terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Que Há em Comum Entre Países Árabes e Angola

Não há nada a ser confundido, camarada Dino Matross, os “oportunistas” que estão a frente das supostas manifestações em Angola ou que alardeiam uma revolução, estão atrás de algo que, em comum, existe entre o Mundo Árabe e Angola. Ou ao menos, tentam se aproveitar desse fenômeno que existe entre essas duas regiões.

Por que, além da guerra no passado, não reconhecer que a corrupção também é um outro fator que pode provocar instabilidade e até mesmo levar o país a guerra?




Por que esse escudo de proteção ao MPLA quando se trata de falar de corrupção? Por que essa guarnição pretoriana, esse cinismo, a favor de quem está no poder quando se trata de desmascarar a ineficiência e a incompetência de quem dirige o país? Por que essa impotência Estatal e Governamental de encarar os fatos como deveria ser: o reconhecimento de que a corrupção existe e que é ela que poderá nos levar novamente a “guerra”. E de que a guerra no passado não pode ser usada como motivo a se dar margem a que o fenômeno corrupção seja ofuscado diante da visão das novas gerações e de toda a Nação. O MPLA e Angola não são só compostos de pessoas velhas e temerosas, principalmente, pela minoria corrupta e bajuladora que legitimam o poder corrupto do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos. Sim, isso mesmo. Camarada! Para que todos vão se habituando à ideia de que ele é, sim, um corrupto. E ninguém tem que ser torturado e perseguido por isso. Nosso desejo pela transparência dos Atos do Poder Público é maior que qualquer cargo. E se necessário pode valer uma Revolução!

Apelação emocional e patética, vindo do partido dos camaradas não oculta o fato de que ele ( JES) tem na testa, estampada, o carimbo do homem mais corrupto da nação, não protege ele de um fim que tarde ou cedo será a realidade de um país como Angola: de que os corruptos sejam julgados. Aqui implica tudo, o mau uso dos recursos públicos, desvio de finalidade das verbas públicas, o trafico de influência. E ainda, pôr a nação à beira de um perigo desnecessário. O perigo? A própria guerra de que só os outros são acusados de provocar! Não é a sociedade civil que está pondo o país à beira da guerra, é o próprio Estado e este governo, com a sua Governança, que produz ceticismo e desconfiança.


Não adianta usar aquele argumento ( o da guerra) e fazer uso do medo para ocultarmos a corrupção diante da nova geração de angolanos.

De que a oposição que temos não presta, é incompetente e oportunista, isso já sabemos. Mas se o MPLA quiser continuar no poder de maneira gloriosa, precisa se auto flagelar, precisa parar de dormir sossegado e achar que os problemas vão se resolver por si só, ou resolver-se com estradas e pontes mal construídas e superfaturadas, com ruas mal canalizadas ( sem esgotos e canalização fluvial), com bairros onde nunca chega a água e a luz. Ou ainda, com o desprezo, que já é uma tradição, à Sociedade Civil. O MPLA precisa saber combater o tráfico de influência sem aquele que está hoje na direção desse partido, porque é de lá onde pode se extrair o que há de pior sobre essa prática. É, ou não é? Ou será que devemos contar com o Jornal de Angola, e o procurador João Maria, para que nos apresentem as provas? Vai ser difícil acreditar que a turma de corrompidos e bajuladores terão alguma iniciativa para combater o mal do Estado Angolano: a Corrupção!

Vamos ver se quando o Primo Kadafi lá encima cair algum politólogo de esquerda vai dar uma boa justificação. Se existir explicação será pelo fenômeno em comum que existe entre Angola e aquele país; a corrupção e o desrespeito à liberdade do próximo por pensar diferente a nós. E olha que aqui no Sul e na região negra somos tidos como os melhores do mundo em vícios e bandidagens. Não se entende que num país, que noutro hora foi tido como exemplo do continente, a Líbia do respeitado Muammar Kadafi, o Coronel dos Coronéis”, tido como um país “livre”, possam existir mais de duzentos mortos só pelo fato, de pessoas livres, se manifestarem contra o regime. Que regime é esse que mata mais de duzentas pessoas numa manifestação pacifica? Pelo que conhecemos, temos certeza que a obsessão do MPLA em manter o poder não chega até aí: ver as ruas de alguma cidade no país ensangüentadas. Por isso, parem de invocar o discurso da morte! Não precisamos de espancamentos, precisamos de bom senso e escutar todas as partes. É preciso não esquecer que o país é de todos, mesmo quando só uns têm o poder.

O Kadafi não vai resistir no poder e olha que o regime dele é mais heróico e transparente que do MPLA. Essas horas ele já deve estar renunciando, e esperamos que o nosso “herói” não seja um covarde, como os outros que fazem as malas e saem correndo para gastarem aquilo que tanto desviaram ao longo dos seus mandatos, terminando em algum paraíso desses que só o mundo ocidental sabe oferecer aos prostitutos e aos corruptos.


E tem mais, não precisamos exagerar, direito de manifestação não leva à guerra em nenhuma parte do Mundo. Além disso, se a Constituição não dá só proteção ao nosso chefe vitalício e foi bem escrita em nome do Povo, então deve existir um direito de manifestação, que dê oportunidade a que as pessoas se manifestem. Por que tanta inquietação? Por que tanto medo às manifestações? Não foi acaso, há uns tempos atrás, alguns dirigentes desse mesmo partido ( o MPLA), que presentearam ao nosso Corrupto Mor uma manifestação de apoio, por algo que ele nunca pois na prática e até mesmo esqueceu nos seus sucessivos discursos. Alguém saiu por aí ameaçando os manifestantes ou alardeando uma suposta volta à guerra!? Liberdade, também, é a liberdade de se manifestar e de questionarmos tudo o que existe por aí. Principalmente o podre: a corrupção, a omissão, o silêncio que nos engana a todos transformando cada um de nós em cúmplice. Já não queremos mais ser cúmplice de um corrupto há trinta anos no poder.

Nós somos a favor de todas as formas de manifestações, desde que elas sejam pacíficas e que não estejam associadas ao Partido UNITA, estes últimos são os símbolos da guerra e do terror, que o poder usa para desqualificar a quem se opõe àquele corrupto. Por isso, desde aqui dissemos: Viva o MPLA, sim! Mas abaixo os corruptos! Abaixo os bajuladores de todas as formas e níveis! E nesse momento, e mais do que nunca, dissemos também: Angolanos de todos os “Partidos” e Correntes Políticas, Uni-vos Contra a Corrupção! E que levantem -e bem alto- a Bandeira de Angola ( e que façam do Agostinho Neto, entre os heróis desse país, o verdadeiro símbolo contra a corrupção). É imperioso que as Bandeiras a serem usadas sejam as bandeiras de Angola. Para que a manifestação não tenha caráter partidário e seja descaracterizada como uma manifestação de delinqüentes e terroristas Kwachas. E o Viva MPLA é algo que fica reservado a esse texto. Não adianta nesse momento pensarem que a Bandeira de Angola se parece a do MPLA. Se existir uma união entre os manifestantes este questionamento deve ficar ultrapassado e resolvido. É pela bandeira de Angola que devemos existir e quem sabe morrer! O resto é lixo que deverá ser lançado ao esgoto.

O maior erro da oposição angolana é afastar as conquistas do povo angolano, alcançadas até agora, como uma coisa alienígena dos seus objetivos. Enquanto isso for assim, os corruptos do MPLA, ou que se encontram nesse partido, serão invencíveis. Eles, os corruptos, vivem da marca desse partido histórico. Chegou à hora da oposição angolana deixar de ser inimigo do próprio povo que eles dizem querer salvar da corrupção. Se quiserem conquistar o povo e a nação, têm que conquistar seus símbolos e as suas conquistas.

Qualquer governo democrático pode ser contestado a qualquer tempo e momento, não está escrito em nenhum lugar que ganhar as eleições com 80% é sinônimo de governar de maneira absoluta. A governança de quem está no poder não é absoluta, está muito longe disso, pode-se dizer mesmo que é péssima, e assim pode ser e tem acontecido com a sua governabilidade.

Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com
WWW.blogdonelodecarvalho.blogspot.com

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