quinta-feira, 31 de março de 2011

Líbia, O Dilema De Se Posicionar

Corrupção existe em todas as formas de regimes em ditaduras de esquerdas ou de direita e, como não podia deixar de ser, em democracias também. Mas todas as evidências demonstram que é mais fácil combater a mesma num regime democrático, onde no mínimo exista a autonomia e a independência dos três poderes, e o direito dos cidadãos de elegerem de forma direta os seus representantes. Esta última condição pode servir como sentência final e inquestionável para afastar os reconhecidamente corruptos ou os simples suspeitosos de estarem envolvidos em atos que o eleitor condena. É esta condição que também, no contexto angolano, tem gerado crises políticas e inconformidade de grupos políticos ou da sociedade civil em geral. O descontentamento político está longe de ser uma simples luta de interesses partidários de fundo ideológico onde posicionar-se sempre é necessário. Mesmo porque o partidarismo aqui já se transformou numa fachada.



A corrupção tornou-se o problema comum de reivindicação em todas as mal-chamadas revoluções em que as ditaduras de esquerdas foram vistas como absoletas e o socialismo um fracasso ou algo a ser revisto até que se solucione a maior crise da filosofia dos últimos duzentos anos. Ou o êxito desta sociedade vir acompanhada com a resolução desta crise do conhecimento e do pensamento.

No caso da Líbia, a corrupção nos levou a um dilema de posicionamento: Kadafi deve ser reconhecido como um nacionalista e patriota que agora enfrenta uma invasão estrangeira? Erro de um mundo com mentalidade colonial e imperial, a chamada comunidade internacional, capitaneada agora pela OTAN, e que faz das decisões das Nações Unidas atos legítimos para invadir e agredir países soberanos. A invasão da NATO deu legitimidade a Kadafi e todos aqueles que estão ao seu lado, mesmo este sendo um corrupto insaciável. Que chegou a abrir um fundo de investimento, o chamado LIA, Libyan Investment Authority, em nome dele e de toda a família. Um fundo que opera mais de 150 bilhões de dólares, de um país que só tem 6 milhões de habitantes. Esse dinheiro já seria muito só para a população deste país do Magrebe. Seria dinheiro suficiente para transformar a Líbia num país de primeiro mundo invejável e incomparável, numa potência mundial, até mesmo militar. E que hoje, talvez, estaria em melhores condições para revidar a invasão Celta.


Se aquele dinheiro fosse bem investido até mesmo com fins militares, a França, a Itália pelas suas proximidades com a Líbia e toda a costa do mediterrâneo da Europa não se atreveriam estar a frente desta invasão, só comparada com a era colonial onde as sanzalas africanas eram bombardeadas com os canhões de fogos trazidos por piratas e toda corja de saqueadores que ajudaram a colonizar o continente. A invasão da OTAN à Líbia é a continuação de um processo colonial que não terminou, é um produto da arrogância colonial e imperialista dos nossos tempos, uma típica herança do passado.

O caso da Líbia, assim como a do Egito, ainda provam que os corruptos não estão nem preocupados com a defesa do próprio país que eles dizem amar, defender e estarem preparados para morrerem. E quando se armam de verdade, o objetivo é a repressão interna, reprimir o próprio povo que reclama da corrupção.


O coronel extravagante e espalhafatoso teve a coragem de usar a sucata de aviões de sua força área de tecnologia ultrapassada para reprimir seu próprio povo, com o pretexto de que os mesmos eram ratos a serem abatidos. O faraó egípcio, Mubarak, quase que desmantelou o exército, ao se tornar amigo de Israel e dos Estados Unidos. A polícia do Egito tinha três vezes mais efetivos ( homens) que o exército que um dia já foi considerado um dos melhores da África. Os serviços de segurança usavam como instrumento de tecnologia mais avançada a tortura para perseguir adversários e a oposição, e todos aqueles que reclamavam da corrupção.

De que a mobilização da OTAN chega a ser uma atitude de tontos que deveriam quebrar a cara no terreno e ser rejeitada e condenada à qualquer preço é um desejo mais do que justo de quem vê no colonialismo algo que deverá ser derrotado e humilhado ,como foi o Império Romano diante das tribos bárbaras.

A diferença é que a Líbia não é uma nação de bárbaros e tem condições de derrotar a OTAN e expulsar o seu falso líder transformado em corrupto.

Nelo de Carvalho
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