quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Angustia de Uma Perdição


O 11 de Novembro é também o dia do revanchismo. É  possível descobrir, em alguns discursos, os descontentamentos de alguns por não estarem presentes no dia da declaração da independência ou, ainda, por não serem eles os autores dessa declaração. O descontentamento e a revolta é tanta que tem gente que chega a negar a independência de Angola, tem gente que acredita que se o país continuasse a ser colonizado pelos portugueses seria melhor, que entregar a independência e o dia da declaração ao saudoso Agostinho Neto ou aos guerrilheiros do MPLA.

Tem até os que invocam uma suposta reviravolta dos fatos, onde gostariam de ver a sua bandeira, a do seu partido; cantar o seu hino, a do seu partido e declarar uma suposta nova independência. É, com certeza, os sintomas de uma  doença que só afeta os derrotados; e de quem não consegue se conformar com a vitória da maioria da população.

É a angustia de quem perdeu a chance de estar ao lado dos seus e um dia regressou e deu-se por conta do que perdeu e do erro que cometeu no passado. O erro de ser  traidor e mercenário, de se alistar contra o seu próprio povo, vender-se aos ex-colonos e a burguesia mundial e reacionária. Não existe  meios nem formas para se retratar, não há perdão ou desculpas que cicatrize tantas feridas e tantas traições. A  angustia é chocante, é uma ferida ainda sangrar, sem esperança de que o cancro na mesma seja irreversível.Talvez nunca seja!

A perdição? A perdição consiste em tudo, em sentirem-se “peixe fora da água”.  A cada aniversário são vistos como traidores e irretratáveis. Não conseguem entrar em sincronismos com os novos fatos e eventos, vivem de um passado que não conquistaram e o perderam definitivamente.  A UNITA é assim, Samakuva idem e todos os atuais dirigentes da UNITA estão na mesma condição. Por isso, são discriminados, humilhados, ridicularizados e vítimas de todas as formas possíveis de apartheid. Uma vingança do povo e da sociedade em geral contra aqueles que tanto  fizeram sofrer a nação e adiaram a sua felicidade. É a perda irreparável de um grupo de pessoas ( os traidores) que foram abandonados pelo trem da nossa  história. Angola não espera por ninguém, muito menos por traidores e vende-pátrias. Seria um desaforo no dia 11 de Novembro  de 1975 termos que parar o tempo, por  causa de uma quadrilha de vândalos e um exército de mercenários vendidos aos sul africanos e ao exército zairense de Mobotu Seseko,  para esperar quem se propôs a trair a própria pátria. A nave da nossa independência jamais  poderia esperar essa turma de  malfeitores. Por isso, Viva Agostinho Neto! Viva o Dia da Nossa Independência! Gloria Eterna a Todos Aqueles que Lutaram por Ela!

A UNITA não pode dizer que tudo (todas as suas desgraças) o que acontece com ela, hoje,  nas urnas ou no cenário político nacional, é obra do MPLA. Não reconhecer seus atos inúteis, a incompetência e os anos de terrores protagonizados pela mesma  é  querer culpar a vítima pela sua desgraça: o povo angolano.


Nelo de Carvalho
Nelo6@msn.com

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