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Prosopopeia e Política



O corrupto, em Angola, é um bicho que ninguém agüenta mais. Existem aqueles que dentro da sua espécie têm funções específicas, tão específicas e contraditórias que geram todo tipo de apreensão, até para aqueles que receberam a função pretoriana de dar guarda incondicional ao triste animal.

Para cada etapa da nossa história e pelo que representam são como espécies em extinção, em que, nunca faltam a turma dos “sensíveis” ambientalistas a proteger os mesmos.



Dizer que o corrupto é um bicho em extinção é um erro que vai além de qualquer análise e avaliação. O que está em extinção é a maneira como eles são tratados pela turma dos protetores ambientalistas. Esses tão oportunistas nas suas aparições que superam qualquer Grito vindo dos Oceanos, ou das florestas da Amazona ou mesmo de qualquer selva africana ou asiática, que nos habituou o Green Peace.

A reunião em família protagonizada pela Fundação Agostinho Neto provou que certas espécies de animais são excedentes, estão fora de controle e sua continua reprodução incontrolada é um perigo para todos. Até para quem fez da profissão a defesa de tal bicho. Sua reprodução sem limite põe em perigo o equilíbrio que tanto o ecossistema angolano precisa, esse ambiente um patrimônio de todos nós.


Aquela sessão em família evidenciou que as funções e ações de certos elementos dentro do caótico espaço angolano estão no limite. E que a sociedade precisa se organizar e reorganizar-se, tendo como seu centro a cada um de seus elementos ( os cidadãos) e não o bicho selvagem em extinção, usado como um mascote olímpico ou o Panda Chinês, que faz questão de chamar atenção ao mundo inteiro, porque acredita ser mais necessário do que os outros e insubstituível.


A Fundação Manguxi, deliberadamente ou não, acertou o alvo, declarando que a corrupção, o corrupto e qualquer bicho que se assemelhe a ele deve ter um fim. Essa declaração não só esteve no discurso que ignorou aquele animal solitário, preguiçoso e vivendo à custas de todos, precisando sempre de proteção. Mas, também, no silêncio contra o mesmo. A indiferença da nossa Fundação provou que existirá vida depois da vida ( aqui a morte nem se cogita); existirá vida no nosso ecossistema depois da extinção de certas espécies.


A FAN mostrou, ainda, que uma coisa é apostar na Palanca Negra -um bicho reconhecidamente raro, em exceção e de difícil aparição- a outra é apostarmos nos corruptos. Aquela será lembrada por mil anos com a saudade que merece, estes serão uma maldição pelo dobro ou triplo desse tempo.

Assim, quem é que vai querer fazer feio numa palestra a ser dada na Fundação Agostinho Neto? Nenhum cientista mwangolé que se preze estaria disposto a pôr em risco sua reputação, dissertando sobre uma espécie de gusano já conhecido e estudado por todos nós. Sabemos que essa espécie está sempre atrás de carniça, como evidenciou um dos palestrantes, o ex-Ministro, ex-Secretário e agora, simplesmente, o Juiz, Marcolino Moco.



A “carniça” pode ser qualquer coisa, desde uma empresa como a Sonangol; ou, então, até algo transformado em propriedade privada, usando-se para esses fins toda a ilegalidade possível.

O que é ilegalidade? Muitos acreditamos sabermos o significado dessa expressão, termo ou palavra – de todas as maneiras e sentidos possíveis. E é verdade! Mas o seu significado é ainda tão simples; mas tão simples e de fácil entendimento, que é, precisamente, e por isso, é que a mesma gera um âmago. Ou seja, dúvidas se exigirmos um pouquinho mais da nossa razão. É nessa razão descarada que aquele bicho, nojento, e verme sem vergonha, segue para se implantar e infringir o que quiser.


A ilegalidade, para um gusano, verme e corrupto, é precisamente esperar que quando se façam as leis para todos ou não, o animal esteja em condições de violá-lo. Um exemplo, no contexto angolano, é a própria Lei de Improbidade, mencionada por Marcolino Moco, e a atual Constituição da República. A anterior Constituição da República servia de papel higiênico para os corruptos; a atual Constituição já é papel higiênico usado. Ou seja –a atual-, é um documento ou papel que não serve mais para ser usado por ninguém. Por que? Porque os bichos já a usaram. Gusanos são assim, podem transformar tudo o que for útil para uma sociedade em lixo.

Por isso, não há como defender esse bando de predadores em palestras sérias: a não ser a rejeição total. Foi o que fez a Fundação Agostinho Neto.


Nelo de Carvalho
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