não foi construído por ele. Também sabemos que é encima dessa construção que ele consegue sustentar a corrupção.

De que o MPLA tem legitimidade para governar Angola é uma verdade que dela não se podem semear mentiras e, futuramente, recolher frutos desta planta. A grande mentira é acreditar na eterna e inabalável legitimidade de seus dirigentes num regime democrático, onde o êxito para o mesmo regime e a solução dos problemas –entre eles a corrupção-, é a alternância do poder.

Os frutos dessa planta maligna é acreditar que não existe mais ninguém capaz para substituir a velha guarda corrupta e desorientada no meio de tantas delícias que a democracia burguesa oferece. O fruto, venenoso, é a convicção perigosa – e que pode levar, sim, a guerra-, que aquela turma, os velhos – e o MPLA corrupto!-, têm de que os mesmos são insubstituíveis; e que a corrupção é um mal menor diante de todas as tentativas para se combater a mesma.


Hoje, José Eduardo dos Santos não é um mal menor. Ele é o grande perigo para a democracia. Da mesma forma que Savimbi existiu para a guerra, hoje José existe para a corrupção! Passou a época em que ele era um mal menor. Essa época era a época em que o terrorista Savimbi estava vivo. Como na filosofia e na dialética, a morte daquele, inquestionavelmente, desmascara e faz emergir a podridão deste. Só não vê isso quem não quer. Ou adotou a malícia, dentro desse mesmo partido, o MPLA, como a ferramenta ferrujada e usado nos tempos de guerra para se dar bem.

O MPLA precisa ser esclarecido ou, melhor, não ser enganado por uma liderança onde os espíritos, “ingênuos” ou não – e por necessidade-, habituaram-se a depositar uma confiança onde não existia. Não é difícil encontrar provas no ambiente político angolano sobre a falta dessa confiabilidade.

Nós os angolanos, de Cabinda ao Cunene, do Leste ao Mar, ganhamos e vencemos uma grande batalha; a conquista da Paz com a morte de Jonas Savimbi. Mas a nossa luta não termina aqui, ao contrário, uma outra batalha, que não necessariamente a dos canhões e das armas de fogo, nos espera. Está batalha e luta começa com o desmascaramento, preciso, sem dúvidas e necessário de que José é um corrupto!

Queremos aqui gritar nesse texto que a manifestação ou as manifestações do dia 7 de Março em diante, não são manifestações contra o MPLA e muito menos contra a Paz. E que atrás do MPLA e da Paz existem vários oportunista que desejam e mostram quererem tirar proveito individual. O maior oportunista nesse caso é o próprio José Eduardo dos Santos, que sempre se escondeu atrás desse partido histórico, com uma turma de apoiadores, igualmente, ambiciosos e oportunistas. São estes que hoje, na contradição e na confusão gerados por eles mesmos, querem agora convocar o povo e a juventude a apoiarem o tal do camarada presidente. Ele é um corrupto que está enganando a todo Povo!


A situação de Angola exige que cada um de nós enfrente o “grande” medo de que a guerra pode ressurgir a qualquer momento – coisa que este articulista não acredita. Mas analisemos essa possibilidade remota.

Só existe um motivo, e só um; que poderá levar novamente o país à guerra. O mesmo motivo pode ser subdividido. Comecemos pelo Conjunto Universo, esse motivo é a Corrupção. Entre as subespécies está: o não entendimento dos militantes do MPLA, que combater a corrupção –dói a quem doer- é uma “batalha” necessária, que nesse caso os sacrificados não serão as milhares de crianças que ficam sem enfrentar boas escolas, os bairros sem saneamento básicos, as estradas mal construídas, os milhões de desempregados de um país que cresce em media dez por centos ao ano, os empreendimentos públicos entregados a iniciativa privada sem Licitação e Contrato claro e transparentes. Os sacrificados serão os corruptos!

Pode ser que o MPLA, de José Eduardo dos Santos, consiga reunir dois milhões de pessoas, pode até ser que numa guerra dois milhões de pessoas morreriam por José Eduardo dos Santos, o que precisamos saber é se a causa que levariam dois milhões de pessoas a apoiarem o Zé Du, passaria no crivo da história. Se é algo que vale a pena!? Para raciocinarmos bem não precisamos sair das fronteiras nacionais ( Angola). O próprio Savimbi tinha mais de um milhão de apoiadores, talvez até dois milhões, em 1992; com certeza até duzentos mil simpatizantes da UNITA estariam dispostos a morrer por Jonas Savimbi, mesmo sabendo que ele era um criminoso. O resultado de tal desperdício, da arrogância, da incompetência e da burrice, é que todos nós, hoje, odiamos Savimbi pelo que fez e pelo que “deixou de fazer”. O “deixar de fazer” aqui consiste em saber se organizar para os novos tempos que surgiram para o líder Kwacha, que desprezou e debochou da própria democracia, que ele tanto dizia ter lutado e conquistado.

O MPLA e o próprio José Eduardo dos Santos, na sua cegueira, estão caminhando na mesma trilha. O poder só se concentra nas mãos de um homem ou partido quando existe legitimidade, e a legitimidade sempre vem do povo. A corrupção, não reconhecida hoje pelo MPLA e pelo seu presidente, é como um cancro que vai se expandindo e pode acabar com qualquer legitimidade a qualquer momento.

Hoje o MPLA pode reunir em sua volta de maneira enganosa dois milhões de pessoas. Dentro de cinco ou dez anos quantos serão? Quando todos se convencerem e não aceitarem mais que uma Isabel dos Santos, filha do Presidente, tenha condição de controlar quase metade da economia do país. Quantos continuarão a dar legitimidade ao MPLA? Quando todos os angolanos convencerem-se de que seus filhos devem ter as mesmas oportunidades diante do Estado e da Sociedade e não precisarão acionar o mecanismo do tráfico de influência. Quantos darão legitimidade àquele poder egoísta e egocêntrico?

A legitimidade ganhada por um governo vem, além do bem estar da sua população, também, da transparência dos homens do poder ao lidarem com a sociedade. Cuba é um Exemplo! Não estou fazendo apologia ao Comunismo ou ao Socialismo! Defendo sim a democracia –essa que existe em quase todo hemisfério ocidental- desde que ela tenha inclinação em “resolver os problemas do povo”!

As lideranças do MPLA até hoje não provaram que são homens transparentes ao relacionarem-se com o povo humilde e sofrido desse país. Estou falando de lideranças e não do MPLA povo. E hoje impressiona como os mesmos têm se manifestado de maneira reacionária quando se afastam de suas origens. Este afastamento consiste no uso indevido daquilo que lhes torna forte e poderoso: o próprio poder que vem das ruas.


Nelo de Carvalho
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