quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Falsa de Um Resgate

 O conjunto de valores existentes numa democracia, mesmo podre como a nossa, é um mar  turbulento onde o MPLA, “como salvador da nação”, já não pode navegar ou ainda nadar se continuar a ter essa direção que aí está. É preciso sim resgatar tudo nesse país. E quem merece ser resgatado não são as ONGs, as organizações da sociedade civil ou quem de maneira independente e por iniciativa própria tenta combater a corrupção.  Quem tem que ser resgatado é o MPLA, os seus dirigentes, a turma dos poderosos intocáveis -(in)sensíveis a todo tipo de crítica-, o mimado que hoje se transformou em príncipe ( ou simplesmente, “o príncipe mimado”), se ainda vale a pena resgatar o mesmo.


 O corrupto (ou os corruptos) não estão aqui em baixo. Isso é uma infâmia, o povo não é corrupto. Corruptos são aqueles que fingem governar um país  onde só os indecentes são os subordinados ou o cidadão comum, o pacato cidadão; corruptos são aqueles que se convenceram pela força da arrogância e da prepotência que seus atos não merecem ser questionados e que tudo que fazem está acima de qualquer suspeita.

 A covardia e o medo de se sair maculado depois de tantas promessas e anos de governação desastrosa têm constrangido o poder. Essa é a pura verdade! A corrupção virou um fantasma monstruoso, um pesadelo, tornou sonâmbula a vida de quem esta na cadeira de Presidente da República. É fácil imaginar numa reunião do Bureau Político do MPLA, como seus integrantes se dirigem a palavra –entre si-  quando o problema é a  corrupção. A mesma tornou-se a sombra de cada um deles. A corrupção é aquele sonho de terror e maldição que ninguém, no dia seguinte, tem coragem de narrar ao parceiro, ao colega de trabalho. A verdade é que passou a ser um tema proibido! Mas por incrível que pareça é ela que vai engolir a todos vocês ( os corruptos).

Não são as ONGs, as organizações civis, o pacato cidadão que têm que ser moralizados contra a corrupção – a não ser para combatê-la. Ao contrário, são a esses, que aquele poder corrupto que se transformou em sanguessuga e mentirosos, devem prestar contas e  abrir diante da imprensa e de toda opinião pública nacional as “transparências” dos atos daqueles que estão no poder.

Chega de fingir que são defensores do povo e que tudo  o que fazem, fazem em benefício da nação; chega de invocarem fantasmas externos. Quando se sabe que os piores fantasmas no processo político e social de um país que precisa se democratizar são aqueles que vivem mentindo, ocultando e omitindo o que todo mundo já sabe: “vivemos diante de um sistema corrupto em decadência que não encontra saída ou portas para dar vazão a suposta moralidade que querem incutir nas outras pessoas ou grupos da sociedade civil”.

Por isso, convocam ONGs para neutralizar o bom trabalho que as mesmas vêm realizando, quando o que se trata é  de denunciar os corruptos. Estão querendo, deliberadamente, persuadir a que todos entrem no mesmo circuito, onde o maior vício e a maior das  aberrações nesse Estado e Nação chamada de Angola é concordar com o lixo  e  todo tipo de  excrescência que o poder produz.  Estão querendo, mais uma vez, dar proteção e escudo ao sujeito mais suspeitoso, o mais acusado de todos, o menos inocente de todos e talvez o mais culpado de todos  de ser corrupto e de ser conivente com a corrupção.

 Reunir as ONGs, ou as supostas organizações civis é a típica características de pessoas sem escrúpulos que não excitam em culpar inocentes em nome de acobertar suas próprias falhas, erros  e atos deliberados de roubo e corrupção.

 Estão querendo agora culpar a toda nação, precisamente, de carregar total ou parcialmente a culpa que só os corruptos do governo dessa instituição angolana e fracassada chamada de Estado tem. Estão querendo fingir que a corrupção não existe e que quem pensa nela é o inimigo a ser abatido. Todo mundo sabe que é mentira. A corrupção está aí, faz discursos; engana o povo, fingi que é militante número 1 e, o pior ainda, engana a todos fingindo que trabalha e faz em nome do povo.

A corrupção perdeu a vergonha, na verdade ela nunca teve um pingo de vergonha, e de maneira descarada ainda acha que nós devemos favor a ela ou a ele. E que devemos aplaudir tudo o que esta sendo feito, mal feito, roubado e desviado. E acha que somos um bando de idiotas que devemos nos conformar com as migalhas das rendas extraídas do petróleo.

Eu até concordo com o MPLA que valores precisam ser resgatados. Mas  que o resgate comece onde mais se precisa. O último Congresso do MPLA passou e não houve nem o resgate do bom senso, que é a de fingir minimamente que o mesmo partido vive em épocas de um regime democrático. Todo mundo engoliu, por força do habito e das circunstâncias, a palhaçada de uma eleição presidencial partidária sem concorrente.

Todo mundo finge que é uma blasfêmia contestar um individuo  que ocupa dois cargos de uma só vez, no mesmo espaço e no mesmo tempo –ou vários. Todo mundo finge que Agostinho Neto ainda está vivo e que quem está na posição ou cargo dele é o fantasma dele mesmo que deve continuar a ser referenciado e idolatrado como no passado. Um fantasma só não pior que o El Cid o Campeador, esse ao menos aceitava inimigos para continuar a se gladiar e tornar sua existência numa infinita batalha. Enquanto uns por aí nem  críticos aceitam.


Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com
   

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