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terça-feira, 24 de maio de 2011

Um artigo para as 49 crianças difundas desta semana

O CAN ( a Copa Africana das Nações) passou, e quantos de nós não nos vimos ridicularizados quando nos manifestamos contra aquele evento. Ou, pelo menos, o silêncio generalizado tentou fazer parecer que éramos. Porque acreditamos que o clamor dos indefesos, numa democracia, deve vir da mídia, quando esta no mínimo tem a missão de fazer valer os valores democráticos. Principalmente, quando esta mídia, a Pública ou a Estatal, foi forjada e construída nós velhos princípios da defesa do bem comum, da defesa das classes mais humildes, na defesa do proletariado e dos camponeses; que no fundo ainda constituem a maioria da população desse país. E não só; o poder que aí está é derivado ostensivamente destas duas classes. Mais do que uma democracia burguesa; a democracia em Angola deveria ser a Democracia do Proletariado e dos Camponeses. Não constitui exagero pronunciar-se desta forma. “Exagero” e desastre evidente é ter que receber a notícia da morte de 49 crianças em cinco dias, numa media diária de dez, só num hospital . Quando num país como o nosso prioridades deveriam existir. Em vez da ostentação de um evento como aquele, que, finalmente, no resumo da ópera, analisando bem, foi um fracasso rotundo.



Nossa mídia Estatal e Pública deveria ajudar no sentido que a democracia não fosse falseada ou uma simples manifestação daqueles que estão no poder. Afinal de contas, o nosso Jornal de Angola, a Radio Nacional e a TPA, gabam-se de serem os órgãos mais profissionais existentes no país, com os recursos humanos mais esclarecidos formados ao longo desses 35 anos. Nós como amadores não deveríamos ser os únicos a escrevermos sobre isso. Ou seja, uma opinião sobre algo que caracteriza a desgraça cotidiana da população angolana. Mesmo sendo o cotidiano da nossa população, lidar com a morte de crianças nessa escala astronômica e quase solitária a nível mundial –nestas circunstâncias- , isso deveria indignar os nossos melhores formadores de opinião dos meios públicos de comunicação. Não são estes que no esforço de demonstrarem a governação exitosa do chefe juram competência e clarividência do mesmo na arte de fazer tudo em benefícios de toda a nação? Ah... estava esquecendo, é tudo bajulação, nada de juramentos que sacramentam verdades.

Nossa rejeição a aquele evento foi manifestada aqui várias vezes. É claro que aquele evento não constitui a culpa da morte diária de dez criança só num hospital de Luanda, talvez considerado o maior e o melhor, naquela cidade capital, se duvidar, então é o melhor do país inteiro. A culpa esta na falta de prioridades que qualquer governo e Estado, não incompetente e não corrupto, deveria traçar a curto e a longo prazo para nação. A culpa está no complexo de inferioridade dos políticos que dirigem esse pais, de habituarem a pensar e fazer pensar a todos, que sempre seremos incapazes de realizarmos as maiores obras em curto espaço de tempo, que é a de dar prioridades na Educação e na Saúde. Constituem grandes obras a serem erguidas por qualquer povo, que não viva em função de culpar o colonialismo português. E que poderia arregaçar as mangas não só para melhorar a Educação e a Saúde Pública, mas também para desafiar os corruptos e expulsar os mesmos do poder.


Essas são as grandes obras que se esperam de um povo ou de uma nação. Mas para isso, e sem exagero, essa nação, além de corruptos, precisa também forjar os seus heróis. E não homens covardes, igualmente, corruptos nas redações dos jornais e das emissoras de televisão e rádio deste país.

Não comover-se diante duma notícia destas, num país como nosso, é brindar sobre os cadáveres de cada uma destas crianças. É um ritual macabro? É! Mas é o que acontece quando nos calamos. Estamos brindando com aquele uísque, gostoso e saboroso, que só encontramos na adega e nos armários dos corruptos, dos Ministros de Angola, dos comandantes do MPLA e de quem fez desse país o próprio bairro Sambizanga, miserável e esquecido nas noites coloniais. Hoje, agora, esquecido em plena era da independência.


Quantas vezes não recebi, aqui comigo, mensagens de que eu estava ou estou criticando o chefe de mais; que eu preciso me calar; ou então ter que definir minha linha editorial, ou mesmo política. Quantas vezes, eu mesmo tive que parar para pensar sobre mim; minhas posições e até sobre o meu destino. Muitas vezes pensei que estava cometendo injustiças, arranhando e desprestigiando aquele que supostamente conquistou a paz e com muito esforço está em frente de um país sui generis, com peculiaridades especificas. E que mais tempo deveríamos dar a ele e ter mais paciência para que os problemas se resolvessem. Esse era o discurso tradicional. Mas também a tradição diz que é difícil calar-se diante desta desgraça promovida por gente incompetente e que acreditam que têm o direito de transformar o cérebro e a mente das pessoas em fossas de esgotos.

É verdade que pelo fato de estarmos na diáspora as fontes de informação são quase sempre limitadas. Mas nem por isso a opinião de cada um de nós, estando longe da pátria, deve ser desconsiderada. Quase todas as nossas fontes vêm da internet, sim. Nossas intenções quando desagradam alguém, ou mesmo, as duas partes, ou todas elas – gregos e troianos- sempre somos desqualificados pelo que dissemos. É como se nossa ausência – o estarmos longe do país, de tudo e de todos- diminuíssem aquilo que queremos transmitir ou chegamos a transmitir.


Já disseram para nós que o club-k não era uma fonte adequada para se tirar informação e opinar sobre a realidade angolana. Mas alguém que faz parte do conclave foi atrás das almas inocentes vitimadas pela falta de visão de como um país deve ser construído: Primeiro, salvando a vida de suas crianças. Segundo, educando elas na conquista de tudo; tudo que esse mundo nos oferece; até daquele poder que é de todos, que alguns julgam ser um privilegio dos corruptos.


Nelo6@msn.com
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Nelo de Carvalho

4 comentários:

José Sousa disse...

Meu amigo e companheiro de luta!
Você é uma das pessoas que, tal como eu, choramos o que se passa dentro da pátria que nos vai na alma! Sinto muito o que se passa naquela terra querida com nossos queridos irmão! Temos, de mãos dadas, continuar a esclarecer a verdade porque só a verdade pode trazer a paz e o conforto para o nosso povo irmão.

Já coloquei este seu escrito em meu "Angola eu te amo".

Um abraço grande.

Toninhobira disse...

Lamentavel que ainda temos de conviver com estas maldades e falta de responsabilidade.A maquiagem maldita que é uma ferramenta usada por estes ditadores e usurpadores de direitos.Não se diferencia muito do Brasil,que se prepara para uma copa,tendo um sistema de saude arcaico e sucateado e maquiado as vezes pela midia.Para que fazer copa num pais onde ainda temos numeros alarmantes de analfabetos? É preciso lá como aqui uma ação revolucionaria no sentido de coibir e acabar de vez com a irresponsabilidade civil.Um artigo dolorido irmãos.Meu abraço de paz e muita luta por ai.

Cacá - José Cláudio disse...

Parabéns pela lucidez e pela visão ampla, democrática e solidária, Nelo. A globalização tão propalada tem que contemplar a igualdade social em todo o mundo. Abraços. paz e bem.

Atitude do pensar disse...

Nélio, vir aqui e conhecer uma realidade que não se distancia da que podemos visualizar no Brasil, leva-nos a refletir no papel realmente desempenhado pela globalização e aquilo que denominamos de civilização; avanço. É claro que desenvolver qualquer comentário será pequeno diante do tamanho impacto que suas palavras causam em nós; que ainda acreditamos numa outra proposta de sociedade, onde a justiça social e a participação da sociedade civil estão inseridas. Mas como chegar a este lugar é o que sempre me pergunto. Perecbo tantos socióogos e economistas atuando de forma a alcançar esta proposta, mas até que ponto este realmente é um objetivo que se faz presente teóricamente e efetivamente por meio de práticas de uma grande maioria que raramente é privilegiada. Enfim, de cá permaneço com a interrogação, como conquistar esse sonho...
Abraços