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sábado, 10 de setembro de 2011

A Supremacia dos Direitos

Pode parecer coisa de idiotas prestar-se a orbitar idéias e opiniões que vêm do Jornal de Angola. Vamos tentar aqui deixar de lado todo tipo de vaidades e orgulho, mesmo porque aquele meio é um canal público de informação. Assim, se tem direito a jogar em nossas cabeças o que seus profissionais acreditam que podem fazer, porque estão atrelados a uma certa legitimidade, nada impede uma resposta contra o mesmo órgão vinda de qualquer lugar. Afinal, é de qualquer lugar dos confins deste país (infelizmente, às vezes tenho que supor que estou mesmo em Angola, só falta alguém por aí soltar o meu direito ao voto como cidadão angolano por estar na diáspora) que vem a unidade mínima possível de legitimidade, mas somada como grão a grão de areia para se encher o camião. O camião da corrupção em Angola: o próprio Estado!




Qual mensagem nos trás o artigo “Ser Rico Também é Um Direito”? A simples defesa do corrupto que se enriqueceu e que tem necessidade de continuar no poder? Ou de que em Angola qualquer ascensão sócio-econômica não exige declaração legal e satisfação diante do poder público, o que os especialistas chamam de Prestação de Contas ou até mesmo Tomadas de Contas? E que tudo isso deve ser encarado pela sociedade de forma omissa, ou mesmo que ser rico e não prestar contas pode já ser aceito e assimilado como um fenômeno cultural corroborado pelo discurso cínico e irresponsável do Camarada Presidente “ que ninguém em Angola, mesmo sendo funcionário público, não tem obrigação de viver só do salário”.


No mundo inteiro, hoje, o direito a ser rico só não é ainda defendido na Coréia do Norte. Em países como a China, onde o direito a se ser rico é uma política de Estado, ou seja, incentivado por políticas públicas, paralelamente, existe até a pena de morte para quem se enriquece ilicitamente. Na Europa e nos Estados Unidos, enriquecer-se ilicitamente, além do ressarcimento daquilo que foi adquirido ilegalmente por qualquer via e método, pode dar até 20 anos de cadeia e perdida do cargo público.


Em Angola, o Jornal de Angola ( Empresa Pública) promove o tráfico de influência, oculta e esconde que existe a corrupção. Qualquer pessoa formada em Comunicação Social, jornalistas e áreas afins, sabe a importância da imprensa ( jornal, televisão e rádio) no combate à corrupção. Este setor, chamado por muitos como o Quarto Poder é verdadeiramente uma arma contra a corrupção e os corruptos. Em países civilizados ( entre eles os europeus), onde muitos dos “nossos ricos” dão-se o luxo de irem gastarem o que aqui roubaram e desviaram, o Primeiro Poder tem por obrigação acatar ( fazendo o uso do poder de coerção do Estado) todas as irregularidades a ele chegadas através do Terceiro e o Segundo. Este com a ajuda de todos, até da imprensa, controla; e aquele ( o Judiciário) investiga e vai atrás do que é concebido com malevolência.



O direito de também se ser rico deveria passar pelo crivo e aprovação de todos aqueles poder. O Jornal de Angola, comprovadamente uma instituição de dar proteção aos corruptos, não tem legitimidade para enaltecer, em Angola, quem quer que seja, quem se enriqueceu e alegar um direito de enriquecimento quando todos os modos, maneiras e leis são violados, ou nem existem, para que os ricos, protegidos pelo mesmo Jornal, possam andar sossegados e terem uma vida em paz diante de qualquer sociedade em que tentarem se locomoverem. E se for entre os angolanos, eles sim merecem todo tipo de rotulação. Afinal, é o direito que o pobre angolano, que luta de maneira honesta para se chegar aquele nível, cumprindo as regras do enriquecimento, tem para fazer valer a transparência diante de todos como conseqüência das dificuldades que a sociedade em que vivemos oferece a todos nós. E o direito a esta luta é uma atitude suprema.



É contra esta atitude que a classe de ricos que temos no país se predispuseram a lutar para proteger tudo o que acreditam terem de direto. Incluso governar, administrar e “liderar” o país sem contestação. Não faltam atos do Executivo Angolano de maneira feroz e covarde que atentem contra o emprendedorismo daqueles que não concordam com os seus métodos políticos. Quando este mesmo Jornal de Angola tem habilidades de descobrir dons, atos de genialidades e de bondades ridículas e irrisórias, no meio familiar daquele que define e determina o emprego dos funcionários deste Jornal. Por certo, uma maneira ilegal de se manipular e usar a coisa pública. E com todas as suspeitas, um meio de se enriquecer sem ser molestado por ninguém. Ou, ainda, ser elogiado pelo dono da “verdade”, que neste caso só pode ser o próprio Jornal de Angola. A quem este Jornal agora pretende convencer e a quem pretende dar proteção?



Vamos terminar este artigo sem muitas pretensões, mas atrás de uma boa intenção, que é o de fazer recordar o papel verdadeiro do nosso Jornal. Mas para isso tentar lembrar muitas das opiniões daquela edição diária sobre os objetivos da nação angolana. Entre eles está a construção de uma democracia onde todos possam se sentir refletidos e protegidos. Se o Jornal de Angola pretende ajudar naqueles objetivos não precisa nem ser imparcial, porque sabemos que isso não existe, ao menos politicamente, mas precisa, com urgência, afastar-se da mão individualista do Presidente da República, de sua família, tão bajulada pelo mesmo Jornal e, por fim, de alguns generais, igualmente, corruptos. Que é, sem papas na língua, o que verdadeiramente a proteção do Jornal de Angola esteve dirigida.


Quem merece os serviços daquele Jornal, que eu saiba, ainda, é o Povo Angolano.


Nelo de Carvalho
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2 comentários:

Renato Gomes Pereira disse...

tenho que não discordar ...parabéns pelo teu artigo N.C.

Sérgio Paiva disse...

Por trazer Angola tão dentro de meu peito gostaria eu de não concordar com você em nada e dizer até que tu sonhas acordado, mas a verdade é que estais certo, e isto nos deixa mais tristes. Engodo e o mais puro engodo.

Parabéns por seu trabalho!