sexta-feira, 22 de junho de 2012

O FIM do MPLA

A suposta repulsão ou consternação da “família” MPLA contra deserção dos filhos e “sobrinhos” do escritor e Diplomata Agostinho Mendes de Carvalho ( Uanhenga Xitu) provou que fazer política em Angola, como já se sabia, é mais do que fazer religião. Fazer política em Angola é definir-se entre estar ao lado do bem e do mal.

Certas coisas (comportamentos e estilos), no MPLA, representam uma vitória sobre tudo aquilo que fizeram seus militantes, o Povo angolano, e quem sabe, muitos de nós cidadãos comuns, pelo próprio país. Assim, como muitas das coisas, no MPLA, representam um fracasso retundo do que pretendem fazer hoje e amanhã: administrarem o país como gente civilizadas.



As vitórias do MPLA podem ser vistas: como a conquista da independência de Angola; a guerra contra o regime racista sul-africano. Derrotado esse regime dentro e fora dos seus territórios, o MPLA pode ser tido como um dos seus carrascos; que, vitoriosamente, no final da guerra, ergueu a bandeira e declarou a vitória contra o seu maior e pior inimigo. Finalmente, a vitória sobre ambição savimbista e kuacha, esses, sem vergonhas, e humilhados em cada momento dos últimos quarenta anos, tempo que se confunde com a existência dessa quadrilha de bandidos.

Os fracassos desse partido são: reconhecer que seu presidente e a turma que rodeia o mesmo são elementos de uma quadrilha de corruptos gerindo um país. E que ninguém precisa ter medo nem vergonha dessa gente. Talvez, esses são os sentimentos que se apoderaram das mentes dos “ Mendes de Carvalhos” filhos.



O MPLA teve uma missão que se pode considerar exitosa e triunfante ao “saber fazer a guerra” com ajuda de um povo que nunca soube o que é melhoria de vida mesmo em plena época moderna e contemporânea. Mas Estado nenhum vive só da Guerra, já que o partido dos camaradas sempre fez questão de se confundir com essa instituição.

Os sobrinhos e filhos do nosso escritor talvez tenham percebido isso sem querer. Que a função de um Estado é essencialmente de administrar, melhorar a vida das pessoas e, finalmente, prestar contas à sociedade. Que o Estado está para servir à sociedade e não para ser servido por essa. E quando esse tipo de coisa falha ou não são cumpridas, não existe negociação possível, a punição deve ser certa. E aqui o bem é o direto da sociedade ou do povo fazer valer o que tem de direito e obrigação: a exigência de que o Estado existe para prestar serviços de qualidade.

Convenhamos que numa sociedade moderna, contemporânea e democrática, o soberano é o povo e é a vontade desse que deve ser respeitada, indiscutivelmente sem nenhum tipo de reclamação. A posição dos rebentos do Tio Mendes ou o avô Mendes de Carvalho, talvez, e com certeza – eu digo- reflita o desejo de milhões de angolanos de querem uma mudança drástica e radical na direção do pais ou de como esse é governado.



Eu digo mais, a comoção e o suposto constrangimento dentro do MPLA, provocado por aquelas deserções, refletem, nada mais e nada menos, uma falsidade ideológica, de quem assim, fingidamente, demonstra ou indica emoções forte diante de tal fato. Porque as deserções nesse partido só não acontecem mais, precisamente, por falta de grandes opções. Ou, ainda, vivemos num pais em crise de legitimidade. A crise de legitimidade gerada por quem está há mais de trinta anos no poder e que nunca se mostrou ou se revelou um bom gestor da coisa público. E o maior de seu êxito, do sujeito que está no poder, e da herança que o mesmo recebeu, foi de posicionar o cidadão angolano entre cidadãos do bem e do mal, quando se trata de se definirem politicamente. O MPLA, “exitosamente”, transformou seus adversários políticos em verdadeiros inimigos da pátria, odiados pelos vizinhos, pelos irmãos, o cunhando –talvez até- pelo próprio pai ou pelo filho.



Se aceitarmos os fatos de que os tempos mudaram e com ele as coisas e os procedimentos vão mudando. Ou seja, já não há porque acreditar que não existem partidos em cima de vários bens materiais e objetivos; como por exemplo, o bem estar da população, livre arbítrio de se definir em que lado da política devemos optar. Mesmo porque hoje ficou muito difícil distinguir em que lado da política estão os bandidos. Então, o MPLA está no fim! O que ficou entre nós é só um símbolo a ser preservado, que a qualquer momento pode ser esquecido debaixo do colchão onde um outro, no nosso peito, poderá ser substituído.

À proposito eu vi a lista dos candidatos a Deputado para Assembleia Legislativa publicada em diferentes sítios eletrônicos e não acreditei em ninguém deles, muito menos confiar. Existe algum problema por isso? Eu acho que não. Será que alguém estará consternado por isso?

Nelo de Carvalho
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