terça-feira, 1 de junho de 2010

“Muangai jamais será apagado”?

Todo projeto tem um espírito, tem um fantasma ideal. E Muangai é o espírito do Samakuva, Samakuva é o sujeito que sonha em ser presidente. Samakuva e a tropa que ele hoje comanda constituem o fantasma deste projeto. Um projeto que ceifou dois milhões de angolanos numa guerra cruel, onde até hoje ninguém se convenceu das reivindicações daqueles que andaram declarando guerra ao povo angolano.

Vamos aqui dissertar em detalhes o que significa o projeto Muangai. Mas para isso peço licença ao amigo leitor que me permita encarar ao longo do texto alguns âmagos preconceituosos. Usando termos ou expressões supostamente pejorativas.

O projeto Muangai começa como a expressão de um fracasso; é a manifestação desesperada do fascismo colonial português, da burguesia internacional capitalista no mundo ocidental na sua luta contra o comunismo. Já que este último é o instrumento fundamental da descolonização em particular do continente africano, e em geral dos países do terceiro mundo que tentaram se livrar do colonialismo europeu.

O anticomunismo, assim como o projeto Muangai é um fenômeno típico de nossa era, da mesma forma que a intervenção colonialista foi há 500 anos, subornando e comercializando com chefes africanos no tráfico de escravos e na venda de territórios ( ou ocupação territorial permissiva por estes) na “plataforma” continental vulgo, o Continente Africano.

No contexto Angolano o projeto Muangai é uma maneira de frear o comunismo nesse território. A essência do projeto Muangai é precisamente o anticomunismo. Mas o anticomunismo é equipado de várias corrente preconceituosa com caráter político e econômico: é anti-popular, anti-pobre, é tribal, racista quando lhe convém. Em fim, o anticomunismo não é só uma luta simples contra a ideologia comunista. Além de ser uma manifestação de ódio contra uma classe, às vezes, contra uma raça, região, povo ou cultura, é também discriminatório em todos os sentidos. O anticomunismo é o medo contra o progresso  social na busca de um sistema ou regime  mais justo que possa solucionar o problema da miséria social gerada pelo capitalismo.  E para isso conta com a religião, todas as formas possíveis de obscurantismo e a ignorância que a espécie humana está condenada a carregar por vários anos ou séculos. Seu instrumento de manutenção e auto-afirmação está longe de ser a autodefesa, é o fascismo protagonizado pela direita, a extrema-direita e a burguesia reacionária no seu desespero em perder qualquer protagonismo político e o controle das riquezas em qualquer sociedade, país ou nação. É uma violência que geralmente nasce da provocação e como já dissemos do desespero, não reconhece princípios, valores, e a dignidade humana pode estar a venda a qualquer preço. É só basta recordarem com quem Jonas Savimbi nos traiu.

O projeto Muangai é o grande projeto anticomunista angolano, onde se usa o fantasma de Jonas Savimbi como um suposto libertador e reivindicador de direitos políticos, mas nesse caso de uma tribo supostamente colonizada. Não só já pelo colonialismo português, mas também por outros grupos tribais ou regionais que tiveram a iniciativa, por destino histórico, contestar o colonialismo português ou a ocupação colonial. O projeto Muangai é usado como projeto clássico colonial: “dividir para vencermos os nativos e para melhor reinarmos sobre os mesmos”. Esse projeto é a subestimação do nativo pelo colono. Trata aquele como um idiota que não consegue chegar ao entendimento em sua própria terra ao lado dos seus semelhantes. Assim, também, pode ser entendido como um produto do racismo europeu que trás a mensagem de que: “os negros nunca se entendem entre eles mesmos”, ou como uma vez noticiou um dos jornais brasileiros em sua manchete sobre a guerra de Angola: “Angola , os Negros Matam-se Entre Si”.

Assim, sua característica principal é disseminar o racismo e o tribalismo. O tribalismo consiste, por exemplo, em fazer pensar que o bailundo é o cidadão angolano mais discriminado e que ele é o autêntico angolano, os outros todos são crioulos e miscigenados ou misturados. Que o bailundo e o sulado ( região sul de Angola) deveriam ser prediletos em tudo, principalmente, na hora de ocuparem os cargos no governo e na função pública e esquecem-se que tudo deverá ser na base do mérito.

A essência do projeto Muangai é também pôr todos os grupos tribais contra todos. Provocar  o caos social, instabilidade política e econômica, fomentando a intriga, no meio da população ou até entre dirigentes políticos, para assim tornar a governança e a governabilidade do país insustentável. Eu diria mesmo que o projeto Muangai é o grande perigo da nação angolana. Para aqueles que odeiam o país e sabem tirar proveito do mesmo. Mas também para quem ama o país, temendo o mesmo projeto.

E Samakuva, o novo líder da UNITA sabe disso, sabe do caos que esse projeto pode gerar a toda sociedade angolana. Ele também sabe o quanto pode tirar proveito com o mesmo. Por isso defende tal projeto como um bom terrorista que ele é. Samakuva tenta se auto-afirmar com ele, porque Samakuva sabe que não tem chance de ganhar, jamais, as eleições. Samakuva sabe que não tem como cumprir aquilo que prometeu a extrema-direita portuguesa, aos mercenários da CIA e aos  racistas sul-africanos que na longa luta Kwacha andaram ajudando Jonas Savimbi.

Muangai além de ser um projeto terrorista e fascista, nunca foi democrático e é anti-nacional porque tenta dividir os angolanos. É racista, mesmo quando aparentemente tem uma meia dúzia de mulatos e brancos em seu Movimento ( UNITA), estes geralmente motivados pelo ódio que sentem ao MPLA e induzidos pelas grandes promessas de Jonas Savimbi de um dia voltarem a recuperarem suas propriedades ou terem privilégios especiais quando o poder chegar às mãos desse grupo racista e tribal.

Assim é Muangai, assim é Samakuva e a tropa de ex-guerrilheiros terroristas e fascistas que rodeiam o mesmo. Não é encher a boca demais se dissermos: exigimos a extinção desse movimento terrorista que se considera Partido.


Nelo de Carvalho
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