sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O General Ndunda

Este artigo é o produto de uma inspiração vindo do personagem acima mencionado. Aproveito o mesmo para refletir mais uma vez sobre a incansável luta travada por milhares ou até milhões de angolanos que sonham um dia em alcançar o poder.

O Poder aqui referido não é necessariamente o quase impossível topo da pirâmide almejado por qualquer mortal. O direito de sonhar é uma “grande mania” que não se lhe pode privar a nenhum dos seres humanos. Aquele, o Poder, reivindicado “por todos”, mas que só uns, pelos vários destinos que a vida nos reserva, podem alcançar. Uma infinitesimal e irrisória quantidade de pessoas em uma geração chegam lá, quando um verdadeiro regime democrático livre das tragédias sociais permite.


O poder aqui também é aquele que pode estar nos primeiros níveis da base da pirâmide, e a nossa condição de humanos e pessoas comum e normais, segundo as nossas qualidades, nos permite alcançar. E assim ajudarmos com a mesma força e intensidade à construir um país onde cada vez mais pessoas possam se sentir felizes e melhor recompensados. O poder aqui referido é o poder do gestor, do técnico na fábrica, do engenheiro, do chefe de turma na aula, do coordenador de um grupo no sindicato ou dentro de um partido ou até mesmo as diferentes posições ou cargos que existem no setor público.

O Poder aqui é também o poder do professor, o mestre, que tem a capacidade de influenciar seus discípulos, alunos ou não, a organizarem-se e a ensaiar a democracia desde os primeiros níveis de educação. Para mim a sala de aula, a turma, a escola, até mesmo o ginásio infantil podem ser vistas como “instituições” já a serem consideradas e aceites onde a democracia deve ser plantada e exercitada. A luta pelo poder deve ser inserida no programa de educação como um objetivo que vise a melhorar a vida da coletividade; como algo que enterre as pretensões individualistas na comunidade. O individualismo deve ser visto como um meio e não um fim.

Ao dar continuação neste texto, quero advertir que conheço pouco ou nada o General Ndunda. Assim, é pedindo desculpas e com todo respeito a este que quero dar continuação ao mesmo. Este escrito é só uma reflexão sobre alguém que fez dos interesses sociais um motivo para “subir na vida”. Como gostam de dizer alguns dos nossos compatriotas. O interessante aqui é a visão e perspicácia de saber cruzar o útil e o agradável; onde o útil são os interesses da comunidade, do país ou da nação; o agradável é “subir na vida”.

Na luta pela conquista do poder, além dos mecanismos legais e institucionais, o civismo e a educação são instrumentos que ajudam a manter o equilíbrio social e evitar crises. Crises que levem à guerra e ao desesperos daqueles que por alguma razão algo se lhes rejeitou ou negou durante um determinado processo. Não estamos aqui defendendo a paciência daquele conformista que se contenta com a ordem das coisas, mas da paciência do individuo que faz do mérito o instrumento viável e inquestionável para se chegar ao topo.

Ele ( o General) pode ser a prova de que os interesses de uma Angola clamando por justiça, paz, civilidade e harmonia estão em cima de qualquer interesses partidários; e qualquer cobiça enraizada num individualismo cego e incompreensível. Aquele General sob separar com detalhes e afastar os interesses Savimbistas com a de toda uma Angola que clamava de todas as partes a democracia.

Seu êxito é uma vitória contra a infâmia, contra o ódio tribal bailundo ou sulano que corrói a mentalidade de muito dos nossos compatriotas. Esse ódio induzido com direção e destino pela oposição em geral contra o partido no poder, contra os governantes que atualmente se encontram no poder; ódio que sempre transmite a mesma vestimenta dando a entender que Angola é mais de uns do que de outros. Um ódio que esquece que cada cidadão deve ocupar a posição que lhe corresponde segundo suas qualidades e méritos independentemente da raça e da etnia.

Como dizia, conheço pouco aquele profissional para meter-me aqui a traçar linhas elogiarias, mas ainda assim precisamos reconhecer o seu profissionalismo; que chega ser admirável e “impossível” num país onde se mata ( e se matou) e se morre por se ser do MPLA ou da UNITA. Onde estes últimos fizeram do crime e do terror um meio para se darem a conhecer e fazerem sentir sua existência. Fizeram do terror e do crime um meio para protestar e reivindicar diretos, às vezes, não conquistados e impossíveis de alcançar.

Não estou sendo cruel, mas fica fácil concluir que Savimbi e os seus discípulos, que tanto clamavam por um regime pluripartidário esqueceram-se do mérito nas suas presunções para a tomada do poder. Fizeram da truculência e das ameaças as peças do tabuleiro que o jogo da democracia nunca precisou em nenhum ambiente civilizado. Moral da história: simplesmente foram derrotados! O General Ndunda, vendo a coisa no aspecto pessoal, é um vitorioso. Dir-se-ia mesmo é o Kwacha com maior vitorias acumuladas. Talvez pela primeira vez a palavra Kwacha, no ambiente angolano, possa servir de orgulho para aqueles que assim se consideram. Uma vitoria merecida no meio de tanta disputa pelo poder. E verdade diga-se, que o General Ndunda também sirva de exemplo aos quadros não só da UNITA, que acreditam que uma democracia passa simplesmente pela solução dos seus interesses tribais e ou partidários –coisa muito feia! Mas também que sirvam de exemplo aos quadros do MPLA, que acreditam que o país é uma propriedade deles ou que lhes pertence –egocentrismo da maior espécie! E que tudo em Angola deve passar pela aceitação e acenassão do partido no poder para que vingue –bajulação e oportunismo!

O fortalecimento das instituições democráticas só é possível se aprendermos a sacrificar os primeiros, o individualismo, em nome dos últimos, todos. Isso significa em dizer que é a Bandeira de Angola que tem que ser protegida e levada a todos os cantos desse mundo quando precisamos nos identificar como Angolanos. É o hino de Angola que tem que ser entoado quando a saudade bate no peito, se existe o mínimo de patriotismo. É com o escudo nacional que temos que nos proteger quando o nosso orgulho e ufanismo estão em perigo. Sem continuarmos na eterna briga de que quem fundou, quem participou ou quem não participou.

O General -e é bem possível com a sua turma- é a evidência de que uma Angola do futuro não pode ser construída zerando-se o passado, por certo, um passado glorioso e de tantas vitórias.

O General é a prova de que revanchismo e revisionismo não levam a êxitos, principalmente aquele que prega a destruição do nosso passado. Em outras palavras quem quiser chegar ao mais alto nível do topo da pirâmide, como ele chegou, vai ter que vestir a camisa de todos os angolanos, as das cores que representam a nossa nação, cantar o mesmo hino e ter que venerar o mesmo herói nacional. É duro, é difícil, mas é o que temos, é o que conseguimos construir até hoje. Quem sabe dentro de 500 anos outros viram e serão melhores que Agostinho Neto e até mesmo melhor que o General Sachipengo Ndunda que está aí, ainda vivo e trabalhando para continuar a dar exemplos.

É a essa gente que devemos tomar como exemplos.

General, seja bem-vindo ao poder! Estamos aqui para torcer. Agora é trabalho e trabalho!

Nelo de Carvalho
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