Mentira, Corrupção e Ignorância
A Falsa de Um Resgate
O conjunto de valores existentes numa democracia, mesmo podre como a nossa, é um mar turbulento onde o MPLA, “como salvador da nação”, já não pode navegar ou ainda nadar se continuar a ter essa direção que aí está. É preciso sim resgatar tudo nesse país. E quem merece ser resgatado não são as ONGs, as organizações da sociedade civil ou quem de maneira independente e por iniciativa própria tenta combater a corrupção. Quem tem que ser resgatado é o MPLA, os seus dirigentes, a turma dos poderosos intocáveis -(in)sensíveis a todo tipo de crítica-, o mimado que hoje se transformou em príncipe ( ou simplesmente, “o príncipe mimado”), se ainda vale a pena resgatar o mesmo.
O General Ndunda
Este artigo é o produto de uma inspiração vindo do personagem acima mencionado. Aproveito o mesmo para refletir mais uma vez sobre a incansável luta travada por milhares ou até milhões de angolanos que sonham um dia em alcançar o poder.
O Poder aqui referido não é necessariamente o quase impossível topo da pirâmide almejado por qualquer mortal. O direito de sonhar é uma “grande mania” que não se lhe pode privar a nenhum dos seres humanos. Aquele, o Poder, reivindicado “por todos”, mas que só uns, pelos vários destinos que a vida nos reserva, podem alcançar. Uma infinitesimal e irrisória quantidade de pessoas em uma geração chegam lá, quando um verdadeiro regime democrático livre das tragédias sociais permite.
O poder aqui também é aquele que pode estar nos primeiros níveis da base da pirâmide, e a nossa condição de humanos e pessoas comum e normais, segundo as nossas qualidades, nos permite alcançar. E assim ajudarmos com a mesma força e intensidade à construir um país onde cada vez mais pessoas possam se sentir felizes e melhor recompensados. O poder aqui referido é o poder do gestor, do técnico na fábrica, do engenheiro, do chefe de turma na aula, do coordenador de um grupo no sindicato ou dentro de um partido ou até mesmo as diferentes posições ou cargos que existem no setor público.
O Poder aqui é também o poder do professor, o mestre, que tem a capacidade de influenciar seus discípulos, alunos ou não, a organizarem-se e a ensaiar a democracia desde os primeiros níveis de educação. Para mim a sala de aula, a turma, a escola, até mesmo o ginásio infantil podem ser vistas como “instituições” já a serem consideradas e aceites onde a democracia deve ser plantada e exercitada. A luta pelo poder deve ser inserida no programa de educação como um objetivo que vise a melhorar a vida da coletividade; como algo que enterre as pretensões individualistas na comunidade. O individualismo deve ser visto como um meio e não um fim.
Ao dar continuação neste texto, quero advertir que conheço pouco ou nada o General Ndunda. Assim, é pedindo desculpas e com todo respeito a este que quero dar continuação ao mesmo. Este escrito é só uma reflexão sobre alguém que fez dos interesses sociais um motivo para “subir na vida”. Como gostam de dizer alguns dos nossos compatriotas. O interessante aqui é a visão e perspicácia de saber cruzar o útil e o agradável; onde o útil são os interesses da comunidade, do país ou da nação; o agradável é “subir na vida”.
Na luta pela conquista do poder, além dos mecanismos legais e institucionais, o civismo e a educação são instrumentos que ajudam a manter o equilíbrio social e evitar crises. Crises que levem à guerra e ao desesperos daqueles que por alguma razão algo se lhes rejeitou ou negou durante um determinado processo. Não estamos aqui defendendo a paciência daquele conformista que se contenta com a ordem das coisas, mas da paciência do individuo que faz do mérito o instrumento viável e inquestionável para se chegar ao topo.
Ele ( o General) pode ser a prova de que os interesses de uma Angola clamando por justiça, paz, civilidade e harmonia estão em cima de qualquer interesses partidários; e qualquer cobiça enraizada num individualismo cego e incompreensível. Aquele General sob separar com detalhes e afastar os interesses Savimbistas com a de toda uma Angola que clamava de todas as partes a democracia.
Seu êxito é uma vitória contra a infâmia, contra o ódio tribal bailundo ou sulano que corrói a mentalidade de muito dos nossos compatriotas. Esse ódio induzido com direção e destino pela oposição em geral contra o partido no poder, contra os governantes que atualmente se encontram no poder; ódio que sempre transmite a mesma vestimenta dando a entender que Angola é mais de uns do que de outros. Um ódio que esquece que cada cidadão deve ocupar a posição que lhe corresponde segundo suas qualidades e méritos independentemente da raça e da etnia.
Como dizia, conheço pouco aquele profissional para meter-me aqui a traçar linhas elogiarias, mas ainda assim precisamos reconhecer o seu profissionalismo; que chega ser admirável e “impossível” num país onde se mata ( e se matou) e se morre por se ser do MPLA ou da UNITA. Onde estes últimos fizeram do crime e do terror um meio para se darem a conhecer e fazerem sentir sua existência. Fizeram do terror e do crime um meio para protestar e reivindicar diretos, às vezes, não conquistados e impossíveis de alcançar.
Não estou sendo cruel, mas fica fácil concluir que Savimbi e os seus discípulos, que tanto clamavam por um regime pluripartidário esqueceram-se do mérito nas suas presunções para a tomada do poder. Fizeram da truculência e das ameaças as peças do tabuleiro que o jogo da democracia nunca precisou em nenhum ambiente civilizado. Moral da história: simplesmente foram derrotados! O General Ndunda, vendo a coisa no aspecto pessoal, é um vitorioso. Dir-se-ia mesmo é o Kwacha com maior vitorias acumuladas. Talvez pela primeira vez a palavra Kwacha, no ambiente angolano, possa servir de orgulho para aqueles que assim se consideram. Uma vitoria merecida no meio de tanta disputa pelo poder. E verdade diga-se, que o General Ndunda também sirva de exemplo aos quadros não só da UNITA, que acreditam que uma democracia passa simplesmente pela solução dos seus interesses tribais e ou partidários –coisa muito feia! Mas também que sirvam de exemplo aos quadros do MPLA, que acreditam que o país é uma propriedade deles ou que lhes pertence –egocentrismo da maior espécie! E que tudo em Angola deve passar pela aceitação e acenassão do partido no poder para que vingue –bajulação e oportunismo!
O fortalecimento das instituições democráticas só é possível se aprendermos a sacrificar os primeiros, o individualismo, em nome dos últimos, todos. Isso significa em dizer que é a Bandeira de Angola que tem que ser protegida e levada a todos os cantos desse mundo quando precisamos nos identificar como Angolanos. É o hino de Angola que tem que ser entoado quando a saudade bate no peito, se existe o mínimo de patriotismo. É com o escudo nacional que temos que nos proteger quando o nosso orgulho e ufanismo estão em perigo. Sem continuarmos na eterna briga de que quem fundou, quem participou ou quem não participou.
O General -e é bem possível com a sua turma- é a evidência de que uma Angola do futuro não pode ser construída zerando-se o passado, por certo, um passado glorioso e de tantas vitórias.
O General é a prova de que revanchismo e revisionismo não levam a êxitos, principalmente aquele que prega a destruição do nosso passado. Em outras palavras quem quiser chegar ao mais alto nível do topo da pirâmide, como ele chegou, vai ter que vestir a camisa de todos os angolanos, as das cores que representam a nossa nação, cantar o mesmo hino e ter que venerar o mesmo herói nacional. É duro, é difícil, mas é o que temos, é o que conseguimos construir até hoje. Quem sabe dentro de 500 anos outros viram e serão melhores que Agostinho Neto e até mesmo melhor que o General Sachipengo Ndunda que está aí, ainda vivo e trabalhando para continuar a dar exemplos.
É a essa gente que devemos tomar como exemplos.
General, seja bem-vindo ao poder! Estamos aqui para torcer. Agora é trabalho e trabalho!
Nelo de Carvalho
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As Eleições Brasileiras
Se de certa maneira podemos associar o poder político aos Céus, ao Paraíso ou até mesmo ao Inferno. As Eleições nos regimes democráticos podem ser vistas como as escadas a serem usadas para um dia se chegar aquele lugar. É claro que democracia está muito longe de ser só o exercício ou o simples ato de votar. Esse ato no Brasil existe há mais de 150 anos, talvez. Ou seja, há mais de 150 anos que Macunaíma vem sonhando vendo-se ele no poder representando gente como ele; gente como ele é a imensa maioria da população brasileira, o pobre, o negro descendente de escravos, o índio tupiniquim ou não e, também, toda raça de imigrantes que este país de mestiço ao longo de sua formação sob atrair e provocar as variadas cobiças. Só tenho algo a discordar aqui. Macunaíma não é necessariamente um preguiçoso. É a imagem de um povo trabalhador que sabe fazer da metamorfoses o remédio para sobre viver e tentar resgatar aquilo que é seu de direito: o Brasil de todos!
Todo processo eleitoral, nele, está nitidamente refletido a luta de classes travada, tanto no presente como ao longo do tempo, em que a estrutura social, econômica e cultural do país se construiu e se quer dar ou não continuação aos mesmos. O Brasil é um país de odiosa desigualdade social protagonizada ao longo de sua história por uma classe dominante privilegiada: racista e genocida! Por certo, no meu entender, a mesma que declarou a independência do Brasil, mas que, também, por força de constrangimento e pressão externa declarou a abolição da escravatura. Que fique bem claro aqui o entendimento: “declarou”!
É a mesma que, ainda, declarou a República como vingança de um acerto de contas entre grupos econômicos que na época se de gladiavam pelo poder. O último precisava vingar-se do primeiro porque saiu perdendo com a declaração da abolição da escravatura. Entendemos aqui que desde o nascimento desta nação o poder só foi transferido entre grupos sociais e econômicos que sempre pertenceram à mesma classe social. Eles forjaram, com o passar dos tempos e da história, o caráter reacionário e conservador que a consciência social brasileira tem sobre política interna e externa. Principalmente contra o seu próprio povo. O Estado Brasileiro, até hoje, é, sem formas figurativas, um Estado colonizador e explorador do seu próprio povo, que sustenta uma burguesia opressora e antipatriótica à serviços de potencias imperialistas estrangeiras.
A sociedade brasileira está muito longe de ser uma sociedade politizada. Se entendermos aqui a politização como um fenômeno de esquerda ambicioso com ânsias de negar tudo que é velho, caduco e conservador ( a velha ordem social imperante, exploradora, herança colonial e escravocrata). É desta ordem que se reflete todas as formas de preconceito e entre elas a mais crônicas e moribundas.
A apologia pela despolitização da sociedade é de tal forma que se nega até nos meios intelectuais, tidos como bem conceituados. Nega-se a supervivência de qualquer forma de Revolução. Não! Revolução não é sinônimo de Guerra –digo eu! Che Guevara não era um guerrerista. Era um homem que lutava pelas injustiças sociais. E diante de tudo que viu e sofreu, pegar em armas era sua última alternativa. Assim, não devemos confundir necessariamente revolução com guerras e violências de todas às espécies.
Revolução, aqui, é o golpe de Estado de 1964. Dado por um grupo de militares neo-fascistas e anticomunistas, que por certo interrompeu o processo democrático que já vinha amadurecendo. O termo “Revolução” no Brasil adotados pelos militares golpista é uma mentira elaborada pela extrema direta para justificar as atrocidades do golpe 64.
A nova fase da democracia Brasileira começa com o fim do regime militar na segunda metade da década de dos anos oitenta. Nesse cenário são legalizados todos os partidos de esquerda, e no mesmo nasce o Partido dos Trabalhadores, o PT. Numa versão angolana, o PT é o “MPLA do Brasil”. A diferença é que este, em Angola, é o fundador da nação e está no poder desde o nascimento da mesma e tem o poder. E exerce o mesmo quase de maneira soberana e absoluta; forjou uma classe dominante, que na sua maioria representa os nativos do país, se vermos as coisas do ponto de vista antropológico. O que não deixa de ser um avanço na construção de uma nação. No Brasil não é assim. O Brasil é dividido no Brasil branco e rico; e o Brasil mestiço, negro, índio e tudo isso misturado a pobreza sem perspectivas nenhuma.
Aquele, o partido brasileiro, o PT, experimentou o poder há oito anos atrás. Nasceu no início da maior crise ideológica do século vinte -a caída do muro de Berlim e o fim da União Soviética. Assim, não teve tempo de amadurecer sua inspiração original, as idéias socialistas vinda dos partidos de esquerdas mais radicais. Diz- se por aí que abandonou todas elas. A única coisa e êxito que devemos reconhecer no mesmo é de ser o maior partido de massas da nação Brasileira, um país de dimensão Continental. O PT é quase a expressão mais ampla de todas as camadas sociais do Brasil, soube representar esses e assumir o compromisso de tirar da miséria milhões de Brasileiros, fazer com que esses se sintam representados como brasileiros em todas as esferas do poder.
É preciso reconhecer, que na evolução do Brasil, o poder sempre esteve longe dos nativos, representado (o Brasil) de maneira alienígena ( estranha). Afinal, o Brasil tem uma característica incomum: não declarou a independência no grito de guerra. Não foi o índio, o negro ou mesmo o mulato que declarou essa independência. O PT, se não trair as suas origens, hoje é o partido que se apresenta em melhores condições para envolver todos aqueles indivíduos no processo de construção de uma nova nação brasileira, onde os “ macunaímas da vida” se sintam representados. A façanha do mesmo Partido é incontestável. Nem os Comunistas chegaram tão longe. Á propósito, o Comunismo aqui é um fracasso, e a culpa não é só dos adversários políticos que andaram infernizando e diabolizando o mesmo.
O Partido dos Trabalhadores foi fundado por um metalúrgico no meio de tantas reclamações sindicais. Na época e até hoje, era o que o Brasil precisava, a representação maciça do seu povo no poder.
Mas precisou-se de longos vinte longos anos de idas e vindas nas urnas até a vitória do Lula.
Por que o Governo Lula Está Entre os Melhores Governos Brasileiros?
O Governo Lula no Brasil é o fim de um projeto reacionário de Estado para com o seu próprio povo. É uma tentativa da luta de classe de se dar chance a representação popular no poder – não o popular de populismo, o reacionário, boçal, mentiroso, fanfarrão e de direita-, mas o popular na expressão mais classista da palavra. O popular que vê no ser humano de ter o seu direito, intransferível, inalienável e inegociável. Esse direito que é de todos, pertençam uns ou não a uma de terminada classe, etnia, raça ou religião; enfim, as supostas diferenças humanas aqui não são questionáveis. O que vale é que cada um de nós esteja representado no poder.
Lula, e talvez o PT, é a antítese de uma classe dominante representados sempre naquele Estado, herança de um regime colonial e escravocrata, que nunca se prestou a se identificar com os Brasileiros.
Num país com tradições conservadoras, moduladas por preconceitos religiosos, provincianos e burgueses, a Dilma é o resultado de um processo de evolução que de preferência esperamos que tenha continuação por longos anos. É o resultado de uma encarniçada luta de classe; classicamente, dir-se-ia mesmo, é o resultado da luta do bem contra o mal. Feio e promiscuo expressar-se desta forma, mas é o que parece ser, porque nesta luta está a esperança de milhões de pobres brasileiros que sonham em viver num país onde a riqueza possa ser melhor distribuída.
Dilma e o PT de Lula é o resultado da teoria fundamental de como o Estado deve ser construído em nossa época, privilegiando-se o que é público ou o que é privado.
Existe um projeto de Estado que caracteriza hoje a política social brasileira e que é encabeçado pelos movimentos sociais de esquerda encabeçado pelo PT no poder. Este projeto tem a chance de pôr o Brasil a crescer economicamente com uma média anual acima de 6% que poderá pôr o Brasil não só entre as maiores potências econômicas do mundo, mas tirar o mesmo da condição de país de terceiro mundo e elevar o mesmo na condição de país central de primeiro mundo com índices sociais aceitáveis.
A direita que sempre esteve no poder se recente disso. Tem medo de que a esquerda tenha êxito no seu projeto. Esse projeto que vem dando certo com a posse do Presidente Lula pode ser o calcanhar de Aquiles que levará a direita ao túmulo por tempo indeterminado. O PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o seu sucessor José Serra estão com inveja e pavor de um êxito retumbante daquele que é metalúrgico e que mal terminou o ensino médio, que com toda a sua turma, a esquerda brasileira progressista dêem certo.
Existe um preconceito no Brasil que diz, “pobre nunca pode dar certo”; êxito de pobre é trabalhar até a exaustão e morrer; e que pobre só da gastos e problemas. Com a esquerda progressista e o PT tem se demonstrado o contrário. O pobre é a solução para o país, o exemplo está no próprio Lula. Assim, Dilma é a continuação desse grande projeto, onde a representação de toda a nação Brasileira é cabível.
Torçamos e votemos nela!
Nelo de Carvalho
http://www.blogdonelodecarvalho.blogspot.com/
Nelo6@msn.com
A Dureza de Ser Presidente da República
Si se é de Angola pior ainda; pior ainda é ser acusado por um folhetim de distribuição semanal que se diz livre e gladiador pela democracia e de ter direitos de informar, ainda que o boato disseminado dentro do candogueiro seja a fonte de informação ou a prática que se deve usar para informar. Estar na boca do povo já é duro, imaginem estar na boca de um fofoqueiro e traiçoeiro como Wiliam Tonet e os homens da sua turma, subornados pelos dólares ou os miseráveis Kwanzas, que nunca se explicam de onde os mesmo vêm. Todos eles loucos por ganharem protagonismo na custa de pessoas inocentes, na custa do povo que eles dizem quererem informar e tornar livre.
Confesso que até senti pena do Nosso Presidente, jamais queria estar na pele dele. Ter de ser caluniado, às vezes, até sem ter direito de resposta, porque sua função, o cargo, nem sempre permite.
Mas o presidente se deu bem, como nunca, e sempre tem uma primeira vez, veio ao público desmentir a infâmia, a calunia, a pantomima e “a mentira” de que sendo pai de alguém abandonou o herdeiro a sorte e ao azar, porque, talvez, pretendesse livrar-se de um passado obscuro.
Nós acreditamos no Presidente e na sua inocência, mesmo porque para os africanos, nunca foi problema nenhum ter filhos bastardos, ao contrário, somos parte de um povo que quando descobrimos por aí um rebento, perdido em algum lugar, o que vem depois é uma grande festa, regado a kimbombo e a maruvo. É a velha tradição africana do homem procriador! Infelizmente a criatura nem de longe pertence à corte; onde está o DNA para se confirmar tal achado; onde está a suposta obscuridade em tudo isso?
A fofoca é uma intenção deliberada da Folha 8 de quer manchar a imagem do presidente como personalidade pública que tem hábitos reservados. Pode ainda estar caracterizado como um ato de vingança e até inveja daqueles que sonha com a destruição da imagem do presidente. Ou, para àquela publicação, querer ocupar nos meios de comunicação lugar de destaque como o Semanário ou o Jornal que tem habilidade de descobrir e desvendar o que existe nos bastidores do poder, mesmo quando a notícia carece de importância.
A dureza de ser presidente é de ter também que lidar com o infantilismo da imprensa privada nascida num sentimento de ódio e rancor e de indivíduos que não têm nada a perder, quando o que se trata é a conquista do poder, usando-se as facilidades que o regime democrático oferece: entre eles, caluniar adversários sem as mínimas provas possíveis. E sem mesmo condições para prová-las. É o denuncismo barato que virou moda num país que despertou diante das delícias do hábito euro-ocidental de se desacreditar o político e a política em troca da desordem e do caos. Diante do fracasso de não conseguirem alcançar o poder sempre pretendido, é querer tornar banal o que é sério: o cargo de Presidente da República e as responsabilidade que o mesmo tem para com a nação.
Os fofoqueiros de plantão não perdem de vista qualquer ato de vingança e maldade contra o homem que está à frente do estado e da nação. É como se a tal liberdade de imprensa proclamada e reivindicada aos quatros ventos tem como fonte o próprio diabo, e a vítima é sempre o “coitado” do Presidente e a sua família. Se calar diante da calunia “é porque quem cala consente” e admite os fatos surgido no submundo das inverdades e dos boatos; se sai para se defender haja “cargas de águas” para se suportar o mundo dos cívicos que tudo têm na ponta da língua para “botarem” defeitos num simples gestos de direito de defesa. É como se a natureza humana não devesse reagir diante de tantas agressões e injustiças.
Afinal, ele foi acusado de abandonar uma filha, o que não seria elegante, e não teria o porquê. Nossa argumentação aqui é precisamente porque acreditamos que conhecemos bem o homem angolano, sua cultura, seus sonhos. Este homem, o angolano, nunca sai ganhando ou perdendo ( ao menos patrimonialmente falando) quando se aproxima de seus rebentos, a não ser a alegria e o sorriso, vinculado sempre a uma cultura machista de que estamos aqui para “matar a cobra e mostrar o pau”. Por que então esconder um filho? É por maldade ou por medo de querer dividir os milhões que tem? Eu respondo a pergunta. A Europa civilizada é protagonista em criar certos valores, às vezes, aplaudido mundo afora como coisa moderna. Uma delas é o hábito de se formar família envolta do patrimônio que se tem. Afastando todo tipo de intrusos, e nesse afastamento estão, incluindo, os supostos filhos bastardos. A tradição européia foi absorvida muito bem pelos brasileiros. Contar a história de milionários e famosos brasileiros que abandonam seus filhos e até mesmo o seu passado para protegerem a riqueza que têm precisaríamos aqui de dezenas ou centenas de páginas.
A burguesia angolana e os seus escassos milionários não chegam a esse nível de aculturação, abandonar filhos ou esquecê-los em nome de um oportunismo de classe que faz do patrimônio o instrumento de aproximação entre país e filhos, pelo menos não é ainda comum essa maneira de se relacionar ou de se dizer tchau.
Trinta anos no poder esbanjando mordomias e privilégios de todos os tipos, de gastança ilimitada do orçamento público destinado aquele cargo, seria mais do que suficiente para se fazer e buscar uma aproximação com a criatura reivindicadora sem a necessidade de se cair em situações constrangedoras. Afinal, e com certeza existe, há quem longe daquela família, com simples título de “Parente do Presidente da República”, tenha se beneficiado tanto com o suposto relacionamento ou acercamento, exemplos: sogras, tios, sobrinhos, primos, cunhados; enfim, o primo do primo do presidente, ou seja, o parente do parente do PR. Por quê um filho nascido nos tempos gloriosos da luta armada no Congo iria deixar de ser beneficiado? Para mim o abandono da criatura não tem cabimento. Seria só mais um envolvido e coberto no orçamento público, esse orçamento que William Tonet deveria ter direito, obrigação e saber defender. Acha que quê, que o PR, ou qualquer outro angolano com a mentalidade do Wiliam Tonet, seria burro de esquecer ou abandonar seu próprio filho diante de todas as facilidades expostas pelo poder público?
Se fosse verdade – “o esquecimento”-, dada as circunstâncias da época, seria coisa de fácil aceitação hoje, envolvido tudo num ambiente muito pessoal e sem moralismo. Não existem crimes ou imoralidades, supervenientes diante da suposta denuncia, que faria que um ser querido fosse rejeitado mesmo que seu aparecimento do nada acontecesse só depois de quarenta anos.
Nelo de Carvalho
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Um delírio morto chamado Lukamba Gato
Lendo uma entrevista, dado pelo General Lukamba Gato, fiquei reflexionando sobre a mesma, a política e o projeto de nação que o maior partido da oposição tem a oferecer aos angolanos. Imaginei-me num momento estando no meio desta militância, que diz terem orgulho de serem angolanos. Imaginei-me ouvir todas as conversas dessa gentes, como humanos que são, tive interesse em escutar suas ambições e sonhos que afligem a vida de cada um deles. A própria entrevista daquele general da uma ideia do sonho que um autêntico Kwacha tem para Angola ou o resto dos angolanos que não são kwachas.
Mas confesso que minha sensação ao escutar argumentos que condenam o slogam: “ De Cabinda Ao Cunene Um Só Povo e Uma Só Nação”; foi de susto e senti-me um extraterrestre no meio daquela gente.
Primeiro, porque aprendi que a construção de uma nação não passa e nem começa simplesmente pelo casuísmo protagonizado por muitos, e o próprio General, que afasta aquele slogam que, precisamente, é parte do espírito de milhões de homens e mulheres, de etnias diferentes, que desejam construir uma nação num território físico e geográfico. Onde está o mal em adotarmos aquele lema, que seja o princípio fundamental da construção da nossa nação ou mesmo “futura” nação: a Nação Angolana?
Quem é que disse, quem escreveu assim, quem fez acreditar aos desesperados dirigentes da UNITA, que na construção de uma nação, os homens simplesmente devem se limitar a seguir a ordem dos fatos que a natureza e todas as circunstâncias do azar impõem ao progresso de evolução de qualquer sociedade? Sejam eles um bando de Kwachas retrógados, calcinados ( aqueles que já se transformaram em carvão ou em cinzas pelas suas atitudes, e o pior, pelas suas idéias). Não se esquecer que aquele General Capitulou a tudo, só falta ele e seus seguidores capitularem diante do bom senso. Ainda temos a esperança que um dia isso possa acontecer.
Nós a maioria dos Angolanos, De Cabinda ao Cunene, e do Leste ao Mar, já capitulamos diante da Paz, nos rendemos diante do bom senso, entre eles o ideal de que Angola só é possível como nação, se as diferenças, de todos os tipos, entre os angolanos forem diminuídas com o tempo, com o esforço de cada um de nós, do Partido que está no poder, do Governo, do Estado e da Sociedade Angolana. Queremos sim uma Angola Unida de Cabinda ao Cunene onde todas os Angolanos sejam iguais e possam alcançar a felicidade, mesmo que isso perdure ou dure uns longos cinco mil anos. Felizmente até lá já não haverá kwachas, mas para isso precisamos ir construindo esse futuro desde agora, com Kwachas ou sem Kwachas.
Lukamba Gato assusta quando diz que Angola é um conjunto de nações, ou seja, os diferentes grupos étnicos são diferentes grupos de nações a serem tratados de modo diferentes por seus valores culturais, lingüísticos e supomos aqui também econômicos. O nosso grande General, derrotado, e sociólogo vai além: “os problemas dos Cabindas, por exemplo, são diferentes dos Kwanhamas que estão na região mais ao Sul do País. Nas suas palavras, de revolta –quase sempre-, nega um esforço de Unidade Nacional protagonizado pelo partido no poder.
Para Lukamba Gato é má estratégia e errado a luta que se trava pela União de todos os Angolanos ao formarem um só povo uma só nação.
Foi sempre de conhecimento de todos os Angolanos que a UNITA faz e fez de tudo para dividir os Angolanos, deliberadamente, senão mesmo de maneira aberta e escancarada, instiga a luta que a FLEC tem travado para dividir o país. Nunca nos assustou e não é segredo. O segredo que poderia ser revelado por uma pergunta é: será que personalidades como Lukamba Gato e mais meia dúzias por aí dispostos a dividir tudo em nome do poder estão em condições de exercer as funções na Assembléia Legislativa como representantes desse povo. Em Angola não se exige acaso o mínimo de coro parlamentar ao se defender certas idéias? Ou se defende elas de qualquer maneira?
Não podemos aceitar que a burrice prevaleça sobre o bom senso e a sabedoria das pessoas, por isso escrevemos este artigo condenando a pouca visão do “nosso General”. Mesmo sabendo que ele é um personagem que oferece pouco perigo a sociedade, esperamos que as idéias do mesmo não passe de um delírio a ser esquecido no dia seguinte.
Nelo de Carvalho
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Wal*Mart em Angola
É claro que a notícia ainda não é verdadeira. Além disso, não tenho habito de fazer apologia ao expansionismo de certos monopólios. Mas a notícia dada em breve pode ser verdade na região Austral do Continente Africano. A rede Wall Mart é considerada a maior rede de varejo do Mundo, seus acionistas, um grupo em família, herdeiros da mesma empresa são considerados a família de herdeiros mais rica do mundo. Não é isso o que interessa aqui.
A mesma empresa anunciou a compra de uma outra empresa, a MassMart, uma rede de atacadistas (supermercados) na Africa do Sul. Um passo que a WalMart acha que deve dar para entrar no jovem e crescente mercado africano.
Quando uma rede como a WalMart manifesta interesse de comprar por 4 bilhões de dólares americanos um produto como a MassMart no continente africano, e com a intenção de se expandir, é porque uma nova visão fora do mesmo continente está crescendo com relação ao mercado africano; sempre visto como algo primitivo e que tem pouco a oferecer ao mundo. Ou seja, o interesse pelo continente já não é só pela extração ou compra de matérias primas.
Uma das reclamações de acusações na luta pelo poder entre a oposição angolana e aqueles que estão há quase trinta e cinco anos no poder é a cultura ufanista com que estes últimos souberam disseminar entre os angolanos e a sociedade em geral: somos o melhor país para se viver, adoecer, ficarmos bom e morrermos ( não importa se com paludismo cólera ou mesmo baleado por um kwacha, FAA ou policial descontento), mesmo quando os nossos problemas nacionais são considerados os piores do mundo. O orgulho de ser angolano poder-se-ia dizer é o melhor dos orgulhos, vai além de todas as possibilidades, de tudo que é normal e comum nessa vida. Não importa as nossas desgraças, sempre: “estamos m’bora bom assim do jeito que está”; “estamos sempre a subir”, mesmo que nossos problemas cheguem a ser o tipo do problema que os outros conseguiram solucionar há mais de cem anos atrás. A impressão que se tem é que no mundo de tanta miséria e miseráveis o angolano, pela sua simpatia, uma mistura do sujeito fanfarrão e beberrão, é o que mais habilidade tem para se adaptar a mesma.
Assim, a propaganda de um país chamado de Angola, feito mundo afora, por quem deveria e deve fazer, é muito bem feita para se driblar a miséria; é muito bem feita para se ocultar as nossas tristezas, feridas e magoas. Somos um país que soubemos mostrar ao mundo que temos bons gostos, que nossa burguesia é refinada, sabe bem o que é o luxo, e não importa se ela vem misturada ao lixo e a toda imundice que vem do chamado primeiro mundo, o importante é fazer valer que nós angolanos também podemos comprar. Os exemplos não faltam, mas aqui não serão mencionados nenhum deles. Mesmo porque o objetivo desse texto não é falar de lixo e de quem consome o mesmo. Eu também sou vaidoso! E se tem coisa que detesto, mesmo não sendo adepto a consumir luxo que certas pessoas acham que podem consumir, é o lixo – ou misturar este com aquele.
O Rock Santeiro, por exemplo, é o produto da nossa miséria; e a maneira como queremos nos livrar do mesmo é o fruto da nossa falta de visão e o nosso egoísmo. Nada contra a eliminação desse tumor social, chegou mesmo a hora. Mas também chegou a hora de ver que o mesmo precisa ser substituído por coisas elegantes. A elegância está em se saber fazer melhor propaganda do país mundo afora. Usar o potencial de todos os seus filhos em todas as dimensões possíveis, chacoalharem a turma de acomodados e carentes de iniciativas que compõe a nossa diplomacia mundo afora, dizer a essa gente que Angola também é o pais de grandes negócios, aberto para gente competente, e que seu povo é o maior exemplo de refineis e elegância, e não ao bando de exibicionistas e usurpadores de privilégios. E que a mensagem seja transferida; que nosso mercado interno, em todas as áreas, não pode estar limitado a monopólios de empresas que só correspondem às expectativas daqueles que estão no poder e suas famílias, que quase sempre, diante da arrogância de seus proprietários, prestam serviços péssimos a sociedade. Exemplos também não faltam, basta ver o monopólio das telecomunicações; algo ridículo, coisa de gente incompetente e do africano que não aceita evoluir com o tempo, porque tem medo de ser superado, sacrificando milhões dos seus semelhantes.
Que é preciso ter ginga, barganha para atrair investimentos em qualidade e quantidade isso é verdade. E não é coisa que se encomenda aos parentes que tudo podem e sabem comprar. Chegou a hora de abrir o país, não para os delinqüentes portugueses e os oportunistas de toda espécie, mas para quem de verdade poderá trazer riquezas ao país. Construindo-se um lobby saudável, contando com essa espécie de gente e raça chamada de angolanos. O lobby, o angolano, aquele que faz propaganda de si mesmo e por ser angolano pode ir mais longe em vez de se limitar aos porcos e os supostos restaurantes luxosos de Lisboa. Até parece que alguém vive interessado no que certas pessoas comem.
Que venha a WalMart, quem sabe esses, num passado tão rejeitados por serem imperialistas, financiadores de mortes e massacres, agora poderão vir matar a fome dos angolanos. Vendidos e esquecidos nos restaurantes "luxosos" de Lisboa!
Nelo de Carvalho
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Nelo6@msn.com
E Depois da Múxima, Aonde Irão Os Peregrinos?
O êxito de construirmos uma nação próspera está, também, na capacidade de rejeitarmos certas tradições, que os séculos, por motivos de domino e imposição das classes dominantes, não apagaram. Certas coisas não podem ser jamais aceitas como cultura e tradição, só porque elas existem durante séculos –não é simplesmente o transcorrer do tempo que define os bons valores culturais. Aceitar estas coisas é condenar a espécie humana; primeiro, a um fim trágico; segundo, é aceitar que devemos continuar a viver renunciando a luta por um mundo melhor em que só a felicidade humana, o progresso sensato e modulado pela razão se justificam.
Todas as revoluções e transformações sociais, políticas e culturas servem como filtro e purificação dos novos e sublimes valores que vão surgindo, afastando a excrescência que o passado da humanidade criou e que de tempo em tempo precisa livrar-se da mesma; como um organismo vivo, a humanidade, um país ou uma nação não pode continuamente conviver e realimentar-se com a própria sujeira, a que produz.
Existe um instrumento, a ser valorizado e tomado a sério, capaz de ceifar aquela visão conservadora de manter instrumentos humilhantes que ao longo dos tempos só tiveram como objetivo enquadrar uma nação num esquema de domínio. Um esquema que hoje se concebe como um ciclo para perpetuar este mesmo domínio já numa visão diferente, mas tão prejudicial e perniciosa como antes. Afinal, a religião é uma febre de caráter mortal para qualquer civilização, povo ou até nação; a religião –sem repetição- “é o ópio do povo”, é a droga que nos levará para o inferno; o inferno do atraso e do subdesenvolvimento. Senão são os conflitos seculares promovidos pela mesma entre hemisférios é a eterna condenação no estado de ignorância e inércia de cada um de nossos povos e nações.
Este instrumento chama-se Educação. A educação que existe para tirar o homem da miséria, posicionar este melhor num mundo “que é só dele”, um mundo real, onde o domínio, enquanto o mesmo existir, da natureza se faz necessário a todos os instantes. Uma Educação modelada e parametrizada consoante os nossos desejos e ambição de felicidade, cá mesmo na terra, sem a inspiração de “manuais de terrores e de bruxarias” ( a Bíblia) que só ajudam a atrapalhar mais a nossa existência.
Somos sim uma identidade especial –nós os humanos-, mas para nós mesmos, porque precisamos sobre-viver diante desse mundo quase sempre injusto.Uma injustiça protagonizada pela nossa incapacidade de não termos e podermos ter domínio, às vezes, sobre o nosso maior adversário: a própria natureza.
Num país jovem como o nosso que herdou valores inquestionáveis que exigem todas as formas de repulsão, nunca é demais discutir que Sistema de Educação precisamos, agora, erguer para não se misturar as tradições de verdade a serem preservadas com a feitiçaria, a bruxaria e todas as formas de charlatanismo, passando por doutrinas pseudocientíficas, que só existem como penumbras para ocultar o que de melhor cada um de nós pode oferecer aos outros: a missão de criar para melhorar e facilitar a vida de todos nós.
A Múxima, com certeza, pode ser ( e é) um anestésico barato, mas vencido e de efeito duvidoso. É ainda, com a maior das certezas, o lugar onde alguém possa jamais ser feliz de verdade ou vivenciar uma suposta felicidade que jamais alcançará. Ela é a imagem do fracasso de qualquer peregrino; ela é o resultado de uma cultura que merece nossa rejeição e total repugnância –pelo menos da forma como se tem concebido : a Cristã. E falando em Cultura, as margens do Rio Kwanza não merecem falsa e vandálica glorificação; o Rio Kwanza é nosso e lá suspiram as milhões de almas de Angolanos que lá passaram e nunca quiseram ir a lugar nenhum, e se foram, nunca regressaram. É a esses que devemos homenagear, e sem confusão.
Não aceitamos de nenhuma maneira um domínio Romano com ares de tradição Católica sobre o mesmo. Não carecemos de imaginação para reverenciar nossos mortos e heróis. Sobre nossos ancestrais deve ficar por nossa conta e com clreza a maneira como os mesmos devem ser glorificados.
Além da infâmia a que nos tem habituado os diferentes modos de readaptação, qual resposta plausível a Igreja tem a dar a cada um dos peregrinos em nome do Cristianismo quando o tema é o tráfico de escravos naquele lugar? Nesse contexto, a quem devemos reverenciar, e as almas dos nossos semelhantes a quem encomendar? Quando era o próprio Cristo o Capitão do Navio Negreiro, o soldado ( ou comerciante) que devia entregar a encomenda aos Senhores dos Engenhos cá na América, o horroroso Capitão do Mato perseguidor e torturador de escravos.
No Projeto de Nação que pretendemos, se o mesmo não está sendo imposto por Roma, esse tipo de pergunta é cabível. E algumas das nossas supostas tradições ou culturas podem ser revistas. Ou será que diante do modismo democrático perdemos também o direito de definir como as futuras gerações poderão ter que nos recordar? Ou ainda, é a Igreja que tem que definir como nossos ante passados devem ser recordados?
A resposta, a uma ou outra coisa, passa, mais uma vez, no papel que o Estado tem direito de influenciar na transição de certos valores culturas para outros; que reneguem os velhos e caducos hábitos coloniais. Não vivem dizendo que somos uma nação jovem, que precisamos de reinventar? Reinventaram uma Constituição, podemos também reinventar uma maneira civilizada e original de adorar os nossos ante passados, nossos mortos, onde não se inclui a falsa do cristianismo.
Tenho certeza que o velho N’Gola Kiluange e os seus inúmeros súditos iriam agradecer! Estes também merecem proteção especial, tão especial que não teriam necessidade de disputar a cadeira ou o trono de algum dos vivos que aí estão. N’Gola e a sua “corte” custariam menos, que qualquer gastador dos cofres públicos que temos por aí, custariam uma simples Lei que incentivasse a valorização da Cultura Angolana e que não se submetesse aos caprichos Papais.
A Angola do futuro deverá ser construída, também, nesse ideal.
Nelo de Carvalho
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Nossa Legitimidade Está à Venda?
Especular que a luta pelo poder em Angola vai além dos interesses dos nacionais ou do cidadão nativo, o angolano, é oportuno, diante de fatos que indicam a falta de responsabilidades e de compromissos daqueles que milhões de pessoas depositaram a confiança para exercerem o poder de representar a nação. A democracia não é um exercício de força, mas de legitimidade. E acho que a última palavra está associada, também, ao cumprimento da lei. Cumprir a lei, num regime democrático, é fazer com que os mais fracos ou até aqueles que se encontram em posição de minoria não se sintam injustiçados. Litigantes ( maioria de um lado e minoria do outro lado) de um processo legislativo em democracias de verdade preferem sentir o sabor da vitória fazendo-se o uso de todos os instrumentos que o mesmo regime oferece. Decisões unipessoais são sempre injustas quando existem alternativas possíveis e, pior a ainda, quando as mesmas alternativas podem levar a uma possível concórdia. O Despacho Legislativo é um caso de truculência vindo de quem menos devia vir. O MPLA não pode se sentir representado neste ato. Eu sugiro outras intenções e pretensões e não aquelas que um dia viu o mesmo partido a nascer em nome de milhões de angolanos.
Chega de guerra! A mesma só é evitada com o cumprimento da lei. A guerra em si pode não existir na sua forma truculenta e cruel, mas as ações de alguns dos nossos políticos produzem o ódio que gerariam a mesma, ou que geraram a mesma durante muitos anos. Isso vale para todas as partes e com a mesma intensidade, sem que o erro de uns seja justificado pelos erros de outrem. Mesmo quando se acredita que os atos têm supostas finalidades patrióticas ou interesses que estão reduzidos a um grupo político, o que se põe de manifesto na prática e fica evidente é a esperteza de quem acredita estar em condições absoluta de exercer todo poder.
A esperteza é a suposta inteligência do bandido, o malfeitor, o mafioso manipulado via interesses alheios. Os inteligentes são sim verdadeiros estrategas que evitam que seus povos ou nações caiam numa situação de instabilidade ou crise que os leve a uma possível guerra. A guerra se evita com acordos e um bom exercício da política e não da arrogância e da falta de visão de alguns.
O Parlamento ou a Assembléia Legislativa não é o lugar para que se dêem vozes de comando; um instrumento unipessoal de demonstração de poder absoluto, que deve ser condenado, rejeitado e jamais paparicado e defendido a contra gosto pelo Jornal de Angola.
Nesta luta entre manipulados e manipuladores ( todos angolanos) o que está em causa é o lucro, o ganho em que partes interessadas (empresas estrangeiras) vêem no país um celeiro de conflitos onde apostar nos mesmos constitui investimentos que o futuro trará como retorno; retorno que virá da cobrança de uma das partes que fazem parte desta luta entre quem está no poder e quem ainda está na oposição. Será....!?
O Despacho Legislativo, algo que surpreendeu a todos nós, é um instrumento fruto desta luta, entre angolanos que nunca se entendem, e vivem se desrespeitando uns aos outros. Tal procedimento põe em dúvida o nível de patriotismo, o amor que se sente pelo angolano, e de que lado estes estão quando agem desta forma.
O “Despacho” nos leva a pensar que a hegemonia que se tem – e quem tem é o MPLA- torna refém esse mesmo partido de suas decisões, pondo um discurso, boçal e pretensioso, na boca da oposição, por exemplo: de que existe uma crise, um debate está sendo vislumbrado e é necessário, ou até mesmo de que o MPLA perdeu o controle de seus atos. Somos de opinião que o controle desta hegemonia deveria estar submetido a forças que pudessem manter um certo equilíbrio em cada execução e decisões vindo desse partido. Diga-se, “forças e equilíbrio interno dentro do próprio MPLA”, assim estaríamos livres, todos nós, de alguns excessos cometidos por alguns dos seus Grandes Militantes, excessos quase sempre indefensáveis.
Por exemplo, se o MPLA tem a maioria no Parlamento, por que não fazer o uso desta maioria para tornar seus atos cada vez mais transparentes? Por que não fazer uso da maioria, para que em vez de um Despacho ( decisão privativa e polêmica) se fizesse o uso de uma Resolução Legislativa onde só o Plenário pudesse decidir -ainda que fosse, e com certeza podia ser assim-, para casos simples ( o que não é), por maioria simples. E assim evitar a movimentação decadente e insignificante de uma oposição que já mostrou, nesses anos de Paz e concórdia, que nunca tem nada a oferecer; a não ser o trombetear rancoroso de um protesto que muitas vezes tem iniciativa nos interesses que espelham certo acenar, alheios, aos interesses do ambiente político nacional. O que o MPLA quer? Dar fogo, combustível ou armar aqueles que melhor sabem dividir os angolanos, aqueles que não excitam em trair sua nação, dar justificação e argumentação suficiente para que continuem agir como vândalos?
Aquela decisão de anular todo ato de fiscalização mesmo temporariamente, convenhamos, não pode ser visto como uma decisão simples, para quem entende bem o papel de uma Assembléia Legislativa. Afinal, dos três Poderes da República, é um poder inteiro que deixa de realizar suas funções por decisão unipessoal, um procedimento confuso e para lá de absurdo que para ser entendido –se vale ser entendido-, porque não há nada aqui que mereça grau de paciência e compreensão; seria preciso dar satisfação, passando por todo formalismo, a cada um dos membros que pertence aquela Casa. Já não é só a oposição, destes estamos blindados de maneira natural de todas as suas atrocidades, mas cada um dos membros do MPLA que compõem aquela casa, também, mereceriam ser respeitados.
Esses mais do que qualquer um, afinal representam a maioria absoluta dos angolanos.
Nelo de Carvalho
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A Reinvenção da Miséria
O Terrorismo Kwacha Nunca Esteve Em Condições de Reclamar Direito de Autodefesa
Uma guerra civil pode ser deflagrada por vários motivos: motivações políticas, sociais, econômicas e de caráter cultural. A única motivação que a UNITA teve para fazer a guerra foi a de caráter política, quando tinha. Porque todas as que tinham eram fracas, vinham do submundo inconsciente e inconseqüente da mentalidade megalomaníaca e desequilibrada de Jonas Savimbi. Uma mentalidade tribal, individualista e racista; Savimbi era um angolano fracassado e mulherengo que tinha a necessidade de impressionar suas mulheres, amantes, conquistadas na base da truculência; o homem tinha a necessidade de impressionar seus ídolos que igualmente eram tão atrasados como ele. A prova disso é que quando um deles despertava diante da claridade, da luz e de algum feixe de inteligência era degolado imediatamente por ele mesmo e os capangas que continuavam a ser fies a ele.
Sejamos sensatos e não precisamos cair em sofismas e discussões. O MPLA em 1992 tinha todas as vantagens para ganhar as eleições e ganhou. Assim, este mesmo partido não tinha motivos e nem a necessidade de provocar a guerra; ou seja, para sermos mais objetivos, sair por aí matando populações indefesas, atacando civis desarmados, provocando desmandos. Ninguém que ganhe o poder político nas urnas, depois da vitória, sairia matando o povo nas ruas como gratidão. Então, respondam –herdeiros da UNITA e de Jonas Savimbi-, por que o MPLA teria motivos de começar novamente uma guerra? Quando era esse partido e o governo no poder que estavam desgastados militarmente para deflagrar e começar uma nova guerra; já que os 13 anos de enfrentamento contra o regime do apartheid provocou desgastes à sociedade, ao MPLA, ao Estado e até ao Governo. Tanto que isso foram motivos fortes que inspiraram Jonas Savimbi e os seus homens a darem continuação a uma guerra que eles acreditaram estarem em vantagem para vencer a mesma.
Não se esqueçam que diante dos discursos de Jonas Savimbi, naquela época, quem tinha os “comandos bem treinados que viam de Marrocos” eram as FALAs, a UNITA e os kwachas. Uma prova de que Savimbi não estava para brincadeiras! O líder, anti-tudo, vindo das trevas, ou melhor, da Jamba, estava disposto a arrasar tudo que contrariasse suas ambições. Por que então fazer uso da falta de visão, supostamente do cidadão, e da infâmia que caracteriza os dirigentes da UNITA, de que “A UNITA não lutou contra si, mas sim contra uma outra força, que para alcançar a paz teve também de destruir e matar em circunstâncias que a necessidade da luta impunha. Os dois mataram, destruíram e saquearam”? Os dois!? Quem são esses dois?
Da para notar com que vontade e flexibilidade a UNITA usa a expressão “ matar, destruir e saquear”; da para notar que ao longo dos anos de sua existência praticou muito bem e com perfeição tudo isso sem remorsos e sem medo de que um dia no futuro, jamais, seriam julgados por todos os crimes que cometeram. Da para notar que atrás de tudo, o que a UNITA fazia não existiam princípios, não existiam motivações sociais, econômicas ou minimamente culturais.
Ou seja, a motivação da UNITA fazer a guerra e do seu líder era porque se sentiam no direito de também matar, destruir e saquear “porque o MPLA também fazia” a mesmas coisas. Então a UNITA não lutou para defender os angolanos, ou até mesmo os angolanos da tribo ovimbundo contra a submissão dos crioulos, dos mulatos e do MPLA? A UNITA lutou, porque o MPLA, também, matava! Se isso for verdade que direito dava a UNITA e a Jonas Savimbi de fazerem justiça por mãos próprias, ou acaso os homens da UNITA nunca ouviram falar da soberania do Estado, que este é o único que tem direito de fazer justiça diante de qualquer injustiça.
Se a UNITA em 1992 aceitou participar nas eleições, aceitou o regime pluripartidário, deveria também estar à altura de reconhecer o Estado atual ( e reconheceu), antes e depois das eleições, naquele período de 1991 a 1992. Não entendemos como um movimento ou partido que sempre diz ter defendido os angolanos: “primeiro os angolanos, segundo os angolanos, terceiro os angolanos, quarto os angolanos....”, poderia se dar o direito de apoiar em mesma escala “um governo ou estado assassino, matador, destruidor e saqueador” –ou seja, agindo da mesma forma que esse estado agia. Isso segundo a lógica dos dirigentes da UNITA e os seus simpatizantes.
Não entendemos a posição da UNITA quando diz que matava, porque também o MPLA matava, destruía e saqueava.
Na verdade, quem são os que não entendem? Os simpatizantes da UNITA? Os cidadãos, que mesmo não sendo do MPLA, querem se deixar enganar pelos dirigentes desse partido?
Vamos seguir um outro raciocínio, que está no parágrafo a seguir. Este e um dos que está em cima já referenciado elimina o suposto direito de auto defesa reivindicados pelos homens do Galo Negro. Na condição de assassinos eles nunca tiveram esse direito.
Se o MPLA tinha tanta sede de sangue de matar quem era da UNITA; fazemos-nos a seguinte pergunta. Onde estão os mais 70 deputados da UNITA, que na época em que Savimbi fazia a guerra nas matas, matando mulheres e crianças indefesas, estes mesmo deputados faziam discursos lá no parlamento? Muitos deles até apoiando as estratégias de guerras do seu chefe. Hoje, a maioria deles -a não ser os que morreram de paludismo, cólera e de beber tanto vinho estragado e kaporroto- estão todos vivos, uns como empresários. Entre eles os que sustentam e financiam a voz dos locutores embriagados da Rádio Despertar. Quantas empresas desses empresários foram destruídas? Depois de conquistada a Paz o MPLA tem o poder que tem. Se o nível da falta de escrúpulos, de vergonha e instinto destruidor fosse igual a dos homens do Galo Negro a Rádio Despertar e quem financia a mesma, direta ou indiretamente, não existiriam. E se considerarmos que essa emissora vive fazendo apologia à violência e o retorno à guerra, o direito de destruição estaria a favor de milhões de ameaçados e ofendidos que UNITA até hoje vive insultando.
A falta de cultura, o egoísmo, o oportunismo, o ufanismos tribal e a boçalidade dos dirigentes da UNITA –em não saberem se defenderem dos crimes que cometeram no passado-, assim como do seu maior e difundo líder (como o seu desequilíbrio mental) nunca tornaram claras e evidentes as motivações do porque que a UNITA andou travando 20 anos de guerra nas matas contra os próprios angolanos.
A UNITA precisaria de bons advogados para isso e que de preferência que os mesmos sejam escutados diante dos tribunais e juizes competentes. É inadmissível que terroristas, um bando de ignorantes e incompetentes –terrorismo contra a nação é crime hediondo e imprescritível em qualquer cultura- possam ir à imprensa, diante dos jornais e da televisão justificar seus crimes fria e barbaramente cometidos contra milhões de pessoas.
É inadmissível que essa gente hoje, com malabarismos maquiavélicos, possam se sentir tão a vontade e livres para acusar quem fez o uso simples do direito de defender a vida, tornando os fatos confusos, empurrando a memória e a história de um povo a ocultarem-se da verdade, como a Lua oculta-se do Sol diante de um Eclipse.
Nelo de Carvalho
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Socialismo ou Capitalismo, Colonialismo ou Independência?
Este artigo não constitui de nenhuma maneira uma respostas ao artigo do “destacado” Jornalista e articulista José Maria Huambo: “Alguém Conhece Um Edifício Construído Nos Anos 80 Pelo Ministério de Construção e Habitação?” Publicado no novo sítio eletrônico, há bem pouco inaugurado, WWW.a-patria.com. Este como o dele, ao meu entender, constituem uma maneira de descrever impressões, que em muitos casos podem estar ou não corretas, podem ou não refletir certas verdades, assim como determinados enganos.
Mas se alguém quiser considerar o contrário, talvez até seja melhor, é uma maneira de concluirmos que a guerra entre os angolanos que no passado tinha o aspecto violento, caracterizado pelo o inferno dantesco que só a espécie humana sabe protagonizar, felizmente, hoje, limitasse aos meios de comunicação e tem como seus tentáculos a internet. Acho que não devemos ter medo disso, estimular debates, ainda que sejam acalorados; é, também, uma maneira de contribuirmos na inteligência do país e ajudar na formação das futuras gerações. E esta é uma missão irrenunciável dos formadores de opinião, do Estado, do Ministério da Cultura e Educação, do Ministério da Comunicação Social e, também, do nosso Grande MPLA, que, às vezes, vive desconfiado de tudo: das críticas de que é vítima. Estes não precisam ter medo de nada, porque a nossa luta que sempre teve Continuação e Vitórias, agora continua “aqui”, e muitas vitórias enfrente ainda conquistaremos.
O autor daquele artigo usou sua experiência de cidadão angolano, mas lamento a ausência no texto da bagagem cultural, que supostamente ele deve ou deveria ter, para evitar assim o saudosismo da era colonial. Deveria usar também sua sagacidade de pesquisador articulista para chegar a conclusão obvia de que a sociedade Angolana nunca na sua história viveu a suposta era socialista ( ou sociedade socialista).
Eu, igualmente, farei o uso da minha experiência como cidadão que viveu três eras diferentes para manifestar minhas impressões sobre o colonialismo português, o socialismo de verdade – e não aquela ruína de sociedade ou os escombros do inferno que se tentou erguer em Angola nós anos 80s e final dos 70s- e finalmente a miserável e injusta sociedade capitalista.
A princípio impressiona-me como alguém que tem nos oferecidos tão “belos” texto sobre o estado caótico da sociedade angolana e a crítica sobre governabilidade e governança nesse país pode encarar a era colonial como se fosse uma era do paraíso perdido. Acaso, o autor José Maria Huambo já ouviu falar – e já sofreu ao menos uma vez na vida na pele- dos fenômenos gerados pelo colonialismo: o racismo, o apartheid e a escravidão? O Senhor Jornalista esqueceu que a guerra, que, precisamente, tornou Angola um país caótico e miserável, era porque a nação tinha a necessidade, a obrigação, o dever e até o direito de travar uma guerra contra o regime do apartheid.
O que me decepciona no Jornalista é essa impressão surrealista, superficial e enganosa e referenciada num suposto consumismo da era colonial, onde precisamente os nativos eram excluídos. Que tipo de consumismo o autor daquele texto se refere, quando 80% da população angolana não sabia ler e escrever? E dos que sabiam gabavam-se simplesmente por terem a chamada quarta-classe. Pessoas analfabetas, subdesenvolvidas e atrasadas consomem o quê? Quantos engenheiros, médicos, professores, universidades, administradores, gestores públicos e ministros Angola tinha na era colonial? Se revermos os fatos no ambiente familiar, quantas pessoas analfabetas na família do autor existiam? Vou responder por mim – na minha família as únicas pessoas que sabiam ler e escrever eram os homens, e a metade deles escrevia e lia muito mal. E na família daquele autor, quantas? Lá no Sul do país onde saiam os contratados – a maioria- para trabalharem nas roças de café! É bem possível que, o próprio autor, se vivesse aquela época não passaria da quarta classe. E sabe o porquê? Porque a essência do ensino colonial português consistia em fazer provar que os negros ou os nativos eram seres inferiores que não tinham como se desenvolver. Um ensino extremista, opressor, racista que inibia a criança e os jovens a prosseguir os estudos em qualquer quer facha etária, gerando uma nação de pessoas analfabetas, o que iriam consumir essas pessoas?
A Angola colonial –mesmo para os que viviam bem- era uma Angola de comerciantes e padeiros portugueses; os negros, os pretos, ou se quiserem, os nativos, eram atrasados recém saídos da escravidão. Até mesmo muitos dos que hoje estão aí governando o país – e digo isso, não por demérito, ao contrário, para enaltecer a saga de um povo, que soube derrotar o colonialismo português e assumir o leme desta nau chamada de Angola.
Naquela condição de atrasados estava quase 97% do continente africano 100% da África Subsaariana. O Capitalismo que triunfou com a Revolução Francesa e que promoveu a Revolução Industrial na Inglaterra não tirou a África da miséria. Mesmo depois de cento e cinqüenta anos de Revolução Francesa e Revolução Industrial os Africanos continuaram a viver em regime de semi-escravidão, se não mesmo em total escravidão.
Senhor José Maria Huambo, quando se escreve para formarmos ideias e opiniões e assim querermos influenciar quem quer que seja todas as referências são poucas e cabíveis. Assim, já que “sua excelência” tocou no socialismo, vamos aqui provar que o socialismo não é o vilão da desgraça dos angolanos; ao contrário, hoje só temos uma pátria e um continente livre, graças aos ideias e princípios socialistas. Às vezes, muito mal interpretados e feito do mesmo um sistema de comandos a ser seguido o que pode levar ao desastre. Mas não é disso que quero falar agora.
Quero continuar a falar do colonialismo e da escravidão coisa que o Senhor idolatra, e eu de minha parte sinto nojo, horror e todo tipo de repugnância; mas como diz o velho adágio: “gostos são gostos e não se discutem”!
Como dizia acima, a Revolução Francesa e a burguesia triunfante que promoveu a Revolução Industrial e a cultura do consumismo mantiveram o continente africano em regime colonial e de escravidão por mais de duzentos anos. Mas essa história de Colonialismos e Escravidão mudou com o triunfo inesperado, mas certeiro da Revolução de Outubro. Uma Revolução conduzida pelas melhores ideias, jamais concebida, na história da filosofia; ou será que para o senhor jornalista a vida só é feita de consumismo? É graças a essa Revolução e a derrota da Alemanha nazista, na segunda guerra mundial, que se cria e se estabelece uma perspectiva para se tornar o continente africano em uma região de nações independentes. Devo recordar ao Senhor, que Portugal, na segunda guerra mundial, era alinhado da Alemanha e “lamento” em dizer que sofreu a derrota por todos nós conhecida: ver o Grande Reich, o Império Alemão, render-se e ser humilhado diante do Exército Vermelho; esse exército, que com a sua Revolução de Outubro, inspirou a outros povos a se libertarem de regimes coloniais e opressores, incluindo a nós os angolanos. Disso sim, eu sinto saudades, e daria tudo de mim para estar ao lado daqueles que participaram triunfalmente naquela contenda: “ a Revolução dos oprimidos desse mundo por um mundo melhor” onde até as mentiras como daquelas do texto que li sejam derrotadas.
Naquele texto do autor, entendi que o socialismo é uma sociedade de pessoas inúteis em quase todos os sentidos da vida, já que o texto limita-se a ridicularizar a mesma sociedade. Se o autor fosse bem informado, saberia que muitas das conquistas desfrutadas no mundo moderno capitalista não constituem criação de nenhum gênio capitalista –não é obra do Tio Patinhas ou do assustador Bill Gates. Vamos tentar clarear aqui quais são essas conquistas, hoje tidas como conquistas das democracias burguesas capitalistas, usadas pela ignorância de muitos dos nossos intelectuais para distorcer a história, entre todas estas coisas, estão, por exemplo:
-A existência dos Bancos Centrais; -que país no mundo de hoje poderia se imaginar sem um Banco Central? Os Bancos Centrais constituem uma criação e invenção Comunista, foi Carlos Marx, que no Manifesto do Partido Comunista, clamou pela existência de um Banco Central para cada uma das nações;
- O ensino gratuito, e a saúde pública; - quem consegue imaginar hoje uma democracia, por mais reacionária que seja, sem o ensino público e sem a saúde pública? Quem consegue vislumbrar um país desenvolvido sem esses dois itens, públicos e gratuitos? Lá em Portugal deve haver, com certeza, ensino público e gratuito, e o povo português – que não é mal agradecido- deve isso aos comunistas de todo mundo, mesmo quando lá os comunistas –de vez enquanto- são ridicularizados e vêem trocado sua gratidão que mereciam na história desse país pelos dos fascistas do regime salazarista, repulsivo; onde até hoje seus herdeiros continuam a sentir sede de sangue, e neles está com certeza o sangue dos pretos de Angola. Entendemos que muitos formadores de opinião nesse país são adeptos a práticas masoquistas e estariam muito bem enquadrados no grupo das vítimas daqueles colonos;
- A Reforma Agrária;
- Os Transportes Públicos;
- As Jornadas de oito horas de trabalho;
-A proibição do trabalho infantil, etc, etc.
O que foi mencionado acima constitui provas de que não se pode fazer da ignorância uma fonte para se democratizar um país.
Também não queremos aqui entrar no mérito se o autor daquele texto é reacionário, revolucionário, de esquerda, de direita ou da extrema direita. Mas precisamos nos perguntar, um texto escrito daquela forma tem o objetivo de enganar a quem? Quem poderia dedicar-se a financiar tal empreitada? A distorção e o ódio está dirigido a que grupo de pessoas?
Ou ainda –já que esse é o objetivo-, quais as chances de derrotar os corruptos do governo, ou até mesmo o governo atual, quando se sabe que os instrumentos de construção que levará a derrota àqueles que estão hoje no poder são os tijolos da mentira?
Essa chance é igual a zero!Absolutamente zero!Ninguém apostaria cinqüenta angulares colonial para alcançar essa posição; ninguém daria nem a fuba podre dos tempos coloniais para alcançar tal objetivo. Felizmente o peixe podre, o pano ruim e todas as outras porcarias que recebíamos no passado não serviriam para se retornar aquele ponto que é o mais baixo da escala humana.
Eu sou desses que preferia estar sim ao lado do velho Antônio Jacinto, tomando, sim, maruvo, mas sem estar acompanhado de maneira miserável por aquelas bugigangas, que só a miséria espiritual de traidores e grupos reacionários na maior desfaçatez conseguem conceber. Que humilhação para um povo!? Que desprezo!? E é aqui onde podemos concluir que não podemos e nem devemos contar com essa oposição para a Reconstrução do País.
Tomarei maruvo, não para esquecer, mas precisamente para brindar pelos tempos modernos, de liberdade e vitória, de uma Angola Nova, Jovem e Viril , a ser reconstruída. E, finalmente, de uma Angola confiante no futuro!
Este texto não termina aqui, vê-se que é algo inacabado, porque inacabado e sem fim é aquela provocação. Ficamos por aqui, hoje, para não cansar o leitor. Porque este merece o mínimo de respeito.
Nelo de Carvalho
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