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A Obsessão Pelo Poder

A ineficiência de qualquer governo futuro nota-se pela perseguição diabólica de seus membros ao poder. Aquele estado da personalidade humana ou emoção de agir põe em dúvida as já questionáveis intenções de qualquer grupo político de oposição. É na demostração de postura diante deste tipo de situação -poder a qualquer custo- que os angolanos, numa Angola jovem e independente, demonstraram toda sua imaturidade. Imaturidade que às vezes se chegou a confundir com a própria barbárie. Assim, não são poucas às vezes que em nome desse poder se massacrou pessoas inocentes, populações e houve traições, vindo de todas as partes.



A obsessão pelo poder, por exemplo, tornou Jonas Savimbi em um homem alienado, possuído pelo desespero e a irracionalidade. Fez deste um Zumbi faminto a espera de qualquer carniça em qualquer esquina da política: tornou-se comunista e marxista quando pude, fez-se da extrema direta ao ponto de apoiar o regime racista sul-africano em detrimento de sua própria dignidade como africano e negro; tornou-se em mensageiro da democracia até onde lhe conveio e, finalmente, foi um protagonista do fascismo angolano tribal quando o desespero anunciou ao mesmo a impossibilidade do mesmo chegar ao poder.



O poder transforma a todos, em viciados e corruptos, e até em animais mentirosos. Assim, não é diferente com o exército de vampiros que hoje temos no poder.


Se para os governados, o tempo em que aqueles estão no poder parece uma eternidade. Esta eternidade será precisamente pela capacidade da turma dos chupas-sangues de se regenerarem no tempo, driblando as mudanças sociais, que são as verdadeiras causas de nossa existência como súditos que somos.



O vampirismo, na escala de ascensão de poder em Angola, é a razão de ser de uma cultura forjada, com mentiras e inverdades, para se lidar com uma nação que sangrou ao longo dos mais de 20 anos por causa da guerra. Este sangramento até hoje -traduzido em miséria- é atraído pela sede e a grande motivação vampiresca: a eternização daquilo que retrata a essência deste ser nojento e repugnante; que se renova com o sangue de todos nós, o Povo!



O vampiro é um ser intelectual, sim. Ou, ao menos, faz questão de ser. E no nosso caso, Angola, sua intelectualidade é a busca eterna da mentira. Ainda que seja as mais absurdas possíveis, como aquela que acusa eternamente o colonialismo português de nossas desgraças. Vê até nas falhas da Edel, Empresa Distribuidora de Energia de Luanda, falhas seculares, talvez antes mesmos que o Diogo Cão, aquele Bucaneiro ordinário, português, que atracou sem querer nas margens do Reino do Congo; só mesmo um Luandense pode acreditar na mentira de um Vampiro. Na verdade, estes, infelizes, fingem acreditar. E não que seja uma simples maneira de ignorar aquele, mas porque o veneno sobre estes tonou-os a vítima que compactua com aquele predador de almas, que o faz com o seu veneno, veneno que circula na corrente sanguina dos metropolitanos da nação angolana. O Luandense é mesmo assim, desde 1975, transformou-se num burro, como uma vítima, que só o Vampiro mais inepto sabe dominar.



A vítima do Vampiro é um ser zonzo, babaca, um aloprado sem ideias e sem expressão nenhuma -que não seja a pura submissão por telepatia, mas em conseqüência do veneno em seu sangue-, desalmado até o tutado; e o “melhor de tudo”, inofensivo.


O Vampiro como sempre, além de mentiroso e cínico, é um safado desgraçado e sem vergonha em busca de todas as justificações. É por isso que ele vive em Castelos – hoje chamam de Palácios- de luxosos, que contém bibliotecas, com os mais variados livros que nunca lê. Ele acredita se eternizar pela “intelectualidade” mesmo quando não tem habilidade e afinidade para isso.



E sabem qual a diferença entre um Vampiro e um Zumbi? Aquele pertence a elite, é um Príncipe, Nobre – suas origens pouco interessa. O que importa mesmo é o seu tempo presente. É um Nobre ser “refinado” que consegue atrair todos em sua volta; sempre pairam dúvidas sobre a sua nobreza -e quê? Como já disse ele tem um fim: eternizar-se no tempo pela mentira!



Este o Zumbi, dizem que é de origem africano, mas que evoluiu muito bem em lugares como o Haiti, reaparece de novo no continente, talvez, em busca do que nunca teve: meios de subsistência. O Zumbi, socioeconomicamente falando é um semi escravo despossuído de tudo, passa fome em vida. Depois de sua transformação em Zumbi não se conforma, é possuído de uma fome insaciável que o torna como todos nós já o conhecemos: de olhos afundados e escuros, mortos vivos invadindo tudo, principalmente, carne para se saciarem.


Eles são uns verdadeiros sombras na existência do povo Angolano. Estes a carne a ser devorada!


Nelo de Carvalho
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Rafael Marques versus José Ribeiro e a Necessidade de Construirmos um Estado de Direito


Lendo um dos últimos artigos, vindo do Jornal de Angola, José Ribeiro, o Jornalista e Diretor daquele jornal, descreve com audácia, coragem e valentia um esquema de corrupção- O Negócio da Chuva- montado pela oposição angolana, e daqueles que combatem o governo “ em nome da democracia” na luta para tirar dividendos, quanto mais melhor, e por uma possível tomada do poder.


José Ribeiro talvez seja um dos primeiros a provar, sem querer, o veneno de um organismo de que ele também faz parte, a corrupção proliferada na sociedade Angolana, omitida, estimulada e desencadeada pelo próprio Estado. E que se tornou crime antipatriótico e antiMPLA, quando o mesmo é denunciado, agora pela oposição, em qualquer jornal ou meio de comunicação do país.


Não é menos criminoso, o que o Jornal de Angola protagoniza, omitindo e silenciando-se sobre a corrupção no Governo e no Estado Angolano, do que os atos partidários ou antipartidários do Rafael Marques, quando este denuncia a corrupção do funcionalismo público angolano ao mais alto nível; ocultando este último a podridão da oposição.

A imparcialidade na hora de se combater a corrupção é um chamado a pátria de que para isso precisamos construir um verdadeiro Estado Democrático de Direito ( neutro para todos os cidadãos e baseado nas leis). Em que críticas contra o governo ou contra quem está a frente do mesmo não se transforme em um crime pela Pátria, ou ainda, o que é pior, Um Crime Contra o MPLA e o Presidente da República .


Estamos cansados de sermos rotulados, chantageados, ameaçados, subornados e até mesmo “corrompidos” quando nos insurgimos contra a corrupção generalizada e encabeçada pelo governo de José Eduardo dos Santos. Este quase um Deus, que não pode imaginar que seus súditos o critiquem, ou ainda, que entre os súditos, no maior dos gestos de subordinação canina e bajulação, nunca demonstram a rejeição contra aquele personagem todo poderoso e divino.


Ou seja, um artigo, igualmente bonito, escrito por alguém tão “corajoso e valente” - defensor da Pátria (da Mãe Angola), do MPLA, das antigas tradições que enalteceram milhões de angolanos e facilitaram assim que o MPLA, com Agostinho Neto, chegasse ao poder- poderia ser muito bem escrito, mas com uma cara diferente daquela, moralizando toda a sociedade no combate a corrupção, demonstrando e denunciado as origens verdadeiras do tráfico de influência, dos desvios dos milhões de dólares roubados no BNA, do enriquecimento ilícito dos nossos governantes e dos seus familiares com títulos de monarcas, príncipes e princesas, num país onde a fome, a cólera e a guerra no passado só não matou estes, porque muitos deles viviam longe desse lugar que muitos chamam de pátria ou nação. Mas que para está minoria não passa de uma mina onde simplesmente se pode garimpar o que desejam.


Em política, quem não dá exemplo não pode reclamar por eles e nem esperar honra, honestidade e dignidade dos adversários políticos. Rafael Marques e a turma que o enaltece como um herói podem não valer muita coisa no contexto angolano, ou quase nada, como dizia um amigo, “é mais um oportunista entre os angolanos”, querendo aparecer, tirar proveito e se dar bem ou que talvez tenha sido contratado pela CIA e pelos americanos. A verdade é que a moral e os objetivos que envolvem Rafael Marques não é tão diferente daqueles que hoje estão no poder em Angola, usando o nome do MPLA como o bom partido que tem legitimidade para governar o país, talvez por mais trinta anos.


Falando em legitimidade do partido no poder é um fenômeno que se criou ao longo da história dos trinta e cinco anos de independência por todas as circunstâncias que favoreceram o MPLA. Objetivamente e materialmente sabe-se da impossibilidade, a curto prazo, do derrubamento desta legitimidade –a não ser, “ a não ser” pela corrupção. Ou seja, quem está no poder hoje está transformando o MPLA num partido ilegítimo para continuar a governar por mais trinta anos. E por que essa irresponsabilidade? Será por incompetência, acomodação, oportunismo? De fazer acreditar a nação que ele ou eles são o fim da história desse país, que depois desse regime ou mandato que aí está não haverá mais nada melhor ou diferente?


Voltemos a estes dois “titãs”, que agora se revelaram “verdadeiros” combatentes contra a corrupção, Rafael Marques e José Ribeiro. A pergunta é agora: quem contratou José Ribeiro? Está no Jornal de Angola em nome de quem, como funcionam as leis em Angola, que permitem que um funcionário público de tal nível, com a responsabilidade que tem, permitisse que o mesmo ocupasse aquele cargo? Não chegou à hora de transformarmos aquele Jornal e outros meios de comunicação numa autarquia que funcionasse de forma independente e autônoma do executivo, do legislativo e do poder judiciário? Democracia é para isso, e não um sonho em que fingimos que somos democráticos. Se o MPLA aceitou as regras da democracia tem que fazer valê-las para todo mundo: amigos, inimigos, reacionários, revolucionários, comunistas ou até mesmo os fascistas tribais dos sobrinhos e herdeiros de Jonas Savimbi ( os kuachas).

É dureza, mas é assim, infelizmente!

Nelo de Carvalho
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A outra face do FaceBook

Descontração ou vulgaridade de quem se habituou a uma cultura que vê nos corruptos os heróis da existência das conquistas de um povo? Um povo que vê nos vícios de promiscuidade dos seus dirigentes exemplos que em outras latitudes seriam rejeitados de maneira condenável pela esmagadora maioria dos seus cidadãos.



Estamos na rede social angolana do facebook, instrumento que já não pode ser rejeitado, porque o poder da corrupção precisa se manter e dar a entender que sua legitimidade, arrebatada no engano e na mentira, não podem ser combatidas por uma suposta minorias que contestam, sim, os atos infinitos de um governo corrupto. Todos têm consciência que o governo de Angola é composto por políticos e gente corrupta. Mas quem vai ousar combater aquela malta quando se sabe que eles tem a legitimidade necessária? A guerra e as circunstâncias fizeram com que aquele grupelho de vândalos ganhassem o coração de milhões de Angolanos. É por isso que entram na internet, no Facebook, anunciando suas “medidas” sem terem noção das palavras, do verbo, ou até mesmo das manifestações que em qualquer outro lugar ofenderiam as pessoas.

Sabemos que naquele lugar eletrônico nem tudo deve ser levado a sério. Isso é indiscutível. Mas discutível seria deixar passar naquele lugar certas manifestações, que além de chamarem atenção, pela falta – do que aqui opto em chamar- de “medida espiritual”. Que consiste em delimitar atos e manifestações de cada um de nós, quando assim acreditamos que temos certas responsabilidades – “todos temos”-, até mesmo de educar, onde a simplicidades de quem deve dar exemplos deve ser visto como a bandeira a ser erguida, e não a fanfarronice, a ingenuidade, e a falta de desconfiômetro. Esta última palavra é uma criação brasileira para qualificar o sujeito folgado, sem limites nos seus atos, aquele que acredita que tudo pode dizer e fazer sem que alguém imponha barreiras nos seus procedimentos libertinos, mal educados e vagabundos. É falta de educação, sim, e é coisa de vagabundo. Porque escancarar desejos e atos, num país de privações, que deveriam ser de direito e comum a qualquer cidadão, mas que para uma minoria de privilegiados tornou-se um luxo, retrata a falta de limite e o desprezo para com quem não pode e nem tem as mesmas condições. Num país em que o interesse social, sempre, foi o discurso propagandeado por quem até hoje governa o mesmo, e baseou-se no lema de que tudo deveria existir para o bem de todos.


O ato de querer aparecer é um dos sintomas da própria existencialidade, em outras palavras, é a doença mais crônica do existencialismo. O existencialismo é uma espécie de doutrina oportunista e egocêntrica que espelha o ser humano de um modo caótico em que a racionalidade contribui pouco para impor limites. Não é difícil encontrar naquele lugar em questão a irracionalidade comandando atos promíscuos tudo em nome de se dar a conhecer o desnecessário, desde mulheres que se auto retratam na beira de uma estrada fazendo xixi até um deputado angolano anunciando sua viagem ao estrangeiro para ir ao encontro do seu médico. Evocando precisamente a nação miserável que é Angola e as pessoas que vivem naquele país.

É um ato de evocar, sim. Porque já vão mais de 35 ( trinta e cinco) anos desde que aquele país tornou-se independente e os serviços de saúde de lá para cá só pioraram. E é um gesto de protesto e rebeldia, mesmo quando sabemos que esta não foi a intenção do seu autor, num país em que criticar e reclamar de qualquer coisa em voz alta é crime difamatório contra a Presidência da República.


O anuncio de ir consultar-se por um médico além pátria, que na maioria dos casos, para padrões internacionais chega a ser uma consulta comum. Tão comum que quando se descobre o antídoto o mesmo pode estar em algumas das Praças de Luanda ou de nossas cidades angolanas – outra coisa horrível-, o que falta sempre é a boa informação médica, que poderia vir até de um médico residente ( ou também como muitos preferem, “médico estagiário”). Aquele anúncio não só retrata o nosso atraso em que nos encontramos como nação, mas, também, de como fazer política em Angola tornou-se um bom negócio. Não é a política em si envolvida por princípios éticos que vale, mas o quanto se ganha com a mesma ao se estar de um lado ou do outro. Defender o Camarada Presidente e o regime, este regime corrupto, hoje é um grande negócio mesmo que não concordemos nunca com os seus atos. Na verdade, sempre foi.

Evocar uma notícia daquele porte no facebook pode ser para muitos, que gostam de aparecer e se manifestarem, ou não, até mesmo para o bem da nação, uma bofetada a esse sistema, que triunfou com a independência de Angola; foi glorificada diante de todos e defendida contra todos os seus inimigos, mas que continua em perigo diante da corrupção. Pode-se dizer aqui ( se não sabiam) que com a corrupção não há independência que valha, não há dignidade de povo ou alguém que sobreviva diante das arbitrariedades dos corruptos; não há felicidade, não há pátria a ser tida como habitat onde o orgulho exista e renasça com as novas gerações; não há, enfim, a tão ambiciosa Unidade Nacional lema principal do MPLA. A verdade é que Angola tornou-se uma fonte de riqueza para alguns e não para o seu povo; tornou-se uma fonte de riqueza dos chefes militares e políticos corruptos encobertos nas peles de libertadores, defensores do povo e de nacionalistas ou patriotas suspeitosos. Para não dizer já a turma de estrangeiros espertinhos e aventureiros que têm desembarcado naquele lugar. Mas então porque uns insistem nesta defesa canina ao Camarada Presidente ou a tudo que aí está de forma escancarada?


Não é preciso ser teórico e profundo demais para concluir que nossos políticos, claro os corruptos, apostam no sublime e naquilo que na prática o povo não consegue identificar como mensagem ou código artístico a ser decifrado e que geralmente leve uma mensagem de denúncia e desmascaramento. Assim, qualquer mensagem que se diga no “Facebook”, na

Rádio Nacional, na TPA, no Jornal de Angola ou nos famosos comícios, pode ser ruim contra a nação inteira, mas jamais deve ousar ofender aquele que ocupa o maior cargo no Gabinete da Presidência da República.

Afinal de contas é tão diferente assim dizer que “vou me consultar no estrangeiro ou tenho uma consulta com o meu médico italiano, francês ou brasileiro”; e dizer, por exemplo, que “o sistema de saúde que o MPLA e o Governo Angolano, dirigido por José Eduardo dos Santos, nosso clarividente, criaram e mantêm para a nação, até hoje, é péssimo e ineficiente” e que não funcionam nem para a população animal usada como estimação? “E Por isso vou me consultar no estrangeiro”.


Ou, ainda, tem alguma clinica veterinária em Angola funcionando bem, para o meu cachorro? Já que tomei a decisão de regressar para Angola e vou viajar com o meu cão de estimação. A última pergunta feita dá a ideia do nível do sistema saúde que temos no país. Mas que não pode ser dito usando termos, expressões e vocábulos que pudessem parecer ofensas ao regime ou quem o dirige, regime ostentado e mantido pela corrupção; como, por exemplo, “ a visão clarividente do nosso presidente é autora do sistema de saúde péssimo que temos em Angola, já que nem a raiva, doenças compartilhadas por pessoas e animais, conseguiu erradicar”.


O anúncio no facebook pode ser interpretado de maneira dúbia e dupla; pode ser interpretado como a voz dos covardes que fazem da cultura popular um meio para se manifestar sem provocar a quem viu na forma de pensar dos outros uma ofensa contra os seus atos de corrupção. Mas também pode ser vista como uma forma inteligente e corajosa para denunciar o que parece estar tudo bem, mas todos sabemos que não está: a Saúde em Angola.

Aquele anúncio no facebook é a outra face da moeda, ou melhor, do FaceBook, preferível, por quem já fez da desgovernança e da corrupção uma cultura e hábito de Gestão e Administração.

Nelo de Carvalho
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O Julgamento de Quim Ribeiro é Uma Falsa

Li em algum lugar de que as famílias das vítimas ( ou da vítima) de Quim Ribeiro e da Máfia da corrupção angolana estão agora em disposição para chantagear aquelas. Isso era de se esperar desta turma de comandantes e generais.

Mas vamos aqui separar Quim Ribeiro do ordenamento institucional que hoje comanda a corrupção em Angola. Aquele só está sendo julgado porque seu esquema de corrupção é paralelo ao grande esquema que há 32 ( trinta e dois) anos engoliu o Estado angolano encabeçado pelos homens que, tradicionalmente, fazem parte daquela corporação de oficiais.



A corrupção institucionalizada em Angola tem um espírito. Este invoca uma espécie de redenção, jamais visto em lugar nenhum, que consiste no reconhecimento desmedido da corporação de generais, chefes, políticos e os comandantes reivindicadores de conquistas, que a boçalidade tipicamente angolana proclama diante de toda a nação. Porque todos eles andaram protagonizando às batalhas que levaram o país à independência, e a salvaguardarem a nação do fascismo tribal kwacha. É o tipo de corrupção em que o próprio Estado é autor e está envolvido com toda a sua máquina. A corrupção em que o Estado e o Governo fazem uso da legitimidade conquistada, por um discurso populista, que torna vesgo o cidadão, diante das maiores dificuldades já enfrentadas pelo país: a invasão sul-africana e a traição kwacha e de Jonas Savimbi. Quem é que não sabe que a corrupção é um mal menor diante de tudo isso!? “Era....!!!!!!!!!!”


Respondendo a pergunta: Pode ser, mas ela não justifica a safadeza e a cara de pau dos nossos Generais no poder. Não há crime que por menor que seja possa resistir o ordenamento dos fatos que a vida exige em tempos de paz e amor. Principalmente quando o objetivo é a harmonização de tudo aquilo que se pretende construir seguindo as regras da democracia. A não ser que este último regime seja uma falácia. O que seria uma soma, e o resultado muito mais catastrófico diante de tudo que vemos: principalmente da impunidade, da mentira e da desfaçatez.

O paralelismo dos atos protagonizados pela quadrilha de Quim Ribeiro com a máfia institucionalizada que hoje ocupa o poder, e faz questão de reivindicar o heroísmo e a gloria conquistada por todos nesse país, é a causa fundamental de que aqueles, infelizes, sejam julgados e esnobados diante da imprensa e de todos. Para assim se provar a opinião pública que o combate a corrupção existe. É o snobismo resultante da atitude do próprio chefe de Estado para com a nação inteira. Um cinismo e desprezo a ser imitado pelas instituições do Estado e pelo próprio governo, que veem nos atos do sujeito o exemplo a ser reproduzido. É o próprio estilo de um Estado e governo corrupto, sem chance de ser respeitado pelos “súditos”, porque estes deixaram de confiar e acreditar no estado, têm nos atos destes um mero exercício de jogo e diversão. É como o torcedor, que torce por um terceiro clube e não está interessado em qual dos dois clubes pode ganhar ou perder.


Se você quiser saber, amigo leitor, Quim Ribeiro e a sua quadrilha é um dos clubes que está em campo. A outra parte é a dos generais todo poderoso. E o nosso time ( em inglês team, clube), a dos torcedores, na verdade, é um time virtual. E consiste na simples expectativa de que todos eles, os corruptos, que um dia sejam julgados como tal pela justiça democrática deste país, quando um dia chegarmos lá.

Quim Ribeiro está sendo usado como cobaia. Primeiro de uma expectativa. Uma expectativa para provar a crença e a descrença do cidadão angolano. Está sendo usado como cobaia para desviar a atenção e fazer crer, como já dissemos várias vezes, que os corruptos só são os outros, ou, sempre, são os outros. É a covardia típica dos delinquentes transvestidos de chefes e até líderes. Uma falsa que o cidadão angolano engoliu para salvar o país das piores desgraças: a vitória do racismo sul-africanos e dos seus objetos traidores batizados ao redor de uma fogueira em Mwangai e parabenizados na Jamba. O savimbismo e a delinquência dos “outros” sempre foi usado como pretexto para se proteger a outra turma de delinquentes, não menos descaracterizados e perigosos, a diferença é que estes estão no poder. Com Quim Ribeiro querem desmistificar e dizer-nos que quem está lá em cima, e família, são probos e livres de qualquer suspeita.


Nós vimos aqui dizer que tudo isso é mentira. E que aquela família e o chefe dela ( e que dirige toda a nação) têm muito mais culpa que Quim Ribeiro.

Para que nossas acusações sejam fundamentadas vamos as seguintes perguntas: por que até agora o governo angolano não deu respostas eficazes dos 300 ( trezentos) milhões de dólares que desapareceram do BNA? Quem fez sumir está quantidade astronômica de dinheiro? Sobre esse dinheiro nunca se investigou, a imprensa pública -que é a que tem mais recursos e poderes para tal e que nestes longos 35 ( trinta e cinco) anos, enganosamente, ensinou o cidadão a pensar de que ela deve ter mais crédito- nunca anunciou nada.


Com o Quim Ribeiro querem jogar o lixo de baixo do tapete. Estão enganando o Povo, mentindo a todos! Tudo isso porque os eventos protagonizados pelo nosso policial, fora daquele grupo de ex-combatentes “glorificados”, não se cruzam com os eventos da máfia Estatal angolana toda poderosa, cínica e malfeitora.

Nelo de Carvalho
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As Mentiras das Relações Entre Povos ou Nações, Angola e Portugal

Se numa coisa têm razão os economistas da Escola de Chicago, aquela turma encabeçada por Milton Friedman, é de que entre nações não existe solidariedade econômica, e que tudo deverá estar baseado nas regras de mercado. “Não existe almoço grátis ou benevolente”. Alguém sempre terá de pagar a conta no final de tudo.



A cooperação econômica entre angolanos e portugueses é a coisa mais falsa, mais mentirosa, mais sem cheia de graça e o maior disfarce que dois povos ou nações podem construir no andar dos tempos. Diante, principalmente, de uma das partes que sempre esteve e está em desvantagem: o cidadão angolano. Este enganado como sempre, no passado, pela sua condição de colonizado e escravo; hoje, na condição de quem deve sonhar eternamente e ouvir falsas justificações - de políticos que se especializaram em mentir-, como sujeito sem voz para questionar o que é cooperação de verdade e o que seria, de forma descarada e escancarada, saques, roubos contra um país que não aprendeu a se defender, fazendo o uso da cidadania, defender-se das as arbitrariedades que, sempre, põem em jogo –e em dúvidas- aquilo que foi conquistado com muito suor e sacrifício por todos: a independência de Angola.


Nós não acreditamos na cooperação entre angolanos e portugueses. Acreditamos, sim, numa cooperação ou pacto feito entre quadrilhas e seitas de um lado e do outro. Acreditamos, sim, na má fé dos dois lados. No lado dos peninsulares, na arrogância e na crença de que no lado deles sempre deve haver vantagens diante das circunstâncias socioeconômicas e culturais que nos diferenciam. Afinal, Angola não é Portugal e Portugal não é Angola, somos dois povos unidos pela maldição, a maldição do colonialismo, da escravidão e, agora, porque não dizer: a maldição do capitalismo e da corrupção.


Do lado dos angolanos, o que existe é uma turma de generais e políticos espertalhões, que governam um país em que o seu povo vê na corrupção a necessidade para se sobreviver diante de um país desorganizado. Cidadania e civismo é o que não se pode esperar por parte daqueles para que os resultados de tal cooperação recaem com benefício sobre a população angolana. Afinal, o povo é o verdadeiro dono desta nação de gente sofrida. Angola não é uma propriedade dos generais corruptos, bandidos, agora transformados em assaltantes dos direitos públicos, o direito que é de todos.


A Angola de hoje está tão distante dos angolanos e jogada aos mercenários comerciantes famintos que veem daquele lugar ( Portugal). Hoje acossado pela crise, a crise que é só deles e provocada pela gastança momentânea que caracteriza o mundo capitalista. Esta gastança momentânea que noutros tempos foi assimilada como o êxito de uma civilização consumista, que tem como política o oportunismo no seu maior auge e desempenho. Este oportunismo que muitas às vezes se manifestou com o racismo. Que consiste na maneira mais prática e na pior forma de se fazer política para se rejeitar o outro.


O racismo e todas as outras formas de complexo de superioridade que “agora se esfriou” com a crise, lá na península, hoje, vem como um pacote de cooperação, como um pires vazio, levantado de forma caquética e trêmula por quem noutro hora não cansava de anunciar sua superioridade econômica e zombar dos angolanos por conquistarem algo, que para muitos até hoje não deu fruto para nenhum aos seus cidadãos: a independência de Angola.


A verdade é uma: a crise dos porcos (piigs), que inclui Portugal e o resto da periferia na região do Euro, pode até se espalhar mundo a fora. E quê?! Só vai servir mesmo de variável usada pelos nossos corruptos angolanos para continuarem a justificarem seus atos de incompetência, ineficácia e talvez até para se perpetuarem no poder.

Dizer que a crise na Europa, lá no Velho Continente, afeta Angola é um sofisma transportado pelos maus espíritos, mesmo sendo verdade, sua carga de verossimilhança não passa de uma redundância praticada pela estupidez para justificar, sempre, o sofrimento de um povo; e o que há de pior nas relações entre os homens neste país: mentiras, horrores, desonestidade, falta de honra, de princípios – e no contexto angolano- as bajulações de sempre para se salvar o Camarada Presidente.


O que irrita -a irritação transformada em ódio e raiva- é que o MPLA e os seus militantes honestos ou corruptos sabem disso: nunca houve cooperação entre os homens daquelas terras e estas. E, se houve, a última sucumbiu, de maneira informal, com os escombros do muro de Berlim: eram os princípios que sustentaram aquele muro.

No capitalismo, o que pode existir é a infâmia, a burrice de um lado e a esperteza do outro; a servidão de um lado e o patronado do outro. Ou será que alguém tem dúvidas?!

Nelo de Carvalho
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Os gemidos da União Europeia

Com a crise econômica na Europa, massacrando países, fica difícil manter a chamada União Europeia. Ela surgiu como o produto de um medo –entre todas as coisas, e ilusões estúpidas - , frear a expansão comunista para o Ocidente da Europa, e evitar futuras guerras e “atos de submissões” de umas nações sobre as outras. O que no início poderia parecer um sonho realizado, um êxito, transformou-se num calvário.



Quarenta ou cinquenta anos depois, no início da derrubada do Muro de Berlim, a União Europeia foi o símbolo a ser erguido da “vitória” que o Capitalismo poderia esfregar na cara dos comunistas e esquerdistas radicais de todo mundo. Na verdade, para quem gosta de pensar e fazer filosofia de maneira séria, aquela vitória era a manifestação de uma crise ideológica, cultural e até politica sem precedentes na história ( o marxismo já não estava aí para dar todas as respostas à humanidade). O pioneirismo europeu de unir e transformar um continente onde todos pudessem ter os mesmos sonhos e interesses foi erguido em função da acumulação do capital, as conquistas sociais alcançadas pelos trabalhadores, mesmo em países capitalistas, foram todas encaradas como fenômenos anacrônicos, coisas ultrapassadas que só atrapalhavam o bom funcionamento da máquina estatal ( afinal o outro lado, o socialismo, já não estava aí para ser desafiado).


A crise na Europa, a verdadeira de todas – e que devia ser entendida como tal- prova que não existe capitalismo social, bom ou menos pernicioso, e que o fim da história, tão propalado nos últimos vinte anos, só pode ser um produto da estupidez humana. A falsa sempre foi conhecida e desmascarada, mas ignorada por “milhões” de incautos deste mundo, que fazem do sofrimento humano um ato de sadomasoquismo a ser disfrutado numa relação em que a verdade prefere não se impor por exercício intelectual, mas sacrificando o outro lado da nossa identidade: o Corpo! O Capitalismo para muitos, ou ao menos para a pequena burguesia ( classe média, também, assim chamada), é disfrutado por muitos nos seus momentos de crescimento econômico, como o momento de transe “inexplicável”, que ninguém consegue rejeitar, é o famoso ato: “dói, mas é gostoso”.


Esclarecer a milhões de pessoas de que as deficiências do capitalismo, ou o próprio sistema, precisa ser substituído não pode ser visto nunca como um exercício de vaidade da mente humana, ou daqueles que, simplesmente, querem se sobressair em sua época. É também uma missão histórica que se iguala a do pai ou da mãe que deve dar guarda e orientar seus descendentes, filhos ou netos. Vai ser difícil ( e está sendo)! Convencer a Europa, ou a quem quer que seja, de que os problemas não são simplesmente as finanças das instituições bancárias ou estatais, mal gerenciadas ou desreguladas. A obsessão em fazer do capitalismo uma sociedade de todos é tanta que ofusca a visão de suas vítimas. Hoje a esquerda, no impossível e no inadmissível, alista-se a direita para formar governos de unidade nacional, diante de um mal que todos entendem, mas em que quase todos negam a aceitar que a cura do mesmo é o seu desaparecimento: este mal é a valorização do capital financeiro especulativo em detrimento do capital real que ajuda a criar a verdadeira riqueza criada por uma sociedade, onde os ativos reais existem e não são fictícios. E outros por aí que este texto não se dá o trabalho de explicar.



A propósito, o mau gerenciamento e o caos financeiro nos mercados é uma características deste sistema. Mas que partidos e governos, até os ditos de esquerdas, insistem em levantar a bandeira dos mesmos, hoje chamado de sistema neoliberal.


A Europa geme! E vai continuar assim por um bom tempo. Porque tradicionalmente era um dos lugares que saía o grande Capital para se investir no resto do mundo. Sabe-se que esta trajetória, origem e destino, hoje, estão invertidas.


Esta crise será longa, a longa marcha dos miseráveis rumo ao calvário!

Nelo de Carvalho
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José Eduardo dos Santos: Discursos e Dilemas

O Presidente José Eduardo dos Santos disse-nos que “vivemos numa democracia nascente, viva e dinâmica”. Nós dissemos que essa democracia é falaciosa, obscurantista, protagonizada por gente cínica e presunçosa. Gente com uma visão de si mesmo egocêntrica que vê no ato de ceder o poder e o direito ao outro uma maldição de sua existência. O Presidente e seus assessores confundem legitimidade ganhada nas urnas pela obrigação, o direito e o dever de não se atropelar consensos sociais – um deles- o “Regime Presidencial” que assim se evocou nos últimos vinte anos e que sempre existiu. Mas que agora deveria ser constitucionalmente bem contrabalanceado com regras e normas que esta Nova Constituição não deveria omitir nem esquecer. Se aqueles que se deram o direito de promulgar esta Nova Constituição reconhecessem que agora o problema fundamental da Nova República é a corrupção.




Ignorar esta luta, ou seja, usar a própria Constituição para coibir a corrupção e facilitar o seu combate, é a prova de que quem está a frente da nação está no meio de tanta sujeira e em que o “Tolerância Zero” não passou de uma força de expressão. Uma força de expressão que provoca arrependimentos, outra maldição na vida de quem o pronunciou.


Diluir o poder concentrado, manifestado numa Constituição que dá poder excessivos aquele ou aqueles que ocupam os atuais cargos públicos e nos vícios arcaicos de governação e administração, é a melhor forma possível de manter a Paz e a Unidade Nacional, e de se assumirem como verdadeiros representantes, talvez únicos, deste país.



Chega de falácias de que o MPLA é o único partido que pode representar todos e unir todos, quando na verdade, fez-se uma Constituição abusando-se das circunstâncias históricas. A guerra protagonizada pelos terroristas da Unita, o odeio justificado a Jonas Savimbi e aos seus homens, fizeram com que as urnas eleitorais se enchessem de declaração de “amor” ao MPLA. Amor traduzido no desgaste que uma guerra produz, em que qualquer coisa vale a pena. Vale a pena até a desordem Administrativa e a desgovernação de que uma guerra que continue a queimar vidas humanas. Assim, não se pode confundir aquele amor com legitimidade absoluta, com o desrespeito a opinião e ao sentimento público: de que a corrupção está aí. É um mal menor diante da guerra, mas que deve ser combatido.



O MPLA exagera, faz uso abusivo e inadequado da legitimidade e do poder que tem. Faz uso inadequado até do temor natural que as pessoas têm da guerra. Como se esta pudesse justificar qualquer coisa: até a ocupação do cargo de Presidente da República, o maior cargo público do país, por um incompetente. Esperamos que o sucessor não se enquadre nesta escala. Nosso apoio ao próximo ocupante será incondicional, se ao menos, souber nos mostrar que esta preparado para lidar com todos os níveis da escala social que compõem a nossa nação. Se tentar provar que a geração de riquezas de um país não passa, simplesmente, no reconhecimento com indiferença e cinismos da existência de ricos, mas na existência da maioria da população exercendo o seu direito absoluto de ter bons hospitais, boas escolas e empregos que dignifiquem a vida das pessoas. E não a informalidade de uma economia que transforma a nação num país de gente atrasada, sem valores e espíritos próprios para evoluírem.



Dos Santos é o restos de um passado insuportável, em que seu papel poderia ser preservado com glorias. Se pelo menos tivesse a coragem de criar uma Constituição e Leis que permitissem o combate à corrupção, onde ele seria a “primeira vitima”, mas que evitassem que os urubus que hoje se encontram na oposição com nomes de “revolucionários”, contestando sua posição -mais de presidente do que de corrupto- chegassem ao poder num futuro.



Mas o covarde é o retrato típico do bandido sem honra, que descaradamente, alguns dos militantes do MPLA acreditam que o mesmo deve continuar a ser defendido para serrar o que eles chamam de fileiras. Estas fileiras que direta ou indiretamente no curso da nossa historia, nesses 35 (trinta e cinco ) anos de independência, nos levaram a vários conflitos, traduzidos em massacres daqueles que não se alistam nem concordam com os desejos de quem está no poder.


Nelo de Carvalho
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O Exemplo de Como Terminou Kadafi Pode Servir Para Qualquer Viciado no Poder

Como terminou Kadafi? Já todos sabemos: humilhado e morto, como um cachorro perseguido pelo deserto, o deserto que bem ele conhecia, mas não pode proteger o fugitivo, que nos últimos anos não soube lidar nem com o seu povo e muito menos com os bandidos do Ocidente que vão atrás do petróleo como iam os homens do faroeste atrás do ouro.

Kadafi serve de alerta para muitos que estão aí, que se sentem seguros e vitalícios e não entendem que a hora deles pode chegar, mesmo quando não desejam. Kadafi é a prova de que não existe legitimidade sem contestação, não existe revolução popular exitosa que não possa terminar como uma contra-revolução que para continuar a sobreviver negue suas origens ou aquilo que lhe deu causa.



A Confusão que derrubou Kadafi, se assim quiserem chamar -e é mesmo uma Confusão- , mesmo sendo absurda, ganhou legitimidade o suficiente para transformar nosso beduíno do deserto num sujeito ignóbil, que será enterrado sem glorias e sem as lágrimas do seu Povo. Porque estes, diante da Confusão, não sabiam mais se valeria apena se sacrificarem por um “ditador” há 42 anos no poder, ou apostar numa verdadeira democracia. Mesmo com valores e sentimentos falsos e retrógrados como a nossa, onde só os bandidos dão-se bem, e no fim apresentam-se como os novos ricos aplaudidos pelo novo regime “democrático” e corrupto.


Não se esqueçam que o homem aqui mencionado foi um herói enquanto existiu, porque derrubou uma monarquia e soube enaltecer a dignidade dos povos africanos, mesmo que de maneira controversa e extravagante. Mas Kadafi esbarrou no oportunismo, na cegueira e na corrupção. Se pelo menos soubesse usar os bilhões de dólares do petróleo para transformar seu país numa potência militar, lá mesmo no mediterrâneo, região estratégica que permitisse barganhar respeito aos adversários, talvez teria condições de resistir os bombardeios da OTAN. Kadafi e o regime que dirigia nunca souberam se preparar para guerra. Ele e sua família, filhos, fizeram do regime um estandarte para promoverem e avivarem seus estilos de vidas de salvadores de um país que melhores índices sociais na região tinha. E quê?


Se a Líbia era assim, país africanos com melhor distribuição de renda, imagina o nosso país ( Angola) arrasado pela eterna miséria, protagonizado pelos atuais dirigentes que aí estão. Assim, a suposta democracia dinâmica e viva propalada no último discurso do chefe do executivo angolano jamais seria suficiente para agradar um povo miserável como nosso, cansado de um governante repetitivo nos seus discursos e atos. Um sujeito que talvez esteja caminhando em direção a uma sorte pior que a do próprio povo que ele dirige e vive enganando. Se não sabia José, seu discurso foi um fracasso, cheio de omissões e mentiras, cheio de “esperanças” que refletem a sua própria imagem: um retrato do passado, que se apresenta diante do Povo ou da Nação como um fantasma. Um fantasma que já não surpreende, nunca trás nenhuma novidade que não seja a sua própria existência inerte e inútil, diga-se. Até onde eu sei, você é um fracassado que sempre viveu das vitórias dos outros. E que agora pretende se “perpetuar” no silêncio e na ignorância de um povo. Mas até isso você não conseguirá!


Por isso estamos aqui para alertar, o MPLA pode merecer nosso voto por mais 30 (trinta) anos, mas Angola, como o partido no poder, não merecem os atuais dirigentes que têm. É preciso a reestruturação e a renovação de tudo que há aí. Não queremos guerra, sim. Mas chegou a hora destes dirigentes se demitirem, aposentarem-se e transferirem o poder para quem tem competência e dinamismo para continuar a governar. O próprio MPLA precisa de uma direção dinâmica, que saiba corresponder as exigências atuais da sociedade angolana: um país jovem que exige dos seus dirigentes a meritocracia e o empreendedorismo, e não mais os anos de guerra que tal ministro, general ou fulano enfrentou nas frentes de batalha.


Por isso, essa Confusão nas ruas, chamada, estupidamente e de forma ignorante, de Revolução pelo vandalismo que se identificam como lutadores de uma causa nobre, tem razão de existir e se justifica. Não adianta dizer que a Confusão deve ser combatida. Quem deve ser combatida é a corrupção, que não tem moral para combater os confusos manifestantes –verdade diga-se estão no seus direitos de reclamarem o que nunca tiveram: dignidade, emprego, saúde e boa educação; quem deve ser combatido é a corrupto que ainda está no poder, e que finge, com os seus discursos, que pode mobilizar ou sensibilizar as massas.


Acabou José, sua era de fingir e enganar, ou ao menos de mostrar que deveria ser um militante comunista a altura, está no fim. O único que você pode fazer e merece fazer é se retirar de maneira organizada como exige a honra e a dignidade. Os comunistas ( se alguma vez você foi ou tentou ao menos imitar Agostinho Neto) também são derrotados ou podem sofrer derrotas, mas a diferença deles com o resto dos abutres que aí estão rondando a coisa pública estes não matam a sua postura de homens diante dos dólares que você aprendeu a cheirar, e agora a valorizar diante do Kwanza.

Se toca ( balumuka!), José! Que a existência de um Homem não se define simplesmente pelo poder que este tem. E Angola em particular não nasceu contigo e nem vai morrer contigo. E vê se antes de chegares ao fim aprenda a ser igual a todo mundo, pelo menos uma vez na vida. A vida é bonita e linda quando nos demos por conta que somos mais simples do que imaginamos. É na nossa simplicidade onde reside a autêntica beleza de nossa existência.

Nelo de Carvalho
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Falta ao MPLA Controlar as Redes Sociais: o Facebook é Um Deles

O MPLA tem o Jornal de Angola, tem a Rádio Nacional, a TPA, todos estes meios têm a função mediática de fazerem amigos e inimigos daquele partido; glorificar a seita política fundada pelos Pintos, os Joaquins e os Andrades, ainda que para isso tenha necessidade de comer quem pariu e quem o pariu, e ignorar o seu passado. Naqueles meios informar tem sempre duas funções: enaltecer quem está atrás deles; difamar e penalizar quem se opõem ao “grande projeto” protagonizado por aqueles. Nestes já se notou que deve haver, existir, um desespero em “controlar” o Facebook, o maior representante das redes sociais. A Rede Social na Internet que se transformou em mania, canal e meio de informação, de expressão e liberdade, e a antíteses de tudo que há aí sobre ocultação, repressão e todas as formas de proibição.



O aparecimento tímido de alguns dos elementos do regime de José Eduardo dos Santos, talvez até este mesmo, camuflado de simples militante do MPLA na rede, provam o sonho impossível e megalomaníaco dos corruptos do governo de Angola de querem ter controle sobre tudo. Até no Facebook, sabemos da impossibilidade disso. A matumbice que governa o país em que nascemos também sabe e tem consciência da impossibilidade da empreitada.


Mas este artigo foi escrito precisamente para “tentar desmascarar” esse sonho impossível, melindroso e humano. E é nesta última parte, nesta última qualidade, que se ergue toda maldade e todas as intenções que se apresentam como a coisa benéfica e solidária. É basta ver as mensagens que nos trazem os seus membros: as mensagens para lá de humanas, solidárias, patrióticas e nacionalistas. Entre elas estão aquelas com o objetivo de jogar fora a camisa e a bandeira que fez parte do passado de muitos de nós. Ensinamentos vindo daquela quadrilha de políticos. Na verdade, essa forma ou maneira de querer se livrar do passado já foi notado até nos discursos do seu atual e maior líder. Não condenamos aqui o direito de todos nós tentarmos nos livrar de um passado fracassado e sem lucro, desde que seja feito a pratos limpos, desde que seja um jogo transparente para todos aqueles que acreditam estar participando numa democracia de verdade. A democracia em Angola não é assim: transparente, livre -a liberdade, de todas as formas possíveis, é coagida-; o mérito dos cidadãos é desperdiçado e posto de lado, enfim.



Voltemos às mensagens “humanísticas”. Não importa a carga adjetivada de tais mensagens. Elas sempre tem a função partidária e de salvação daquilo que está aí e que acredita que ainda representa todos os angolanos, só porque estão ou têm o poder. A diferença é que os nossos gênios de comunicação, ou quem assim assessora nossa quadrilha de políticos governamentais a se aproximar dos internautas, descobriram, ao menos no Facebook, que o comportamento de todos naquela rede exige, sim, descontração. Além de boa educação e a benevolência do político preocupado com o seu papel diante de todas as mazelas sociais. A matumbice despertou, e o MPLA diante das novas tecnologias descobriu como agir. A docilidade, até de antigos generais, que já apareceram no facebook, surpreende!



Só que alguns, ou quase todos eles, têm consciência que muitas das mazelas sociais são obras “eficientes” da governação e da administração que ainda temos no país. Com suas mensagens, é como se os mesmos quisessem se redimir, recorrer a algum tipo de compensação, quem sabe, quererem mesmo até se desculpar. Entendemos, ao menos quem está aqui escrevendo, que se desculpar diante das tais circunstâncias é quase impossível. Ao menos que este alguém estivesse disposto a cometer um suicídio político diante de toda a opinião pública. As mensagens trazidas por esta gente -no facebook-, estes tipos de internautas, chefes, homens no poder, e na condição de angolanos, estão sempre longe de denunciar a verdadeira e cruel situação do país. O silêncio deles, mais do que falso otimismo, envia a mensagem enganadora e propagandista de que aquele país Angola, onde eles governam e habitam, não precisa do questionamento do que eles chamam de oposição e adversários políticos; não importa mais a que classe esses adversários políticos pertencem, que ideologia estes defendem e qual são suas preocupações políticas.



Mensagens como “Lavar as Mãos Salva Vidas!!!”, e outras por aí, extremamente corretas e eficientes na vida de qualquer cidadão independentemente de sua condição social, são positivas no a, b, c, d diário de nossas crianças, papel que a TPA e todos aqueles meios de divulgação pública sabem e podem fazer muito bem. E é claro o facebook também. Mas com relação a este último até onde o cinismo, o silêncio, a indiferença dos nossos internautas governantes proíbe a estes encarar a verdade miserável em que se encontram a maioria da população angolana. Mesmo quando se sabe que para o chefe-mor o culpado de tudo é o colonialismo português. A pergunta agora é: desde quando o MPLA fez um pacto com o ex-colonialismo português para evitar que o mesmo fosse, por exemplo, denunciado naquelas redes sociais, no facebook. É claro que ninguém acredita na existência de tal pacto e nem mesmo faria tal pergunta descabida. Então, qual o âmago das mensagens?


Talvez seja difícil descobrir, impossível digamos, mas é possível agarrar um dos membros ou tentáculos que compõem a nova empreitada e laboriosa missão de fazer da informação um meio de articular objetivos, ou então desarticular. Um desses membros é a predisposição do partido no poder tentar se igualar de maneira reacionária a tudo que ele mesmo vem combatendo, desde que nessa luta o poder para uns continue sendo vitalício.



Qual tentáculo o polvo precisa ceder? O MPLA nos últimos anos tenta se livrar de tudo o que defendia. O MPLA caiu na armadilha da (des)honestidade, na armadilha da (des)honradez. O MPLA tenta agora provar a todos que cada um de nós é culpado e ator de suas desgraças. Exemplo: Até a cólera, doença erradicada no Século XIX, é culpa de quem não lava as mãos. Pode não parecer essa a mensagem, do nosso político no facebook. Mas aquela mensagem oculta a verdadeira causa e desgraça dos milhares ou milhões de cidadãos porcos que não lavam as mãos antes de fazerem as suas refeições. Será que é só por isso que tem matado nossas crianças de diarreias?


Nelo de Carvalho
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