quarta-feira, 7 de abril de 2010

O País Das Aranhas XLVII

As Metamorfoses Não Estão Em Nós


Aqui no club-k por mil e um motivos fomos acusados várias vezes de ser uma espécie de camaleão quando se trata de fazer política e criticar, há quem diz por aí que somos uma espécie de pendulo oscilando de um lado para outro, nós diríamos “bater” de um lado para outro. Sem querer provar nada e desmentir fatos de quem assim formou uma opinião sobre nossas posições vamos tentar argumentar que as mudanças radicais não estão, às vezes, naqueles que tanto enxergam problemas, mas na classe de políticos reacionários que dirigem o nosso país e das diferentes representações, ditas sociedades civis, que compõem o espetro da sociedade angolana. É muito popular entre os angolanos a expressão em calão ou gíria: “estamos paiados”. E é disso que este texto vem a alertar. Não queremos ser vendidos a ninguém! Por favor....!!!

Como sempre esse é mais um artigo do Não. E que vem desmascarar o oportunismo Cristão da Igreja Católica e de todas as igrejas que levam o nome desse senhor, Cristo.

Pôr nossos ouvidos, e em particular a dos representantes do povo, da Assembléia Legislativa, o do Poder Executivo e o do MPLA, a serviço da igreja para discutirmos a laicidade do Estado, um tema ultrapassado e resolvido, que soluciona muitos dos problemas contemporâneos, é ofender a inteligência de uma nação. E até mesmo daqueles que andaram lutando pela independência desse país. É, mais uma vez, tornar vitorioso o colonialismo português, a escravidão e a própria evangelização que, é em definitiva, para todos nós um desastre.

É pôr em cheque a nossa dignidade e querer dar a continuação pela destruição a toda uma cultura de um povo que, originalmente, não tem nada a ver com o cristianismo. Nós não viemos de Jerusalém, não participamos nunca em nenhuma das guerras das Cruzadas, em nada nos identificamos com a cidade de Jerusalém, onde se precisou dar a vida, de maneira estúpida e ignorante pelo senhor Cristo. Nunca nenhum dos nossos antepassados teve obrigação moral, espiritual, social ou até econômica de morrer pela aquela cidade construída de entulhos e pedras que, por certo, nunca teve significado nenhum, a não ser para o bando de exércitos formados por soldados ignorantes que há três mil ou dois mil anos atrás nunca souberam porque andaram dando suas vidas por aquele miserável lugar.

A democracia e a economia de mercado não são sinônimos de vendas da alma de um povo ao diabo e isso inclui ao senhor Jesus Cristos, a esse número de igrejas que aí estão, ao Vaticano, ao catolicismo moribundo e escroto e aos pedófilos que habitam os recinto daquela cidadezinha tão repugnante quanto Jerusalém. E o MPLA e os seus dirigentes devem ter lucidez e discernimento de enxergar e ver o que é obvio.

Definitivamente, esse partido que agora tem o poder nas mãos deveria no mínimo estar em condições de preservar a consciência social, o espírito, ou seja, a alma dessa nação e não oferecer a quem quer que seja.

Pela prerrogativa que tem o MPLA nós clamamos e suplicamos em nome de todos angolanos, e é justo que assim seja, diante desse partido, dos seus dirigentes, do Presidente da República de que a laicidade do Estado Angolano é um tema solucionado e que nem deve ser motivo de discussão em nenhuma esfera do poder estatal e político desse país. E que igreja nenhuma tem competência autoridade e poder para provocar alterações na constituição a favor de quem quer que seja.

O que a Igreja Católica quer? O fim do comunismo não pode ser interpretado como o início da barbárie, onde tudo se permite até regressar ao passado de mentalidade colonial e escravocrata modelado e formatado pelo espírito cristão. Que com todo êxito ajudou a colonizar esse país e o continente. Onde está o MPLA nesse momento em que todos nós, inocentes ou não, indefesos ou não, precisamos deste partido para nos livrarmos dessa aberração?

Manter a laicidade do Estado, que deveria continuar a ser confesso e estritamente ateu, é uma missão incumbida ao MPLA. É a esse partido que podemos fazer chegar nossas vozes, gritar e berrar: não a igreja e que ela fique longe do Estado para sempre, quanto mais distante melhor, quanto mais calada melhor, quanto mais cega diante dos problemas sociais e do Estado melhor –como ela fez e fazia durante os últimos 500 anos de escravidão e colonialismo.

Quem é que mudou tanto ao longo desses quase trinta e cinco anos!?

Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
nelo6@msn.com

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