terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Queixa Que Não Se Deve Ignorar

O Partido Popular de David Mendes saiu a frente, de forma espetacular e com corajosa iniciativa, que, pessoalmente, eu gostei. Agora é só esperar pelos “incansáveis” defensores do Camarada Presidente JES, aqueles dirão, como sempre, que não existem provas, como se as provas caíssem do céu.



Em Angola precisamos cultuar o hábito de ir atrás das provas, quase sempre existentes, mas não encontradas, como conseqüência dos atos de coerção de um Estado que existe para defender corruptos e pessoas privilegiadas. Ou, ainda, como iniciativa de grupos paramilitares que se fazem passar de agentes secretos a serviços do Estado. Aqueles ou estes têm sempre a missão de apagar os rastros das atividades corruptas, que por excesso de confiança e subestimação, ao povo, são bem transparentes e visíveis, já que nossos corruptos, diante de tanta impunidade, nem se dão o trabalho de ofuscar tais rastros, são sempre seus leões de chácaras que têm a missão ignóbil de apagarem todas as pegadas. Tais atos criminosos não constituem missão simplesmente dos Pits Bulls sarnentos, também, é coisa de quem foi incumbindo para ser um verdadeiro guardião da lei. Se fosse assim, ele não estaria tanto tempo naquele lugar: o inadequado e inservível Procurador Geral da República; que nunca viu ou vê crimes nenhum. Este Procurador é o “melhor do mundo” num país de gente corrupta, onde o maior corrupto é o próprio Presidente da República.


A queixa tão esperada ao longo destes trinta e cinco anos já foi feita. Agora, a pergunta é: em que circunstâncias um cachorro domesticado pelo próprio dono poderá se revoltar contra o mesmo. O PGR, tão corrupto, quanto quem o pôs lá até que ponto será tão mal agradecido com o seu chefe, que tudo pode, tem e dá aos corruptos, que fazem parte do mesmo círculo, da mesma seita de corruptos.


O importante é que alguém teve a coragem de executar tal iniciativa. Inédita em todos os aspectos, um banho que qualquer corrupto, as véspera de um discurso, preparado com pompa bajuladora, não gostaria de receber. Vamos ver, agora, se “sua excelência”, no seu maior cinismo, como sempre se identificou diante da nação, vai ignorar tal denúncia. Ainda vai a tempo de mudar o discurso, já escrito há meses, ou, quem sabe, se preciso improvisar ( se conseguir), para responder as denuncias e a queixa de direito que todo angolano, mesmo sendo do MPLA gostaria de fazer. Não adianta vir nos dizer, “que é a CIA que está atrás disso”, “que são grupos estrangeiros, querendo desestabilizar a nação de Agostinho Neto”, comprando e vendendo sicrano, fulano e quem sabe mais quem. E mesmo que fossem, desde quando a moralidade no MPLA foi retificada ou ao menos ratificada, se retroagirmos nos tempos em que o regime era mesmo o regime do Poder Popular comandado por Agostino Neto.


O MPLA agora tem a palavra, ou melhor, o seu chefe intocável e inquestionável. Vamos ser honestos e civilizados, e então separar aqueles deste. Só não queremos gestos evasivos; o cinismo e a mentira que caracteriza aos delinqüentes; não queremos a covardia que caracterizam os vândalos no poder. Queremos respostas e declarações eficientes, convincentes. Nada de lamentações de heróis ao serviço da nação, agora, injustiçados e mal compreendidos.


Mal compreendidos somos nós os milhões de angolanos, que não entendemos: como um corrupto no poder, até hoje, continua a ser defendido pelos seus cães de guardas, muitos deles tão miseráveis como a população vítima da corrupção.


Não podemos ignorar as denúncias de David Mendes, elas são parte de um gesto que só a democracia nos oferece, apesar dos pesares. Elas são o produto do exercício de cidadania a que todos têm direito. Coibir isso, só pode vir de quem tem interesse eterno de perpetuar o Estado e o governo corrupto que aí está zombando das leis e das instituições.

Falando de instituições já chegou a hora de se eleger um PGR através do legislativo ou que minimamente deveria ser sabatinado por esse órgão do poder, em vez de ser a mão direita do corrupto Presidente da República.


Se a denúncia (queixa) for lida pelo menos pelo mão-direita do nosso corrupto, já seria uma vitória para todos aqueles que sonham com a justiça nesse país. Seria um progresso, um êxito a ser festejado e brindado, não com o vinho podre e o whisky aguado, vindo do Porto ou aqui das terras tupiniquim, respectivamente. Brindaríamos, sim, a bom gosto com o nosso maruvo, aquela bebida que tanto Antônio Jacinto gostava e os ex-contratados destas terras, hoje enganados pelos corruptos que estão aí em cima, amam e adoram.


David Mendes tem razão. E não pode ser democrática, jamais, uma sociedade que não valoriza as denúncias contra os seus corruptos, contra os seus políticos, mesmo quando estes se revestem, falsamente ou não, na pele de pessoas ou seres decentes. A denúncia contra o presidente da república deve ser considerada, sim, porque ela é rica em detalhes. Não se pode ignorar o que não foi investigado e pesquisado de maneira exaustiva, coerente e sisuda a favor da coisa pública. Estamos aqui dizendo coisa pública, ou seja, os milhões de dólares, vindo dos cofres públicos e indo para contas privadas. E não opinião pública, são coisas diferentes. Esta deve ser esclarecida conscientemente sem a omissão de se investigar e se revelar aquelas. Fatos que existem ou podem existir, mas para sabermos de sua existência, alguém de direito tem que investigar, ou seja, ir atrás de tudo, principalmente, das provas. O que não se pode é alegar, como nos habituou o jornalzinho de Angola, inexistência de provas, quando na verdade nem se quer alguém provou tal inexistência. O pior ainda é coibir a prática de tal coisa. Qual coisa? Ir atrás de das provas, sem que seus investigadores ou quem de interesse sejam ameaçados pelos corruptos, ou pelas instituições literalmente vagabundas que dão proteção aos “seus donos”.

A queixa saiu. Agora, têm a palavra os corruptos! Ou, então, a matilha de farejadores de conspiração contra o Camarada Presidente.


Nelo de Carvalho
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