quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os Acordos de Bicesse Visto de Baixo Pelo Cidadão Comum

Qualquer especialista em segurança por mais burro que seja sabe perfeitamente que a melhor forma de dar segurança a cidadãos na quadra de um bairro, numa cidade, num estado ou a nação inteira é garantir o desarmamento de toda a população. E que o Estado assim como todas as instituições que compõem o mesmo tenham soberania no território nacional. Desde que aquelas instituições sejam únicas em cada uma de suas espécies. Ou seja, como exemplo, é inadmissível a existência de dois exércitos, de dois sistemas jurídicos, dois presidentes, e por aí vai. Mesmo quando estes cidadãos, por algum motivo, atravessam um momento de instabilidade espiritual, em que a política constitui a maior causa de perturbação. Estado nenhum garante segurança a cidadãos expostos a dois exércitos no mesmo espaço territorial e agindo de maneira soberana.



José Eduardo Dos Santos, “clarividente”, comandante em chefe de um exército, sempre longe da linha de fogo e com mais tempo e condições para pensar e chegar a conclusões deveria saber disso. Erros fatais de estratégia política e militar foram cometidos com os acordos de Bicesse, como conseqüência de outro erro militar que não me cabe a mim entrar em detalhes, já que minha ignorância nesta área não me permite. Mas é preciso reconhecer que a batalha de Kwito Kuanavale teve como fim um vácuo. A pergunta é, por que é que mesmo depois desta batalha a UNITA tinha mais de 95 por cento dos seus efetivos militares intatos? A Batalha do Kwito Kuanavale foi uma batalha entre o exército cubano, assessorado no terreno pelas FAPLAs, contra o exército Sul-Africano derrotado. Já que por uma questão de princípios sempre se disse, e assim foi cumprido, Cuba não tinha porque meter-se no conflito entre angolanos. Ou seja, a perseguição aos kwachas não era e nunca foi missão das tropas cubanas, estes só tinham a missão de se defender daquela tropa em caso de serem molestados no território nacional. Mas depois daquela batalha no sul do país as FAPLAs estavam bem preparadas e dispostas para darem uma surra no exército tribal de Jonas Savimbi. A pergunta que todo angolano pé-de-chinela deve se fazer, adorador do personagem supramencionado no início do parágrafo, é: por que se evitou a suposta ação esperada no campo de batalha? Por que a Jamba continuou sendo o Quartel Geral das FALAs com direito a emissora e todo tipo de propaganda terrorista?


Dizem que pau que bate em Chico bate em Francisco! Vamos em frente.

A UNITA sempre foi uma organização terrorista que não precisava do reconhecimento do governo americano, vitimado pela caída das Torres Gêmeas, para que a mesma assim fosse reconhecida. Lá na Jamba já se cometiam graves atrocidades, mais do que suficientes que justificasse a intervenção do exército nacional, as FAPLAs.

Os acordos de Bicesse, para ambos os lados, foram um fracasso provocado pelo desespero e a incompetência dos políticos. De um lado dos acordos tínhamos um líder político furioso, desesperado e ansioso em chegar ao poder e confiante em não ser obstaculizado por quem quer que seja.


Com os acordo de Bicesse, Savimbi passou a ser o terrorista mais aplaudido em uma determinada região, coisa que o mundo não via há muito tempo. A princípio, politicamente, estes acordos foram vistos como uma vitória para a UNITA e que quis tirar o máximo proveito. O facínora e a sua tropa perderam o equilíbrio e bom senso –ficaram alucinados com os novos tempos e chances-, acharam mesmo que até teriam condições de chegar ao poder por via das armas. Instrumentos que sustentava um exército que não devia existir: as FALAs. Para que aquele acordo tivesse êxito este exército deveria ser aniquilado na batalha do Kuito Kuanavale ou mesmo no fim imediato desta batalha.

O malandro, o mentiroso, o mulherengo e pai de trinta e três filhos tinha como ideologia manifestada na arrogância e na derrota ao MPLA em todas as frentes. No voto, tinha que ganhar. Baseado nos princípios democrático forjados na Jamba, só a UNITA era merecedora da vitória, qualquer outro partido era símbolo de fraude. No campo militar começaram a arrebentar os paióis, onde deveriam estar todas as armas de todas as partes. As duas maneiras de se manifestar eram de que acordo nenhum deveria dar certo. Bicesse, aquele lugar, poderia não ser o lugar do inferno, mas o diabo estava lá para não cumprir com nenhum dos acordos. Se um dia ele pudesse dizer que jamais esteve em Bicesse diria. Não faltou pouco! O homem alucinado com a vitória que não merecia e não mereceu era capaz de tudo. E é claro agora seus herdeiros e seguidores sabem como se eximir das culpas.


Os acordos de Bicesse não deram certos, porque a UNITA e o seu líder maníaco, sonâmbulo e que enquanto vivia padecia de insônia, já que este nunca deixou de pensar no poder que tanto ambicionava, confundiu chances política com vitória. Samakuva devia reconhecer e dizer isso. Ou melhor, Samakuva reconhece, mas como um bom mentiroso, que aprendeu com o difundo, vem agora dizer que a culpa é de todos.

Tenha vergonha na cara Samakuva, desse jeito jamais vencerás o JES.


Nelo de Carvalho
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