quinta-feira, 24 de junho de 2010

Senhor Procurador, é Tudo Mentira!

De que o Senhor não pode acusar nem promover uma investigação contra o seu próprio chefe isso é desastrosamente compreensível. Mas o que não aceitamos, e é algo que ninguém pode nos convencer, é de que a quadrilha de ladrões que andaram arrombando o Banco Central, vulgo BNA, são simplesmente os quarentas.

Verdade diga-se, literalmente, o BNA não foi assaltado, ele é, e sempre foi, vítima de má gestão. Um processo que vem acontecendo, é bem possível, nos últimos trinta ou vinte anos. E isso não é o tipo de problema que se resolve, simplesmente, penalizando e perseguindo o cardume de sardinhas que vive nadando nas águas contaminadas da Baía de Luanda. É preciso ir além da Baía, é preciso navegar no Oceano da corrupção. Onde o Senhor também nada e conhece lá muita gente! É preciso - no mínimo- assustar os corruptos, principalmente, aqueles que se sentem acima de todos e de tudo que existe por aí! Tudo que existe por aí não é pouco: é o povo e o país inteiro, que clamam por transparências. E porque não dizer: justiça!

Todas as perguntas diante do caso BNA são feitas e ninguém, mais ninguém mesmo, consegue responder. Uma delas é: “se José Pedro de Morais foi considerado como o melhor ministro das finanças e ganhou prêmios internacionais, por que então o PR, Presidente da República, exonerou o mesmo”? Num país onde a carência e deficiência de quadros é visivelmente latente! Ele poderia continuar a trabalhar na mesma pasta por toda sua vida, se verdadeiramente foi tão bom assim como se proclamou. Poderia continuar lá até que um dia substitui-se quem o pois no cargo de Ministro de Finanças, ou seja, consagrado-se um dia como Presidente da República. Isso não pode ser impossível, já que onde existe a seriedade, o mérito deve prevalecer. E estamos supondo que esse governo aí, e o seu clarividente presidente são gente sérias. O que aconteceu com aquele, já conhecido hoje por todos como ladrão –porque assim os “boatos” o denunciaram -, para não continuar na posição onde estava!?

As exonerações presidenciais, pantomima de quem governa um país como alguém que apresenta uma assembléia de palhaços diante de uma platéia num circo, constituem o último fato administrativo num ambiente governamental que há mais de trinta anos nos habituou a corrupção. Mais além disto, é a impunidade habitual e a resignação de se viver num país onde se falar de justiça transformou-se numa utopia. É o cinismo transformado em seriedade de quem nos governa, transformado na atitude do “camarada” que tudo faz e não merece ser questionado, transbordando o recipiente da paciência de milhões de cidadãos! Afinal, trinta anos, não são três meses.

A verdade é que vivemos num país de perguntões, onde nunca ninguém aparece para dar respostas a tantas inquietações. E isso é quando a pergunta já não se transforma em argumento de acusação e julgamento. Os acusados e julgados, nas suas aventuras e descaramentos – “de que eu posso e devo tudo”-, vêem nessas perguntas, a títulos de boatos , sem respostas o meio onde tudo se acomodará novamente. Um fenômeno bem-vindo e gerado pela cultura da impunidade onde o chefe, general, responsável e os heróis da pátria “jamais” podem ser acusados pelos seus atos maléficos. Definitivamente Angola é o País dos Generais que tudo podem! Até mentirem descaradamente, zombarem das pessoas e do bom senso que ainda resta a cada um de nós seres humanos. E principalmente angolanos!

Por que acreditarmos que o desvio do dinheiro público só acontece com as sardinhas que navegam na Baía de Luanda? A quem o governo angolano pode convencer usando esses argumentos fracos e debochadores?

A pergunta não precisa vir do governo, da Administração Pública, ou mesmo do seu chefe; esse nunca respondeu nada, não se sente obrigado para tal; afinal, suas famosas nomeações e exonerações servem para isso; pôr a falar os seus subordinados e sequazes generais.

Uma coisa é certa, nem ele, nem o resto da tropa enganam mais esse “curral de eleitores”!

Nelo de Carvalho
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