sábado, 5 de março de 2011

O Drama De Se Viver Nesse Mundo

Não são poucas as acusações que recebo, de várias partes, entre os angolanos, de eu querer instigar e agitar, um certo grupo de pessoas, já que acredito que não são muitos que lêem o que escrevo, um suposto conflito ou uma iminente guerra entre os meus compatriotas. Quisera eu ter tanto poder de influenciar meia dúzia de pessoas para se rebelarem contra um governo corrupto e o seu dirigente, que, o que mais fazem é, precisamente, perderem a legitimidade, não só deles, mas, também, a do maior partido e a maior organização política que esse país ou continente já conheceu. Se, assim fosse, essa turma de corruptos, bandidos, que fingem ser os melhores patriotas, não estariam usando o poder para mostrarem o que eles não são e nunca foram em suas vidas: gentes decentes, cavalheiros, honestos e sérios. Partido político que milhares de Angolanos, assim como eu, amamos e aprendemos de um jeito ou outro a preservar o mesmo nesses trinta e cinco anos.



Venho responder com muita ironia e raiva, que guerras não são produzidas e provocadas porque alguém que quer ou deseja. A guerra, qualquer uma delas, é um “estado de sítio” necessário que o ser humano –as pessoas, povos- numa atitude defensiva, e, às vezes, sem alternativas são obrigadas a encarar. Os angolanos encararam essa situação nos últimos 50 anos ao longo de 40 anos. Primeiro, contra o colonialismo português; para os angolanos era uma guerra necessária e inevitável. A segunda, foi a guerra pré e pós-independência. Nessa situação a necessidade de se fazer a guerra consistia-se no fato de que éramos um país invadido pela África do Sul: os angolanos precisavam se defender. Na mesma situação, também, tínhamos nossas crenças ideológicas que precisávamos defender.

A terceira fase da guerra, a que considero a mais estúpida, é a que Jonas Savimbi e seus homens protagonizaram. Pela incapacidade de enxergarem que democracia não é só o direito de se exercer o voto livre, mas, também, o respeito às regras democráticas. Porque sem esse respeito tudo vira uma falsidade, engano, vícios, tudo vem da boca para fora, e não ultrapassa os limites da dignidade humana. Savimbi foi um bicho com feições de gente que provocou uma das maiores guerras civis do continente. Mas Savimbi pode não ser o único homem com esse aspecto, mesmo depois da sua morte. E para aqueles que amam tanto o MPLA não precisam pensar que o bicho atual esteja fora do MPLA e que só os outros são culpados a ponto de provocarem guerras. Afinal, quem deu o famoso Golpe Constitucional não foi o Samakuva, não foi o Abel Chivukuvuku ( o intelectual terrorista), não foi o Numa Kamalata que vive fazendo barulho lá no Huambo com os seus sobrinhos. Quem deu o chamado Golpe Constitucional para se proteger da corrupção, pensando que é o Grande Líder, chama-se José Eduardo dos Santos. Esse, sim, no poder em que está, e nunca deveria estar naquele lugar, é que tem poder de influenciar dois milhões de pessoas, com suas ambições e levar uma nação inteira à guerra.


Hoje, agora, depois de estarem no poder com a paz conquistada e o passaporte que a mesma deu aos atuais governantes, quem ameaça manifestantes pacíficos em nome do poder que tem é o “grande e todo poderoso” secretário do MPLA, se antes era menos famoso e conhecido agora todos conhecemos quem ele é.

O MPLA governa o país há mais de trinta e cinco anos e não tem porque, sempre, se posicionar na posição da organização ofendida e vítima de todos os desastres sociais – seria injusto. Qual quer historiador –muito mal pago, péssimo e corrupto, que milita ou não nas fileiras do partido do poder- pode, sem ou com a consciência pesada, fazer-se a seguinte pergunta. Além dos delírios –inevitáveis- postos em prática de Jonas Savimbi, em quantas oportunidades o MPLA e o seu “líder clarividente” – que não tardará no tempo para agonizar no meio do silêncio e tanta bajulação- poderiam evitar guerras e não evitou, por incompetência, por, aquele, ser mau estratega, sendo comandante em chefe das forças armadas!?


Pode parecer segredo de Estado, mas somos bem informados da sua incompetência!

O que para muitos militantes do MPLA é inacreditável, inadmissível, conceber aquele sujeito “golpista” como incompetente. O próprio Golpe Inconstitucional foi uma incompetência assustadora e terrível –“inacreditável e inadmissível”- mais incompetente do que isso só o golpe protagonizado por Nito Alves e a sua gang de confusos do bairro sambizanga. O MPLA não precisava dar um golpe inconstitucional –como dizem os brasileiros, “não precisava disso!”- já que continua tendo “o queijo e faca na mão”!

Ai, José! Talvez, chegou mesmo a hora de trocares de assessores e conselheiros políticos –sinceramente!?, tarde de mais!-; que te dissessem minimamente que “Angola é uma República”; que “é preciso respeitar as expectativas do povo”; que “o MPLA – ou mesmo você- não vão governar para sempre ou eternamente” e que “guerras são evitadas respeitando-se, também, os anseios das minorias”; porque estas um dia poderão assumir a posição da maioria.


Por outro lado, e é o que interessa neste artigo. Estamos cansados de receber convites do diabo. Do por que da nossa ausência no país? Por que não regressas, em vez de ficares a distância dando palpites e agitando? E não faltam os idiotas de ambos lados -governo ou oposição- sugerindo de que o perigo da guerra vem da diáspora ou de um bando de inconformados fora do país.

Com relação ao nosso regresso, eternamente adiado, não existem garantias de nenhum tipo –políticas ou econômicas- que garantissem a nossa existência como cidadão no país que nos vir nascer, Angola. Não existe nem sequer um Estado de Direito que se abrisse às vozes e aos protestos como os nossos ou, mesmo, que nos salvassem de uma possível injustiça vindo dos homens do poder ou de quem mais tem e conseguiu, de uma maneira ou de outra, reunir objetos. Não vivemos na pele de idiotas para encararmos a esse tipo de covardes dispostos a engolirem em tamanho e de forma crua aquilo que somos. Sabemos dos nossos potencias e das nossas utilidades, assim, temos consciência de como devemos nos preservar.

Nosso sangue não é o sangue de Cristo a ser transformado em vinho. O que queremos mesmo, na maior simplicidade e hulmidade, é infernizar a vida dos corruptos. Mostrar que eles são um bando de vermes e que não merecem tanto assim!

Muito menos dois milhões de pessoas em sua volta! Essa sujeira não vale o meu sangue.


Nelo de Carvalho
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