sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Em Homenagem ao 4 de Fevereiro


A Falácia dos Símbolos Pátrios
A onda de revanchismo e de ignorância não deixam em paz nem aquilo que se herdou como consequência da luta árdua contra o colonialismo português. A boçalidade e a estupidez insistem em dizer que os símbolos pátrios refletem simplesmente os símbolos do antigo partido único. Propõe-se então uma mudança dos mesmos símbolos onde os objetivos podem ser dois: afastar a semelhança dos símbolos pátrios com os símbolos do MPLA e, por direito nenhum e não conquistado, fazer com que os três partidos tradicionais, FNLA, UNITA e MPLA tenham representação equitativa na representação simbólica do país. Tanto uma coisa quanto outra estão longe de serem justas.
A simbologia pátria, bandeira, hino e herói nacional não são simplesmente conquistas do MPLA. Pode aparentar ser uma conquista do MPLA, mas que coincide com as conquista da nação inteira. Dizer que Savimbi, Holden Roberto e Agostinho Neto são patronos da independência é uma mentira descabida. É querer provar que a quantidade de água suja em uma piscina imunda cabe em um balde que poderá ser usada como água potável.
Sejamos sinceros, honestos e francos, evitar reconhecer o grande papel de Agostinho Neto na história de Angola, ou ainda, querer equiparar o homem àqueles dois que se dedicaram a traição e ao vandalismo contra os angolanos constitui ofensas a memória de um povo, já sofrido por tudo que existe por aí, e existia.
Dizer que a FNLA, a UNITA e o MPLA lutaram igualmente contra o colonialismo português é negar que o presente, verdadeiramente, possa ser usado para se construir a democracia tão desejada e ambicionada por todos nós. Se nem o passado conseguimos reconhecer a sua existência, como enfrentaremos os dilemas da democracia onde tudo consiste no estado de direito e democrático, onde a verdade é o maior objetivo a ser alcançado para se redistribuir deveres e obrigações, e tornar assim o presente como o futuro melhor que o maldito passado?
O papel, tanto do trio de lideranças como a dos partidos que cada um representava, nunca foi equitativa e muito menos na mesma direção. Precisamos reconhecer o papel reacionário da FNLA e da UNITA na história de Angola e não é necessariamente uma posição relativa de quem estava ou não naquela posição.Terrorismo é terrorismo em qualquer lado em que estivermos; traição é traição não importa o lado em que andarmos, principalmente quando esta traição faz-se com um regime racista como os dos sul-africanos. Não existe moral nenhuma que corrobora isso. O papel retrogrado desses dois movimentos e de seus lideres não podem ser empurrados as novas gerações como um ato de gloria que nossos filhos e netos deverão sentir-se orgulhosos. Infelizmente é uma pena, mas é um problema de quem os provocou: FNLA-UNITA e Holdem-Savimbi. Assim, o regime democrático não tem por que engolir o que é desagradável para todos, fingindo que isso provocaria harmonia. Ninguém tem direito de escamotear a história de um povo em nome de uma democracia que levará o país a uma ignorância coletiva, reconhecendo aquelas maldições como simbologias de um povo. Ninguém merece isso: um Savimbi ou até moribundo Holden Roberto em seus últimos dias. Isso não será democracia, que nunca consistiu em passar em cima de certos valores para fazer prevalecer o eterno revanchismo de esses dois grupos políticos, que existiram em função de atrapalhar e odiar todo processo político traçado noutro hora pelo partido único. Que como sabemos foi a de derrotar o colonialismo português e estar ao lado de todas as nações africanas que igualmente lutavam pela sua independência. Desde quando a UNITA e a FNLA deram-se o trabalho de fazer isso: solidariedade para com os outros povos do continente e derrubar incondicionalmente o colonialismo português?
Em cada época de nossa história existem missões que o ser humano e seus semelhantes devem aprender a comprimir. Se hoje a missão é a construção de uma democracia onde todos possam se sentir representados –representação que não necessariamente significa atropelar aquilo que foi conquistado-, no passado era a independência de Angola e os valores comunistas que ajudaram a descolonizar o continente africano e o resto do mundo. Que se saiba esse papel nunca esteve ao lado da UNITA nem da FNLA, por isso a turma dos derrotados não têm direito de reivindicar nada do que diz respeito à simbologia pátria.
É parte da historia de Angola – um evento inesquecível- reconhecer que foram os comunistas do MPLA ao lado de Agostinho Neto que reivindicaram de Portugal a independência de Angola, declararam perante o mundo e a África a independência desse mesmo país . Porque era, naquela época, a força do comunismo e a inspiração comunista que libertou o continente do colonialismo europeu. E isso não pode servir de demérito para as novas gerações nem os atuais militantes do MPLA, não importar qual direção esse partido hoje preferiu seguir. O Comunismo faz parte, e de maneira orgulhosa, da nossa história. Talvez mesmo tenha chegado e entrado para ficar. É um processo de evolução histórica longa, difícil, complicado, cambaleante e acima de tudo inevitável. Quem não gostar e achar que isso é impossível e inadmissível então que viaje longe de um planeta fora de aqui.
A declaração da independência de Angola, na atual e sua capital Luanda, com os símbolos pátrios que viu nascer a nação Angolana, é parte de nossa história que não podemos rejeitar . E muito menos forçar uma suposta inconveniência ou ilegalidade de tais atos históricos. O MPLA fundou a nação angolana é uma verdade que perdurará para sempre. Está identificado completamente com toda a nação, é outra verdade quanto uma espinha encravada na garganta de qualquer delinqüente revanchista.
Assim, tem direito esse partido, o MPLA, de fazer o uso das vantagens políticas e históricas - e aqui nesse momento inclui as eleitorais- que o mesmo conquistou para bater o pé e dizer ao mundo que os símbolos que viram nascer a pátria de Agostinho Neto continuaram sendo os mesmos por cinco mil anos de existência da nossa historia. Se for necessário.
Nelo de Carvalho

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