sábado, 6 de março de 2010

O País das Aranhas XLIV

Preocupação, o patrimônio de todos

O sexolândia, aquele programa da televisão angolana visto como algo moderno e contemporâneo, é como se fosse uma paisagem , a paisagem que dá o acabamento perfeito da terra da corrupção. Para Domingos Cruz a oferta televisiva deveria se chamar de “Programa de Educação Sexual”. Em minha opinião a mediocridade de tal programa descrito num dos artigos do professor não merece a qualificação como programa de Educação Sexual. Tal vez o atual nome encaixa-se, não só na mediocridade daquilo que é o programa, mas na quilo que também transmite: o prazer de se viver numa terra ou nação dirigida por corruptos. O programa reflete a mediocridade de quem conduz e dirige o mesmo, a mesquinharia das pessoas ou a família que têm o “privilégio” de executarem semanal ou periodicamente esse nível de diversão; que retrata, por certo, o nível do perigo em que a nação angolana foi e está entregue.

A propósito, falando em família, a Tchizé e a família que representa, tanto ascendente ou colaterais, tem alguém naquele grupo formado em sexologia ou educação sexual que poderia provar profissionalmente seu trabalho que permitisse a rigor o Estado Angolano aceitar o profissionalismo dessa gente para trabalharem na Televisão Pública de Angola como profissionais na área de Educação Sexual ou Psicologia Sexual?

A insurgência de Domingos Cruz é bem merecida e justa, mais do que justo, para quem muitas vezes soube manifestar em seus artigos preocupação com os destinos da nação. Falando em artigos e publicações, só o club-k conseguiu revelar que a preocupação com um país como o nosso, Angola, deve vir de várias correntes ideológicas e políticas. Mas que ninguém, fora do estado, é soberano e tem o patrimônio absoluto da preocupação sobre a nação. O que deve vir de fora desse Estado são os palpites dos formadores de opinião e a rigor o conhecimento científico e acadêmico gerado pelos especialistas de qualquer uma das áreas que venham a contribuir no nível de educação geral das pessoas. O autor deste texto não tem autoridade nenhuma para falar de Educação, já que não é especialista da área. Mas tem autoridade, mas do que suficiente, para se rebelar contra qualquer forma de religião, seja ela qual for, que se imiscuía na maneira de como o Estado deve e tem direito de educar o seu Povo.

Domingos Cruz é filosofo, pelo que tenho entendido, e como filosofo tarimbado tem toda a palavra, merece a palavra e o raciocínio, mesmo porque a palavra e o raciocínio é o que menos se lhe pode negar a um filosofo. Eu como simples cidadão, homem social, que devo ser guiado, só tenho a minha liberdade e os pedaços de cultura, conhecimento e informação que a minha bagagem de ser intelectual precisa para que eu possa tornar mais fácil e cômodo a minha vida neste mundo. Vamos partir do princípio que minha condição não dá direito a nada nem a ninguém a submeter-me a qualquer direção filosófica. Como homem social a única coisa que devo e tenho a fazer é respeitar o grande contrato social: ser membro da nação, aceitar estar sob tutela do Estado e finalmente cumprir as regras estabelecidas. Aqui, sem necessidade, mas para dirimir dúvidas, o Estado é laico, princípio que não só os corruptos tem hábitos de violar, mas até aqueles que fazem parte da igreja, ou de diferentes grupos religiosos.

Ou seja, é o Estado, o Estado não corrupto e sério, que deve cuidar do patrimônio cultural a ser assimilado pela nação ou a sociedade. Esse cuidado, no meu entender deve ser soberano, inalienável e não negociável.

O Professor Domingos Cruz no seu artigo “Sexolândia um P(i)rigo Para a Saúde da Nação” vende os cuidados que o Estado tem de ter como obrigação para com a sociedade à igreja, em particular aos cristão. O Professor, nem ninguém, na sua maior lucidez ou estado de delírio, tem esse direito. Isso é um direito absoluto que recai sobre o Estado, pena que o nosso é corrupto, prostituto, vagabundo e até delinqüente, mas não é tarefa da igreja salvar o mesmo. É tarefa do Povo vítima do mesmo, dos seus filhos, da massa cinzenta de intelectuais não mercenários que aí estão.

A igreja, essa que está aí, e que sempre existiu da mesma forma, sem mudar, não merece simplesmente a negação desse povo, merece sua insurgência, a mesma, que por certo, o Professor tem para com o atual Estado Angolano corrupto e delinqüente. A Igreja, e a católica precisamente, diga-se, é tão repugnante quanto o atual Estado Angolano.

E por isso, não acreditamos que é a essa gente que podemos confiar à educação sexual de um povo ou nação. Confiar a educação sexual de nossas crianças e adolescente aos padres, aos bispos, para isso seria melhor deixar as coisas do jeito que andam. Afinal como confiar nossa educação a pessoas que nem se quer tem educação. Como um padre ou bispo pode ter autoridade de falar sobre vida sexual ou educação sexual, quando estes nem vida sexual têm. Padres não fazem sexo, bispos idem, padres não andam com mulheres; padres não se casam, não namoram; padres não têm filhos. O que se tem como notícia desta turma é que muitos deles são adeptos a orgias de pedofilias. Assim, como o estado poderia confiar à educação do nosso Povo a essa gente? Não seria melhor lidar com gente profissional e gente com especialidade na área?

Somos de opinião de que nem a Tchizé e os seus irmãos, nem os padres ou bispos têm bagagem intelectual, moral e experiência necessária para falarem de Educação Sexual.



Nelo de Carvalho

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