sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sonangol: Um Mito e Uma Verdade a Ser Resgatada

A Sonangol é hoje por direito o símbolo da economia angolana e em qualquer parte do mundo, além de símbolos, as empresas, mesmos quando são privadas, constituem o orgulho de seus países de origem. E mais do que comercio e negócios são sombras do conjunto de símbolos de uma nação. Da mesma forma que a Coca Cola pode ser usada como um símbolo americano para identificar as tradições e a cultura do país de referência, a Sonangol pode ser usada, por milhares ou milhões de angolanos, para se representar o que temos de bom e melhor.



Com as denúncias de corrupção envolvendo a mesma empresa, sendo ou não verdade, quem sai prejudicado não é só o contribuinte proprietário da Empresa. Nessas denuncias, e na habilidade que existe de se descaracterizar -por conveniência- tudo que envolve a luta pelo poder, sai manchado o nome de Angola, dos seus filhos e os símbolos pátrios que representam essa nação.

Podemos ver na corrupção uma inimiga que mancha tudo o que tocamos –quando ela está próxima de nós-, mas não podemos ver no objeto vítima a culpada pela ação dos homens. Sou de opinião que a Sonangol, mesmo com a Guerra Fria que ainda se vive no nosso país, é um produto e marca nacional a ser reverenciado por todos nós e que possa servir de orgulho a nação angolana. Assim, como serve de orgulho a todos nós a nossa Bandeira Nacional, o Nosso Hino Nacional e o Herói Nacional. A luta pela corrupção não justifica que um símbolo Pátrio possa ser denegrido e até mesmo usado como escudo contra alguns compatriotas ou para se alcançar objetivos que atentam contra o interesse Nacional. Infelizmente, a interpretação que se tem de muitos fatos é que a empresa é usada com esse objetivo. Que Angolano não teria orgulho, depois de tantos anos na diáspora, de ver a bandeira –ou as cores- da Sonangol içada em algum lugar de suas sedes no estrangeiro ou mesmo num evento internacional onde a mesma pudesse estar representada? A verdade é que a incompreensão política dos grupos da oposição, no caso de Angola, tem tornado inimigo até aquilo que representa os angolanos em todas as dimensões culturas. Já não se é só adversário político do Governo que está no poder, se é subversivo, incluso, com aquilo que melhor representa Angola e os Angolanos. Não custa observar que na luta pelo poder político os símbolos ostentados por estes grupos nunca passam perto dos símbolos da Angola. E a justificativa é a mesma de sempre, que os mesmos símbolos representam igualmente o MPLA. Ora bolas, é preciso entender que Angola é uma nação jovem, e na sua construção esse mesmo partido é o que maior mérito tem, indiscutivelmente. Negar o papel do MPLA na história de Angola é querer negar a própria história do país. Somos uma nação graças a este partido, temos uma bandeira, um Hino e um Herói, que merece a posição que tem na nossa história, graças ao mesmo Partido.

                                                                                                     

É preciso reconhecer, para bem, e mais do que para bem do que para mal, que essa empresa, mesmo sendo pública ela é a promotora do Capitalismo Nacional. É ela que muitas vezes injeta fluxo de riqueza no circuito Nacional, estimulando o crescimento de uma economia no pós-guerra.

Não estamos interessados nesse momento em denúncias sobre corrupção, mas precisamente em desmanchar essa visão hipócrita de que ela só serve para uns, ou seja, queremos que o amigo leitor se convença de que a Sonangol é nossa, sim, e não precisa ser vista como um refugio de corruptos ou de uma instituição que ajudam a incentivar o que é condenável. É verdade que o gerenciamento de um bem público, no caso uma Organização do tamanho e interesse da mesma Empresa, além de ser complexa, é um tabuleiro de peças de xadrez, onde a relação entre as mesma leva-se num desenrolar de atos burocráticos que ajudem a desordem e como consequência a corrupção. Mas isso não torna a mesma empresa menos estratégica no contexto nacional. Aqui o estratégico consiste em ter na mesma não só uma Organização que gere riqueza e lucros, mas que, pela sua complexidade, sirva de Escola para essa nova geração de empreendedores e gestores numa economia de mercado. Onde a concorrência pode ser o túmulo dos ineptos.


O que se pode “extrair” de uma empresa como a Sonangol, se organizada e com uma gestão eficiente que passe pela consideração dos quadros nacionais, é muito mais do que simplesmente Petróleo. A empresa pode servir como uma fonte ou cuba de geração e criação de tecnologia, até mesmo nacional, mas para isso é preciso uma política de estímulo e consideração aos quadros nacionais e nativos –evitando que estes saiam correndo ou fugindo para o exterior-, e que essa política não se cruze com a politização dos interesses partidários, ou mesmo daqueles que estão no alto do poder.

Neste momento estou metido num projeto de comunicação e sistema de informação que ajuda a medir o nível de talento e aproveitamento da massa cinzenta nacional – omitirei o nome da pessoa ( colaborador) por uma questão de modesta e até estratégia de trabalho-, mas no tal projeto deu para sentir e determinar até que ponto nós os angolanos com o nosso talento, conhecimento adquiridos pelo mundo afora e se bem aproveitados podemos contribuir muito bem para o desenvolvimento do país, sem a fanfarronice habitual que a arrogância e o desprezo da cultura lusitana deixou em nós. Como aquela que anunciou o Know How na TPA diante da nação sem passar por uma Licitação ou Concurso Público e que hoje, depois de quase dois anos ou menos, provou-se incompetente, ineficiente, uma qualidade desastrosa do produto oferecido a milhões de angolanos.

Sem querer cair em críticas, estamos aqui para falar bem da Sonangol, enaltecer e vender ao mundo um produto que é de todos os angolanos, independentemente de que a mesma seja vítima ou não de corrupção. Nossa tentativa é transformar aquele produto, também, um símbolo da Paz e de Reconstrução Nacional. Fazer que em volta da mesma idéias e projetos unam-se em nome de uma Nova Angola.

Gritar que a Sonangol é Nossa! Não basta, é preciso que esta também vem até a nós, dentro e fora do país, ou onde minimamente existam rastros de Angola. Afinal, de rastro, faro e perfuração neste país ninguém melhor que a mesma faz.

Rastrear e farejar conhecimento gerado por angolanos, fora ou dentro do país, também é função da Sonangol.

Nelo de Carvalho
http://www.a-patria.com/
Nelo6@msn.com

Um comentário:

ma.francischini disse...

Tens rzão ao desabafar, se todos os brasileiros também o fizessem, quem sabe no Brasil não teriamos tantos deslizes nos faturamentos das empresas estatais

Obs:
Sonangol é também uma importante patrocinadora das artes, esportes e serviços humanitários em Angola e na África.