segunda-feira, 26 de abril de 2010

Recado à Velha Guarda

A esperança dos mais jovens e daqueles que estão aqui em "baixo" é ver precisamente que os exemplos das boas atitudes possam sair e partir desse círculo, da "Velha Guarda". Afinal, hoje, não basta dizer que eu lutei, eu combati. Nos tempos de corrupção, em que "todos", precisamente, usam o argumento de que eu fiz aquilo e isso, assim, portanto, mereço regalias ou acomodamento privilegiado; é preciso dar exemplos renovadores e cativadores sem esperar benefícios individuais.

E a Velha Guarda mais do que nunca deveria estar em frente desses exemplos. O militante da Velha Guarda, como qualquer militante desse partido, em vez de estar preocupado com o fato italiano ou francês que deverá vestir-se para enfrentar a reunião do dia seguinte - ou o estado da Mercedes Benz que irá usar para "desembarcar" em frente do edifício em que foi convocado para participar na reunião-, deveria estar preocupado com os atos administrativo partidário que ensejarão suas decisões; quantos irão se beneficiar com os mesmo; se está correto, se vale a pena, se é em benefício da nação; se reflete o ideal do partido: que é o de envolver todos os angolanos num só processo, o processo de reconstrução nacional em que todos tenhamos as mesmas oportunidades.

Além disso, chegou a hora da Velha Guarda assumir, também, a responsabilidade de todas as críticas contra esse partido no que diz respeito a governação: O MPLA por um esquema deliberado de desmantelamento e desordem, e com o objetivo de que os valores burgueses se apoderem do estado angolano e de todas outras instituições, contemplou de maneira acomodada e preguiçosa o apoderamento da máquina estatal pela corrupção e a vaidade dos seus líderes.

É preciso reconhecer, e lutar contra isso, que em nome de uma mudança dos tempos a mais alta direção do partido vem confundindo as "delícias" da sociedade capitalista com a desordem e o bandidismo: ou seja, capitalismo e economias de mercado não são sinônimos de bandidismo. Existem regras! De que a economia de mercado pode ser visto pelo Estado angolano como uma outra arena para se alcançar o desenvolvimento e o progresso do país e talvez a via que está em moda, já que as relações internacionais têm como alternativa essa, a mesma ou o mesmo mercado não pode ser confundido com um celeiro onde o "vale-tudo" é a norma. É preciso adequar os “lucros” do mercado e do Capitalismo a uma sociedade sofrida pela miséria, recém saída de uma guerra e do colonialismo; um colonialismo escravocrata que só soube denegrir com eficiência o homem nessa região do planeta, usando como motivo principal a posição geográfica,  a cor da  pele e as diferênças étnicas. O MPLA deveria ter consciência disso, que o racismo não é um simples capricho, ou uma simples manifestação da mente humana; o racismo e o  tribalismo procedimentos característicos de quem faz oposição  nestas nações colonizadas, nos últimos 500 anos nessa região do planeta, é o entrave principal no entendimento que se deveria ter na construção de uma nação. Assim, sem fugir do tema, fazer do capitalismo uma via possível para atenuar e combater a miséria nisso pode estar o êxito da futura nação angolana. Mas tudo isso se for bem feito e com inteligência.

Estamos querendo dizer que mesmo sendo a sociedade angolana uma sociedade onde os meios de produção sejam privados é preciso termos o hábito de cumprirmos com as normas impostas e estabelecidas e que elas sejam cumpridas por todos. É preciso que se façam leis, e isso inclui a Constituição a bem pouco tempo promulgada, que espelham os interesses de toda a nação, todos os angolanos. É preciso acabar, sim, com os privilégios individuais de proteção que aí existem. Se é proteção é proteção para todos e se é castigo, por se infringir leis, é castigo para todos.

Nós fomos contra essa Constituição por que ela não coíbe claramente o problema da corrupção. Ou seja, não há um instrumento claramente que indique que a corrupção deve ser combatida. A Constituição faz da corrupção um fato que não existe, como as pessoas e os dirigentes que estão em frente do Estado e da nação, faz da mesma um sofisma. Entendemos que toda Constituição reflete os problemas principais de seu povo, isso não acontece com a corrupção. Ela é ignorada simplesmente dando-se poderes excessivos a certos cargos públicos, diga-se ao executivo, evitando ou desestimulando o combate a corrupção ou, ainda, incentivando a mesma. A Constituição faz do chefe do executivo “um todo poderoso” o “vitalício de sempre”. A pergunta é: onde está a Velha Guarda que não evitou isso ou não viu isso? Onde está o MPLA?Ou será que na nova ordem, precisamente na ordem Capitalista, precisamos de vitalícios? A ideia, no nosso ponto de vista, era fazer uma Constituição que protegesse o povo e a nação dos corruptos. O MPLA com o seu Camarada Presidente na cadeira de vitalício não evitou isso, continua vendo nesse um sujeito imaculado "abençoado pela Madre Teresa de Calcutá", o sujeito que seria incapaz de desviar um centavo dos cofres público. Ninguém é obrigado a confiar nisso. Isso só se evita com normas fiscalizadoras e que responsabilizem os agentes públicos em suas funções, quando estes se desviarem dos seus objetivos administrativos e governamentais.

A questão aqui não é saber quem “roubou” ou quem deixou de “roubar”. A questão aqui é evitar que futuros “roubos” se cometam, ou que os futuros atos da administração pública se confundam com os atos da desgovernação e da corrupção. E essa Constituição dita atípica, que devia refletir desejos das imensas maiorias, está longe de evitar isso.

Nelo de Carvalho
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