segunda-feira, 18 de abril de 2011

Vigiar Quem?

A enorme defesa dos militantes do MPLA ao seu querido presidente acabou de criar um fantasma no poder, onde o agir deste tornou-se algo imprevisível e assustador. Os discursos do Presidente transformaram-se na mensagem caduca que sempre chega tarde de mais. Quando se pensavam que estes discursos deviam ser esclarecedores, na verdade, são provocadores, irritantes e debochadores.

Nos últimos tempos, tais discursos, veem revelando o submundo oculto do abandono espiritual e mental em que este se encontra. Intelectual e espiritualmente o presidente é um “vagabundo” mal informado sobre o país que ele governa. E talvez ainda acredite que Angola se tornou independente o ano passado. Como dissemos várias vezes, em outros textos, o discurso retrata o habito evasivo de se esquivar de todas as suas responsabilidades e angariar o êxito que é de todos em seu nome.



O presidente culpa a todos e tudo pela pobreza dos angolanos, entre eles o velho inimigo: o colonialismo português. Culpa a guerra, mas com relação a esta esqueceu-se que a mesma só se prolongou como produto de sua incompetência. E esta incompetência geralmente foi ofuscada pelos militantes bajuladores ou até , igualmente, incompetentes. É preciso não esquecer que Savimbi, em sua vida de terrorista estimulada pelas falhas e erros do nosso “clarividente e estratega” das batalhas de Kuito Kuanavale e outras, recebeu até proposta de ser vice-presidente. O fracasso foi porque Savimbi foi mais “inteligente”, porque queria tudo.


Diante das responsabilidades penais, os promotores sempre têm olhos para os subordinados ou os chamados peixes pequenos. O tráfico de influência que se transformou numa cultura da Administração Pública Angolana e que tem como maiores representantes os seus próprios familiares , um dos instrumentos corruptos que ajuda na má distribuição da riqueza do país, passa longe da análise cínica e clarividente da visão presidencial. Um desastre que sempre é empurrado debaixo do tapete e os efeitos dos mesmos desconsiderados.

Que moral!?

A vigilância clamada pelo mesmo, propondo à militância a serrar fileiras, soa como um ato de zombeteira para todos os angolanos, quando toda a população já sabe e tem consciência, que quem enriquece ilegalmente nesse país é a própria família do presidente, os dirigentes do partido no poder e toda a cúpula do governo que dirige o Estado.

A suposta vigilância não deve vir só do simples cidadão ou militante, deveria vir da imprensa livre, se existe nesse país. Porque imprensa livre parte dela também é a imprensa pública que deveria ter uma tropa de jornalistas investigativos independente para investigarem os desmandos dos corruptos no poder.


Como exercer vigilância se o Governo que está aí, e quem está enfrente do mesmo, ajudam a sufocar economicamente e a neutralizar o papel da imprensa privada, que é a única que é livre e independente nesse país?

Vigilância contra quem? Se mais do que nunca, sabe-se perfeitamente que o inimigo é interno. O inimigo está dentro do próprio MPLA. O inimigo do povo angolano, mesmo que este ainda não tenha descoberto, é quem está enfrente do país. Esta é uma certeza irrefutável que o medo e a ignorância de milhões de angolanos, assim como a ressaca da longa guerra entre o MPLA e a UNITA, não permitem que esse inimigo seja desmascarado e descoberto.

Que tipo de vigilância? Se vivem desacreditando o papel da sociedade civil, das ONGs, dos formadores de opinião, como sé só o MPLA e o seu presidente ( que agora se descobriu que nem um discurso sabe fazer) merecessem créditos.

Quem é que vai fazer vigilância e em nome de quem quando se sabe que os benefícios de uma obra social sempre recaem encima de uma pessoa? E ainda um dia correr o risco de ser acusado penalmente por algo que cometeu - ou não cometeu- para salvar a pele do chefe clarividente e intocável? Em nome de quem se fará essa vigia? Para proteger os corruptos? Aqueles que dominam de maneira única a economia angolana, comprando ações em bancos portugueses?


Os que desviam o dinheiro da Sonangol e outras empresas públicas estão aí encima ao lado do chefe clarividente. A dona ou o dono da única empresa de telecomunicação nesse país pode ser visto a qualquer momento e quando quiser pelo presidente da República e também pelo Procurador Geral da República, se este quiser. Quem dá festas ou aluga o salão público do palácio presidencial onde Agostinho Neto despachou pelos seus últimos dias dorme ao lado do chefe. A vigilância e a derrubada do cinismo poderiam começar por aí. Quem viajou ou viaja com o avião presidencial –coisa pública-, para fazer compras, a título de propriedade privada está ao lado do chefe.

Já deu para ver que quando o desespero, a crise de identidade política e ideológica batem as portas do Palácio percorrem sempre a ajuda do povo e de alguns militantes incautos. E é nessa hora que o poder vem das ruas!

Um dia ainda terão que se ajoelhar diante do mesmo!

Nelo de Carvalho
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