sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um Massacre no Rio de Janeiro

O Capitalismo é definitivamente uma sociedade desorganizada e empobrecida por aquilo que mais se acredita ser o combustível espiritual que ajuda a manter a mesma sociedade como exemplo de progresso: o oportunismo, a ambição cega e a mentira.



Você pode estar em qualquer cidade do mundo, Nova York, Paris, Rio de Janeiro, Tokio -ditas civilizadas- o que não faltam nestes lugares são fanáticos religiosos – ou extremistas de direita- dispostos a matar por aquilo que acreditam. O que não falta é um desempregado em desespero querendo dar sumiço naquilo que mais ele tem de melhor: a vida. Isso quando tem consciência que deve viajar sozinho e ir além deste mundo sem perturbar famílias inteiras.


De que um sujeito desses entra numa escola de ensino fundamental ou médio e mata doze crianças –e, finalmente, cometendo suicídio- não pode ser visto simplesmente como algo inevitável, pré-destinado e algo, já, “comum” mundo afora. O pior ainda são as explicações pseudocientíficos criadas no desespero e na forte emoção das pessoas: de que só alguém que não acredita em deus é que faria isso. O criminoso era um fanático religioso que acreditava em Cristo, deus para ele não faltou, mas mesmo assim não hesitou em cometer o crime. Também não podemos aceitar que tal sujeito tenha feito isso só porque era um débil mental incompreendido e abandonado pela família e a sociedade.

A imprensa vem narrando tudo sobre os fatos e o sujeito. Tido como um psicótico, alguém que deu preferência demasiada a palavra de deus do que ao próprio homem. Em vida, não fazia amizades com ninguém, isolava-se de tudo e de todos, homem de poucas palavras ou quase nenhuma. O assassino de 23 anos de idade, um ex-estudante da escola, vítima dos seus atos, na hora do crime empunhava duas armas e estava apetrechado de munições para talvez dizimar entre trinta a quarenta crianças. Conseguiu eliminar doze e ferir onze. O desastre só não foi maior porque foi impedido por um policial rodoviário que nesse momento passava próximo da escola a quem alguns alunos feridos e professores pediram ajuda.


Débeis mentais existem em qualquer parte e nem por isso saem por aí armados até os dentes, mesmo eventualmente, matando as pessoas e muito menos crianças em idade escolar todas sonhadoras e inocentes.

Como qualquer sistema social que precisa se defender, o capitalismo não podia ser diferente, o esforço para mostrar que suas mazelas é intrínseca a natureza humana nos leva a ignorância. Nesta defesa ocultasse o potencial humano e a capacidade que o mesmo tem de transformar o mundo e até banir hábitos e vícios que só encontramos por natureza naquela sociedade. Ocultasse o papel transformador da educação e a visão otimista que esta pode proporcionar aos seres humanos na sua ambição implacável de se construir um mundo melhor. O pior é quando não se tem interesse em defender a mesma, se defende até sem sabermos: aqui já se chega ao cúmulo de toda ignorância.


Tudo isso é mais do que uma simples fatalidade. Ao contrário do que se diz e se acredita, é o tipo de desgraça previsível. Tão previsível que gera revolta e condena no que há de mais falso nas teses usadas ao se tentar buscar e entender as causas dessa tragédia. Previsões matemáticas são indiscutíveis, e a tragédia aqui narrada contém essa força de previsibilidade. Mesmo que ignorância humana encoberta de ocultismo tendencioso não deixa alguns dos nossos experts enxergar. Como já disse não é comum que psicopatas saem às ruas matando pessoas; Estado nenhum no mundo tem potencial para dar proteção ao cidadão quando esse acredita – que além de todas as liberdades- deverá ter liberdade de portar armas, comprar e vender as mesmas como exigem as regras de mercados ( coisa típica do nosso maravilhoso mundo capitalista); um cidadão civil que porta uma arma –acreditando ostentar um direito e liberdade- não o faz sempre para se defender. Mesmo porque o direito a portar uma arma naquelas condições dá margem a tudo, até o direito e prazer de matar para satisfazer qualquer sentimento: religiosos, políticos e -agora o que está em moda- homofóbicos. Assim como as paixões humanas que ajudam a que cada um de nós possamos estar mais próximos ou distantes das pessoas que amamos ou odiamos. Naquelas condições – do civil cidadão- tudo pode ser um bom motivo para se empunhar uma arma e matar sem remorsos.


Inibir e acabar com a violência nas proporções já conhecidas por todos não é impossível se o projeto de combate a violência passar pela reorganização da sociedade. E acreditamos, sim, que tanto o Estado como a sociedade são os responsáveis da segurança que todos nós pretendemos quando darmos o primeiro passo ao ultrapassarmos os limites dos portões de nossos quintais ou a porta de nossas casas.

A boa segurança, a que todos desejamos, passa pela rejeição do individualismo burguês de se acreditar que a segurança de cada um de nós depende do calibre do fuzil e o potencial da arma que portarmos. Portar armas reflete o instinto nazista, fascista, racista e egocêntrico de quem foi educado a desconfiar do ser humano de maneira absoluta ( por ser pobre, negro, índio, branco, amarelo, enfim); ver neste um inimigo em potencial sempre a ser abatido, principalmente, quando a diferença de cultura, etnia ou raça se manifesta; e pode ser usado como pretexto para se pôr as diferentes manifestações de fobia que esta sociedade – o capitalismo- sabe promover.


Nelo de Carvalho
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