sexta-feira, 5 de março de 2010

O País das Aranhas XLIII

As Dez Mulheres do Ministro
Diz-se que o homem na sua saga pela sobrevivência, quando se trata de sexo, são selvagens como um chimpanzé e truculentos como uma jibóia faminta. Essa selvageria e truculência pode ser domada com a espiritualidade e a dignidade feminina, principalmente numa sociedade que faz questão de se identificar com os valores da cultura ocidental européia. Esta iluminada pela influência e os logros da revolução francesa, esta última banhada pelos ideais iluministas; e, posteriormente, ainda, pela emancipação da mulher que as revoluções comunista em todo mundo instigaram e agitaram. Nosso país, Angola, não precisava ficar tão atrás de todos os valores gerados por essas grandes mudanças que a bem ou a mal beneficiaram a vida da espécie humana, tornando a mesma mais racional e menos dependente da natureza.

A saga de um homem mulherengo, ministro de estado, com dez mulheres, era para ser em qualquer sociedade civilizada, e democrática também, motivo, não só de todo tipo de especulação constrangedora, mas, também, motivo de investigação policial, judiciária, moralidade e, por último, até de improbidade administrativa.

Eu tenho a impressão que a aceitação como valores culturais de quaisquer atitudes humana é finalizada na aceitação e no grau de como o mundo feminino, nossas mulheres, assimilam essa mesma atitude. E esse é o caso da poligamia um super-produto da corrupção; que já foi, aquela, um (sub)produto básico da escravidão nesse continente. A própria corrupção passou a ser um meio de relacionamento, uma maneira que se tem no país de o cidadão poder se movimentar em diferentes círculos sociais e políticos, ela transformou-se em instrumento de barganha. Ninguém leva escrito na testa que é corrupto, evidentemente, mas o corrupto faz questão de ostentar algo que não é e nunca foi seu: poder excessivo, recursos de todos nós desviados. E o pior é que ninguém se pergunta como o mesmo conseguiu tanta coisa numa só pessoa. Por que tem tanto, quando o normal é o muito pouco distribuído para todos ou para cada um de nós. E é aqui, na falta dessa pergunta, onde entram os valores do cidadão que abraça a corrupção como um bem social normal, a ser até reverenciado, talvez mesmo aplaudido. E o que merece reverência e aplausos só pode estar vinculado na saga do “herói”, do homem em condições de dar proteção a mulher e os descendentes que vier.

A corrupção estruturada por uma instituição organizada como o Estado, no caso um estado corrupto, passou a impor critérios de sobrevivência e de conquista no meio social. Dir-se-ia mesmo a corrupção é um instrumento de escravidão contemporânea. Inaceitável e que deve ser combatido, e está provado que é o maior desafio do estado angolano; é responsabilidade do partido que está em frente dessa administração do estado combater e denunciar. E a denuncia não pode vir da periferia. O ideal séria aceitar a corrupção como ela é, ou seja, reconhecer a mesma sem nenhum tipo de atribuição política. Em outras palavras, desvincular a mesma de qualquer motivação política. Encarar a mesma como um inimigo que destruirá a todos nós independentemente de filiação política ou partidária.

Indo direito ao assunto, o status atual do Estado Angolano é inaceitável e inegável. E assim, a mudança tem que ser radical na ou nas atitudes. Com isso queremos dizer que talvez seja necessário um auto-golpe de estado administrativo, uma reengenharia estatal, romper com tudo que existe aí. Negar valores culturais implantado pela própria corrupção. Um exemplo, a própria poligamia deveria ser ilegal, não só formal ou legalmente - também como se costuma dizer-se no papel-, mas disseminar valores em cada um de nós, cidadão e famílias, de que a poligamia descoberta como aquela do ministro Manuel Rebelais seja dedurada ou denunciada e aceita pelas autoridades jurídicas, os tribunais como um crime que a sociedade e o estado devem castigar e condenar. Outros exemplos podem ser considerados, como mudanças bruscas no estilo de vida de certas pessoas, principalmente quando estes são servidores públicos, sem se importar o nível e o grau que o mesmo ocupa. Pôr em prática a rigor as leis ou a lei sobre probidade administrativa, uma obsessão rigorosa ao combate contra a corrupção vindo de todos os setores do estado, sem importar quem deverá ser sacrificado. Espelhar o passado de todos os dirigentes que aí estão com relação aos bens e fortunas que estes ostentam, ganharam e ganham. Coisa difícil pelo comportamento arrogante e militarista que muitos destes têm ao lidarem com o resto da sociedade. Mas para começo de exemplo, isso deveria começar com Presidente da República, seus familiares, suas empresas, tudo que adquiriu e tem até hoje, como e em que circunstâncias ganhou, dinheiro e conta bancaria no exterior. Só assim, se abrirá uma porta de confiança, a porta que o MPLA há anos já nos fechou.

É tudo o contrário do que se tem imaginado, quando se arremessam suspeitas injustas contra alguns formadores de opinião. De que aquele ou este está contra o MPLA. Não se trata de pôr o MPLA no mesmo nível dos partidos da oposição, ao contrário nós queremos esse partido limpo e são, livre das demagogias e que no mínimo faça cumprir as regras do jogo democrático, porque o perigo Kwacha hoje é injustificável para se proceder detrás de qualquer fachada, onde uma delas era sempre a população ou o povo que precisava ser defendido das agressões terroristas dos homens do galo negro. O perigo Kwacha, dos homens do galo negro e o projeto de muangai não podem mais servir de justificação para darmos proteção aos corruptos, tidos como “heróis e valentes combatentes que prestaram imensos serviços à nação”. Sejam eles quem sejam!

Nelo de Carvalho
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