quinta-feira, 17 de junho de 2010

Graça Campos Rende-se aos Dólares da Corrupção!

Cheguei tarde para falar sobre o assunto, mas cheguei! Como ninguém acreditou na pantomima chamada de “procedimento normal no mundo dos negócios” , eu, também, não acreditei!

É sobre a moralização da imprensa que vimos falar. Desta vez nos tocou mostrar que a imprensa privada angolana não está bem longe do que ela vem combatendo e criticando: os vícios que sustentam a corrupção. Esse setor, também, tem a missão e “obrigação” de saber diferenciar o que é bonito e feio. E assim a qualquer momento ser vítima dos supostos processos de reformulação que dizem já estar a caminho e protagonizada pela Ministra Carolina Cergueira, ela está de parabéns! Afinal a reformulação não deve passar só pelo que é público. A imprensa privada mesmo sendo jovem já merece reformulação e essa é mais uma missão que cabe, também, ao estado angolano representado pela Ministra e a equipe de homens que a mesma dirige.

Falando de vícios, os dólares da corrupção conseguiram desarmar e calar a boca “do hora” entreguista Semanário Angolense que, também, vivia fazendo apologia aos sentimentos de sofrimento dos kwachas e a sua turma de líderes terroristas pelas derrotas destes e a humilhação sofrida -não vinda só já do partido no poder, mas também pela imensa maioria da população.

Em minha opinião essa publicação, o Semanário Angolense, às vezes, apresenta-se mais como um penso que serve para aliviar as dores e as magoas infligida ao savimbismo e a turma dirigida por estes. E que quando sobra espaço com uma dose, justa e certa, consegue enfrentar os corruptos do Governo Angolano, nisso inclui o seu Presidente ou o chefe do Governo. É basta ver como este, sua família e o politiburgo inteiro do MPLA são “desnudados” e enxovalhados nas páginas do mesmo SA. Toda essa turma, não poucas vezes, aparecem nas páginas da mesma publicação como corruptos a serem desmascarados e denunciados, perante a opinião pública nacional e internacional.

Todos nós suspeitamos que o SA fosse bem até o momento que se vendeu!

Agora o nosso grande Semanário, que nós fazia recordar aqueles meios de comunicação especulativo de um país ocidental –onde qualquer mentira pronunciada duas vezes pode se transformar em verdade, invejando a propaganda Goebeliana nos tempos da Alemanha fascista -, aceitou a ordem de não criticar mais o Camarada Presidente. Se era tudo mentira o que se dizia sobre este, seu governo, sua família e seus camaradas, por que alguém arriscaria, então, em comprar um jornal em estado de falência , especulativo e mentiroso? Vão passar a escrever o que é nesse jornal para dar rendimentos? As mesmas notícias tediosas do Jornal de Angola? A propósito, é o Jornal de Angola um jornal lucrativo se estivesse submetido às mesmas regras de mercado? Não!

O que mais, aquele Semanário, vai aceitar a partir de agora? Depois de ter aceitado entrar nesse grande salão, de onde “os comes e bebes da festa”, o banquete, é financiado com o dinheiro de todos: O dinheiro público, o dinheiro desse Povo, que tanto o Semanário Angolense tentou demonstrar que era desviado pela mesma corja de corruptos que deram o último lance no negócio. Temos a informação de que Graça Campos gosta de dinheiro e é visionário quando enxerga a distância milhões de dólares.

Depois disso só gostaria de saber por onde serão publicados os artigos do Rafael Marques que com toda pompa foi publicado no mesmo Jornal. O mesmo Jornal que quase transformou o Rafael Marques em um herói, o homem que quase já era odiado pelos corruptos do governo e aplaudido no Senado Americano. Agora, como dizer aos americanos que até o chefe do Rafael Marques abraçou a corrupção. E alistou-se a um bando de comunistas ou ex-comunistas corruptos, transformados em capitalistas e ladrões. Um bando de burgueses mimados e reacionários, mafiosos e delinqüentes. “O que dizer agora aos americanos”!?

Estou querendo agora ler nas próximas edições, o nosso grande Graça Campos e o “seu” Semanário Angolense pedir desculpas ao camarada Presidente JES. Chamá-lo de clarividente, o infalível, o visionário, o herói, o reformulador da pátria. E não só, ainda, dizer que todos nós que andamos criticando JES somos um bando de “birutas” e mal agradecidos, já que papai Santos tem feito tudo por nós. Quem sabe o Graça Campos faça isso em troca de uns dólares a mais. Ou, simplesmente, um dólar!

Se o Semanário Angolense era a voz da oposição que em tese sabia contestar a má gestão, o desvio e a roubalheira; o que fazer agora quando se sabe que a mesma “instituição” agora come nas mãos do Manuel Vicente? Será que vai poder continuar a denunciar este, debochar do mesmo, afastar a ideia -um tanto maquiavélica-, no cidadão atrofiado culturalmente, de que qualquer pretensão desse de chegar ao poder é nepotismo, é um absurdo, é um assalto ao poder. Será que vai desmascarar fatos de que seu primo ou tio quer instalar o mesmo lá, como andou de maneira difamatória sugerindo a mesma publicação? Confundindo, o mesmo Jornal, o cidadão, e induzindo este a pensar que em política nunca existe seriedade e que é tudo um jogo de interesses mesquinhos onde os desejos e interesses da nação devem ser sempre jogados de baixo do tapete. Banalizando assim a importância da cidadania na hora de exigir seus direitos diante da administração e do poder estatal.

É verdade que de um dia para o outro vimos a emersão da filha do presidente ascender a casa do poder legislativo, vimos os progenitores do mesmo transformarem-se em príncipes e princesas diante de tanta fortuna inexplicável. Mas isso não dá direito ao mesmo jornal de induzir o cidadão comum a banalizar o seu desejo de fazer política com seriedade, tornando o mesmo um cético e desconfiar de todos. Isso não é bom para a democracia. E só reflete a consciência de cidadania individualista e aburguesada, que faz da política e das pretensões de um povo um meio que só torna possível a distribuição de dividendos entre grupos, famílias, amigos e parentes. É uma maneira escrota e arrepiante de estimular o individualismo baseado na mais atrasada das tradições terceiro mundista e africana: de que tudo é meu, tudo me pertence, a mim e aos meus familiares; e que quem assim não concordar estará rompendo com uma tradição. Uma verdadeira estupidez!

Associar o grau de parentesco, em particular do presidente, como uma condição para se chegar ao mesmo cargo, que este hoje ocupa -já dissemos- é banalizar a política e transformar num idiota o eleitor. Afinal, essa gente tem assim tantas qualidades para serem deputados ou deputadas e futuros presidentes da república só porque são parentes ou familiares de quem hoje senta naquela cadeira: a de Presidente da República?

A difamação a intriga, além de ter limites, os fatos usados pela mesma devem ser usados de tal forma que levem o cidadão a ser responsável por cada um de seus atos de cidadania; saber separar toda sujeira que pode contaminar a nossa fuba do dia a dia, é necessário. E o Semanário Angolense exercitando o seu direito de liberdade de informar e opinar ainda não chegou a esse nível. A prova disso está aí: vendeu-se aos dólares da corrupção! Como dizem os cubanos: “é vergonhoso, é bochornoso”!

Mas ainda assim desejamos sorte à nova direção do SA. E, também, aos novos proprietários dessa publicação! E que a roda da história continue a girar! E ao Graça Campos, seja bem-vindo a esse mundo fácil onde tudo é possível: o mundo dos corruptos!


Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
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