segunda-feira, 24 de maio de 2010

UNITA Re-fundação ou Auto-extinção

Qualquer um dos procedimentos seria o maior fato da política angolana desde a morte de Jonas Savimbi. Uma medida certa que livraria a política angolana do anacronismo moribundo e incerto dos tempos da guerra fria, aqui estamos considerando o tempo “adoecendo” e não querendo enterrar certos fatos que os humanos já não suportam mais. Pode parecer um paradoxo, mas se tivéssemos que dar utilidade aos escombros do Muro de Berlin era de que os mesmos servissem como campa para cobrir o túmulo de certos fantasmas usado naqueles tempos: da guerra fria. A UNITA é um desses fantasmas, americano, da CIA, do regime do apartheid e do fascismo colonial português arrogante e prepotente; é o lixo de uma época que não pode ser reciclado e que agora, felizmente, poderá estar condenado definitivamente a lixeira da história. Viva o Tempo!

Mais do que conclusão sábia de algum cérebro privilegiado foi sempre, entre todos nós, uma conclusão obvia. Tida por muitos como uma simples pretensão mplista, ou a manifestação de ódio que aquela turma de terroristas chamada de movimento e posteriormente de partido merecia. A re-fundação da UNITA, publicada agora na imprensa privada, com direito a analise acadêmica, vem sendo invocada desde antes mesmo da morte do seu fundador, o homem que tornou a mesma organização, numa organização diabólica e insuportável para todos angolanos.

Descobrir que a UNITA é o tumor maligno de uma sociedade que precisa democratizar-se, apagar as seqüelas da guerra e combater a corrupção, pode ser descoberta no resultado eleitoral passado. Só não vê quem não quer, ou quem faz do ódio contra os homens que agora estão no poder a maior motivação política para se combater tudo que existe por aí, atualmente, de errado. E esse pode ser o maior erro da oposição angolana: a manifestação do ódio político contra os corruptos e os homens que estão no poder justifica tudo. Coisa que não pode e nem deveria ser. Já que é nesse ódio manifestado que os atos de vitórias desses ( partido no poder) se alimentam. Afinal, a UNITA, e os seus defensores, não têm moral suficiente para desbancar quem quer que seja que hoje estivesse no poder. Uma seita de terroristas tribais não poderá jamais substituir a nenhum outro grupo humano, ainda que viva só de boas intenções, como é caso do partido no poder.

Concluindo, a UNITA só atrapalha a oposição que aí está, ou quem verdadeiramente se revelasse como líder da mesma.

Parece irônico. Mas não é. A UNITA passou a ser de uns tempos para cá, a trincheira que o MPLA agora necessita para institucionalizar tudo o que existe aí de errado: uma Constituição individualista a favor do “Camarada Presidente”, o chefe clarividente em tudo. Um sujeito tido como ineficiente e até incompetente que em situações normais, no mundo da política, a política verdadeira, e não essa do faz de conta, não teria, nunca, vez para sobreviver como líder. Uma, ou a, corrupção institucionalizada e até admitida, aceita como um mal menor, que se poderá conviver com a mesma, enquanto aquele movimento de terroristas existir e sendo apadrinhado pelo ocidente de mentalidade colonial com o intuito de dividir os povos para se melhor reinar. Um Estado personalista, individualistas, familiar, nepotista que quando tenta sair fora desses vícios transforma-se num caos ( um verdadeiro inferno para o cidadão que não perdeu a esperança). Transforma-se num instrumento velho e impotente, caduco e arcaico, a ser vencido pelo mínimo do senso comum que existe na vida de cada um de nós.

Tenho certeza que se a UNITA não existisse esse Estado e Governo que temos aí não existiriam, jamais! Enquanto isso “gloria eterna aos nossos atuais governantes”. É para rir ou chorar! Ou então, como dizem os brasileiros, “é tristeza que não acaba mais”.


Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
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