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Como a Bandidagem Pôs o MPLA no Poder

Luanda é a Capital de Angola e é dessa cidade que praticamente emanou todo poder que o MPLA adquiriu ao longo dos anos para chegar ao trono e manter-se no mesmo de forma vitalícia. Tudo isso, e sempre se justificou assim, em nome da independência nacional e do sonho de se formar uma nação, ou, simplesmente, em nome da Unidade Nacional.



Em quanto estas duas coisas estiveram em perigo, a independência de Angola e a Unidade Nacional, os fins para este partido ( o MPLA) justificaram os meios: até apelar ao bandidismo, que se redimia no momento de necessidades extremas, nos momentos em que este partido mais precisava de se auto posicionar e continuar no poder para decidir sobre os destinos da nação.



Concordo que Angola, até o dia em que Jonas Savimbi morreu, foi uma nação sui generis, em que quem estava no poder precisou apelar a vários tipos de procedimentos para salvar a nação da carniça em que sempre estivemos expostos. O MPLA teve seus motivos para tudo nestes trinta e cinco anos de independência. Motivos que se justificaram porque teve princípios e idéias bem definidos em que quase todos nós acreditamos e confiamos. Por exemplo, são os ideais desse partido que ajudaram a conquistar a independência deste país ( Angola) de maneira unificada; e é com o mesmo ideal que o exército racista sul africano não conseguiu destruir a independência de Angola; e, ainda assim, a Namíbia, o Zimbábue e África do Sul tornaram-se países livres, independentes e democráticos.


O papel do MPLA na história do continente africano é um papel invejável e nos torna orgulhosos, militantes e simpatizantes, assim como aqueles que diretamente dedicaram toda a sua vida a esse partido. Para conquistar aquelas façanhas, de até libertar irmãos africanos no mesmo continente, e defender a dignidade dos povos da África, a mobilização de todos os tipos de recurso sempre foi pouco. O MPLA foi vanguarda em quanto soube defender os angolanos; e com Agostinho Neto em tão não se diz, foi a fase áurea do partido, estava na apoteose que qualquer herói e vitorioso merecia. Bons tempos aqueles!



É uma pena que hoje, por interesses escusos, tudo isso esteja à prova da desonra. Alguém de maneira proposital está jogando fora a história do MPLA, seu passado glorioso, suas vitorias cheias de honra e dignidade que sempre justificaram a motivação dos angolanos em construírem uma pátria para todos. Todos sim: até mesmo aqueles que não se vissem refletidos nos ideais desse partido.


Comecei meu artigo mencionando a cidade de Luanda, cidade onde eu nasci. Mais precisamente entre o Rangel, o Cazenga e o Sambizanga. Conheço esses lugares como as palmas das minhas mãos e os pés que tanto andaram por aqueles musseques. Andei por esses lugares (bairros) de todas as formas possíveis, descalços, roto e faminto. E por uma boa coincidência -sem a presunção aqui do prosista- o MPLA também nasceu, aí, nas mesmas circunstâncias: mendigando o apoio de um povo que precisava se libertar. Aceito um advérbio circunstancial de tempo entre aspas. Afinal, não sou tão velho assim. E na época, esse Partido, tinha a dignidade que qualquer homem honrado sonhador por um mundo melhor, também, tinha. Todo mundo sabe que o MPLA nasceu, se sustentou e sustenta-se nesses bairros. Na verdade, o dito poder que o MPLA tem sempre veio destes bairros suburbanos, os famosos musseques de Luanda. Bairros em especial que Agostinho Neto com sua genialidade e força espiritual dedicou parte de sua poesia. Nada mal para um Grande Poeta como Agostinho Neto e nada mal para as pessoas sofridas destes bairros. Justiça faz-se: para Angola ser o que é: o MPLA precisava nascer nesses lugares. Mesmo porque os bairros aqui mencionados estão cheios de Angolanos de diferentes partes e cantos de Angola. Eu mesmo sou de uma família proveniente do interior de Angola, com ramificações laterais e retas ( familiares), tanto no sul do pais como no norte do país. Em fim, eu sou, simplesmente, um Angolano que tive a “desgraça” ou a “sorte” de nascer em Luanda, mas com muita honra e orgulho poderia ter deixado o meu cordão umbilical em qualquer parte do território nacional.


Um poder atribuído a este Partido de maneira consciente é o que precisamente os moradores daqueles bairros de Luanda o fizeram ao longo destes anos. Quais os motivos de cada um? Ainda que isto não estivesse em suas cabeças de uma maneira sábia e tão racional como queira qualquer especialista em política ou sociologia. O motivo chama-se cidadania e o desejo de se viver num país livre e independente.


O populismo e a apelação desesperada do Partido no Poder em se manter no pódio ( no poder) em várias etapas da nossa história nunca descriminou personagens. A qualidade desses e a gama espectral de seres, que poderia servir de escolha em suas labutas “maléficas” tanto ao Deus todo poderoso ou a qualquer mensageiro de Lucífero”, foi usado de tal forma que assassinos, ladrões, estupradores pudessem se redimir, mais tarde, com a vitória sobre os adversários que o partido no poder tivesse. Os musseques de Luanda forneceram recursos mais do que suficientes ao MPLA, para esse enfrentar a empreitada que Angola pedia por necessidade. As chamadas Guerras de Resistências Populares Generalizadas, uma espécie de guerra de todo povo contra o inimigo adversário, só poderiam ser concretizadas , ter sua vitória e levar o MPLA na apoteose, no pódio do poder, à vitoria glorificante, com uma dita participação popular, se a seus participantes não se lhe exigisse postura cervantina. Ou seja, os cavalheiros andantes que constituíam os Exércitos de Resistências não passariam pelo filtro ideológico do escritor malaguenho.


Em várias ocasiões da nossa história este adversário inimigo era o próprio angolano, os filhos de Angola, transformados em inimigos do seu próprio povo, em inimigos de sua terra, em inimigos de seu país ou nação. Ou seja, a guerra civil fez com que todo e qualquer angolano fosse inimigo de seu próprio compatriota. Guerras protagonizadas pelos personagens que hoje estão no poder e têm representação nos três poderes, tanto do Governo quanto da oposição. Talvez sejam os males de uma nação em formação. Qual mulher, qual útero ou ventre ao conceber a vida não passa por isso: a dor do parto. Afinal, estamos aqui a falar do nascimento de uma Angola.



As chamadas Guerras de Resistências Populares Generalizadas, GRPG, constituem estratégias de caráter político e militar com tom “moralístico” e emocional. Pessoalmente, pelo que cheguei a notar muitas vezes, não passavam de uma apelação étnico, grupal, sem fins patrióticos, com o propósito de neutralizar adversários políticos. Muitos nem inimigos chegavam a ser. Se a definição de inimigo aqui for a aquela retratada pelos militares em campo de batalha.



Mas o que ainda chama a atenção são os efetivos com que aquela guerra (GRPG) contava, e quase sempre, em número e em qualidade, a favor do partido no poder. A qualidade, humana, aqui é de espantar. A bandidagem, literalmente falando, sempre fez parte do exército que precisou aquela Guerra (GRPG). Isto está refletido nas Guerras urbanas de 1974, 1975 e até na infeliz Guerra de 1992. A última dizem que foi em 1993, eu já não tive a sorte de presenciar, felizmente, mas não foi diferente das outras. A verdade é a seguinte: em todas as fases da nossa história quando a crise punha contra a parede duas alternativas possíveis a serem escolhidas, o MPLA se socorreu até a bandidos, grupos armados ou não, que agem de forma marginal e como delinqüentes em tempos de paz, mas que num suposto chamado de salvação a esse Partido fazem parte dos exércitos para selarem o poder e a vitória que este Movimento sempre precisou.


Num passado, talvez, essa forma de agir foi mais do que justa, motivos suficientes existiam. Porque além da ameaça interna, o país sempre esteve a beira de uma invasão externa, em que a reação interna devia ser a primeira a ser neutralizada para depois se enfrentar aquela.

Mas é absolutamente condenável no presente e chega a ser crime de lesa a pátria, fazer o uso das técnicas que ajudaram a organizar e a mobilizar as GRPG para sufocar manifestações e gerar ódio. Seria instigar a guerra. Além disso, a pergunta é a seguinte: uma suposta Guerra de Resistência Popular Generalizada para que serviria, defenderia o quê de quem? Será que, para os defensores de José Eduardo dos Santos, para manterem este no poder, precisamos de uma outra guerra? Quem estaria disposto a morrer por um corrupto?



As imagens retroativas de um tempo em nossa história até 1974 mostram que o poder do MPLA, que hoje tanto, por ingenuidade de alguns ideólogos desse partido, desprezam, está nas ruas. O poder concentrado no topo da pirâmide é a soma do poder diluído em diferentes níveis em direção à base desta pirâmide. E é nessa base ( e/ou níveis) onde seres “infelizes”, mortais, como nós, nos encontramos. É nesta base que se encontram os cidadãos daqueles bairros. O poder não é nada mais e nada menos que a legitimidade oferecida pelos cidadãos que se encontram em diferentes níveis desse poliedro. Este parágrafo tem como propósito contrariar, precisamente, as teses de dois ilustres dirigentes desse partido, Dino Matross e João de Melo. Aquele e este vivem dizendo que o poder não vem das ruas, afirmação negada por nós. O poder vem, sim, das ruas e é de lá, de maneira sangrenta ou não, onde se pode decidir quem continuará a dar as ordens lá em cima.


De vez enquanto, por estupidez e ignorância dos nossos críticos, somos acusados de instigar uma suposta guerra. Ao contrário do que têm nos acusados estamos aqui para nos posicionarmos contra todo tipo de violência, seja ela de onde vier e com que objetivo seja. Ameaças só servem para coibir o direito de protesto e de contestação, coisa natural de qualquer cidadão vendo-se no seu direito de reivindicar.



José Eduardo dos Santos deve sair do poder, mas para isso não precisamos de guerra. Precisamos, sim, do voto livre, democrático e, além de tudo, de um processo transparente e sem vício que nos leve às urnas.



A bandidagem, o espírito de vandalismo, o aventureirismo que muitas vezes transformaram delinqüentes de todas as espécies em heróis, que sejam coisas do passado. Se a UNITA deve pedir perdão pelos seus crimes, chegou a vez do MPLA se redimir diante da nação, mas para isso precisará jogar limpo e se enquadrar no processo de evolução social que exige uma verdadeira democracia. A roda desse processo não pára, é preciso jogar os vícios do passado na lata de lixo, é preciso expulsar, sim, José Eduardo dos Santos do poder, e que os méritos desse último sujeito sejam entregues aos historiadores. Angola precisa continuar a trilhar sem amarras de um passado em que tudo se justificava, até cometer crimes em nome do Estado. A conquista da Democracia é luta de todos os heróis diluídos no meio da população Angolana é a esta gente, com militância ou sem militância, que todos devemos aprender a respeitar. E é dessa gente que vem o poder, é dessa gente que emana o poder do Estado.

Nelo de Carvalho
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Um Foguete ou Uma Crítica

Bem, não tenho obrigação nenhuma de invocar satisfação ou mesmo alimentar curiosidades da turma dos sem cérebros, sobre em que lado eu me encontro. Mais, precisamente, qual seria minha atual militância. Já que nos últimos tempos minha crítica ao partido no poder tornou-se um foguete “perdido” que ninguém espera.

Concordo que minhas críticas aos corruptos do MPLA são piores que os foguetes que rasgam os céus da Faixa de Gaza: inesperados e surpreendentes. São como se fossem atos nada combinados entre as partes. Numa guerra, seria o instrumento bélico ou o artefato militar mais covarde, vinda de qualquer direção, dispostos a ceifar vidas, desde a mais inocentes das criaturas, até o mais covarde corrupto que faria do pretexto para continuar a saciar sua sede de aquisição de tudo que é ilegal e ilegítimo.



A tontice de certas pessoas obriga-me a pensar que tenho dever de dar a entender, sempre, em que direção ou para quem está dirigida minhas rejeições e críticas. Numa coisa tenho certeza este tipo de rejeição e critica nunca foram ou estão dirigidos ao MPLA, mesmo quando o MPLA pode servir como saco de pancada. Afinal de contas, é o MPLA que sustenta a legitimidade dos corruptos no poder. Burrice confundir, a estas alturas, o corrupto mor com o próprio MPLA.


É preciso não esquecer que o MPLA, também, é vítima de quem o dirige, mais precisamente dos corruptos, que têm a coragem de levantar as bandeiras desse partido em nome de seus militantes. O que muitos não conseguem entender, militantes do MPLA, numa Angola complexa, mas que não tira o direito de ninguém de sermos civilizados e estarmos equiparados aos outros povos ou nações, supostamente, desenvolvidas, é o fato de que nas ações e procedimentos de corrupção em que sempre se pauto o Estado Angolano para executar suas “Políticas Públicas”, esses militantes tornam-se cúmplices de um sistema governamental corrupto, que pela sua duração no poder transformou-se numa cultura. É essa cultura que todos nós temos obrigações, dever e direito de combater. Afinal, Angola não é só daqueles que estão no poder ou daqueles que protagonizaram a Luta Arma. Angola é, também, de direito e dever de todos os Angolanos, mesmo não sendo do partido no poder.



José Eduardo dos Santos e a corja de bajuladores, tímidos e covardes, que o rodeiam estão hoje muito longe de representar os anseios de democracia que um cidadão angolano comum e normal defende: estar diante de um Estado que dê oportunidades por igual aos seus cidadãos, que faça das Políticas Públicas do Estado angolano um ato para solução de problemas não só dos luandenses, mas dos quatro cantos desta nação ( a Angola); que faça da Educação e da Saúde ( serviços básicos para uma sociedade) Política de Estado e política de uma nação que continua sendo uma das mais pobres do mundo.



A aqui, educação e saúde, não se trata simplesmente em contar em valores monetários, o quanto se investiu numa e noutra área, ou até mesmo de se seguir os chamados padrões internacionais. Trata-se, com o nosso dinheiro e a riqueza de todos os angolanos, usar o mesmo para incentivar a meritocracia. Sistema que ajudaria a combater mais ainda a corrupção, e não fazer de Angola o país dos filhos, dos sobrinhos, das mulheres, das amantes e das namoradas dos generais “vencedores das batalhas” dessa terra que é de todos nós.

Investir na Educação e Saúde, além de gerar bem estar a uma população sofrida como a nossa, não pode ser visto como um sofisma ou a arte de se fazer retórica e manter-se no poder; ou, ainda, ganhar supostos votos. Esses investimentos constituem armas eficazes para se combater os vícios gerados nos anos de partido único em que o MPLA e a sua direção corrupta, pós Agostinho Neto, sentiram-se a vontade de governar, transformando seus atos de governação numa farsa para o resto da população. Os investimentos nessas áreas não podem ser vistos como mais uma farsa dos políticos bandidos que estão aí para defenderem interesses estranhos à nação. Ou seja, deve ser algo sério, baseado numa ideologia em que o Angolano, depois de uma Angola independente, nasceu e renasceu. Que não constitui simplesmente cinzas de um passado de guerras e misérias.




A verdade é que o Partido no Poder, o MPLA, na sua forma de governar, sempre, apelou mais para o medo da população, do que para os Princípios que definem uma boa governação: aquilo que os juristas e os especialistas chamam de Princípios da Administração Pública. Não são os lemas herdados na era Manguxi que vão construir Angola ou tirar o nosso povo da miséria. É o respeito às leis e o respeito a uma Constituição em que todo mundo se revê, e não a essa que está aí que engrandece e protege uma pessoa no poder em detrimento da própria ordem social e da estabilidade política.

A verdade é que ao aprovar a atual Constituição, que torna José Eduardo dos Santos e as pulgas que lhe rodeiam gentes intocáveis, o MPLA se “ferrou” diante de pessoas como nós. Não pode esperar consideração e prestígio ou apoio incondicional de quem quer que seja ou de todas às partes, porque isso não faz parte dos nossos princípios: enterrar interesses sociais em favor do individualismo sem medida de alguns chefes no poder. Por outro lado, não se defendem corruptos por serem do mesmo partido político. Um partido que pretenda definir os destinos de uma nação não é uma seita de mafiosos ou a Opus Dei, seita com que o MPLA já está envolvida. Nossos direitos de rejeitar a máfia está a cima de tudo, é um direito que vale mais que a nossa própria vida.


Qualquer um dos meus textos publicado no Club-k não é e nunca será uma luta contra o MPLA. Mas, sim, uma luta contra o atual Governo de Angola: um governo corrupto e que tem como mandatário o homem mais corrupto desta nossa Terra ( Angola), talvez de todo o continente africano. Eu não preciso me esconder de trás de falácias para dizer com quem estou, aonde vou, ou mesmo no caso de mudanças, para onde vou. Em Angola, o MPLA é o meu partido e vai continuar sendo. Mas enquanto o mesmo continuar a se confundir com a corrupção e os corruptos, esse partido terá o que merece:

O foguete perdido, nos céus de qualquer região, terá sua direção bem re-programada, e terá seu destinatário de maneira precisa e sua ação será contundente. Assim, como sempre foram meus textos no Club-k e no meu Blog: www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com


Nelo de Carvalho
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Na CASA de Chivucuvucu todos têm direito à Luta

Todos têm direito de lutar pelo poder. E não é ambição ou oportunismo, é direito e obrigação diante das circunstâncias sem saída em que o poder reunido na força de um povo e na capacidade desse de dar legitimidade tornou-se um atributo individual para certas divindades.



Numa possível eleição onde Abel Chivucuvucu fosse o vitorioso, a síntese seria a troca do roto pelo rasgado. Mas ainda assim valeria a pena. A política angolana precisa sair da mesmice e da bipolaridade que aterroriza a vida dos angolanos; de um lado a UNITA, que nunca se adaptou aos novos tempos e com suas eternas promessas de vinganças; do outro os corruptos do MPLA que acreditam que o país deve girar em volta deles.


Tanto aqueles quanto estes tornaram a CASA em que vivemos um lar que nos dá direito a defender aquela tese no início do texto. Assim, não existe oportunismo, não existe deserção ou supostas ofensas a princípios que já ninguém defende e nem existem. E mesmo que houvesse! A política Angolana nunca se fez, mesmo, de moralidade, sempre oscilou entre traidores e assassinos de todas as espécies dispostas a nunca dividirem o poder e muito menos distribuírem riquezas. A política Angolana, como toda a moralidade em que a mesma se sustenta, sempre esteve e está nas mãos dos mentirosos.


Talvez com a CASA, chegou a hora de se dar ares novo a tudo que está aí e injetar sangue novo, ainda que seja por transfusão, já que de novo, o “Nosso Novo Líder” não tem nada.

É preciso entender que a Luta que se deve travar agora não é só pela simples tomada do poder de quem está na oposição. Essa deverá projetar sua visão num programa de longo prazo, em que o início deverá consistir na diminuição do poder que tem o MPLA no Parlamento e na expulsão do corrupto José Eduardo dos Santos no cargo que ocupa.



Eu, pessoalmente, não acredito que o MPLA perderá as próximas eleições. Mas um susto no parlamento para esse partido é possível. Quem sabe, tendo menos de 50% naquela casa fará do mesmo mais um entre todos, sem o poder que lhe proporciona tanta hegemonia, tornando o mesmo o dono de tudo o que há em nossas Terras.


Diminuir o poder abrangente do MPLA, ou em qualquer sentido que o mesmo tenha, constitui uma necessidade vital para a construção de uma democracia sem vícios e que acarretam sempre as suspeitas de todos os tipos nos Atos e Fatos da Administração Pública. Que no fundo-no-fundo é isso o que interessa já que governar bem é o conjunto das transparências daqueles e estes dois entes ( Atos e Fatos). É só vermos o exemplo da suposta Magistrada, Suzana Inglês, é um vício provocado por gente prepotente, arrogante e sem limite. É um vício provocado por gente que acredita e se convenceu que a democracia passa pelos pés dos mesmos, já não é pela cabeça ou até pelas mãos. Pisoteiam a mesma com o mesmo sentimento que se tem quando se mata uma barata: nojo e repugnância.



Mas para desbancar o MPLA no Parlamento, a CASA, como qualquer outro partido de oposição, precisam ganhar legitimidade. A legitimidade é algo que se constrói no tempo e com fatos, que não podem ser confundidos com o vandalismo, o bandidismo, a falsidade ideológica e toda gama de mentiras que nos habituaram aqueles que estão no poder.

É preciso assumir compromissos e se identificar, socialmente, com aqueles que mais problemas têm: as pessoas abandonadas, humilhadas e injustiçadas. É preciso mostrar a nação que aqueles que estão no poder têm compromisso com uma burguesia que perdeu as suas origens e que já não se identifica com o que há de mais humilde e simples que existe na nossa Angola que em tese é o pobre angolano, na pele do homem negro e da mulher negra. Mesmo quando aqueles (a burguesia), às vezes, se apresentam como o poder negro e angolano numa Angola independente.


A questão aqui é ideológica, e está longe do racismo truculento e fascista que nos habituaram os maninhos da UNITA e até da FNLA. É preciso insistir que racista é esta burguesia que está no poder, governando o país de tal forma que ajude a todo e qualquer observador a pensar, que o angolano, pela sua cor, sua origem, pelas suas tradições é um cidadão de sexta categoria, sem iniciativa e valia para construir o país que deseja: um pais de todos, próspero e unido.


Por que insistimos que a questão é ideológica? Porque quem rouba, quem desvia, quem corrompe, é corrompido e governa Angola da maneira que é governada, sabe perfeitamente que suas ações provocarão miséria a milhões de pessoas. E essa miséria, nada mais e nada menos, é uma das causas principais que mais atormentam uma sociedade: o racismo.

A esperança é que a CASA, com um político carismático como Abel Chivucuvucu, surja para fazer política de verdade. Há quem diz que Abel Chivucuvucu tem o nome sujo no cartório, por suas promessas terroristas no passado: “vamos somalizar Angola”. Mas quem é que neste pais –entre os grandes-, que faz política, da geração dos independentistas, os que se gabam por derrubarem o colonialismo português –e que militam nos vários partidos que aí existem-, não tem o nome sujo no cartório? Até o adorável, o queridinho da nação, o nosso guia imortal Agostinho Neto, tem crimes que o levariam, indiscutivelmente, ao banco dos réus: perguntem aos fraccionistas do 27 de Maio. Esses, todos os anos, naquela data triste, vivem reclamando seus companheiros que foram executados sumariamente sem direito a se fazer justiça. E que os sobreviventes daquela intentona foram perseguidos e torturados. E foram mesmo! Esses são um dos crimes que o MPLA não teria nunca como justificar. E com certeza poria mais da metade dos atuais membros do Bureau Político, do Comitê Central ou simplesmente do Politiburgo, se existe, no xadrez.


Por isso não vale por na boca do mesmo, o que ele já não pode nem dizer pela força dos fatos, muito menos fazer crer aos outros que ele não merece perdão por um discurso infeliz em que ele também foi uma das vítimas.

Que fique bem claro aqui: o importante não é o poder pelo poder, já usurpado de maneira absoluta por certas pessoas, mas a redistribuição do mesmo de maneira equânime e eqüitativa. Em que aquela se alcança com respeito às leis e ao próximo, e esta se alcança com a coercividade da própria lei na hora de se fazer justiça.


E é nessa redistribuição que está a origem do nosso maior sonho: a redistribuição das riquezas, a diminuição das desigualdades sociais, a Unidade Nacional, cantada aos quatros ventos desde o dia 11 de Novembro de 1975, mas posto em chegue até pelo mais ponderado dos cidadãos. E aí estará, também, o orgulho de sermos angolanos e não sermos descriminados na nossa própria terra.


Nelo de Carvalho
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Compras e Casamento em Lisboa

O club-k deixou de ser um meio de imprensa provocador e rancoroso contra o sistema político em Angola para ser uma fonte de informação desejável ao interesse público. Mesmo quando este interesse pode parecer mesquinho diante de coisas muito sérias. Mas o que não seria sério neste país? Ver gente zombando dos seus semelhantes, porque enriqueceram na vida, acumulando imensas fortunas sem provar nunca as origens das mesmas? Ou até convencendo-se do que aquilo que é público pode ser usado com direito de posse individual.



Na distância, como eu me encontro, descobri que o club-k até me faz bem à alma. A razão deste deleite espiritual é simples: minhas preocupações políticas como angolano que sou e pelas particularidades do país onde eu nasci. Uma delas é o velho hábito que se criou em se transformar em proibição e tabu os bastidores da política desta nação que virou escola de corrupção para toda a humanidade.


Lisboa foi sempre o sonho de uma burguesia atrasada e corrupta como a nossa. De lá tudo se importa, desde os desejos consumistas ofuscados pelos primeiros anos de um socialismo real, que mais tinha de mentiras do que realidade; até o noivo, o esposo ou o marido de origem caucasiana, produto de um complexo de inferioridade de que certas criaturas padecem. Passando, claro, pelas inúmeras compras com valores na ordem de milhares de dólares a serem feitas, em fim de semanas ou não, onde só mesmo a TAAG como transportadora, de particularidades especiais que a transforma de um bem público com interesses individuais, tem “competência” para tais serviços.


O club-k, com sua capacidade de revelar o que existe no submundo, já não só dos políticos, mas dos corruptos também, ou destes transformados em políticos, tem nos oferecido as descobertas de manias que se quer instalar como valores culturais de uma classe social. Que no silêncio, e por que não dizer “nos bastidores”, declarou “guerra” aos milhões de seres simples e humildes que ajudaram Agostinho Neto a declarar a independência de Angola.



Com uma certa classe no poder nunca o angolano foi tão vaidoso, obscurantista, cheio de “não me toques” . Nunca na história suas mulheres exigiram tanto deste homem: o homem angolano. Que em tese, nada tem para dar, mas se assume como alguém que tem tudo e pode.


A verdade é que aquele ser “masculino” sempre dá um jeito. Ainda que a oferta ou o resultado do produto vítima da ação de dar tenha que vir de uma “lavra”, de uma “mina de diamante” ou de um “poço de petróleo”. Você, amigo leitor, pensou nas “nossas minas e lavras”? Isto é um sofisma, uma utopia transformada em poesia e utopias são como sorvetes que se derretem em pleno sol de verão. Só servem mesmo para embelezar textos como estes, escritos em forma de prosa; ou ainda muito mais, um belo poema de Agostino Neto. Que hoje nossa “classe burguesa”, com certeza, nos bastidores deve se sentir arrepiada só de escutar aqueles versos, isto é quando não zomba dos mesmos.


A quem acha que os bastidores não constituem notícias de utilidade pública, isto só seria verdade quando lá não se tramassem as maiores falcatruas que vitimam a nação inteira, condenando milhões de seus cidadãos à miséria. Todos os seres humanos têm manias, podem tê-las, até mesmo tentar difundi-las em nome de um certo ego; o que não se aceita é o sustento e a nutrição de certas manias com recursos não declarados; com recursos onde sua forma de aquisição é completamente duvidosa.


E recursos aqui, que fique bem claro, não são só aqueles que vêm do “infinito” orçamento de certas instituições que mais obrigações deveriam ter por velar pelos mesmos. O açambarcamento de recursos, também, é o que diríamos espirituais, é cultuar valores que levam a transformar o cidadão num idiota. Que levam a estes idiotas, simplesmente, a acreditar que qualquer atitudes vinda dos nossos consumidores mais privilegiados está aí para ser aceita como o evangelho de Cristo. E que aquelas atitudes merecem todo tipo de legitimidade.


A verdade é que, a maior riqueza da nossa burguesia, não são os bilhões de dólares públicos redistribuídos em contas particulares, é a legitimidade do MPLA como partido que está há trinta e cinco anos no poder. Esta é a verdadeira riqueza roubada de todos nós. E é com ela que alguns ou algumas tentam impressionar os lisboeta.


Nelo de Carvalho
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Semba Comunicação: Oportunismo e Incompetência

A desgraça do Semba Comunicação e do Grupo de Revitalização ( GRECIA) só não é maior precisamente porque estas duas instituições, criadas para alimentarem ambições de gente oportunistas e incompetentes, têm como donos os filhos do próprio Presidente da República e as amizades privilegiadas que rodeiam esta família de corruptos e larápios. Que como já se sabe depois disso continuarão a receber todo tipo de proteção. Ou, ainda, existirá uma tentativa de se dar a entender que tudo não passou de eventos de pequenos percursos a serem superados por esta turma de "empreendedores", que muitas vezes são defendidos pelos bufões de plantão, como os herdeiros que nasceram com genes predispostos para serem empreendedores de êxitos.



Por uma questão sentimentalista e o descuido que esta gente tem com a própria dignidade, a deles, dá pena ver o fracasso desta turma de privilegiados. O descuido com aquele atributo da personalidade humana, talvez, seja um produto da presunção e da arrogância que caracteriza esta gente, quando se dão por conta que têm uma posição privilegiada diante da esmagadora maioria dos angolanos, os governados e os administrados desse país; o destino fez dos angolanos meros espectadores incessíveis incapazes de se comoverem diante de todas as trapalhadas do Executivo Angolano. Não é para menos, quem é que vai se dar o trabalho moral ou criminal de censurar ou punir, respectivamente, uma administração governamental a prova de todo tipo de impunidade? São criminosos que venceram na vida, a cada crime cometido ao longo destes vinte anos ou mais foi compensado com os resultados que vemos aí: o silêncio de uma sociedade, presenciando desmandos e todo tipo de falcatruas, e impotente para lutar contra as mesmas. É neste terreno que certos projetos, como o Semba Comunicação e o GRECIA vingam sem a mais mínima fiscalização da sociedade civil.





A sucessão de fracassos da família Dos Santos ( o Presidente) é evidência ocultada como cadáver ( a coisa ou o bem vítima do crime) por uma turma de gente covarde, que a única gloria com que contam e não param de narrar a mesma é a de se vangloriarem-se por lutarem contra o colonialismo português e da derrubarem a turma de assassinos que acompanhavam Jonas Savimbi.


Dos Santos e a Família são os maiores crimes que o MPLA, traiçoeiramente, tem cometido contra os angolanos. A história do MPLA e de qualquer partido pode ser a historia de êxitos e fracassos acompanhados por erros. Mas nos últimos vinte anos esta história ( a do MPLA) passou a ser sucessivamente uma história de crimes contra a Pátria e os Angolanos. É claro, faço recordar, que crimes e erros são dois conceitos que não se confundem nunca e é bem possível que nem existem semelhanças entre eles. Num erro, o resultado deste deverá, sempre, ser corrigido com humildade.


Nos crimes, a persistência nos atos que lhe dão a atribuição criminosa é executada com obsessão, fanfarronice, arrogância e todo tipo de prepotência. É só basta recordamos a trajetória delirante e maluca de Tchizé Pegó dos Santos. Esta filha de uma das ex-namorada ou amante do Presidente veio ao mundo como menina sonhadora que deveria e podia ter direito a tudo, inclusive dona de uma Televisão Pública em Angola ( vejam que não existem erros nem ironias, é precisamente isso: “Dona de uma TPA”) que mal ou bem conseguiu ser. Saindo de uma adolescência com direito a tudo, que lhe deu direito a ter um casamento milionário, já era tida como empreendedora de êxito mesmo sem ter empreendimento nenhum.


Foi eleita como Deputada de maneira fantasma, da noite para o dia, desacreditando e pondo em cheque a reputação do Presidente da República, do regime ou do sistema em geral, assim como a do próprio MPLA; que para muitos, a partir desta situação descarada de nepotismo e tráfico de influência, deixou de ser um partido sério, igualando-se a todo lixo que a política angolana vem produzindo. E como deputada fracassou, foi uma vergonha sem medida, que até hoje pela imprensa protetora e Estatal que temos ficamos sem saber da posição da mesma naquela Assembléia. Talvez, acondicionada só para receber a família do Presidente ou posarem na foto.


A história dos fracassos da família Presidencial pode ter ramificações também aqui no Brasil. Nós, como espectadores, simples mortais e emigrantes, vindo de um país em que a guerra e as doenças ceifavam milhares de pessoas por ano, nos apercebemos diretamente daquele empreendedorismo mentiroso, falso, que só mesmo retrata a família mais indigna e boçal que este pais, Angola, tem. Vamos direto ao assunto.


O Netinho de Paula, ex-pagodeiro, com origem humilde, negro, favelado e pobre; hoje animador de televisão, anos atrás “enfio-se” num projeto de criar uma Televisão para o público negro do Brasil. Os acionistas e proprietários deste projeto eram vários, entre eles, vinte e cinco por cento das ações deste canal de TV pertenciam a um grupo de angolanos. É claro que o projeto era um projeto milionário. O projeto ou a iniciativa empreendedora foi à falência mesmo antes de se ter começado, sabe-se que houve integralização de cem por cento do Capital Social. Vinte cinco por cento numa rede de TV que poderia ter abrangência nacional (recorde-se que o Brasil tem dimensões Continental) não é pouco dinheiro, talvez, seja dinheiro suficiente até mesmo para comprar toda a TPA ( Televisão Pública de Angola).


Pelo segredo de Estado a que nos habituaram o MPLA, sua imprensa Estatal protetora de corruptos e delinqüentes, e os tempos em que o Comunismo podia ser uma realidade em qualquer parte do mundo menos em Angola, nunca descobrimos quem são estes angolanos que participaram com vinte cinco por cento naquele projeto fracassado do pagodeiro paulista, outro fanfarrão, mulherengo, covarde, agressor de mulheres, hoje vereador da Câmara Municipal de São Paulo e vergonhosamente membro do Partido Comunista Brasileiro, partido no qual eu milito e me simpatizo, aqui no Brasil. Que vergonha! Já não se forjam comunistas como antes.

Nota:Este texto de desmascaramentos e denúncias pode continuar a qualquer momento.


Nelo de Carvalho
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