domingo, 29 de abril de 2012

Mais Violência e Menos Democracia



A violência Estatal protagonizada pelos órgãos policiais e encabeçado por um tal de Sebastião Martins (Ministro do Estado para ordem interna) passou a ser o único produto grátis a ser oferecido aos jovens, regalias de um Estado Democrático de Direito, que só a mente de mafiosos e psicopatas no poder entendem ser assim.


Sebastião Martins, além de querer agradar quem, está a serviços de quem? Do MPLA é que não está, e serviços a este partido não faz. Ele é o di capo mafioso a serviço de uma quadrilha de políticos bandidos em que o chefe é nada mais e nada menos o próprio José Eduardo dos Santos.



Poucas são as ações do Estado angolano que recai direto sobre o cidadão. As ações deste órgão, encabeçado por Martins, são o que mais contato direto têm com toda a sociedade. Em tempos de contestação, se vivemos ou não numa democracia, se o MPLA é ainda o representante legítimo de todos os nossos anseios, e se o homem no poder em frente da nação é probo ou não para continuar a frente dos destinos da mesma, a Polícia Nacional tornou-se uma instituição Estatal duvidosa, que está mais para leão de chácara que deverá guardar essa propriedade. Não chega a ser retórica de mau gosto à afirmação vinda de diferentes grupos que fazem da contestação, mais do que legítima, um barulho desagradável nos ouvidos dos nossos opressores em nome da democracia e do direito de todos, de que Angola é esta Quinta, Fazenda ou a propriedade que deverá ser cuidada para manter os interesses dos grupos a que o dito Ministro pertence e responde.

Usar a polícia nacional para reprimir manifestantes pacíficos é a prova de que as coisas estão saindo fora de todo controle. O controle que os corruptos acreditavam que deveriam e poderiam ter sobre a sociedade civil. Os fatos provam a importância dessa última no controle que a sociedade deve ter sobre os Atos da Administração Pública, ou se quiserem do próprio Estado. E que esse, mesmo quando suas ações pautam-se em atitudes ilegais e imorais, transformando-se num Estado corrupto como o nosso ( o Estado Angolano), nem sempre dará as cartas ou estará com a bola toda.


Assim, é preciso ir adiante. As manifestações são um direito do cidadão e de toda a sociedade. Manifestações são resultados e sintomas de que as coisas não andam bem, mesmo quando existe uma suposta legitimidade de quem dirige ou tem a maioria em todos os poderes constituídos. Manifestações são provas de que não existe consenso e transparência na elaboração de uma agenda social e política que possam solucionar os problemas de todos ou mesmo de uma minoria isolada e discriminada. Diante disso, fazer o uso da força bruta para solucionar esta falta de consenso e transparência é coisa de gente bandida, que se apoderou da máquina do Estado para benefício próprio.

A violência oferecida pela Polícia Nacional não é inspirada no desejo de se manter uma ordem social fora de equilíbrio; ainda que esse equilíbrio seja parcialmente no tempo e no espaço. É, também, a manifestação interna de um Estado descontrolado, atrapalhado, inexperiente, partidarizado e conduzido pelo ódio, em suas ações para lidar com cidadãos pacatos, mesmo estes sendo revoltosos e malcriados; é preciso ver que muitos deles (os manifestantes) agem de maneira pacífica; barulhentos, mas em atitudes pacificas, coisa reconhecida por políticos e defensores do regime corrupto que dirige José Eduardo dos Santos.


O ódio, é bom que se diga, não é mais contra o passado terrorista dos homens do Galo Negro vulgarmente chamados de Kwachas. Mas sim – e que sirva de alerta- vem da crítica que destrona as atitudes do Estado e do Governo angolano e de todos os seus membros, reconhecidamente como corruptos, vândalos diante da coisa pública, diante daquilo que é de todos. O MPLA, depois da morte de Jonas Savimbi, convenceu-se que poderia governar sozinho, até mesmo passando em cima de todas as regras, exemplo disso, foi aprovação de uma Constituição sem consenso com todos agentes políticos que fazem parte da Sociedade Civil. A verdade, podemos dizer sem medo de errar, é que o MPLA sempre desprezou a Sociedade Civil, fez dessa um tapete de banheiro, para não dizer o pior; fez desta algo inexistente, ou ainda: “o seu papel higiênico”.


E essa atitude foi um erro cometido sem se escutar opiniões dentro e fora do Partido para se proteger os corruptos no poder, que são os que na verdade dirigem esse partido e a nação mwangolé. Erro que hoje se traduz, agora, nesse tipo de repressão fora do habitual: mais violência e menos democracia. Que consideramos crimes a serem responsabilizados pelos seus autores.


Nelo de Carvalho
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