sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Exemplo de Como Terminou Kadafi Pode Servir Para Qualquer Viciado no Poder

Como terminou Kadafi? Já todos sabemos: humilhado e morto, como um cachorro perseguido pelo deserto, o deserto que bem ele conhecia, mas não pode proteger o fugitivo, que nos últimos anos não soube lidar nem com o seu povo e muito menos com os bandidos do Ocidente que vão atrás do petróleo como iam os homens do faroeste atrás do ouro.

Kadafi serve de alerta para muitos que estão aí, que se sentem seguros e vitalícios e não entendem que a hora deles pode chegar, mesmo quando não desejam. Kadafi é a prova de que não existe legitimidade sem contestação, não existe revolução popular exitosa que não possa terminar como uma contra-revolução que para continuar a sobreviver negue suas origens ou aquilo que lhe deu causa.



A Confusão que derrubou Kadafi, se assim quiserem chamar -e é mesmo uma Confusão- , mesmo sendo absurda, ganhou legitimidade o suficiente para transformar nosso beduíno do deserto num sujeito ignóbil, que será enterrado sem glorias e sem as lágrimas do seu Povo. Porque estes, diante da Confusão, não sabiam mais se valeria apena se sacrificarem por um “ditador” há 42 anos no poder, ou apostar numa verdadeira democracia. Mesmo com valores e sentimentos falsos e retrógrados como a nossa, onde só os bandidos dão-se bem, e no fim apresentam-se como os novos ricos aplaudidos pelo novo regime “democrático” e corrupto.


Não se esqueçam que o homem aqui mencionado foi um herói enquanto existiu, porque derrubou uma monarquia e soube enaltecer a dignidade dos povos africanos, mesmo que de maneira controversa e extravagante. Mas Kadafi esbarrou no oportunismo, na cegueira e na corrupção. Se pelo menos soubesse usar os bilhões de dólares do petróleo para transformar seu país numa potência militar, lá mesmo no mediterrâneo, região estratégica que permitisse barganhar respeito aos adversários, talvez teria condições de resistir os bombardeios da OTAN. Kadafi e o regime que dirigia nunca souberam se preparar para guerra. Ele e sua família, filhos, fizeram do regime um estandarte para promoverem e avivarem seus estilos de vidas de salvadores de um país que melhores índices sociais na região tinha. E quê?


Se a Líbia era assim, país africanos com melhor distribuição de renda, imagina o nosso país ( Angola) arrasado pela eterna miséria, protagonizado pelos atuais dirigentes que aí estão. Assim, a suposta democracia dinâmica e viva propalada no último discurso do chefe do executivo angolano jamais seria suficiente para agradar um povo miserável como nosso, cansado de um governante repetitivo nos seus discursos e atos. Um sujeito que talvez esteja caminhando em direção a uma sorte pior que a do próprio povo que ele dirige e vive enganando. Se não sabia José, seu discurso foi um fracasso, cheio de omissões e mentiras, cheio de “esperanças” que refletem a sua própria imagem: um retrato do passado, que se apresenta diante do Povo ou da Nação como um fantasma. Um fantasma que já não surpreende, nunca trás nenhuma novidade que não seja a sua própria existência inerte e inútil, diga-se. Até onde eu sei, você é um fracassado que sempre viveu das vitórias dos outros. E que agora pretende se “perpetuar” no silêncio e na ignorância de um povo. Mas até isso você não conseguirá!


Por isso estamos aqui para alertar, o MPLA pode merecer nosso voto por mais 30 (trinta) anos, mas Angola, como o partido no poder, não merecem os atuais dirigentes que têm. É preciso a reestruturação e a renovação de tudo que há aí. Não queremos guerra, sim. Mas chegou a hora destes dirigentes se demitirem, aposentarem-se e transferirem o poder para quem tem competência e dinamismo para continuar a governar. O próprio MPLA precisa de uma direção dinâmica, que saiba corresponder as exigências atuais da sociedade angolana: um país jovem que exige dos seus dirigentes a meritocracia e o empreendedorismo, e não mais os anos de guerra que tal ministro, general ou fulano enfrentou nas frentes de batalha.


Por isso, essa Confusão nas ruas, chamada, estupidamente e de forma ignorante, de Revolução pelo vandalismo que se identificam como lutadores de uma causa nobre, tem razão de existir e se justifica. Não adianta dizer que a Confusão deve ser combatida. Quem deve ser combatida é a corrupção, que não tem moral para combater os confusos manifestantes –verdade diga-se estão no seus direitos de reclamarem o que nunca tiveram: dignidade, emprego, saúde e boa educação; quem deve ser combatido é a corrupto que ainda está no poder, e que finge, com os seus discursos, que pode mobilizar ou sensibilizar as massas.


Acabou José, sua era de fingir e enganar, ou ao menos de mostrar que deveria ser um militante comunista a altura, está no fim. O único que você pode fazer e merece fazer é se retirar de maneira organizada como exige a honra e a dignidade. Os comunistas ( se alguma vez você foi ou tentou ao menos imitar Agostinho Neto) também são derrotados ou podem sofrer derrotas, mas a diferença deles com o resto dos abutres que aí estão rondando a coisa pública estes não matam a sua postura de homens diante dos dólares que você aprendeu a cheirar, e agora a valorizar diante do Kwanza.

Se toca ( balumuka!), José! Que a existência de um Homem não se define simplesmente pelo poder que este tem. E Angola em particular não nasceu contigo e nem vai morrer contigo. E vê se antes de chegares ao fim aprenda a ser igual a todo mundo, pelo menos uma vez na vida. A vida é bonita e linda quando nos demos por conta que somos mais simples do que imaginamos. É na nossa simplicidade onde reside a autêntica beleza de nossa existência.

Nelo de Carvalho
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