terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rafael Marques versus José Ribeiro e a Necessidade de Construirmos um Estado de Direito


Lendo um dos últimos artigos, vindo do Jornal de Angola, José Ribeiro, o Jornalista e Diretor daquele jornal, descreve com audácia, coragem e valentia um esquema de corrupção- O Negócio da Chuva- montado pela oposição angolana, e daqueles que combatem o governo “ em nome da democracia” na luta para tirar dividendos, quanto mais melhor, e por uma possível tomada do poder.


José Ribeiro talvez seja um dos primeiros a provar, sem querer, o veneno de um organismo de que ele também faz parte, a corrupção proliferada na sociedade Angolana, omitida, estimulada e desencadeada pelo próprio Estado. E que se tornou crime antipatriótico e antiMPLA, quando o mesmo é denunciado, agora pela oposição, em qualquer jornal ou meio de comunicação do país.


Não é menos criminoso, o que o Jornal de Angola protagoniza, omitindo e silenciando-se sobre a corrupção no Governo e no Estado Angolano, do que os atos partidários ou antipartidários do Rafael Marques, quando este denuncia a corrupção do funcionalismo público angolano ao mais alto nível; ocultando este último a podridão da oposição.

A imparcialidade na hora de se combater a corrupção é um chamado a pátria de que para isso precisamos construir um verdadeiro Estado Democrático de Direito ( neutro para todos os cidadãos e baseado nas leis). Em que críticas contra o governo ou contra quem está a frente do mesmo não se transforme em um crime pela Pátria, ou ainda, o que é pior, Um Crime Contra o MPLA e o Presidente da República .


Estamos cansados de sermos rotulados, chantageados, ameaçados, subornados e até mesmo “corrompidos” quando nos insurgimos contra a corrupção generalizada e encabeçada pelo governo de José Eduardo dos Santos. Este quase um Deus, que não pode imaginar que seus súditos o critiquem, ou ainda, que entre os súditos, no maior dos gestos de subordinação canina e bajulação, nunca demonstram a rejeição contra aquele personagem todo poderoso e divino.


Ou seja, um artigo, igualmente bonito, escrito por alguém tão “corajoso e valente” - defensor da Pátria (da Mãe Angola), do MPLA, das antigas tradições que enalteceram milhões de angolanos e facilitaram assim que o MPLA, com Agostinho Neto, chegasse ao poder- poderia ser muito bem escrito, mas com uma cara diferente daquela, moralizando toda a sociedade no combate a corrupção, demonstrando e denunciado as origens verdadeiras do tráfico de influência, dos desvios dos milhões de dólares roubados no BNA, do enriquecimento ilícito dos nossos governantes e dos seus familiares com títulos de monarcas, príncipes e princesas, num país onde a fome, a cólera e a guerra no passado só não matou estes, porque muitos deles viviam longe desse lugar que muitos chamam de pátria ou nação. Mas que para está minoria não passa de uma mina onde simplesmente se pode garimpar o que desejam.


Em política, quem não dá exemplo não pode reclamar por eles e nem esperar honra, honestidade e dignidade dos adversários políticos. Rafael Marques e a turma que o enaltece como um herói podem não valer muita coisa no contexto angolano, ou quase nada, como dizia um amigo, “é mais um oportunista entre os angolanos”, querendo aparecer, tirar proveito e se dar bem ou que talvez tenha sido contratado pela CIA e pelos americanos. A verdade é que a moral e os objetivos que envolvem Rafael Marques não é tão diferente daqueles que hoje estão no poder em Angola, usando o nome do MPLA como o bom partido que tem legitimidade para governar o país, talvez por mais trinta anos.


Falando em legitimidade do partido no poder é um fenômeno que se criou ao longo da história dos trinta e cinco anos de independência por todas as circunstâncias que favoreceram o MPLA. Objetivamente e materialmente sabe-se da impossibilidade, a curto prazo, do derrubamento desta legitimidade –a não ser, “ a não ser” pela corrupção. Ou seja, quem está no poder hoje está transformando o MPLA num partido ilegítimo para continuar a governar por mais trinta anos. E por que essa irresponsabilidade? Será por incompetência, acomodação, oportunismo? De fazer acreditar a nação que ele ou eles são o fim da história desse país, que depois desse regime ou mandato que aí está não haverá mais nada melhor ou diferente?


Voltemos a estes dois “titãs”, que agora se revelaram “verdadeiros” combatentes contra a corrupção, Rafael Marques e José Ribeiro. A pergunta é agora: quem contratou José Ribeiro? Está no Jornal de Angola em nome de quem, como funcionam as leis em Angola, que permitem que um funcionário público de tal nível, com a responsabilidade que tem, permitisse que o mesmo ocupasse aquele cargo? Não chegou à hora de transformarmos aquele Jornal e outros meios de comunicação numa autarquia que funcionasse de forma independente e autônoma do executivo, do legislativo e do poder judiciário? Democracia é para isso, e não um sonho em que fingimos que somos democráticos. Se o MPLA aceitou as regras da democracia tem que fazer valê-las para todo mundo: amigos, inimigos, reacionários, revolucionários, comunistas ou até mesmo os fascistas tribais dos sobrinhos e herdeiros de Jonas Savimbi ( os kuachas).

É dureza, mas é assim, infelizmente!

Nelo de Carvalho
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Um comentário:

tony disse...

Eu só acho q um jornalista deveria ser mais aberto e transparentes nos assuntos q trata... Não falar de uns e fugir dos outros, sendo eu gostaria q o sr jose ribeiro aparece-se a terreiro a falar de assuntos mais problemático do país.

Pq nao falar tb da currupção q cerca os membros do Mpla, a corrupçao q o Mpla produz