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sábado, 21 de agosto de 2010

Rafael Marques: e a sua missão impossível

Nessas três décadas de independência fez-se da covardia do cidadão a fronteira por onde a corrupção deveria traçar seus limites para poder institucionalizar-se e auto afirmar-se. Negar o papel de Rafael Marques na luta contra corrupção e para despertar as mentalidades temerosas nos seus direitos de fazerem valer a cidadania é, de maneira cínica, um outro ato de covardia e de deixa-andar. É permitir que governantes arrogantes ignorem que vivemos numa sociedade democrática e onde todos precisam prestar contas, permitir que estes com a cultura da impunidade evoquem suas vozes de “comando” –diante dos protestos da cidadania : “deixem que eles gritem, nós combatemos e temos todos os direitos”. É a voz de comando de quem faz dos Atos da Administração Pública atos de truculência que estariam muito bem numa frente de combate. O período anterior me faz recordar os meus anos de estudantes na Ilha da Juventude: românticos! Um romanticismo envolvido em tanta truculência e a falta de compreensão de quem deveria fazer desta última atitude o instrumento, o caminho necessário para se chegar a civilização.




Ignorar as acusações de Rafael, com provas ou sem provas, é, além de tudo – já querer fazer o inverso-, transformar a notícia em boato. O que é desonesto, antidemocrático e mostra além de tudo que estamos diante de um estado que não é sério. Desculpem-me, mas é a pura verdade! A missão de ir atrás das provas, para se evitar boatos é de quem recebeu a missão de organizar a sociedade: o Estado! E não consiste numa simples missão para salvar gente protegida na pele de lideres que não podem ser questionados. É para salvar inocentes, sim. Mas, também, para responsabilizar e punir criminosos e corruptos que só o Estado com a lei e os instrumentos de que o mesmo é dotado pode fazer.

Um Estado honesto –como qualquer outra entidade física ou natural- defende-se até dos boatos, das injurias, das calunias. Qualquer entidade injustiçada diante da justiça faz questão de usar esta última para lavar o que chamamos de honra e acima de tudo manter a ordem. Afinal, não é essa democracia a democracia do povo, não é o MPLA o partido do Povo, não são aqueles cargos – de Presidente da República, de Ministros e Generais- cargos e funções públicas que estão sendo vilipendiados e difamados. O silêncio desta turma  é  um consentimento dos mesmos de que a corrupção é uma prática inquestionável e que ela até outorgou a Constituição à nação. Assim, chegou à hora das acareações, pôr frente a frente, diante do reinado da lei e das normas, acusados e acusadores. Aqueles seriam covardes e rasteiros quando se agarram nos privilégios que têm como conseqüência dos cargos outorgados; estes seriam delinqüentes e aventureiros que não têm nada a perder, quando penduram-se nos simples atos de abusarem dos direitos e liberdades que se vive no atual ambiente político social. Tanto uma coisa como a outra, coíbe-se com o direito de se fazer justiça e a obsessão de se fazer cumprir a lei.

Não precisamos ignorar os boatos, quando soubemos que os mesmo põem em perigo a segurança do Estado e do resto das instituições, transformam aquele numa caixa preta e numa instituição viciada a burlar as regras da democracia. Uma delas –regras- é de que o direito de acusação e denuncia cabe a qualquer cidadão, e a comprovação dos fatos é de interesse, primeiro, do Estado, como instituição soberana e que tem poder para tal; segundo, de toda a sociedade interessada na prestação dos serviços. Ou seja, cada um de nós, quem quer que seja, como cidadão pode apresentar provas para fazer valer a lei e em benefício da ordem.

Se me entenderam, a Constituição deveria ser o instrumento legal dado à sociedade para resolver dilemas retratados nos parágrafos anteriores. Pelo visto, da maneira que se criou a mesma vai ser difícil acusar o seu “criador” de corrupto. A Constituição Angolana é uma muralha, uma proteção pretoriana do Estado para os governantes que aí estão diante dos cidadãos. Mesmo que estivéssemos num país com cultura de se cumprir as leis já seria impossível acusar seus criadores de corrupto. Imagina agora num país onde o Estado é sempre o primeiro e o último a violar as leis, incluindo aquilo que ele mesmo criou; imaginem num país onde as leis, só se cumprem quando a mesma é evocada de modo proibitivo para o resto da população ou para o individuo carente e órfão do poder. Em particular, para a militância mplista, aproveito este momento para manifestar minha própria auto-estima e falta de modesta por me manifestar, várias vezes, publicamente, contra ela: A Carta Magna.

Estamos todos de acordo que Rafael Marques, como investigador, tem as provas e pelo vistos elas são mais do que suficientes. Eu disse que: “estamos”. Mas por uma questão de respeito a opinião pública. Porque eu, pessoalmente, diante de tudo que tenho “conhecimento”, as supostas provas enunciadas pelo Rafael Marques no seu texto de 29 páginas, “A Presidência é O Epicentro da Corrupção”, não constituem provas para incriminar quem quer que seja. Mas vamos assumir que Rafael Marques tem as provas, já que pelo texto, e são vários texto, ele faz e tem feito acusações direta. Ou seja, Rafael Marques acusa: “o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, os altos oficiais da guarda presidencial, o general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, general Leopoldino Fragoso do Nascimento e o Presidente da Sonangol Manuel Vicente”, de corruptos.

Pelo que se pode constar existe uma acusação direta na impressa contra estas pessoas, uma acusação que deve ser entregue ao Procurador Geral da República. Ou melhor, este – ‘no seu eficiente e bom trabalho”- já deveria bater as portas da imprensa e mandar iniciar uma investigação...risos! Entenda-se, não contra a imprensa, mas contra acusados e acusadores. Por que quê Rafael Marques não formaliza essas acusações se ele tem as provas, e segundo o autor, as mesmas são incontestáveis. Rafael Marques como militante cívico já deveria ter feito isso a muito tempo, o primeiro passo já foi dado que é a denúncia na imprensa dos acusados, só falta o segundo.

A luta contra corrupção é a luta de milhões contra uma dúzia ou meia centena de corruptos. E contra essa meia dúzia ou centenas vamos combater. A vitória será sempre a de milhões, mas para isso precisamos ir além das simples denúncias do Rafael Marques. É uma missão de todos, e a turma dos reduzidos a minoria não podem vencer. E nunca vão vencer! Mesmo porque é impossível. Eles não têm o poder para isso. O poder é do Povo! Por incrível que pareça, para quem ao longo desses 30 anos habitou-se a fazer do mesmo seu instrumento para manipular e alcançar objetivos.

Tenham certeza todos nesse país, eles têm medo. Eles quem? Os corruptos!

Nelo de Carvalho
*Nota de Esclarecimento: Descobri que alguns aplicativos ou versões do Internet Explorer, por algum motivo, não conseguem abrir o meu blog. Aos amigos leitores que estiverem interessados em acessar o meu blog podem fazer usando o navegador Mozila ( Fire Fox). O mesmo pode ser resgatado na internet. É gratuito!
Por outro lado, na arte de escrever, alguns erros ou falhas de ortografias e gramática podem surgir. Antes quero pedir desculpas por todas estas falhas. Principalmente, aos professores de português, aos estudantes, alunos, enfim, aqueles que têm na Língua de Camões o instrumento necessário para se comunicarem com o resto do mundo, e entre nós os angolanos. Mas este autor deixa bem claro, só se responsabiliza pelos erros que aparecerem no seu blog original. Porque é lá onde o mesmo tem acesso direito e controle dos seus atos. Muito Obrigado!









Um comentário:

carla disse...

lapheNelo,nao percebi!é contra o Rafael ou a favor!!!é que a sua crónica é ambigua ,confusa!por favor esclareça-me !!kandando!