terça-feira, 12 de abril de 2011

Laurent Gbagbo Escorraçado do Poder e Humilhado Como Um Cão

A incoerência de Gbagbo foi tanta que o mesmo foi abandonado até por amigos, a não ser por aqueles que se sentem na mesma pele que ele, que de forma duvidosa insistiram em que o mesmo e o seu adversário político formassem um governo de unidade nacional.

Gbagbo é a prova de que até os ditadores dariam tudo para provarem que são e sempre foram democráticos, até a própria vida de um jeito irracional e inconseqüente.



O desgaste provocado por ele à nação marfinense deveria agora ser reparado com um julgamento que levasse o mesmo aos banco dos réus e fosse condenado pelos crimes que cometeu. Não é pela primeira vez que a insistência de um sujeito como Gbagbo leva a uma nação africana à guerra. E é o tipo de persistência em que o sujeito se atribui o poder e o direito de continuar a ocupar um lugar, quando para isso não basta se ter legitimidade da suposta maioria, mas também é preciso chegar a conclusão, se a posição ocupada chega verdadeiramente a ser confortável, no sentido de não se provocar um conflito tipo à marfinense ou outros que o continente africano de tempo em tempo tem nos brindado.


Gbagbo sairia vitorioso do conflito marfinense se nos brindasse a postura civilizada: primeiro, de pensar que nenhum conflito armado valeria a pena; segundo, se ele não tinha provas que as eleições foram fraudulentas, por que insistir num conflito armado? No mundo civilizado tudo é feito a base de fatos e evidências que desmascarem gregos e troianos. Sendo ele o chefe do governo e estando no poder prorrogou as eleições por mais de seis meses, como agora poderia alegar que as eleições não foram justas? Se como chefe do governo e do Estado não teve nem competência de controlar o evoluir do processo eleitoral, então o bom senso diz que perdeu o direito de reclamar sobre uma suposta falha que atrapalhasse os resultados em seu favor. Além disso, Gbagbo estava há dez anos no poder, tempo suficiente para ir arrumando a casa, fortalecendo as instituições, chegar a um acordo com a oposição e unificar o exército, mas também estar preparado para se livrar do poder a qualquer momento.


O item “livrar-se do poder” pode até ser visto como o mais importante. Gbagbo mostra que na raça dos políticos africanos, muitos deles não estão preparados para perderem o poder e se agarram ao mesmo de maneira vergonhosa e covarde, como uma criança que se agarra à saia da mãe em situação de desespero. O africano na sua “eterna” burrice, selvageria e estupidez atribuísse o poder de maneira vitalícia e perde a postura diante do mesmo, provocando guerras, misérias e a eterna fome que o continente atravessa. Afinal, quem investiria num continente com instituições fracas, onde as leis não existem e quando existem são violadas e o poder sempre recai sobre um homem, grupo de pessoas ou famílias.

Moral da história, não foi Gbagbo que se livrou do poder, o poder teve que se livrar dele, sendo humilhado, escorraçado do palácio presidencial ou no bunker onde foi se refugiar para um quarto de hotel que mais parece ser um quarto de uma pensão freqüentado por emigrantes e refugiados. E agora sendo tratado como um cachorro onde a ração deve ser racionalizada e dividida por mais concorrentes.


Nesta situação, além de perder o que já perdeu, perde até o direito de ser líder da oposição. Conseqüência provocada pela incapacidade de se valorizar o papel da oposição nas democracias africanas. É preciso enxergar que a verdadeira oposição só é construída e fortalecida com aqueles que um dia já estiveram no poder. Mas para isso quem está hoje no poder deve facilitar e contribuir para que as instituições democráticas se fortaleçam e não acreditar que vai governar eternamente.

A alternância de poder serve de válvula de escape da ambição de todos os cidadãos que sonham em escalar os degraus do poder. E é essa válvula de escape que evita guerras, vinganças, massacres e genocídios desnecessários, principalmente num país onde existem vários grupos étnicos e diferenças culturais.


Nelo de Carvalho
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