sexta-feira, 16 de março de 2012

Um Foguete ou Uma Crítica

Bem, não tenho obrigação nenhuma de invocar satisfação ou mesmo alimentar curiosidades da turma dos sem cérebros, sobre em que lado eu me encontro. Mais, precisamente, qual seria minha atual militância. Já que nos últimos tempos minha crítica ao partido no poder tornou-se um foguete “perdido” que ninguém espera.

Concordo que minhas críticas aos corruptos do MPLA são piores que os foguetes que rasgam os céus da Faixa de Gaza: inesperados e surpreendentes. São como se fossem atos nada combinados entre as partes. Numa guerra, seria o instrumento bélico ou o artefato militar mais covarde, vinda de qualquer direção, dispostos a ceifar vidas, desde a mais inocentes das criaturas, até o mais covarde corrupto que faria do pretexto para continuar a saciar sua sede de aquisição de tudo que é ilegal e ilegítimo.



A tontice de certas pessoas obriga-me a pensar que tenho dever de dar a entender, sempre, em que direção ou para quem está dirigida minhas rejeições e críticas. Numa coisa tenho certeza este tipo de rejeição e critica nunca foram ou estão dirigidos ao MPLA, mesmo quando o MPLA pode servir como saco de pancada. Afinal de contas, é o MPLA que sustenta a legitimidade dos corruptos no poder. Burrice confundir, a estas alturas, o corrupto mor com o próprio MPLA.


É preciso não esquecer que o MPLA, também, é vítima de quem o dirige, mais precisamente dos corruptos, que têm a coragem de levantar as bandeiras desse partido em nome de seus militantes. O que muitos não conseguem entender, militantes do MPLA, numa Angola complexa, mas que não tira o direito de ninguém de sermos civilizados e estarmos equiparados aos outros povos ou nações, supostamente, desenvolvidas, é o fato de que nas ações e procedimentos de corrupção em que sempre se pauto o Estado Angolano para executar suas “Políticas Públicas”, esses militantes tornam-se cúmplices de um sistema governamental corrupto, que pela sua duração no poder transformou-se numa cultura. É essa cultura que todos nós temos obrigações, dever e direito de combater. Afinal, Angola não é só daqueles que estão no poder ou daqueles que protagonizaram a Luta Arma. Angola é, também, de direito e dever de todos os Angolanos, mesmo não sendo do partido no poder.



José Eduardo dos Santos e a corja de bajuladores, tímidos e covardes, que o rodeiam estão hoje muito longe de representar os anseios de democracia que um cidadão angolano comum e normal defende: estar diante de um Estado que dê oportunidades por igual aos seus cidadãos, que faça das Políticas Públicas do Estado angolano um ato para solução de problemas não só dos luandenses, mas dos quatro cantos desta nação ( a Angola); que faça da Educação e da Saúde ( serviços básicos para uma sociedade) Política de Estado e política de uma nação que continua sendo uma das mais pobres do mundo.



A aqui, educação e saúde, não se trata simplesmente em contar em valores monetários, o quanto se investiu numa e noutra área, ou até mesmo de se seguir os chamados padrões internacionais. Trata-se, com o nosso dinheiro e a riqueza de todos os angolanos, usar o mesmo para incentivar a meritocracia. Sistema que ajudaria a combater mais ainda a corrupção, e não fazer de Angola o país dos filhos, dos sobrinhos, das mulheres, das amantes e das namoradas dos generais “vencedores das batalhas” dessa terra que é de todos nós.

Investir na Educação e Saúde, além de gerar bem estar a uma população sofrida como a nossa, não pode ser visto como um sofisma ou a arte de se fazer retórica e manter-se no poder; ou, ainda, ganhar supostos votos. Esses investimentos constituem armas eficazes para se combater os vícios gerados nos anos de partido único em que o MPLA e a sua direção corrupta, pós Agostinho Neto, sentiram-se a vontade de governar, transformando seus atos de governação numa farsa para o resto da população. Os investimentos nessas áreas não podem ser vistos como mais uma farsa dos políticos bandidos que estão aí para defenderem interesses estranhos à nação. Ou seja, deve ser algo sério, baseado numa ideologia em que o Angolano, depois de uma Angola independente, nasceu e renasceu. Que não constitui simplesmente cinzas de um passado de guerras e misérias.




A verdade é que o Partido no Poder, o MPLA, na sua forma de governar, sempre, apelou mais para o medo da população, do que para os Princípios que definem uma boa governação: aquilo que os juristas e os especialistas chamam de Princípios da Administração Pública. Não são os lemas herdados na era Manguxi que vão construir Angola ou tirar o nosso povo da miséria. É o respeito às leis e o respeito a uma Constituição em que todo mundo se revê, e não a essa que está aí que engrandece e protege uma pessoa no poder em detrimento da própria ordem social e da estabilidade política.

A verdade é que ao aprovar a atual Constituição, que torna José Eduardo dos Santos e as pulgas que lhe rodeiam gentes intocáveis, o MPLA se “ferrou” diante de pessoas como nós. Não pode esperar consideração e prestígio ou apoio incondicional de quem quer que seja ou de todas às partes, porque isso não faz parte dos nossos princípios: enterrar interesses sociais em favor do individualismo sem medida de alguns chefes no poder. Por outro lado, não se defendem corruptos por serem do mesmo partido político. Um partido que pretenda definir os destinos de uma nação não é uma seita de mafiosos ou a Opus Dei, seita com que o MPLA já está envolvida. Nossos direitos de rejeitar a máfia está a cima de tudo, é um direito que vale mais que a nossa própria vida.


Qualquer um dos meus textos publicado no Club-k não é e nunca será uma luta contra o MPLA. Mas, sim, uma luta contra o atual Governo de Angola: um governo corrupto e que tem como mandatário o homem mais corrupto desta nossa Terra ( Angola), talvez de todo o continente africano. Eu não preciso me esconder de trás de falácias para dizer com quem estou, aonde vou, ou mesmo no caso de mudanças, para onde vou. Em Angola, o MPLA é o meu partido e vai continuar sendo. Mas enquanto o mesmo continuar a se confundir com a corrupção e os corruptos, esse partido terá o que merece:

O foguete perdido, nos céus de qualquer região, terá sua direção bem re-programada, e terá seu destinatário de maneira precisa e sua ação será contundente. Assim, como sempre foram meus textos no Club-k e no meu Blog: www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com


Nelo de Carvalho
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